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sexta-feira, 5 de junho de 2026

A ameaça invisível: Por que a osteoporose está "roubando" a autonomia de quem passou dos 50?

A densitometria óssea é o único radar capaz de prever fraturas antes que elas aconteçam. Especialistas alertam: tratar a saúde do esqueleto é a única forma de garantir uma velhice com movimento e independência.

 

Mais de 10 milhões de brasileiros convivem atualmente com a osteoporose, segundo dados da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) e do Ministério da Saúde. A doença, caracterizada pela diminuição da densidade óssea, está entre as principais causas de fraturas em pessoas acima dos 50 anos e representa um dos maiores fatores de perda de autonomia na terceira idade. O problema é que, na maioria das vezes, ela evolui de forma silenciosa e só é descoberta depois de uma queda ou fratura, quando o comprometimento ósseo já está avançado.

Esse comportamento discreto faz com que muitas pessoas subestimem os riscos da doença. Como não costuma apresentar sintomas nos estágios iniciais, a osteoporose frequentemente avança sem provocar dor ou sinais perceptíveis no dia a dia. Enquanto isso, os ossos vão se tornando mais frágeis e suscetíveis a lesões que podem comprometer completamente a mobilidade e a independência do paciente.

Quadril, coluna e punhos estão entre as regiões mais afetadas. Em idosos, uma fratura nessas áreas pode desencadear uma sequência de limitações físicas, internações prolongadas e perda significativa da qualidade de vida. Em muitos casos, o impacto vai além da recuperação óssea e interfere diretamente na autonomia, na capacidade de locomoção e até na saúde emocional.

É justamente por isso que especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce. A densitometria óssea, exame considerado padrão ouro para avaliação da saúde dos ossos, funciona como uma espécie de “radar preventivo”, capaz de identificar a perda de massa óssea antes mesmo que ocorram fraturas. O exame é rápido, indolor e fundamental para calcular o risco futuro de complicações.

Segundo Lucas Almeida, o grande desafio ainda é conscientizar a população de que a saúde óssea precisa ser acompanhada antes do surgimento dos problemas. “Muita gente acredita que só deve procurar avaliação depois de uma queda ou de uma dor persistente, mas a osteoporose costuma agir de forma silenciosa. Quando conseguimos identificar a perda óssea precocemente, é possível iniciar cuidados que preservam mobilidade, independência e qualidade de vida por muitos anos”, explica.

Além do envelhecimento natural, fatores como sedentarismo, menopausa, baixa ingestão de cálcio, deficiência de vitamina D, tabagismo e histórico familiar também aumentam significativamente o risco da doença. Nas mulheres, a redução hormonal após a menopausa acelera a perda de massa óssea, tornando o acompanhamento ainda mais importante a partir dessa fase da vida.

Outro ponto de atenção é que o impacto da osteoporose não está apenas nas fraturas graves. Pequenas limitações acumuladas ao longo do tempo podem afetar atividades simples da rotina, como subir escadas, caminhar com segurança ou carregar objetos. Aos poucos, o medo de quedas e novas lesões também pode levar ao isolamento social e à redução da independência.

Nesse contexto, especialistas reforçam que envelhecer com autonomia depende diretamente da prevenção. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, reposição adequada de nutrientes e exames periódicos formam a base de um cuidado que vai muito além dos ossos. Em uma população que vive cada vez mais, preservar movimento e independência deixou de ser apenas uma questão de longevidade e passou a ser uma questão de qualidade de vida.



Fonte: Lucas Almeida - Gestor | Sócio do Grupo Baronesa
https://clinicabaronesa.com.br/


Vacinação antes da Copa de 2026: especialistas alertam para cuidados antes da viagem

Com jogos nos Estados Unidos, Canadá e México, evento deve reunir grandes concentrações de pessoas e exige atenção à carteira vacinal, especialmente contra sarampo, gripe e Covid-19

 

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada entre junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México, deve movimentar milhões de torcedores em aeroportos, estádios, hotéis, restaurantes e áreas de grande circulação. Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de revisar a carteira de vacinação com antecedência, especialmente por causa do risco aumentado de transmissão de doenças respiratórias e infecções preveníveis por vacina em eventos de massa.

O alerta ganha força em meio à preocupação com surtos de sarampo em países que receberão o torneio. O Ministério da Saúde orienta que viajantes atualizem a situação vacinal antes de deslocamentos internacionais, já que o sarampo é altamente contagioso e pode se espalhar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas. A vacinação prévia é considerada uma medida essencial de proteção individual e coletiva.

Segundo a Dra. Rosana Richtmann, infectologista do Grupo Santa Joana, a preparação deve começar semanas antes do embarque. “Quem pretende viajar para a Copa precisa olhar a carteira de vacinação agora, e não na véspera da viagem. O ideal é fazer essa revisão pelo menos um mês antes, porque algumas vacinas precisam de mais de uma dose ou levam alguns dias para garantir proteção adequada. Em grandes eventos internacionais, o risco não está apenas no estádio, mas em todo o trajeto: aeroportos, transporte público, filas, fan zones e locais fechados”, explica.

Entre as imunizações que merecem atenção estão a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola; a vacina contra influenza; a vacina contra Covid-19; além de outras indicadas conforme idade, histórico vacinal, condições de saúde, roteiro e tempo de permanência. Para melhor proteção contra o sarampo, o CDC recomenda que viajantes estejam com duas doses da tríplice viral pelo menos duas semanas antes da partida. Já a vacina contra febre amarela, quando indicada para o roteiro ou exigida em conexões e deslocamentos, deve ser aplicada com pelo menos dez dias de antecedência, tempo necessário para conferir proteção adequada.

A especialista reforça que gestantes, mulheres que planejam engravidar, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas devem receber orientação individualizada. “Nem toda vacina é indicada para todas as pessoas. Por isso, a avaliação médica é importante, principalmente para gestantes e imunossuprimidos. No caso de mulheres em idade fértil, por exemplo, é fundamental checar a proteção contra rubéola e sarampo antes da gravidez, porque algumas vacinas não podem ser aplicadas durante a gestação”, afirma Dra. Rosana.

