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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Estudo do Einstein indica que biomarcadores no sangue podem ajudar a prever resposta à imunoterapia em câncer de pulmão

 Pesquisa identifica biomarcadores no sangue e usa análises exploratórias de inteligência artificial para estimar, de forma menos invasiva, a probabilidade de resposta ao tratamento


Biomarcadores identificados no sangue podem ajudar a indicar, antes do início do tratamento, se um paciente com câncer de pulmão avançado tem maior chance de responder à imunoterapia. É o que mostra um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Pesquisa em Imuno-oncologia (CRIO), do Einstein Hospital Israelita, e publicado na revista científica iScience. 

A pesquisa, que recebeu apoio financeiro da farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK) e da FAPESP, identificou, no sangue, os chamados biomarcadores – sinais biológicos que funcionam como “pistas” sobre o que está acontecendo no organismo – associados à probabilidade de resposta à terapia. Com apoio de inteligência artificial, os cientistas analisaram esses sinais para estimar a probabilidade de resposta ao tratamento, em uma abordagem menos invasiva que poderá, após validação em estudos maiores, contribuir para decisões terapêuticas mais direcionadas na prática clínica. 

Esse tipo de avanço ganha ainda mais relevância diante de um dos principais desafios da oncologia atual: embora a imunoterapia tenha revolucionado o tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo o de pulmão, entre 50% e 60% dos pacientes não respondem à terapia. Trata-se, ainda, do tipo de câncer mais diagnosticado e mais letal no mundo, segundo estimativas recentes da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/OMS), que apontam cerca de 2,5 milhões de novos casos e 1,8 milhão de mortes anuais. 

Foi nesse contexto que os pesquisadores analisaram amostras de sangue de 33 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC) em estágio avançado, antes do início do tratamento, traçando o perfil imunológico desses indivíduos. A análise, combinada a dados públicos de tumores, indicou que diferenças no estado funcional das células imunes podem ser detectadas diretamente na corrente sanguínea e estão associadas à resposta à imunoterapia, refletindo, em parte, características do ambiente tumoral. 

A equipe, liderada por Kenneth Gollob, pesquisador do Einstein e diretor do CRIO, identificou diferenças importantes no comportamento das células de defesa dos pacientes. Nos casos em que a imunoterapia funciona melhor, essas células – chamadas células T – apresentavam características de ativação e de potencial citotóxico, associadas à expressão de genes relacionados à resposta antitumoral, como o NKG7. 

Já nos pacientes que não respondem ao tratamento, o cenário é oposto: as células de defesa apresentam sinais de inibição e menor capacidade de reagir contra o câncer, além de características associadas à progressão da doença. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a imunoterapia não é eficaz em todos os casos. 

Para aprofundar essa análise, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada sequenciamento de RNA de célula única, que permite observar, de forma detalhada, a atividade genética de cada célula individualmente. Ao comparar esses dados com informações de tumores, foi possível verificar que os padrões identificados no sangue reproduzem, em grande parte, o que acontece no próprio tumor – indicando que a análise do sangue pode funcionar como uma espécie de “janela” para entender o ambiente tumoral de forma menos invasiva. 

Para transformar essas diferenças em uma abordagem com potencial para estimar a resposta ao tratamento, os pesquisadores utilizaram um algoritmo de machine learning chamado Random Forest. Em análises exploratórias, a combinação de biomarcadores e frequências específicas de linfócitos T permitiu classificar perfis imunológicos e estimar a probabilidade de resposta com cerca de 90% de acurácia. 

“Antecipar a resposta à imunoterapia significa sair de uma lógica de tentativa e erro e avançar para uma abordagem mais direcionada, baseada nas características de cada paciente. Isso não apenas qualifica a tomada de decisão clínica, como também contribui para o uso mais racional dos tratamentos disponíveis. As descobertas do estudo estão alinhadas ao propósito central do CRIO: gerar conhecimento que amplie as respostas anticancerígenas, impulsionando o desenvolvimento de novas abordagens capazes de beneficiar um maior número de pacientes e, no futuro, evitar tratamentos pouco eficazes e orientar escolhas terapêuticas mais adequadas”, afirma Kenneth Gollob. 

O estudo também investigou por que alguns pacientes não se beneficiam da imunoterapia. Nesses casos, foi identificada uma maior frequência de células T expressando CTLA-4, uma proteína associada à inibição da resposta imunológica. Em testes laboratoriais, o bloqueio combinado de CTLA-4 e PD-1, usando medicamentos já utilizados em imunoterapia, conseguiu reativar características antitumorais de células T em amostras de pacientes com falha terapêutica. 

“Os resultados ajudam a entender por que parte dos pacientes não responde à imunoterapia. Ao identificar o papel do CTLA-4 nesse processo, conseguimos apontar caminhos para estratégias combinadas que possam reativar o sistema imunológico nesses casos”, explica Amanda B. Figueiredo, primeira autora da pesquisa. 

Os achados abrem novas possibilidades de investigação e precisam, agora, ser confirmados em estudos mais amplos antes de chegarem à prática clínica. 

Nesse cenário, o avanço reforça uma tendência na oncologia em direção a tratamentos cada vez mais personalizados, definidos a partir das características biológicas de cada paciente e, cada vez mais, com base em exames menos invasivos. No caso do câncer de pulmão, ferramentas que permitam antecipar decisões terapêuticas poderão, após validação, impactar o tempo de tratamento e as chances de resposta. 

 

Centro de Pesquisa em Imuno-oncologia (CRIO). Iniciativa colaborativa que reúne Einstein, A.C. Camargo Cancer Center, Hospital Municipal Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho – Vila Santa Catarina e a farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK), com apoio da FAPESP. O centro atua na identificação de biomarcadores e novos alvos imunorreguladores que ajudem a superar as limitações atuais da imunoterapia no tratamento do câncer. Com uma equipe de 40 pesquisadores, o CRIO desenvolve estudos sobre os cânceres cervical, de cólon, pulmão, ovários e cavidade oral, e, em 2025, expandiu a atuação para os tumores de endométrio e próstata, além do mieloma múltiplo.



Existem alimentos que protegem a tireoide? Saiba o que realmente faz a diferença

 Uma alimentação variada e equilibrada permite o consumo de todos os nutrientes necessários para o pleno funcionamento da glândula e do corpo em geral

 

Já é consenso que ultraprocessados, frituras, açúcar e álcool fazem mal à saúde, mas, será que existem alimentos que trazem benefícios à tireoide, aproveitando o ensejo deste Setembro Azul e Rosa, mês dedicado à conscientização sobre as doenças ligadas à glândula? A ciência mostra que sim! Uma alimentação variada e equilibrada permite o consumo de todos os nutrientes necessários para o pleno funcionamento da tireoide e do corpo em geral, entre eles, iodo, selênio, ferro, zinco, magnésio, vitaminas do complexo B e vitaminas A e E. 

