No Dia Nacional do Teste do Pezinho (06.06), especialistas alertam sobre a importância do exame na identificação precoce de doenças raras e esclarecem as principais dúvidas sobre a triagem neonatal
Realizado nos primeiros dias após o
nascimento, o teste do pezinho é um dos exames mais importantes para a saúde do
bebê. Obrigatório e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ele
possibilita o rastreamento precoce de doenças genéticas, metabólicas,
infecciosas, endocrinológicas e hematológicas que podem comprometer o
desenvolvimento infantil e, em alguns casos, colocar a vida da criança em
risco.
De acordo com Pollyana Estephanelli,
professora do curso de Enfermagem da Afya Centro Universitário Itaperuna, o
exame é feito a partir da coleta de algumas gotas de sangue do calcanhar do
recém-nascido, região rica em vasos sanguíneos que facilita o procedimento. “O
ideal é que o teste seja realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. Nesse
período, o organismo já começou a metabolizar proteínas e outros nutrientes, o
que favorece a detecção de diversas doenças”, explica.
A especialista ressalta que o
procedimento é simples, rápido e seguro. Após a higienização do local, o sangue
é coletado em um papel-filtro específico e encaminhado para análise em
laboratório de referência. “O exame provoca apenas um desconforto momentâneo e
não oferece riscos significativos quando realizado por profissionais
capacitados”, afirma.
Segundo Pollyana, ainda existe a falsa
percepção de que o teste serve para identificar apenas uma ou duas doenças. Na
prática, a triagem neonatal é considerada uma das principais estratégias de
prevenção em saúde pública e permite rastrear diversas condições que podem
comprometer o desenvolvimento neurológico, cognitivo e motor da criança.
“Quando não são identificadas e acompanhadas precocemente, algumas dessas
doenças podem provocar sequelas permanentes e até levar ao óbito”, alerta.
Para a Dra. Isabela Pires, médica e
professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, um dos principais
benefícios do exame é identificar doenças antes mesmo do surgimento dos
sintomas. “Muitas das condições detectadas pelo teste não apresentam
manifestações evidentes nos primeiros meses de vida. O bebê aparenta estar
saudável, mas já pode apresentar alterações importantes no organismo. Em alguns
casos, os sintomas só aparecem após a introdução de determinados alimentos ou
exposição a medicamentos, enquanto outras doenças podem se manifestar logo nos
primeiros dias de vida”, explica.
Entre as doenças mais conhecidas
rastreadas pelo exame estão o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a
fibrose cística, a anemia falciforme e a hiperplasia adrenal congênita. A
especialista destaca que a quantidade de doenças investigadas varia de acordo
com a modalidade do teste, básica, ampliada ou expandida,permitindo uma
avaliação mais abrangente em alguns casos.
“O exame possibilita o rastreamento de
doenças que podem ser tratadas ou acompanhadas de forma mais eficaz quando
identificadas precocemente, reduzindo o risco de sequelas e melhorando a
qualidade de vida da criança. Em alguns casos, ele também aponta condições que
ainda não possuem cura, mas que exigem acompanhamento contínuo e cuidados
específicos ao longo da vida”, acrescenta a pediatra.
Os benefícios da triagem neonatal são
especialmente evidentes em doenças como a fenilcetonúria e o hipotireoidismo
congênito, nas quais o tratamento iniciado ainda nas primeiras semanas de vida
pode favorecer crescimento e desenvolvimento próximos do esperado. “Quanto mais
cedo a condição é identificada, maiores são as chances de evitar complicações e
garantir melhor qualidade de vida para a criança”, reforça Pollyana.
Além da realização do exame, as
especialistas destacam a importância de os pais acompanharem o resultado e
manterem contato com a unidade de saúde responsável pela coleta. “Um resultado
alterado não significa necessariamente que o bebê tenha a doença. Em muitos
casos, é preciso realizar exames complementares ou uma nova coleta para
confirmação. O mais importante é não ignorar o chamado e seguir corretamente as
orientações médicas”, orienta a Dra. Isabela.
5 fatos sobre o teste do pezinho que
provavelmente você desconheça
1. O exame existe há décadas no Brasil
O teste do pezinho começou a ser
realizado no país na década de 1970, mas passou a integrar oficialmente o
Programa Nacional de Triagem Neonatal somente em 2001.
2. O nome oficial não é teste do
pezinho
Embora seja popularmente conhecido por
esse nome, o termo técnico é triagem neonatal biológica. A denominação surgiu
porque a coleta é realizada no calcanhar do bebê.
3. Nem sempre uma única coleta é
suficiente
Bebês prematuros, que receberam
transfusão sanguínea ou que passaram por situações capazes de interferir nos
resultados podem precisar repetir o exame para garantir maior precisão.
4. O número de doenças investigadas
pode variar bastante
Dependendo da modalidade realizada, o
teste pode rastrear um número maior de doenças, incluindo diversas condições
raras, genéticas, metabólicas, imunológicas e endocrinológicas.
5. Um resultado alterado não é sinônimo
de diagnóstico
Quando o exame aponta alguma alteração,
isso não significa automaticamente que o bebê tenha a doença investigada. O
resultado funciona como um alerta para que sejam realizados exames
complementares e avaliações específicas antes da confirmação diagnóstica.
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