Além da vacinação, medidas simples ajudam a reduzir riscos durante a viagem, como higienizar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas sintomáticas, manter boa etiqueta respiratória e procurar atendimento médico em caso de febre, manchas pelo corpo, tosse persistente, falta de ar ou sintomas gastrointestinais importantes.

“Viajar para um evento como a Copa é uma experiência coletiva. A vacinação protege o torcedor, mas também reduz o risco de levar doenças de um país para outro e de expor pessoas vulneráveis no retorno ao Brasil. Atualizar a carteira vacinal é uma etapa tão importante quanto comprar passagem, hospedagem e ingresso”, completa a infectologista.


Grupo Santa Joana
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Teste do pezinho: exame simples pode identificar doenças raras e salvar vidas nos primeiros dias do bebê

No Dia Nacional do Teste do Pezinho (06.06), especialistas alertam sobre a importância do exame na identificação precoce de doenças raras e esclarecem as principais dúvidas sobre a triagem neonatal

 

Realizado nos primeiros dias após o nascimento, o teste do pezinho é um dos exames mais importantes para a saúde do bebê. Obrigatório e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ele possibilita o rastreamento precoce de doenças genéticas, metabólicas, infecciosas, endocrinológicas e hematológicas que podem comprometer o desenvolvimento infantil e, em alguns casos, colocar a vida da criança em risco.

De acordo com Pollyana Estephanelli, professora do curso de Enfermagem da Afya Centro Universitário Itaperuna, o exame é feito a partir da coleta de algumas gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, região rica em vasos sanguíneos que facilita o procedimento. “O ideal é que o teste seja realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. Nesse período, o organismo já começou a metabolizar proteínas e outros nutrientes, o que favorece a detecção de diversas doenças”, explica.

A especialista ressalta que o procedimento é simples, rápido e seguro. Após a higienização do local, o sangue é coletado em um papel-filtro específico e encaminhado para análise em laboratório de referência. “O exame provoca apenas um desconforto momentâneo e não oferece riscos significativos quando realizado por profissionais capacitados”, afirma.

Segundo Pollyana, ainda existe a falsa percepção de que o teste serve para identificar apenas uma ou duas doenças. Na prática, a triagem neonatal é considerada uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública e permite rastrear diversas condições que podem comprometer o desenvolvimento neurológico, cognitivo e motor da criança. “Quando não são identificadas e acompanhadas precocemente, algumas dessas doenças podem provocar sequelas permanentes e até levar ao óbito”, alerta.

Para a Dra. Isabela Pires, médica e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, um dos principais benefícios do exame é identificar doenças antes mesmo do surgimento dos sintomas. “Muitas das condições detectadas pelo teste não apresentam manifestações evidentes nos primeiros meses de vida. O bebê aparenta estar saudável, mas já pode apresentar alterações importantes no organismo. Em alguns casos, os sintomas só aparecem após a introdução de determinados alimentos ou exposição a medicamentos, enquanto outras doenças podem se manifestar logo nos primeiros dias de vida”, explica.

Entre as doenças mais conhecidas rastreadas pelo exame estão o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a fibrose cística, a anemia falciforme e a hiperplasia adrenal congênita. A especialista destaca que a quantidade de doenças investigadas varia de acordo com a modalidade do teste, básica, ampliada ou expandida,permitindo uma avaliação mais abrangente em alguns casos.

“O exame possibilita o rastreamento de doenças que podem ser tratadas ou acompanhadas de forma mais eficaz quando identificadas precocemente, reduzindo o risco de sequelas e melhorando a qualidade de vida da criança. Em alguns casos, ele também aponta condições que ainda não possuem cura, mas que exigem acompanhamento contínuo e cuidados específicos ao longo da vida”, acrescenta a pediatra.

Os benefícios da triagem neonatal são especialmente evidentes em doenças como a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito, nas quais o tratamento iniciado ainda nas primeiras semanas de vida pode favorecer crescimento e desenvolvimento próximos do esperado. “Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de evitar complicações e garantir melhor qualidade de vida para a criança”, reforça Pollyana.

Além da realização do exame, as especialistas destacam a importância de os pais acompanharem o resultado e manterem contato com a unidade de saúde responsável pela coleta. “Um resultado alterado não significa necessariamente que o bebê tenha a doença. Em muitos casos, é preciso realizar exames complementares ou uma nova coleta para confirmação. O mais importante é não ignorar o chamado e seguir corretamente as orientações médicas”, orienta a Dra. Isabela.

5 fatos sobre o teste do pezinho que provavelmente você desconheça


1. O exame existe há décadas no Brasil
O teste do pezinho começou a ser realizado no país na década de 1970, mas passou a integrar oficialmente o Programa Nacional de Triagem Neonatal somente em 2001.


2. O nome oficial não é teste do pezinho
Embora seja popularmente conhecido por esse nome, o termo técnico é triagem neonatal biológica. A denominação surgiu porque a coleta é realizada no calcanhar do bebê.


3. Nem sempre uma única coleta é suficiente
Bebês prematuros, que receberam transfusão sanguínea ou que passaram por situações capazes de interferir nos resultados podem precisar repetir o exame para garantir maior precisão.


4. O número de doenças investigadas pode variar bastante
Dependendo da modalidade realizada, o teste pode rastrear um número maior de doenças, incluindo diversas condições raras, genéticas, metabólicas, imunológicas e endocrinológicas.


5. Um resultado alterado não é sinônimo de diagnóstico
Quando o exame aponta alguma alteração, isso não significa automaticamente que o bebê tenha a doença investigada. O resultado funciona como um alerta para que sejam realizados exames complementares e avaliações específicas antes da confirmação diagnóstica.