De acordo com o médico oncologista do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), o Dr. Humberto Matos, o iodo é fundamental para o bem-estar da tireoide, pois a glândula necessita da substância para sintetizar os hormônios T3 e T4, que participam da regulação do metabolismo, garantindo, assim, o funcionamento correto do coração, a saúde óssea, o controle da temperatura corporal, o crescimento, a memória e até a fertilidade. 

Apesar de recomendar o consumo equilibrado do iodo, o especialista adverte que um dos principais mitos envolvendo a substância gira em torno do fato de que, para cuidar da tireoide, as pessoas precisam tomar suplementos à base do nutriente. “No Brasil, o sal de cozinha é iodado, justamente, para prevenir a deficiência dessa substância. O consumo ideal para um adulto corresponde a 0,15 miligramas ao dia”, complementa. 

Porém, nem só de iodo vive a tireoide. O médico comenta que o selênio também é essencial para o funcionamento da glândula, porque participa da metabolização dos hormônios tireoidianos, além de agir como antioxidante, preservando o equilíbrio do sistema imunológico. Entre os alimentos ricos em selênio, estão: carnes, peixes, frutos do mar, castanhas - em particular, a castanha-do-pará -, nozes, ovos, grãos integrais e leguminosas. 

Vale reforçar que uma alimentação equilibrada, associada a uma rotina de vida saudável, protege não só a tireoide, mas a saúde em geral. “A minha recomendação é de evitar alimentos ultraprocessados ou que possam ser pró-inflamatórios ao organismo, como frituras, fast food, açúcar e álcool, bem como a de combater o estresse excessivo, a obesidade, o tabagismo e o etilismo”, acrescenta.
 

Mas, afinal, quais são as doenças da tireoide? 

As doenças da tireoide podem ser divididas pela atividade da glândula. No hipotireoidismo, os sintomas mais comuns são: fadiga, ganho de peso, lentificação de movimentos e fala, intolerância ao frio, constipação, bócio e distúrbios reprodutivos. No hipertireoidismo, há queixas de intolerância ao calor, tremor, palpitação, ansiedade, perda de peso e aumento da frequência de evacuações. 

Uma grande parcela da população apresenta nódulos tireoidianos, facilmente identificados por ultrassonografia. Na sua maioria, eles são de origem benigna, mas devem sempre ser acompanhados por um especialista, que indicará o intervalo correto para a realização de ultrassom de acompanhamento.

 

Instituto de Oncologia de Sorocaba
  

A menopausa muda o corpo, mas alimentação não precisa virar castigo no processo

 Especialista explica como ajustes na alimentação podem ajudar na energia, no sono, na preservação da massa muscular e na saúde óssea, sem dietas restritivas ou listas de proibições 

 

A menopausa não afeta apenas o ciclo menstrual. A queda progressiva do estrogênio pode alterar a composição corporal, o sono, a disposição, o humor, a saúde dos ossos e a preservação da massa muscular. É uma fase que exige atenção não apenas ao peso, mas também à saúde metabólica e à qualidade de vida.

Para a nutricionista e psicóloga Flávia Lucena, essas mudanças precisam ser compreendidas dentro de um contexto mais amplo. “A oscilação hormonal cria um novo cenário biológico, mas a forma como ele se manifesta depende também do envelhecimento, da genética, da composição corporal e dos hábitos de vida de cada mulher”, explica.

Entre as alterações mais comuns estão a redistribuição da gordura para a região abdominal e a perda de massa muscular. O estrogênio também participa da regulação da glicose, do colesterol, da função cerebral, do sono e da saúde óssea. Com sua queda, podem surgir alterações metabólicas e cardiovasculares que merecem acompanhamento.

Sono, humor e disposição também podem ser afetados. Fogachos, fadiga e dificuldade de concentração são queixas frequentes. A redução hormonal ainda pode provocar ressecamento e desconforto vaginal, mas a libido não depende de um único fator. “A redução da libido nessa fase resulta da interação entre fatores hormonais, físicos, emocionais e relacionais”, afirma Flávia.

Esse conjunto ajuda a explicar por que muitas mulheres relatam mais dificuldade para emagrecer. “É comum ouvir que continuam comendo de forma parecida e mantendo hábitos semelhantes, mas passam a ganhar peso com mais facilidade ou têm mais dificuldade para emagrecer. Isso pode acontecer porque, mesmo sem grandes alterações na rotina, o organismo se transformou”, esclarece.

A perda de massa muscular também pesa nessa equação. “Com o passar dos anos, há uma tendência à redução de massa muscular, e isso é central, porque o músculo é um tecido metabolicamente ativo”, pontua. Com menos músculos e menor gasto energético, uma rotina alimentar que antes mantinha o peso estável pode deixar de produzir o mesmo resultado.

O sono ruim pode agravar o processo. Fogachos, suores noturnos e despertares frequentes aumentam a fadiga, interferem na fome e na saciedade e reduzem a disposição para a atividade física.

A alimentação pode ajudar a preservar a massa muscular e a saúde óssea, além de favorecer o equilíbrio metabólico, mas a estratégia deve considerar as necessidades individuais. “A mulher não chega à menopausa ‘do zero’. Ela traz sua composição corporal, seus hábitos, a qualidade do sono, a saúde emocional e possíveis deficiências nutricionais”, observa a especialista.

Não existe, portanto, uma dieta única para a menopausa. A proteína ganha importância, sobretudo quando associada ao exercício de força. Para os ossos, cálcio, vitamina D, proteínas e outros micronutrientes também são fundamentais.

De forma geral, a alimentação deve priorizar frutas, vegetais, leguminosas, grãos integrais, oleaginosas, peixes, fibras e gorduras insaturadas. Ultraprocessados, bebidas açucaradas, excesso de sódio, gorduras trans e álcool estão associados a um pior perfil cardiometabólico.

Álcool, excesso de cafeína, bebidas muito quentes, refeições volumosas e alimentos picantes podem agravar os fogachos. Flávia recomenda observar as reações individuais, sem criar proibições universais. O mesmo vale para suplementos, que devem ser indicados a partir da investigação de possíveis deficiências. Sintomas frequentes ou intensos exigem avaliação médica.

