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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dia Mundial Sem Tabaco: cigarro ameaça a saúde ocular e pode causar danos permanentes à visão

 

Imagem de kroshka__nastya no Magnific

Segundo oftalmologista, fumar aumenta consideravelmente o risco de degeneração macular relacionada à idade (DMRI), glaucoma, catarata e danos ao nervo óptico 


No dia 31 de maio, o Dia Mundial Sem Tabaco reacende um alerta que costuma ser associado aos pulmões e ao coração, mas ainda desperta pouca atenção quando o assunto são os olhos. A fumaça do cigarro carrega milhares de substâncias tóxicas que alcançam estruturas delicadas da visão e podem provocar danos silenciosos, mas muitas vezes irreversíveis. Entre as regiões mais vulneráveis dos olhos estão a retina e o nervo óptico, fundamentais para captar e transmitir as imagens ao cérebro. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 8 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência do tabagismo, incluindo cerca de 1,2 milhão de vítimas do fumo passivo. Diante desse cenário, especialistas reforçam que abandonar o cigarro representa uma medida decisiva não apenas para reduzir doenças sistêmicas, mas também para preservar a saúde ocular. 

De acordo com a Dra. Mayra Leite, oftalmologista do H.Olhos, o tabaco interfere diretamente na circulação sanguínea e na oxigenação dos tecidos oculares, criando um ambiente propício ao surgimento de alterações degenerativas. “Muitas pessoas desconhecem que fumar pode comprometer estruturas essenciais para enxergar. As substâncias presentes no cigarro provocam estresse oxidativo, reduzem o aporte de oxigênio e prejudicam vasos sanguíneos que nutrem os olhos”, explica. 

Entre as doenças oculares associadas ao tabagismo está a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), condição que afeta a mácula, região central da retina responsável pela percepção de detalhes, leitura e reconhecimento de rostos. O quadro tende a evoluir progressivamente e pode limitar atividades cotidianas, especialmente em pessoas com predisposição genética ou sem acompanhamento oftalmológico periódico. 

“A retina depende de uma irrigação eficiente para funcionar adequadamente, e o cigarro favorece processos inflamatórios e degenerativos que comprometem esse equilíbrio”, afirma a Dra. Mayra Leite. 

O nervo óptico também sofre impacto importante. Responsável por conduzir os estímulos visuais ao cérebro, ele pode ser lesionado pela exposição contínua aos componentes tóxicos do tabaco. Essa agressão favorece neuropatias ópticas e aumenta o risco de doenças que comprometem o campo visual, com prejuízo gradual da capacidade de enxergar. 

“A lesão do nervo óptico costuma avançar de maneira silenciosa. Em muitos casos, o paciente percebe alterações somente quando já ocorreu perda funcional significativa. Por isso, além de interromper o uso do tabaco, é essencial manter consultas regulares com o oftalmologista”, orienta a especialista. 

Além da retina e do nervo óptico, o cigarro está relacionado a outras alterações oculares, como catarata, glaucoma e síndrome do olho seco. A exposição frequente à fumaça agride a superfície ocular, favorece irritação, sensação de areia nos olhos, ardência e vermelhidão, sintomas que também podem atingir pessoas expostas ao fumo passivo. 

Para a oftalmologista, promover a conscientização sobre essa relação ainda pouco discutida é parte importante da prevenção. “Quando falamos sobre tabagismo, geralmente pensamos em doenças respiratórias ou cardiovasculares. No entanto, os olhos também pagam um preço alto por essa exposição. Parar de fumar é uma decisão que beneficia todo o organismo e ajuda a proteger a visão ao longo da vida”, conclui a Dra. Mayra Leite.


Os 5 piores alimentos para quem está na menopausa: saiba quais são

A alimentação adequada é um fator muito importante para o seu bem-estar durante a menopausa; veja quais alimentos é melhor evitar nessa fase 

 

Os sintomas que geralmente aparecem nas mulheres na menopausa não são nada agradáveis. Ondas de calor (fogachos), suores noturnos, insônia, alterações de humor (irritabilidade, ansiedade), ressecamento vaginal e ganho de peso são alguns dos sinais que costumam surgir nesse momento e infernizar a vida das mulheres 45+. 

Quando a menopausa chega, é sempre importante consultar um médico especialista para avaliar o seu caso e iniciar um acompanhamento para aumentar o seu bem-estar e qualidade de vida. E, apesar de, em muitos casos, ser necessário algum tratamento mais específico, como a reposição hormonal, você sabia que a alimentação correta também pode fazer muita diferença nesse momento? 

Isso mesmo! Segundo o Dr. Luiz Augusto Junior, especialista em saúde da mulher e em nutrologia, é essencial evitar alguns alimentos que podem piorar os sintomas da menopausa. A seguir, veja 5 dos piores que você deve diminuir o consumo nessa fase, de acordo com o especialista: 


1- Fast-Food

Os fast-foods, no geral, são nocivos à saúde, especialmente porque costumam ser ricos em gorduras trans. Isso é péssimo para o coração, já que aumenta os níveis do colesterol LDL e torna maior o risco de infarto, por exemplo. Para mulheres na menopausa, o perigo é ainda maior, uma vez que o risco de doenças cardiovasculares já cresce naturalmente nessa fase. 


2- Álcool

Apesar de comum em muitos momentos de interação social, o álcool é horrível para o organismo. E, no caso de quem está na menopausa, pode intensificar sintomas como as ondas de calor, os suores e o sono ruim. Assim, mesmo que você não corte o álcool 100% da sua vida, é essencial não exagerar nele. 