Afya
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Falsificação de produtos médicos afeta tratamentos e tem impacto em atendimentos e internações

  

Segundo estimativas da OMS, um a cada 10 medicamentos que circulam em países de baixa e média renda estão fora do padrão de qualidade ou falsificados


O uso racional de medicamentos pode ser definido pelo seu recebimento apropriado para cada pessoa, alinhado às suas necessidades, com doses específicas para sua situação e por tempo determinado. Tudo o que foge deste contexto, sejam produtos adulterados, desviados, falsificados, roubados ou comercializados ilegalmente, pode ser classificado como medicamento ilegal. Dessa forma, a falsificação de fármacos tem impactos que podem ir além do prejuízo ao paciente.

Medicamentos falsificados representam um desafio global de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todas as regiões do mundo já registraram notificações de medicamentos fora do padrão ou falsificados, com casos identificados em 137 países. Em um cenário marcado pela globalização, o enfrentamento desse problema se torna ainda mais complexo. Por isso, a conscientização da população tem papel fundamental no combate à falsificação.
As vendas digitais são outro fator que aumenta exponencialmente a comercialização de medicamentos e produtos para saúde ilegais. Sites, redes sociais e plataformas virtuais se tornam pontos de encontro estratégicos que facilitam o contato com contraventores. Assim, essas negociações resultam em prejuízos que atingem diferentes áreas, mas afetam, principalmente, o paciente.

No Dia Mundial de Combate à Falsificação, 08 de junho, a Diretora de Investigação de Segurança da Pfizer para América do Sul, Caroline Gabriel, destaca os riscos que esses fármacos trazem. “É importante reconhecer que medicamentos fora do padrão podem causar reações adversas e efeitos imprevisíveis. As condições inadequadas de produção, armazenamento e transporte aumentam o risco de contaminação por bactérias e outras impurezas desconhecidas. Além disso, esses produtos podem ser completamente diferentes daquilo que o paciente acredita estar consumindo, o que o expõe a sérios riscos à saúde.” explica. “Medicamentos ilegais podem até chamar atenção pelo baixo custo, mas o preço real pode ser muito mais alto: tratamentos comprometidos, atrasos no cuidado médico, riscos à saúde e efeitos imprevisíveis

Além dos danos individuais, a falsificação de medicamentos possui impacto no aumento da demanda por atendimentos e internações. Também compromete a confiança nos tratamentos disponíveis e dificulta ações de saúde pública. Nesse contexto, manter-se informado e saber identificar os sinais de alerta são medidas essenciais de proteção.

Os medicamentos fora do padrão ou falsificados costumam ser difíceis de identificar, justamente porque são planejados para se passarem pelos originais. Estimativas da OMS indicam que 1 em cada 10 medicamentos em circulação em países de baixa e média renda estejam fora do padrão ou falsificados. Medidas como verificar as condições da embalagem, possíveis erros gramaticais ou de ortografia e checar validade e data de fabricação podem ser formas eficazes de fazer essa detecção.

Combater a falsificação é uma tarefa alinhada com a informação e atenção da sociedade. Procurar canais de vendas confiáveis e evitar compras sem procedência segura também ajudam a proteger vidas. 



Pfizer
Para saber mais, acesse: Site Pfizer Brasil, ou siga-nos no LinkedIn, e Instagram.



Pré-eclâmpsia ainda lidera causas evitáveis de morte materna no Brasil

Condição pode evoluir sem sinais evidentes no início da gestação e exige pré-natal rigoroso, rastreamento de risco e acompanhamento contínuo para reduzir complicações graves

 

A cada ano, cerca de 80 mil mulheres e 500 mil bebês morrem no mundo em decorrência da pré-eclâmpsia, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, a doença responde por um em cada quatro óbitos maternos e ocupa, há décadas, o topo da lista de causas evitáveis de morte na gestação. A condição atinge cerca de 1,5% das gestantes brasileiras, podendo ultrapassar 7% em primeiras gestações. O cenário é ainda mais grave em regiões de menor desenvolvimento socioeconômico, onde a mortalidade materna pela doença pode chegar a 22%.

Um dos principais desafios da pré-eclâmpsia é o fato de muitas mulheres não apresentarem sintomas evidentes no início do quadro. Por isso, o acompanhamento pré-natal estruturado é indispensável para o diagnóstico oportuno. Entre os sinais que merecem atenção estão cefaleia intensa, alterações visuais, dor na região superior do abdome, inchaço acentuado e ganho de peso abrupto.

“Na pré-eclâmpsia, observar apenas os sintomas mais evidentes não basta. Um pré-natal rigoroso, com monitoramento contínuo da pressão arterial, exames periódicos e avaliação dos fatores de risco, permite identificar precocemente qualquer alteração e evitar complicações graves. O ideal é que a gestante realize consultas pelo menos uma vez por mês”, afirma Dr. Eduardo Cordioli, diretor de Obstetrícia do Grupo Santa Joana.

O rastreamento adequado permite identificar, já no início da gravidez, mulheres com maior chance de desenvolver a doença. Protocolos internacionais consagrados combinam, no primeiro trimestre, histórico materno, pressão arterial média, achados de Doppler das artérias uterinas e biomarcadores. Essa avaliação possibilita estratificar o risco e orientar medidas preventivas. Em gestantes com indicação clínica, o uso de ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciado preferencialmente antes de 16 semanas e mantido até 36 semanas, reduz a ocorrência de pré-eclâmpsia e de desfechos relacionados.

Além da avaliação clínica e dos exames tradicionais, ferramentas de inteligência artificial integradas ao prontuário eletrônico vêm ampliando a capacidade de identificar riscos ao longo da gestação. Esses sistemas organizam dados, facilitam o acompanhamento da

pressão arterial e dos exames laboratoriais e geram alertas que apoiam a equipe na detecção precoce de padrões de risco, benefício já reconhecido pelo American College of Obstetricians and Gynecologists.