Além das alterações físicas, a menopausa pode afetar a relação da mulher com o próprio corpo. Para Flávia, essa fase não deve ser tratada como um problema estético a ser corrigido. “O corpo não falhou, ele está atravessando uma transição biológica com sintomas próprios, que exigem cuidado e ajuste, não correção. Isso não tira nada da mulher, mas pede que ela reorganize a relação com o próprio corpo nessa nova fase”, conclui. 

 

Flávia Lucena - nutricionista e psicóloga, especialista em comportamento alimentar e criadora do Método Nutrição com Acolhimento®. Sua abordagem integra nutrição clínica funcional, psicologia comportamental e escuta aprofundada da relação das pessoas com a alimentação, promovendo uma visão que considera não apenas aspectos físicos, mas também emocionais, sociais e comportamentais do ato de comer. Atua com foco na construção de uma relação mais consciente, flexível e sustentável com a alimentação, auxiliando pacientes em diferentes fases da vida por meio de atendimentos presenciais e online.


Caminhada do Setembro Verde reforça luta pela inclusão e direitos da pessoa com deficiência

Evento promovido pela APAE São Vicente, em parceria com o Comdef e a Prefeitura, reunirá comunidade em mobilização por acessibilidade, respeito e igualdade



Às vésperas do Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, celebrado neste sábado, dia 21 de setembro, São Vicente se prepara para mais uma importante ação de conscientização sobre inclusão social. No dia 25, a partir das 9h, a APAE São Vicente realiza a tradicional Caminhada do Setembro Verde, aberta ao público, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdef) e a Prefeitura Municipal. Para participar, basta se vestir de verde e se juntar à causa.

O tema desta edição é “Pertencimento, Presença e Participação”, reforçando a importância do envolvimento das famílias atípicas na luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência e de chamar a atenção da sociedade para a importância da acessibilidade, da garantia de direitos e da construção de uma comunidade mais inclusiva. A concentração será no Pier do Pelé, com percurso até a Praça Tom Jobim, reunindo usuários, familiares, profissionais, autoridades e moradores em uma grande corrente de conscientização.

Mais do que uma caminhada, o evento contará com uma programação especial voltada ao atendimento da população. Em parceria com o Comdef e a Prefeitura, serão oferecidas atividades e prestação de serviços nas áreas de Saúde, Educação e Assistência Social, ampliando o acesso à informação e aos direitos da pessoa com deficiência.

A Diretora pedagógica da APAE São Vicente, Cristina Cantareli, destaca que o Setembro Verde é um momento fundamental para ampliar o debate sobre inclusão e fortalecer a defesa de direitos. “A Campanha Setembro Verde visa destacar a importância da inclusão social da pessoa com deficiência, seja no trabalho, na educação ou na cultura. Apesar da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garantir inúmeros direitos, ainda há muito pelo que lutar!”, reforça.

Outro destaque da programação será a apresentação do Coral do Centro Dia, que acompanhará o evento levando música, arte e emoção aos participantes durante o percurso.

“A caminhada não é apenas um ato de conscientização, mas também uma oportunidade de mostrar o poder da inclusão na prática, com momentos de convivência, alegria e aprendizado para todos”, destaca Mirian Viana, coordenadora pedagógica da APAE São Vicente.

A mobilização busca sensibilizar a população sobre a necessidade de eliminar barreiras físicas, sociais e atitudinais que ainda limitam a participação plena das pessoas com deficiência na sociedade. A expectativa é reunir centenas de participantes em uma manhã marcada pela integração, pelo respeito às diferenças e pela valorização da diversidade.



Serviço:

📅 Data: 25 de setembro

Horário: 9h

 
📍 Concentração: Pier do Pelé

 
🚶 Percurso: até a Praça Tom Jobim

 
Realização: APAE São Vicente

Parceria: Comdef (Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência) e Prefeitura Municipal


Números mostram que brasileiro se sente mais saudável do que de fato é, segundo pesquisa A.C.Camargo/Nexus

Enquanto 59% avaliam a própria saúde como ótima ou boa, dados revelam que 63% estão acima do peso e 42% nunca praticam atividade física, dois dos principais fatores de risco para o câncer

 

O brasileiro se enxerga com mais saúde do que os números confirmam, e isso pode ter um preço alto do ponto de vista oncológico. É o que revela a pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C.Camargo Cancer Center e da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país. 

Enquanto 59% dos entrevistados avaliam a própria saúde como ótima ou boa, os dados de peso e altura declarados mostram que 63% da população adulta está acima do peso ideal, sendo 37% com sobrepeso e 26% com obesidade, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde.

 O excesso de peso é hoje reconhecido pela ciência como fator de risco para mais de dez tipos de câncer, entre eles os de intestino, mama, pâncreas e esôfago. Ou seja: seis em cada dez brasileiros carregam, sem perceber, um dos principais fatores de risco da doença”, detalha o Dr. Victor Piana, patologista e CEO do A.C.Camargo Cancer Center. 

O quadro se agrava pela baixa frequência de atividade física: 42% dos entrevistados afirmam nunca praticar exercícios, enquanto, entre aqueles que praticam, a média é de apenas 2,4 dias por semana. A prática regular de exercícios reduz o risco de tumores como os de intestino e de mama, ajuda no controle do peso e melhora a resposta do organismo durante e após o tratamento oncológico. “Quem não se movimenta abre mão de uma das ferramentas de prevenção mais baratas e acessíveis que existem”, diz Piana.
 

O prato ajuda, mas a rotina sabota

A alimentação é o único ponto em que o brasileiro joga a favor da própria saúde. Dois terços dos entrevistados (66%) consomem alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes, seis dias ou mais por semana, enquanto bebidas açucaradas, ultraprocessados, doces e frituras aparecem em cerca de 2 dias semanais. Para a oncologia, o padrão importa: dietas ricas em vegetais e fibras estão associadas a menor risco de câncer de intestino, enquanto ultraprocessados e carnes processadas seguem na direção oposta. 

Mas comer bem não é escolha para todo mundo. Metade dos entrevistados esbarra em barreiras concretas: 29% apontam o preço alto de carnes frescas, frutas e vegetais, e 21% citam a falta de tempo e o cansaço da rotina. A desigualdade salta aos olhos quando, entre quem ganha até um salário mínimo, o preço trava a alimentação saudável de 40% das pessoas, índice que despenca para 10% na faixa acima de cinco salários mínimos, onde o obstáculo passa a ser o tempo (39%). Na prática, a exposição a fatores de risco alimentares de câncer pesa mais sobre quem tem menos condições de escolher o que põe no prato.

