A pandemia trouxe, entre muitas mudanças, uma maior visibilidade para a doença mental. Agora na vitrine, distúrbios psicológicos como depressão e ansiedade passaram a ser mais discutidos, e também menos escondidos para baixo do tapete. Para a psicóloga Maria Rafart, essa é a mudança mais positiva desde que o mundo virou de ponta cabeça por causa do novo coronavírus.
“Esta é, em minha opinião, a maior mudança, e a mais
positiva, que separa 2019 de 2021. As pessoas têm menos vergonha de dizer que
sofrem de algum distúrbio mental, porque se sentem mais acolhidas. Em 2020,
muitas empresas ainda não tinham estabelecido programas sólidos de ajuda aos
colaboradores em sofrimento psicológico. Tudo era novidade, o home office, o
esgotamento mental, a ansiedade de desconhecer o futuro. O choque de ver tantas
pessoas em desgaste mental acordou todos para um olhar mais compreensivo”, diz
a especialista.
Ainda de acordo com a psicóloga, as empresas passaram a
ter um olhar mais atento e acolhedor aos quadros de transtornos psicológicos de
seus funcionários. “Quando se perde a vergonha de dizer que se está doente, aí
é que se percebe o quanto há de gente que precisa de ajuda e de apoio
psicológico. O ano de 2021 é o ano dois da pandemia, e ela ainda não acabou.
Além de cada um estabelecer suas estratégias individuais para controle de seu
sofrimento psíquico, como buscar terapia, por exemplo, os departamentos de
recursos humanos já possuem um olhar mais acolhedor sobre os colaboradores, e
programas permanentes de apoio estão em funcionamento”.
E o reconhecimento da importância de dar atenção a essas
doenças psicológicas possibilitou o crescimento de discussões sobre o tema.
“Nunca se ouviu falar tanto de palestras sobre qualidade de vida, sobre
empoderamento e sobre doenças mentais. As palestras que sou solicitada a proferir
hoje, por exemplo, não recebem mais a maquiagem de “palestras motivacionais” -
os responsáveis dos RH’s me solicitam diretamente para falar sobre uso
excessivo de internet, sobre ansiedade, sobre transtornos mentais. Chamar as
doenças mentais pelo próprio nome parece o maior ganho de uma pandemia que nos
trouxe tantas perdas”.
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