Evidências recentes reforçam esse potencial. Um estudo de 2026 publicado na JAMA Network Open demonstrou que modelos baseados em dados rotineiros do prontuário eletrônico conseguem prever o risco de pré-eclâmpsia em curtos intervalos de tempo no fim da gestação. Outras pesquisas também apontam avanços semelhantes na estratificação de risco já no primeiro trimestre.

“A tecnologia não substitui a experiência clínica, mas amplia a capacidade de monitoramento e resposta das equipes. Esse avanço é especialmente relevante em cenários de alto risco, nos quais pequenas alterações podem sinalizar deterioração materna. A integração entre prontuário eletrônico, protocolos assistenciais e comunicação eficiente reduz falhas, qualifica o cuidado e permite respostas mais rápidas diante de sinais de alerta”, diz Cordioli.

A prevenção da pré-eclâmpsia continua fundamentada em um pré-natal de qualidade, no qual a tecnologia atua como aliada para ampliar o monitoramento e apoiar decisões clínicas mais precisas. Ainda assim, mesmo com todos os avanços, o que realmente faz diferença é a rotina bem estruturada de consultas, exames atualizados, orientação individualizada e acesso rápido aos serviços de saúde diante de qualquer sinal de alerta, fatores que, comprovadamente, reduzem o risco de desfechos graves.

Esse entendimento é reforçado pela Organização Mundial da Saúde, que destaca que uma assistência pré-natal organizada, com avaliação contínua e intervenções oportunas ao longo da gestação, permanece como a estratégia mais eficaz para proteger a saúde da mãe e do bebê.



Hospital e Maternidade Santa Joana
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Vacinação em pacientes com câncer: o que tomar e o que evitar durante o tratamento

De acordo com infectologista do IBCC Oncologia, esquema vacinal exige estratégia individualizada e atenção ao momento do tratamento para garantir proteção sem comprometer a resposta imunológica

 

Pacientes em tratamento oncológico têm maior risco de desenvolver infecções graves e, por isso, não devem seguir o calendário vacinal padrão da população geral. Nesse caso, a imunização precisa ser planejada de forma individualizada, levando em conta o tipo de tumor, a terapia adotada e o grau de imunossupressão. 

A recomendação é que o esquema vacinal seja integrado ao próprio plano de tratamento oncológico, com definição do tipo de vacina e do momento mais adequado para aplicação. O objetivo é reduzir complicações infecciosas, evitar internações e impedir interrupções em terapias como a quimioterapia, que podem comprometer os resultados clínicos. 

“A vacinação é uma estratégia fundamental no cuidado do paciente com câncer. Ao prevenir infecções, conseguimos reduzir intercorrências que muitas vezes levam à suspensão do tratamento”, afirma a infectologista Adriana Coracini Tonacio de Proença, coordenadora da área no IBCC Oncologia. 

Pacientes em tratamento oncológico apresentam maior risco de desenvolver infecções por agentes como pneumococo, influenza, covid-19 e meningococo. Além de mais frequentes, essas infecções tendem a evoluir de forma mais grave, com maior necessidade de internação.

 

Quais vacinas são recomendadas e quando devem ser aplicadas 

As principais vacinas indicadas para pacientes oncológicos são as inativadas ou de subunidade proteica, por não conterem vírus vivos. “O ideal é que essas vacinas sejam aplicadas pelo menos 14 dias antes do início da quimioterapia ou de qualquer terapia imunossupressora. Esse intervalo permite que o organismo tenha tempo de desenvolver uma resposta imunológica mais adequada”, orienta a infectologista. 

Ainda assim, a vacinação não deve ser interrompida caso o tratamento já tenha começado. “Mesmo durante alguns tratamentos, como a quimioterapia, vacinas como influenza e covid-19 continuam sendo recomendadas. A resposta pode não ser tão robusta, mas ainda assim há benefício clínico”, completa. 

Entre as principais vacinas disponíveis no SUS para esse público estão pneumocócicas (13 e 23-valente), meningocócica ACWY, hepatites A e B, dTpa, influenza, covid-19, HPV (até 45 anos) e Haemophilus influenzae tipo B, além das vacinas do calendário básico.

 

Atenção: algumas vacinas requerem avaliação médica antes da administração 

As vacinas de vírus vivos atenuados exigem avaliação individualizada e, na maioria dos casos, não são indicadas durante o tratamento oncológico. “Vacinas como tríplice viral, varicela, febre amarela e dengue, de forma geral, são contraindicadas durante a quimioterapia”, destaca a infectologista do IBCC Oncologia. 

Para pacientes com tumores sólidos, como câncer de mama, pulmão, próstata ou intestino, pode haver exceções. “Em alguns casos específicos, essas vacinas podem ser consideradas, desde que aplicadas pelo menos quatro semanas antes do início do tratamento”, explica. 

Outro ponto importante envolve terapias imunológicas específicas. De acordo com a infectologista, pacientes que utilizam anticorpos monoclonais, como o Rituximabe, apresentam uma resposta vacinal muito reduzida. “Nesses casos, recomendamos aguardar cerca de seis meses após a última dose para buscar uma resposta mais efetiva à vacina e com segurança”, acrescenta.

 

É possível se vacinar durante o tratamento 

Durante a quimioterapia e alguns tipos de radioterapia, vacinas inativadas podem ser administradas durante o tratamento, mas a eficácia da vacina pode ser menor. Ainda assim, a recomendação é manter a vacinação. 

Já em pacientes em imunoterapia, a orientação é clara: “Durante a imunoterapia, encorajamos a manutenção da rotina vacinal normalmente. Os benefícios da prevenção de infecções superam os riscos potenciais”, diz a médica.

 

O papel fundamental de familiares e cuidadores 

A proteção do paciente oncológico vai além dele. Familiares e cuidadores têm um papel importante nesse processo. “A vacinação dos contatos próximos é pilar de proteção. Quando familiares estão com o calendário vacinal em dia, conseguimos reduzir a circulação de agentes infecciosos no ambiente do paciente”, explica a especialista. 