 

O paradoxo do álcool

Já em relação ao consumo de bebidas alcoólicas, 58% dos brasileiros afirmam não beber, enquanto 30% dizem consumir álcool de um a dois dias por semana e 5% relatam beber de cinco a sete dias. Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígeno, o álcool está associado ao desenvolvimento de tumores de boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama. Quando combinado ao cigarro, os riscos são ainda maiores. 

O que chama a atenção é mais um paradoxo detectado pelo levantamento: entre os que mais consomem álcool, é maior a parcela que considera a própria saúde ótima ou boa. Essa percepção chega a 64% entre quem bebe de cinco a sete dias por semana, contra 58% entre os que não bebem. O resultado reflete a percepção dos entrevistados e não necessariamente suas condições objetivas de saúde. Esse paradoxo ilustra o perigo da falsa percepção de saúde. A socialização e o relaxamento associados ao consumo frequente de álcool fazem com que a pessoa confunda sentir-se bem com estar saudável. 

A pesquisa A.C.Camargo/Nexus mostra que o maior risco do brasileiro, portanto, não está no que ele sente, e sim no que ele não percebe. Excesso de peso, sedentarismo, cigarro e álcool são fatores de risco que se instalam silenciosamente na rotina”, diz Piana. “A boa notícia é que todos eles são modificáveis. Cuidar dos hábitos hoje é a forma mais eficaz de reduzir as chances de um diagnóstico de câncer amanhã”, conclui o patologista e CEO do A.C.Camargo Cancer Center.
 

Metodologia

A Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 p.p., com intervalo de confiança de 95%. Após a coleta, foi aplicado um fator de ponderação para corrigir eventuais distorções em relação ao plano amostral; devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%. A etapa de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. Estatístico responsável: Neale El-Dash, Conre 8656-A.

 

Geriatra, cardiologista, oftalmologista: quando procurar cada especialista depois dos 50?

 

Especialistas explicam por que idade, histórico de saúde, fatores de risco e sintomas ajudam a definir quais acompanhamentos devem fazer parte da rotina 


Completar 50 ou 60 anos não significa que, de uma hora para outra, seja necessário incluir uma lista de novos especialistas na agenda. Ainda assim, o avanço da idade traz mudanças no organismo e aumenta a importância de acompanhar aspectos da saúde que podem evoluir mesmo sem sintomas. 

Cardiologista, geriatra, oftalmologista, urologista: afinal, quais médicos devem fazer parte dessa rotina? A resposta depende menos de uma idade exata e mais do histórico de saúde, antecedentes familiares, fatores de risco, sintomas e necessidades de cada pessoa. Nesse processo, o clínico geral pode ser um dos pontos de partida, acompanhando a saúde de maneira ampla e identificando quando é necessário recorrer a outras especialidades. 

“Não existe uma lista de especialistas que toda pessoa obrigatoriamente precise procurar ao completar 50 anos. Na consulta clínica, conseguimos avaliar o paciente de forma global, considerando histórico pessoal e familiar, medicamentos em uso, hábitos de vida, exames anteriores e eventuais sintomas. A partir disso, podemos identificar quais acompanhamentos específicos fazem sentido para aquela pessoa e em qual momento”, explica Dr. Vitor Mazoco, clínico geral da MedSênior.
 

E o geriatra? É preciso esperar chegar à terceira idade?

Embora seja frequentemente associado às idades mais avançadas, o geriatra não atua apenas quando já existem limitações ou múltiplas doenças. A especialidade acompanha o processo de envelhecimento de maneira abrangente e pode avaliar questões relacionadas à funcionalidade, cognição, mobilidade, alimentação, sono, uso de medicamentos e manutenção da autonomia. 

Não existe uma idade única para iniciar esse acompanhamento. A necessidade varia conforme o perfil de saúde e pode surgir, por exemplo, quando diferentes condições e tratamentos precisam ser avaliados de forma integrada. O geriatra também não necessariamente substitui outros especialistas: o acompanhamento ginecológico, por exemplo, continua tendo papel específico na saúde da mulher, enquanto o geriatra mantém um olhar global sobre o envelhecimento. 

“O mais importante é evitar um cuidado fragmentado, em que cada doença é vista isoladamente. À medida que diferentes especialistas passam a participar do acompanhamento, é importante que exista uma visão integrada, inclusive para avaliar medicamentos, exames e recomendações em conjunto”, destaca o clínico.
 

Coração: idade importa, mas os fatores de risco também

A saúde cardiovascular não depende apenas da idade. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, condições de saúde, hábitos de vida e histórico familiar estão entre os fatores que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares. 

Por isso, os 50 anos não funcionam como um marco obrigatório para a primeira consulta com o cardiologista. Pessoas com fatores de risco, doenças preexistentes ou sintomas podem precisar de avaliação especializada antes, enquanto aquelas sem essas condições devem seguir o acompanhamento indicado de acordo com seu perfil de saúde. 

“A idade é apenas uma das informações que consideramos na avaliação cardiovascular. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo e histórico familiar podem modificar o risco de cada pessoa e indicar a necessidade de um acompanhamento mais próximo. O objetivo é olhar para esse conjunto e não apenas para a data de nascimento”, explica o cardiologista da MedSênior, Dr. Augusto Neno..

Além da prevenção, alguns sintomas também merecem atenção. Dor ou desconforto no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações, tonturas e desmaios são exemplos de manifestações que devem ser avaliadas e não atribuídas automaticamente ao envelhecimento. 

“É comum a pessoa reduzir o ritmo e pensar que determinado cansaço ou falta de disposição é simplesmente consequência da idade. Nem sempre é. Mudanças na tolerância ao esforço e sintomas que surgiram recentemente precisam ser investigados, principalmente quando existem outros fatores de risco cardiovascular”, acrescenta o médico.
 

Olhos: por que o acompanhamento ganha importância com a idade?

A saúde dos olhos é outro aspecto que merece atenção durante o envelhecimento. Alterações visuais podem acontecer gradualmente e, justamente por isso, nem sempre são percebidas de imediato.

Um dos exemplos é a catarata, caracterizada pela perda de transparência do cristalino, a lente natural do olho. Dados reunidos pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), na publicação As Condições de Saúde Ocular no Brasil 2023, ajudam a dimensionar a relação com o envelhecimento: a catarata está presente em quase metade das pessoas entre 65 e 74 anos e atinge mais de sete em cada dez após os 75. Entre pessoas com menos de 65 anos, a proporção estimada é de 17,6%. 