Muitas vezes o paciente não pode receber determinadas vacinas, como as de vírus vivos. Por isso, é fundamental que as pessoas ao redor estejam imunizadas, criando um verdadeiro “escudo de proteção”.


Hiperfoco: até onde ter muito interesse por coisas e assuntos é normal?

Magnific
Fascínio por séries, artistas e hobbies é comum entre crianças e adolescentes, mas o excesso pode indicar condições como o TDHA e o autismo

 

O termo “hiperfoco” ganhou popularidade nas redes sociais nos últimos anos e passou a ser usado de forma ampla para descrever qualquer interesse intenso ou entusiasmo momentâneo por um assunto. Expressões como “estou em hiperfoco nessa série”, “meu hiperfoco agora é academia” se tornaram comuns no ambiente digital. Mas segundo especialistas, gostar muito de um tema, ou passar horas no fim de semana vendo vídeos sobre um assunto específico não configura necessariamente hiperfoco clínico.
 

Ter interesse por determinada coisa ou assunto é normal 

O interesse mais direcionado por determinados assuntos costuma começar a aparecer ainda na primeira infância, geralmente entre os 2 e 6 anos, embora isso varie bastante de criança para criança. Nessa fase, é comum surgirem fascínios intensos e repetitivos por temas específicos, como dinossauros, trens, espaço, animais, mapas, números, princesas, super-heróis, músicas, entre outros. 

Segundo o psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), Marcelo Freitas, isso acontece por uma combinação de fatores ligados ao desenvolvimento cerebral, emocional e social. “Conforme a criança cresce, ela passa a reconhecer padrões, criar preferências, exercitar a memória e buscar atividades que gerem prazer e previsibilidade. O cérebro infantil também é naturalmente muito curioso. “Quando algo desperta encantamento ou oferece recompensas emocionais e cognitivas, a tendência é que a criança queira repetir aquela experiência várias vezes. Isto pode ser percebido no dia a dia: a criança vê um mesmo desenho diversas vezes, escuta a mesma música, mesmo sabendo o enredo”, explica. 

Na idade escolar, especialmente entre 6 e 10 anos, esses interesses costumam ganhar mais profundidade. A criança já consegue acumular informações, fazer conexões mais complexas e desenvolver senso de identidade (‘eu gosto disso’, ‘quero aprender mais sobre aquilo’). “Em muitos casos, esses interesses ajudam no desenvolvimento da linguagem, da criatividade, da autonomia e até da socialização”, acrescenta Freitas. 

Já na adolescência, é bastante comum que jovens desenvolvam interesses intensos por artistas, bandas, séries, jogos, esportes ou influenciadores. Colecionar álbuns, acompanhar entrevistas, decorar informações, participar de fã-clubes e consumir conteúdos relacionados àquilo faz parte do processo típico de construção de identidade, pertencimento social e expressão emocional dessa fase da vida. 

“A adolescência é marcada por mudanças cognitivas e emocionais importantes, além de uma busca mais intensa por referências, grupos de identificação e interesses que ajudem o jovem a definir gostos, valores e personalidade. Ter assuntos favoritos faz parte do desenvolvimento típico. Por isso, é natural que determinados temas ocupem grande espaço no cotidiano dos adolescentes durante esse período”, afirma a school counselor Alessandra Mafra Ribeiro, da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP). “Nessa fase, os interesses tendem a ser mais flexíveis, socialmente compartilhados e transitórios, mesmo quando parecem exagerados e obsessivos para os adultos ao redor”, acrescenta. 

Segundo Alessandra, o problema é quando o jovem, seja ele neurodivergente ou neurotípico, passa a se isolar socialmente ou deixa de realizar atividades básicas para manter a atividade em que está interessado. “Em vez de limitar completamente a atividade, algumas sugestões, para os pais, são construir combinados e estabelecer limites junto com a criança ou jovem. Por exemplo: se a família janta todos os dias às 19 horas, pode haver um acordo para que ele faça uma pausa nesse horário, garantindo um momento em família e a refeição com qualidade. Ou ainda, se ele tem uma prova em dois dias, combinar que, após o jantar, ele dedicará um determinado tempo aos estudos”.
 

Quando o interesse excessivo é um alerta 

Os interesses intensos passam a ser um alerta para um hiperfoco clínico, associado a condições como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e o transtorno do espectro autista, quando o indivíduo apresenta nível muito elevado de concentração e dificuldade de desengajamento em atividades, envolvendo uma absorção muito profunda e persistente, frequentemente acompanhada de perda da noção do tempo. 

Segundo Carla Litrenta, psicopedagoga e educadora parental da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP), o que diferencia interesses comuns do hiperfoco clínico é principalmente o nível de intensidade, rigidez e impacto funcional. “No hiperfoco, a criança e jovem pode apresentar dificuldade real de interromper a atividade ou mudar de assunto, mesmo quando precisa realizar outras tarefas importantes, como estudar, dormir, se alimentar ou interagir socialmente. Também pode haver sofrimento, irritação ou desregulação quando esse interesse é interrompido”, afirma. 

No caso do TDAH, crianças e adolescentes podem ter dificuldade para manter o foco em atividades consideradas pouco estimulantes, mas mergulhar intensamente em temas que despertam grande interesse, prazer ou recompensa imediata. “Nesses casos, o transtorno está mais relacionado à dificuldade de regular a atenção do que à incapacidade de se concentrar. É comum que ignorem distrações externas, percam a noção do tempo e tenham dificuldade de interromper a atividade em questão”, explica Carla. 

Já no transtorno do espectro autista (TEA), é comum que crianças e adolescentes desenvolvam interesses muito intensos e específicos por determinados temas, atividades ou objetos. “Esses interesses proporcionam ao autista uma certa sensação de conforto, segurança e bem-estar. Dependendo da intensidade e da forma como se manifestam, podem até mesmo contribuir positivamente para aprendizagem, memória e aprofundamento de conhecimentos”, diz Carla. “Mas o interesse excessivo, em alguns casos, também pode causar sofrimento, isolamento, dificuldades na rotina ou grande irritação diante de mudanças, interrupções ou da necessidade de realizar outras atividades”.
 

Pais e responsáveis devem estar atentos 

Na opinião de Caroline Sternberg, orientadora parental e educacional do colégio Progresso Bilíngue de Itu (SP), as famílias devem observar não apenas a intensidade do interesse da criança ou adolescente, mas principalmente os impactos deste comportamento na rotina, no bem-estar emocional e nas relações sociais. 

“Em vez de proibir ou ridicularizar os assuntos de interesse, o mais indicado é acolher esse entusiasmo, mas ao mesmo tempo ajudar a criança a desenvolver equilíbrio e flexibilidade no dia a dia. Uma forma de fazer isso é estabelecer combinados e incentivar pausas entre as atividades, convidando a criança para outras experiências, como brincar ao ar livre, praticar esportes, participar de momentos em família ou conversar sobre temas diferentes”, afirma Caroline. “Outra forma de ajudar a criança ou o adolescente é avisar com antecedência sobre mudanças de atividade, criar transições graduais e mostrar que há espaço para o interesse especial sem que ele ocupe toda a rotina”. 

A escola também exerce papel fundamental nesse processo, atuando como parceira da família na observação de comportamentos e no desenvolvimento de estratégias para ampliar repertórios e estimular habilidades sociais, emocionais e acadêmicas. “Educadores conseguem perceber, por exemplo, quando o estudante demonstra dificuldade constante para mudar de assunto, se irrita intensamente ao ser interrompido, evita interações sociais ou deixa de participar de atividades importantes por causa daquele interesse específico”. 

O diálogo entre família e escola ajuda a entender se aquele comportamento faz parte do desenvolvimento esperado ou se está trazendo prejuízos reais para a criança ou adolescente. “Em situações de sofrimento emocional, isolamento excessivo ou impactos significativos na aprendizagem e na rotina, é preciso buscar avaliação com profissionais de saúde mental, como psicólogos, psiquiatras e neurologistas”, finaliza Caroline. 



Alessandra Mafra Ribeiro - psicóloga, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP) e pela University of British Columbia (UBC). Atua desde 2016 no desenvolvimento e na implementação de programas voltados à promoção de competências socioemocionais em contextos educacionais. Nos últimos 6 anos, tem trabalhado com jovens e adultos com foco em desenvolvimento pessoal, escolhas acadêmicas e processos de candidatura para universidades no exterior. Atualmente, atua como School Counselor na Escola Aubrick, integrando orientação educacional e aconselhamento acadêmico em sua prática profissional.

Carla Litrenta Todaro - pedagoga, educadora parental e pós-graduada em “Psicologia Positiva: Ciência do Bem-Estar e da Autorrealização” e em “Bullying, Violência e Discriminação na Escola”. Iniciou sua carreira há quase 30 anos como professora de alfabetização nas séries iniciais, trilhando seu caminho no mundo da educação. Estudiosa das relações e do desenvolvimento humano, atualmente é coordenadora de relacionamentos da Escola Internacional de Alphaville.

Caroline Sternberg - pedagoga com 14 anos de experiência em escolas bilingues e alfabetização. Pós graduada em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Educação Bilíngue. Especialização em Mentoria Parental, com experiência de 5 anos atendendo famílias individualmente.

Marcelo Tucci de Freitas - psicólogo clínico TCC, com especialização em adolescência; pedagogo; possui MBA em Gestão Educacional, e atualmente é orientador educacional do Ensino Fundamental Anos Finais no Brazilian International School - BIS. Com mais de 30 anos de experiência na área educacional atuou em diversas instituições de ensino básico e superior, na coordenação pedagógica e como docente de Psicologia e Ética.


International Schools Partnership - ISP



Mitos e verdades sobre vacinação em pacientes com câncer

A desinformação ainda é um desafio importante. A infectologista do IBCC Oncologia, Adriana Coracini Tonacio de Proença, esclarece os principais pontos:

 

Vacinas podem causar câncer ou piorar o tumor? 

“Isso é um mito. Não existe evidência de que vacinas causem câncer ou acelerem a progressão tumoral. Já temos milhões de doses aplicadas em pacientes oncológicos sem qualquer sinal de piora da doença.”

 

Pacientes em imunoterapia não podem se vacinar? 

“Também é mito. Eles podem e devem se vacinar. Existe uma discussão teórica sobre eventos imunomediados, mas, na prática, os benefícios superam os riscos.”

 

A vacina da gripe causa gripe? 

“Não. A vacina utilizada é inativada, ou seja, não tem capacidade de causar a doença.”

 

Após a remissão, a vacinação deixa de ser necessária? 

“De forma alguma. O sistema imunológico pode continuar fragilizado por um período após o tratamento. Por isso, o acompanhamento médico e a atualização do calendário vacinal continuam sendo fundamentais.”

 

Vacinação como parte do tratamento oncológico 

Para a especialista, a mensagem é clara: a vacinação deve ser incorporada ao plano terapêutico do paciente oncológico. “A gente precisa enxergar a vacinação como parte do cuidado oncológico. Não é algo secundário. É uma estratégia que protege o paciente, evita complicações e contribui diretamente para o sucesso do tratamento”, conclui Adriana Coracini Tonacio de Proença.