“A catarata costuma evoluir progressivamente. A pessoa pode começar a perceber a visão mais embaçada, maior sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite ou a sensação de que precisa trocar os óculos com mais frequência. Como algumas mudanças acontecem aos poucos, o acompanhamento oftalmológico ajuda a identificar alterações antes que elas tenham um impacto maior na rotina”, explica o oftalmologista da MedSênior, Dr. Fabiano Cade. 

O acompanhamento dos olhos, porém, não se resume à catarata. A avaliação oftalmológica também permite observar outras alterações que podem se tornar mais frequentes ou relevantes com o avanço da idade, considerando ainda fatores individuais, como diabetes, histórico familiar e doenças oculares preexistentes. 

“Enxergar bem tem relação direta com independência e segurança. Uma dificuldade visual pode interferir na leitura, na direção, na locomoção e até aumentar a insegurança para realizar atividades cotidianas. Por isso, não devemos esperar uma perda importante da visão para procurar avaliação”, acrescenta o oftalmologista.
 

E os demais especialistas?

Urologista, ginecologista e coloproctologista também podem fazer parte dos cuidados ao longo do envelhecimento, mas o momento e a frequência das consultas não devem ser definidos apenas pela idade.

No caso dos homens, a decisão sobre o rastreamento do câncer de próstata deve ser individualizada e discutida com o profissional de saúde, considerando benefícios, possíveis riscos e fatores pessoais. O mesmo princípio vale para o rastreamento do câncer colorretal, que pode envolver diferentes métodos e deve considerar idade, histórico familiar e condições clínicas. 

Para as mulheres, o avanço da idade também não significa abandonar o acompanhamento ginecológico. Climatério, menopausa, saúde sexual e cuidados ginecológicos e mamários continuam fazendo parte da atenção à saúde nessa fase da vida. 

Em vez de acumular consultas e exames por conta própria, a recomendação é organizar o cuidado de acordo com as necessidades individuais e manter os profissionais que acompanham o paciente informados sobre diagnósticos, tratamentos e medicamentos prescritos por outras especialidades. 

“Depois dos 50, o cuidado não precisa necessariamente envolver mais médicos, mas deve ser cada vez mais individualizado e integrado. O acompanhamento adequado é aquele que identifica riscos, antecipa problemas quando possível e direciona o paciente ao especialista certo quando existe indicação, sem transformar o envelhecimento em uma sequência de exames e consultas desnecessárias”, conclui o clínico geral.

 

MedSênior
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Especialista alerta que halitose persistente, principalmente quando acompanhada de outras alterações na boca ou garganta, deve ser avaliada por um profissional de saúde


O mau hálito é frequentemente associado à higiene bucal, mas nem sempre sua causa está apenas nos hábitos de escovação. No Dia Nacional de Combate à Halitose, celebrado em 22 de setembro, especialistas chamam a atenção para a importância de investigar o problema quando ele é persistente ou aparece acompanhado de outras alterações na boca e na garganta. Embora a halitose, isoladamente, não signifique a presença de um câncer, o sintoma pode fazer parte do conjunto de manifestações de algumas doenças da região de cabeça e pescoço. A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) inclui o mau hálito persistente entre os possíveis sinais associados a tumores da região, especialmente quando acompanhado de sintomas como dificuldade para engolir, dor na língua ou presença de nódulo no pescoço. 

“O mau hálito é muito comum e, na maioria das vezes, está relacionado a condições que podem ser tratadas, como problemas periodontais, alterações na língua ou boca seca. O ponto de atenção é quando ele persiste apesar dos cuidados habituais ou aparece associado a outros sintomas. Nesses casos, é importante procurar avaliação profissional para identificar a causa”, explica a Dra. Aline Viana, médica cirurgiã e diretora de comunicação da SBCCP. 

A atenção é relevante diante da incidência dos tumores que acometem a região. Segundo a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral por ano, incluindo tumores de lábio, língua e cavidade oral. A doença é mais frequente entre homens: são estimados 12.260 casos anuais no sexo masculino, contra 4.930 entre mulheres. 

Além do mau hálito persistente por mais de três semanas, alguns sinais devem ser observados, principalmente quando permanecem por semanas: feridas na boca que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas, dor ou dificuldade para engolir, rouquidão persistente, dor na garganta, alteração na voz e presença de caroço ou nódulo no pescoço. “Mais importante do que associar automaticamente o mau hálito ao câncer é entender que alterações persistentes na boca e na garganta não devem ser normalizadas. O diagnóstico precoce permite identificar a causa do sintoma e, quando existe uma doença mais séria, aumenta as possibilidades de tratamento em fases iniciais”, afirma Aline. 

A especialista reforça ainda que a avaliação pode começar com um dentista ou médico, dependendo dos sintomas apresentados. A investigação adequada é fundamental para diferenciar uma causa comum de halitose de outras condições que necessitam de acompanhamento específico.



Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço - SBCCP
sbccp.org.br


Super El Niño: mudanças climáticas exigem planos de contingência municipais e atenção redobrada contra aumento das arboviroses

  Com base em projeções da Fiocruz, governo estima que o número de casos de dengue deve chegar a 1,7 milhão nos próximos meses a partir do fenômeno, que este ano deve ser ainda mais intenso

 

As mudanças climáticas extremas e os reflexos do fenômeno El Niño, que altera os padrões de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país, trazem novos desafios para a saúde pública brasileira. De acordo com dados baseados em projeções da Fiocruz, o governo estima que o número de casos de dengue deve chegar a 1,7 milhão nos próximos meses, a partir das previsões do Super El Niño, que deverá ser ainda mais intenso este ano. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um alerta para o risco de alta de arboviroses com o avanço do fenômeno climático. 

De acordo com o Dr. Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn (uma das principais indústrias brasileiras de saúde e bem-estar), a instabilidade climática tem potencial para desencadear impactos diretos na saúde da população, indo desde desastres relacionados a enchentes e inundações até o aumento na incidência de doenças transmissíveis. Dr. Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn “Embora o comportamento das chuvas passe por variações conforme a região, aumentando em algumas e diminuindo em outras, o alerta principal recai sobre a combinação de umidade e calor, cenário propício para a proliferação de vetores de zoonoses, especialmente as arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, como a dengue, zika e chikungunya”, destaca o especialista. 

Historicamente, o período de pico das arboviroses no Brasil ocorre entre a segunda quinzena de dezembro e os meses de abril e maio, diminuindo no segundo semestre com a queda das temperaturas e das chuvas. No entanto, sob a influência de alterações climáticas atípicas, os municípios devem se manter em alerta para um possível aumento no número de casos fora de época, ainda que uma epidemia em larga escala seja menos provável neste período. 