 

Novo tratamento para artrite psoriásica

Estudo que acaba de ser publicado, no maior congresso de reumatologia da Europa, demonstra eficácia superior de nova molécula no tratamento da artrite psoriásica já na 16ª semana

 

Resultados do estudo Be Bold revelam que bimequizumabe apresenta eficácia superior quando comparado ao risankizumabe no alívio de sintomas articulares

já a partir da quarta semana de tratamento(1) 

 

Um novo estudo clínico conduzido pela biofarmacêutica UCB, denominado Be Bold, apresentou resultados relevantes do uso de bimequizumabe no tratamento da artrite psoriásica ativa em adultos, doença inflamatória crônica e autoimune em articulações(1,2). O endpoint primário do estudo BE BOLD foi ACR50 (que mede a redução de 50% dos sintomas da doença) na 16ª semana de tratamento. Os resultados demonstraram superioridade estatisticamente significativa do bimequizumabe na melhora dos desfechos articulares (ACR50) em comparação ao risanquizumabe em pacientes adultos com artrite psoriásica (APs) ativa(1). Trata-se da primeira terapia biológica aprovada a atingir esse patamar de eficácia em um estudo comparativo direto (head-to-head)(1). 

Ainda de acordo com o estudo Be Bold, 49,1% dos pacientes tratados com bimequizumabe alcançaram ACR50 na semana 16, contra 38,4% dos tratados com risanquizumabe no mesmo período(1). O bimequizumabe demonstrou velocidade de resposta superior no alívio articular (ACR50): na 4ª semana, 19,9% dos pacientes atingiram ACR50 em comparação com 7,2% no grupo do risanquizumabe(1). Os resultados completos serão apresentados durante o Congresso Anual 2026 da European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR)3, realizado em Londres entre os dias 3 e 6 de junho(1). 

“A artrite psoriásica é uma doença inflamatória crônica, dolorosa e muitas vezes incapacitante. Validar em um estudo definitivo uma terapia que entrega melhora significativa e resposta mais rápida, já na quarta semana de tratamento, além de alcançar quase 50% de resposta na 16ª semana, representa um avanço importante para a tomada de decisão dos reumatologistas. Isso contribui diretamente para devolver autonomia e ampliar a qualidade de vida dos pacientes”, afirma a Dra. Rafaela Gonçalves, atual coordenadora da Comissão de Artrite Psoriásica da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

 

Desfechos secundários e clareamento da pele

Nos desfechos secundários, foram observadas respostas numericamente superiores com bimequizumabe em comparação ao risanquizumabe em todos os endpoints avaliados(1). MDA* na Semana 16 foi numericamente superior com bimequizumabe em comparação ao risanquizumabe (43,0% vs 39,9%), porém sem alcançar significância estatística, também foram observadas taxa de resposta simultânea para a doença articular e pele (ACR50+PASI100#) 33,5% bimequizumabe vs 24,4% rizanquizumave(1). 

No desfecho exploratório dermatológico de clareamento da pele, 53,4% dos pacientes, que além da artrite psoriática também apresentavam psoríase na pele, alcançaram PASI100 (clareamento total das lesões) na 16ª semana, frente a 46,6% do risanquizumabe(1).

 

Perfil de segurança monitorado

O estudo Be Bold não identificou novos sinais de alerta. Os perfis gerais de segurança mostraram-se comparáveis entre as duas terapias(1). Infecções causadas pelo fungo Candida albicans (candidíase) foram mais frequentes no grupo do bimequizumabe; contudo, todos os casos foram classificados como leves ou moderados, sem registros graves ou necessidade de interrupção do tratamento. As taxas de eventos adversos graves permaneceram baixas em ambos os grupos (1,8% para bimequizumabe e 2,9% para risanquizumabe)(1). 

Estudos head-to-head representam a abordagem mais rigorosa em pesquisa clínica comparativa(4). O Be Bold reflete o compromisso da UCB com a excelência científica e a geração de evidências clínicas representativas, apoiando o avanço do cuidado para pessoas que convivem com doenças psoriásicas”, finaliza Juares Bianco, líder de Assuntos Médicos para Imunologia da UCB. 



UCB - empresa biofarmacêutica global
https://ucb-biopharma.com.br

 *ACR50: melhora de pelo menos 50% nos critérios do Colégio Americano de Reumatologia, incluindo redução das articulações dolorosas e inchadas e melhora em outros parâmetros como dor, função e avaliações do paciente e do médico; é considerado um desfecho rigoroso de eficácia na artrite psoriásica(4). 

*MDA (Atividade Mínima da Doença): medida que indica baixo nível de inflamação quando pelo menos 5 de 7 critérios clínicos são atingidos, incluindo articulações dolorosas e inchadas, pele, dor, função física e avaliação do paciente e do médico(5). 

PASI100: indicador de melhora completa da pele, representando 100% de redução na gravidade da psoríase em relação ao início(6). 

#ACR50 + PASI100: desfecho combinado que indica, simultaneamente, melhora de pelo menos 50% na atividade articular (ACR50) e resolução completa das lesões de pele (PASI100), refletindo controle conjunto das manifestações articulares e cutâneas da doença(7).

 

Referências:

1. McInnes I, et al. Bimekizumab efficacy and safety versus risankizumab in patients with active psoriatic arthritis: 16-week results from a head-to-head, multicentre, randomised, phase 3b study. 2026. EULAR. #LB0001.

2. Clinical Trials.gov page. NCT06624228. https://www.clinicaltrials.gov/study/NCT06624228. Last accessed: May 2026.

3. Guyatt G, et al. Core GRADE 5: rating certainty of evidence—assessing indirectness. BMJ 2025; 389:e083865 doi:10.1136/bmj-2024-08386.

4. Ritchlin CT, et al. Ann Rheum Dis. 2023;82(11):1404–14.

5. Queiro R, et al. Arthritis Res Ther. 2022;24(1):153

6. Belinchón I, et al. J Dermatolog Treat. 2022;33(3):1661–9

7. Behrens F, et al. Clin Rheumatol. 2021 Dec;40(12):4943-4954. doi: 10.1007/s10067-021-05891-5. Epub 2021 Sep 13.

 

Engasgos frequentes e perda de peso podem indicar disfagia em pessoas idosas, alerta especialista

Condição afeta a segurança da alimentação, aumenta o risco de pneumonias e pode ser sinal de doenças neurológicas; diagnóstico precoce é fundamental

 

Envelhecer traz mudanças naturais ao organismo, inclusive na capacidade de mastigar e engolir alimentos. No entanto, engasgos frequentes, demora excessiva durante as refeições, perda de peso sem explicação e alterações nos hábitos alimentares não devem ser encarados como consequências normais da idade. 

Conhecida como disfagia, a dificuldade para engolir pode comprometer o estado nutricional, favorecer infecções respiratórias e até mesmo indicar a presença de doenças neurológicas. Dados de um estudo sobre o perfil da deglutição dos brasileiros apontam que 13,6% dos adultos acima de 20 anos apresentam algum grau de dificuldade relacionada ao ato de engolir, prevalência que aumenta de maneira significativa após os 60 anos. Este e outros foram debatidos durante o 40º Congresso Panamericano de Otorrinolaringologia, promovido pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), que reuniu especialistas para discutir os desafios do envelhecimento e da saúde da deglutição na América Latina. 

De acordo com a Dra. Eliézia Alvarenga, professora afiliada de Otorrinolaringologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro do departamento de foniatria da ABORL-CCF, que palestrou sobre Difagia no Idoso: o que esperar do envelhecimento “normal” no Congresso, algumas alterações são esperadas com o avanço da idade, mas merecem acompanhamento. Ela explica que com o envelhecimento é esperado que exista uma lentificação da deglutição e mudanças na preferência alimentar. “Muitas vezes a pessoa passa a evitar determinadas consistências porquê percebe que engasga com mais facilidade. Além disso, alterações dentárias, comuns após os 60 anos ou 70 anos, também podem dificultar a mastigação e a adaptação a diferentes tipos de alimentos”, comenta, ao revelar que essas adaptações, muitas vezes feitas espontaneamente pela própria pessoa idosa, podem trazer consequências importantes quando não há acompanhamento profissional. “Um fator preocupante é quando o paciente retira proteínas ou alimentos sólidos da dieta e não compensa adequadamente a ingestão calórica. Isso favorece a perda de massa muscular, algo que já ocorre naturalmente com o envelhecimento e que também afeta estruturas essenciais para a deglutição, como a musculatura da língua.”

 

De olho na alimentação

Além das alterações físicas, fatores cognitivos também influenciam a segurança da alimentação. Segundo a Dra. Eliézia, com o envelhecimento, a redução de algumas funções neurológicas pode dificultar a realização simultânea de atividades durante as refeições “A alimentação exige preparo e concentração e, por essa razão, a pessoa idosa precisa estar bem alerta e bem posicionada, prestando atenção ao que está fazendo. Comer assistindo televisão ou envolvido em outras atividades aumenta o risco de engasgos, pois as funções de atenção e deglutição compartilham mecanismos neurológicos que também sofrem alterações com a idade”, afirma a especialista, ao ressaltar que é importante combater a ideia de que engasgar faz parte do envelhecimento. “A pessoa idosa não pode achar que isso é apenas o preço de envelhecer. Quando ela normaliza o problema, perde a oportunidade de receber um diagnóstico e iniciar um tratamento adequado.”

 

Sinais de alerta

Embora nem todo engasgo indique uma doença, a ocorrência frequente deve ser investigada. De acordo com a médica, é fundamental que familiares e cuidadores passem a observar os sinais, que muitas vezes passam despercebidos. “O engasgo é um mecanismo de proteção do organismo. Nem todo engasgo significa doença, mas ele merece atenção, e a ausência de tosse ou de reação diante de um engasgo pode ser tão preocupante quanto sua presença, pois alguns idosos perdem sensibilidade e não conseguem se proteger adequadamente”, diz. 

Dentre os principais sinais de alerta, Dra. Eliézia destaca os engasgos frequentes durante a alimentação; o pigarro constante; a alteração da voz, especialmente a chamada “voz molhada”; a demora excessiva para terminar as refeições; a perda de peso não intencional; as pneumonias de repetição; a abdicação de alimentos específicos e o isolamento social relacionado ao momento das refeições. Segundo a professora, quando o paciente passa a evitar encontros; demonstra estresse durante as refeições ou começa a se isolar por medo de engasgar, isso pode ser um indicativo importante de disfagia. “Ela pode impactar diretamente a qualidade de vida e a saúde geral da pessoa idosa. Entre os riscos mais comuns estão a desnutrição, a desidratação, o agravamento de doenças crônicas e as infecções respiratórias.” 

De acordo com a médica especialista, a dificuldade para engolir pode comprometer a ingestão adequada de nutrientes; dificultar o uso correto de medicamentos e aumentar o risco de aspiração de saliva ou alimentos para os pulmões, favorecendo o surgimento de pneumonias. Ela relata que o problema também pode ser um dos primeiros sinais de doenças neurológicas e neuromusculares. “A disfagia pode aparecer em condições como acidente vascular cerebral; doença de Parkinson; doença de Alzheimer; miastenia gravis e esclerose lateral amiotrófica. E por essa razão que precisamos valorizar a deglutição na população 60+”, atesta.

 

Evite complicações

Manutenção da higiene bucal; adoção de postura adequada durante as refeições e a redução de distrações estão entre as principais medidas para evitar complicações. Segundo a Dra. Eliézia, além de cuidar da saúde bucal, evitar comer deitado e não se deitar logo as refeições são atitudes importantes, assim como reduzir as distrações para que a atenção esteja voltada apenas ao ato de comer. “O convívio social é vital. Por isso, se necessário, adapte os horários ou as quantidades de alimentos consumidas durante os encontros, mas mantenha o convívio, pois ele é fundamental para a qualidade de vida.” 

Para a palestrante, a pessoa idosa precisa ter seu tempo respeitado durante as refeições, estando em seu melhor estado de alerta e inserido em um ambiente adequado para se alimentar com segurança. “Respeitar esses cuidados é uma maneira importante de preservar a saúde e autonomia”, ressalta.

 

Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF

 

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