Nesse contexto, o diagnóstico precoce e a testagem rápida ganham papel estratégico. “Como os sintomas iniciais de zika, chikungunya e dengue são muito parecidos, a identificação rápida da doença por meio de testes rápidos amplamente disponíveis para a população em farmácias e clínicas de todo o país não é importante apenas para o diagnóstico e tratamento individual correto, mas também fundamenta as ações das secretarias de saúde no bloqueio e contenção do mosquito na região afetada, além de garantir a notificação oficial dos casos, essencial para frear a cadeia de transmissão”, diz, Chieppe. 

Embora qualquer pessoa suscetível ao vírus possa adoecer, a atenção deve ser redobrada para grupos específicos, como as gestantes, que exigem cuidado rigoroso devido ao risco de complicações associadas ao Zika vírus, que possui potencial para causar malformações fetais, como a microcefalia, e as crianças, por terem menor histórico de contato prévio com os vírus e apresentarem maior suscetibilidade.
 

Serviços de saúde e população devem estar atentos com o aumento dos casos de arboviroses diante do Super El Niño 

Para conter o aumento do número de infectados pelo vírus e evitar o agravamento dos casos, é importante orientar a população sobre os sinais de gravidade, ensinar a identificá-los e procurar imediatamente o serviço de saúde. Dr. Chieppe alerta que nenhum sistema consegue absorver uma explosão de casos sem planejamento prévio. Por essa razão, a recomendação central é a elaboração imediata de planos de contingência por parte dos gestores públicos e privados. 

“O planejamento prévio deve contemplar uma reorganização dos serviços para fluxo ágil de atendimento, a estruturação de polos de hidratação, uma medida primordial no manejo da dengue para reduzir o risco de complicações severas, e a capacitação das equipes médicas, para o manejo clínico adequado de cada arbovirose, diferenciando os sintomas, como as dores intensas da chikungunya e as particularidades de hidratação da dengue”, explica o especialista. 

Já para a população, manter a imunização em dia é fundamental para a prevenção primária. “A vacinação deve ser estimulada. Além disso, o combate ao vírus com a eliminação de focos de água parada continua sendo indispensável”, conclui o especialista.


DOENÇA RARA

 

Alterações na fala e na deglutição podem ser sintomas da miastenia gravis.
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Miastenia gravis: conheça sintomas, diagnóstico, tratamento e sinais de alerta 

Característica intermitente da doença pode fazer com que manifestações como visão dupla e queda das pálpebras sejam ignoradas

 

O caso do jornalista Alex Escobar, que descobriu ter miastenia gravis após apresentar dificuldade para falar durante uma transmissão ao vivo, chamou atenção para uma doença autoimune rara que pode apresentar sinais variados e, em alguns casos, passar despercebida durante algum tempo.

De acordo com o neurologista do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), da HU Brasil, Thiago Nascimento, a miastenia gravis interfere na comunicação entre os nervos e os músculos e pode provocar diferentes graus de fraqueza muscular. Entre os sintomas, os oculares estão entre as manifestações mais frequentes e costumam aparecer no início da doença.

Segundo o neurologista, a queda das pálpebras (ptose) é um dos sinais que mais chamam atenção. A ptose pode começar de forma discreta e aumentar ao longo do dia, principalmente quando o paciente está mais cansado. A visão dupla também pode aparecer de maneira intermitente, alternando períodos de melhora e piora.

A doença também pode provocar dificuldade para mastigar, falar ou engolir. A voz pode ficar mais anasalada e o paciente pode perceber que atividades como conversar ou realizar as refeições se tornam mais cansativas, principalmente no final do dia. 

O especialista acrescenta que outro possível sinal é a fraqueza muscular nos braços e nas pernas. Atividades cotidianas, como levantar de uma cadeira ou do vaso sanitário, pentear os cabelos, escovar os dentes ou manter os braços elevados, podem se tornar mais difíceis. Ele também ressalta que “fraqueza muscular e fadiga não são necessariamente a mesma coisa. A fraqueza associada à miastenia pode se intensificar com a realização de atividades e ao longo do dia, enquanto a fadiga é uma sensação mais geral de indisposição e pode estar presente em diferentes doenças”.
 

Diagnóstico

A investigação começa pela avaliação dos sintomas e do histórico do paciente. Entre os exames utilizados estão testes sanguíneos para identificar anticorpos relacionados à doença e a eletroneuromiografia, exame neurofisiológico que avalia o funcionamento dos nervos e músculos. 

O especialista explica que nem todos os pacientes apresentam o mesmo perfil de anticorpos e que a investigação pode incluir outros exames para diferenciar a miastenia de outras doenças neurológicas.

Por apresentar manifestações que podem variar ao longo do tempo, o acompanhamento médico é importante mesmo quando os sintomas não estão presentes de forma contínua.
 

Por que o diagnóstico pode demorar?

A característica intermitente dos sintomas é um dos fatores que podem contribuir para o atraso no diagnóstico. O paciente pode apresentar determinada manifestação em um dia e perceber melhora no seguinte, o que pode fazer com que o problema seja considerado passageiro. Também pode ocorrer confusão inicial com questões emocionais ou psicológicas. 

“Às vezes o sintoma ocular pode passar despercebido, pelo fato de ser um sintoma intermitente, ou seja, o paciente tem um dia, no outro dia já está normal, tendo idas e vindas de sintomas. Por isso, a persistência ou recorrência de sintomas como queda das pálpebras, visão dupla e fraqueza muscular deve ser comunicada ao profissional de saúde”, afirma o neurologista.
 

Miastenia e o timo

A investigação de alterações no timo faz parte da avaliação de pacientes com miastenia gravis. Segundo o neurologista, existe uma associação entre a doença e alterações nessa glândula, que podem incluir aumento do timo e, em uma parcela menor dos casos, a presença de um tumor, chamado timoma. 

O médico ressalta que ter uma alteração no timo não significa necessariamente ter um tumor. Em alguns casos, conforme as características do paciente e a avaliação médica, pode ser indicada a timectomia, cirurgia para retirada do timo, que também pode contribuir para o controle da doença.
 

Tratamento

A miastenia gravis não possui tratamento curativo, mas pode ser controlada. O objetivo do acompanhamento é reduzir os sintomas, evitar agravamentos e permitir que o paciente mantenha sua qualidade de vida. O tratamento pode envolver medicamentos para melhorar os sintomas e outras terapias destinadas ao controle da resposta imunológica. 

Conforme Thiago Nascimento, medicamentos utilizados há mais tempo continuam tendo papel importante no tratamento, enquanto novas opções terapêuticas ampliaram as possibilidades para determinados perfis de pacientes. 

“Entre os medicamentos utilizados está a piridostigmina, que atua na transmissão neuromuscular e pode contribuir para a melhora dos sintomas. O tratamento também pode incluir corticoides e outros medicamentos imunomoduladores, conforme a avaliação médica”, pontua. 

O uso prolongado de corticoides, entretanto, exige acompanhamento devido aos possíveis efeitos adversos. O especialista cita riscos como osteoporose, alterações da visão, diabetes ou descompensação do diabetes e hipertensão. 

As novas terapias podem representar uma alternativa para determinados pacientes, especialmente aqueles que não apresentam resposta suficiente aos tratamentos convencionais. O acesso a esses medicamentos, porém, pode variar conforme o sistema de saúde, os protocolos vigentes e a situação individual do paciente.
 

Acompanhamento e qualidade de vida

Para o neurologista, o diagnóstico e o acompanhamento regular são fundamentais para controlar a doença e reduzir o risco de agravamento. 

“Toda doença imunológica, eu gosto sempre de falar que é imprevisível, mas não é para desesperar o paciente. Pelo contrário, é para falar para ele ter o acompanhamento, porque o acompanhamento é fundamental”, afirma. 

O tratamento não se limita ao controle da fraqueza muscular. Dependendo das necessidades de cada paciente, pode envolver diferentes profissionais e cuidados relacionados à saúde física e emocional. 

O objetivo é reduzir os sintomas e permitir que a pessoa retome atividades que fazem parte da rotina, como caminhar, praticar atividade física, participar de encontros sociais e se alimentar adequadamente. 

“Além desses tratamentos medicamentosos, é importante o tratamento psicológico, porque pode acontecer uma depressão, uma ansiedade associada, o tratamento respiratório. Então existe uma equipe multi que precisa trabalhar junto além de todo o tratamento específico da doença”, enfatiza.
 

Quando procurar atendimento de emergência?

Um dos quadros mais graves associados à miastenia gravis é a crise miastênica, que ocorre quando a fraqueza muscular se intensifica e pode comprometer a respiração. 

Dificuldade importante para respirar ou engolir, fraqueza intensa na região do pescoço, dificuldade para falar, cansaço acentuado e prostração são sinais que exigem atendimento médico imediato. “O paciente não deve esperar, deve ir para a emergência”, orienta o neurologista. 

A crise miastênica pode exigir internação e tratamento hospitalar. Por isso, pacientes que já possuem diagnóstico de miastenia e apresentam piora importante dos sintomas devem procurar atendimento sem esperar que o quadro regrida espontaneamente.
 

Onde buscar atendimento

A orientação para quem apresenta sintomas sugestivos de miastenia é procurar avaliação médica, preferencialmente com neurologista. No Sistema Único de Saúde (SUS), o caminho para atendimento especializado pode variar de acordo com os fluxos de cada estado e município. 

Segundo Thiago Nascimento, no HU-UFS/HU Brasil há o Ambulatório de Neuroimunologia que acompanha pacientes com miastenia gravis e outras doenças neurológicas como esclerose múltipla. O acesso ao serviço ocorre por encaminhamento da Unidade Básica de Saúde, conforme o fluxo de regulação local. 

O especialista ressalta que os fluxos podem ser diferentes entre os estados, mas os hospitais universitários podem ser uma alternativa para o acompanhamento especializado de pacientes encaminhados pela rede pública. 

“A miastenia é doença rara, mas já tem muito tempo que foi descoberta. Apesar da mortalidade ser mais baixa, mas existe. Por isso, é uma doença que temos que ter atenção para os sintomas e cuidar dela para poder dar uma qualidade de vida ao paciente, com menor dose de corticoide, com menor número de sintomas e menor carga de medicação”, finaliza.
 

HU Brasil

Setembro Lilás: Brasil registra 1,8 milhão de pessoas com demência e 80% dos casos seguem sem diagnóstico

 

No mês dedicado à conscientização da doença de Alzheimer, alerta nacional reforça a importância da investigação precoce para ampliar o acesso a tratamentos e qualidade de vida 

 

Celebrado neste mês de conscientização, o Setembro Lilás traz como mensagem central a campanha “Alzheimer: o diagnóstico importa”, alertando sobre um desafio crítico de saúde pública no Brasil. Segundo o Relatório Nacional sobre Demência, do Ministério da Saúde, cerca de 1,8 milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência no país – o equivalente a aproximadamente 8,5% da população com 60 anos ou mais – com projeção de alcançar 5,7 milhões até 2050. O obstáculo mais alarmante, contudo, é o subdiagnóstico: estimativas apontam que cerca de 80% das pessoas com demência em território nacional não têm a doença reconhecida ou diagnosticada. 

Para o neurologista Ricardo Alvim, coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) e especialista em demências, reconhecer essas alterações precocemente tem impacto direto sobre o cuidado. “Hoje, conseguimos identificar o Alzheimer em fases mais iniciais, o que permite planejar melhor o tratamento e retardar a progressão dos sintomas”, afirma o médico.

 

Sinais de alerta além da perda de memória 

Esquecer onde deixou um objeto ou ter dificuldade ocasional para lembrar um nome não significa, por si só, doença de Alzheimer. O sinal de alerta aparece quando os esquecimentos se tornam frequentes, progressivos e começam a interferir na rotina, na autonomia ou na capacidade de realizar tarefas antes habituais. O Alzheimer é a causa mais frequente de demência e pode comprometer, além da memória, linguagem, raciocínio, orientação e comportamento. 

A perda de memória recente é uma das manifestações mais conhecidas, mas não é a única. Repetir as mesmas perguntas, perder-se em trajetos conhecidos, apresentar dificuldade para encontrar palavras, administrar dinheiro, organizar tarefas ou acompanhar uma conversa também pode indicar comprometimento cognitivo. Mudanças de personalidade, irritabilidade, apatia, desconfiança e isolamento merecem atenção quando representam uma alteração no comportamento habitual. 

A investigação médica é importante porque nem todo problema de memória é Alzheimer. Depressão, alterações da tireoide, deficiência de vitamina B12, efeitos de medicamentos e outras condições podem produzir sintomas semelhantes. O diagnóstico envolve avaliação clínica e cognitiva, histórico do paciente, exame neurológico e, quando indicado, exames laboratoriais e de imagem. Descobrir a doença mais cedo permite iniciar o tratamento no momento oportuno e planejar melhor os cuidados futuros.

 

Avanço nos tratamentos e suporte à rede de apoio 

O Alzheimer ainda não tem cura, mas tem tratamento. Medicamentos podem ser utilizados, conforme o estágio e as características de cada paciente, para controle dos sintomas. O acompanhamento pode incluir ainda estimulação cognitiva, atividade física, reabilitação e controle de fatores de risco que interferem na saúde cerebral. 

Nos últimos anos, uma nova classe de medicamentos chamada de Terapias Antiamiloides passaram a atuar também sobre o processo neuropatológico envolvido na progressão da doença. Para Alvim, a chegada desses novos medicamentos representa uma mudança importante na abordagem da doença. “Estamos presenciando uma nova era no tratamento da Doença de Alzheimer. Porém é importante frisar que essas medicações não servem para todos os pacientes com Doença de Alzheimer”, avalia. 

À medida que a doença evolui, familiares e cuidadores assumem responsabilidades crescentes. Por isso, o cuidado não deve se limitar ao paciente. Orientação profissional, divisão de responsabilidades e uma rede de apoio ajudam a reduzir a sobrecarga de quem cuida. O principal recado é não atribuir automaticamente mudanças cognitivas importantes ao envelhecimento. Quando o esquecimento passa a interferir na vida cotidiana ou surgem alterações progressivas de comportamento e raciocínio, procurar avaliação médica pode antecipar o diagnóstico, ampliar as possibilidades terapêuticas e permitir que paciente e família se preparem melhor para os desafios da doença.

 

Rede Mater Dei de Saúde

Unidades

Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho, Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem,
Hospital Mater Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater Dei Santa Clara.

Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec

Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia




Conscientização sobre o Alzheimer: consumo menor de açúcar na infância pode reduzir em até 46% o risco da doença, aponta estudo

Magnific
 Alzheimer pode atingir 5,6 milhões de brasileiros até 2050; prevenção começa antes dos primeiros sinais alerta especialistas 

 

Marcado pelo Dia Mundial da Conscientização sobre a Doença de Alzheimer, 21 de setembro, a data reforçou a importância de olhar para a saúde do cérebro ao longo de toda a vida. Novos estudos mostram que esse cuidado pode começar ainda na infância, período em que fatores como alimentação, estímulos e hábitos de vida desempenham papel importante no desenvolvimento e na saúde cerebral. 

 

Publicada em julho deste ano na revista científica npj Aging, uma pesquisa identificou que aqueles expostos a uma menor ingestão de açúcar durante os primeiros anos de vida apresentaram risco 27% menor de desenvolver demência por qualquer causa e 46% menor de desenvolver especificamente a doença de Alzheimer na terceira idade.

 

O médico neuropediatra da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr Gilberto de Brito Henriques, informa que os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento e a saúde do cérebro porque representam um período de intensa formação e organização cerebral. 

 

“Desde o nascimento, o ser humano começa a desenvolver funções como a visão, a audição e os movimentos voluntários, em um processo marcado por intensa formação de novas sinapses e produção de neurônios. Para que esse processo aconteça de forma satisfatória, três aspectos são fundamentais: uma boa saúde biológica, estímulos adequados e um substrato nutricional e anatômico apropriado. A ausência ou inadequação de qualquer um desses elementos pode interferir no desenvolvimento cerebral da criança”.

 

Apesar dos alertas científicos, a rotina alimentar das crianças brasileiras caminha em sentido oposto. Os dados mais recentes do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) indicam uma introdução precoce e massiva do açúcar na dieta infantil em todo o país. Aproximadamente 70% dos bebês de 6 a 23 meses já foram expostos ao ingrediente. À medida que crescem, a incidência torna-se ainda mais acentuada, atingindo 87% das crianças com idades entre 2 e 5 anos.

 

Dr Gilberto Henriques comenta que a Sociedade Americana recomenda que, até os dois anos de idade, não seja oferecido açúcar à criança, enquanto a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, dos dois aos 14 anos, o limite de 25 gramas de açúcar por dia.

 

“Mais importante do que se prender a uma quantidade exata, porém, é criar o hábito de consumir o mínimo possível de açúcar. Na prática, é difícil para a maioria das pessoas quantificar 25 gramas por dia. O açúcar está associado à sensação de prazer, e esse mecanismo pode favorecer a formação de hábitos alimentares desde cedo. Por isso, o ideal é priorizar os açúcares naturalmente presentes nos alimentos, evitando adicionar açúcar a sucos e reduzindo o consumo de doces, balas e refrigerantes. Mais do que uma preocupação pontual, trata-se de construir um hábito de vida saudável desde a infância”, complementa.


 

Prevenção desde a infância 

 

De acordo com o Relatório Nacional sobre a Demência, do Ministério da Saúde, entre 1,5 milhão e 2 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer responsável por 50% a 70% dos casos. O levantamento também projeta que 8,5% da população idosa, cerca de 2,71 milhões de pessoas, conviverá com a doença, número que pode chegar a 5,6 milhões até 2050. 

 

O neurologista e professor da Afya Montes Claros, Dr Marcelo José da Silva de Magalhães, explica que o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, progressiva e potencialmente incapacitante, que compromete gradualmente as funções cognitivas, especialmente a memória, além de outras habilidades, como linguagem, orientação, atenção e capacidade de planejamento. Embora possa ocorrer em idades mais jovens, a doença de Alzheimer é mais frequentemente diagnosticada a partir dos 65 anos.

 

“Sua origem é multifatorial, envolvendo aspectos genéticos, biológicos e ambientais. Entre as alterações cerebrais, destacam-se o acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau. Algumas condições e hábitos podem aumentar o risco ou contribuir para o declínio cognitivo, como inatividade física, hipertensão, diabetes mal controladas, obesidade, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, isolamento social, perda auditiva não corrigida, baixa escolaridade e traumatismo craniano”.

 

O médico ressalta que medidas de proteção contra processos demenciais podem ser adotadas desde a infância. Os pais podem incentivar as crianças a desenvolver hábitos de leitura, praticar música, aprender novos idiomas, envolver-se em atividades intelectuais e manter uma rotina de exercícios físicos (com o uso de capacete durante atividades esportivas) e a construção e manutenção de uma boa rede de amizades. 


“O contato humano é relevante para que tenhamos uma cognição preservada. Além disso, o ambiente familiar exerce papel importante na formação dos hábitos das crianças. Crianças tendem a reproduzir comportamentos observados em seus pais, assim, ao adotarmos hábitos saudáveis no dia a dia, não apenas cuidamos da nossa própria saúde, mas também oferecemos aos nossos filhos modelos positivos que podem contribuir para a construção de um estilo de vida saudável ao longo de toda a vida”, conclui o especialista.



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