3- Produtos ricos em cafeína

Muita gente não acorda de verdade antes de tomar um bom café. Porém, a cafeína, especialmente em grandes quantidades, pode impactar nas ondas de calor e insônia. Isso sem contar que o excesso dela pode deixar a pessoa mais irritada e ansiosa, o que já é comum com as flutuações hormonais da menopausa. 

O Dr. Luiz explica que o melhor é, se possível, optar pelo café descafeinado, ou tome apenas uma pequena quantidade da bebida pela manhã (porém, de preferência, no mínimo uma ou duas horas após acordar), evitando bebê-la à noite. 


4- Comidas apimentadas

Alimentos muito apimentados potencializam as ondas de calor e, em casos piores, podem até causar outros sintomas, como tontura. Assim, evite pimenta demais e substitua-a por outros temperos.


5- Carnes gordurosas

Por fim, as carnes gordurosas atrapalham a produção de serotonina pelo corpo (hormônio associado ao bem-estar). Por conta disso, o humor das mulheres na menopausa pode ficar ainda mais alterado, podendo até aparecer sintomas depressivos em algumas delas.   

 

Dr. Luiz Augusto Júnior - médico especializado na saúde da mulher, com foco em menopausa, equilíbrio hormonal e medicina integrativa. Formado pela Unoeste e com múltiplas pós-graduações, atua com uma visão que integra estilo de vida, nutrição, sono e saúde emocional. Fundador do Instituto Amare, Luiz se dedica a um cuidado humanizado e transformador, guiado por propósito e atualização constante. Acompanhe mais sobre seu trabalho: @institutoamarepp | @dr.luizaugustojunior

 

Esclerose múltipla: condição complexa para médicos e pacientes afeta milhares de pessoas no país

 

No  Dia Mundial da Esclerose Múltipla (30.05) , especialista alerta para os desafios do diagnóstico, os impactos silenciosos da condição e a importância da conscientização sobre a doença

 

De acordo com o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, cerca de 40 mil pessoas convivem com a esclerose múltipla no Brasil. A doença, que geralmente acomete pessoas entre 20 e 50 anos de idade, é uma condição autoimune e inflamatória crônica que afeta o sistema nervoso central, podendo provocar uma série de sintomas neurológicos com intensidade e frequência variáveis entre os pacientes. Entre as manifestações mais comuns estão formigamentos, perda de força muscular, alterações na visão, dificuldades de equilíbrio e fadiga intensa, já que a enfermidade pode atingir o cérebro, o nervo óptico e a medula espinhal.


Segundo o Dr. Vanderson Carvalho,médico e professor de pós-graduação em  Neurologia da Afya Itaperuna a EM é marcada pela desmielinização, processo em que ocorre dano à bainha de mielina, estrutura responsável por proteger os neurônios e garantir a transmissão adequada dos impulsos nervosos. “Devido à natureza difusa e multifocal dessas lesões no tecido nervoso, a apresentação clínica é muito heterogênea, variando significativamente entre os pacientes e ao longo do curso da doença”, explica. O especialista destaca que muitos dos sintomas podem surgir de forma aguda durante os surtos da doença, enquanto outros, como a fadiga, tendem a se tornar crônicos com a evolução do processo inflamatório.


Por apresentar sintomas variados e, muitas vezes, intermitentes, a esclerose múltipla ainda representa um desafio diagnóstico. Em muitos casos, os primeiros sinais desaparecem espontaneamente, fazendo com que o paciente demore a procurar ajuda médica.“O diagnóstico é complexo justamente devido à disseminação no tempo e no espaço das lesões. Muitas vezes os sintomas iniciais são transitórios, como um formigamento no braço que desaparece após alguns dias, o que pode levar a suspeitas equivocadas”, afirma o neurologista. Entre as doenças que podem ser confundidas com a EM estão outras condições neurológicas, doenças vasculares cerebrais, enfermidades reumatológicas e até síndromes carenciais, como deficiência de vitamina B12.


Diante disso, o acompanhamento especializado é considerado fundamental para evitar atrasos no diagnóstico e no tratamento. “Hoje, na neurologia, aplica-se perfeitamente à esclerose múltipla a máxima de que ‘tempo é cérebro’. O atraso no diagnóstico pode gerar sequelas irreversíveis e comprometer a reserva neurológica do paciente”, alerta o Dr. Vanderson.


Além dos sintomas físicos mais conhecidos, a doença também apresenta manifestações chamadas de “invisíveis”, que impactam profundamente a qualidade de vida dos pacientes. Entre elas estão fadiga extrema, dor crônica, alterações cognitivas, problemas de memória, dificuldade de concentração, alterações de humor e disfunções autonômicas.


Esses sintomas nem sempre são percebidos por familiares, colegas de trabalho ou até profissionais de saúde sem experiência na área, justamente por não deixarem sinais físicos aparentes.“Apesar de ocultos, eles são os principais determinantes da perda de qualidade de vida e do afastamento laboral precoce na esclerose múltipla”, explica o neurologista.


De acordo com o neurologista da Afya, a tríade formada por dificuldade de concentração, lapsos de memória e fadiga afeta grande parte dos pacientes em algum momento da vida, podendo surgir logo nos primeiros anos da doença. “Esses sintomas decorrem da inflamação, da desorganização das redes neurais e da perda de volume cerebral. O impacto nas relações pessoais e na rotina costuma ser profundo, exigindo adaptação de familiares e cuidadores”, acrescenta.


O especialista reforça que o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são determinantes para reduzir a frequência dos surtos e preservar a autonomia dos pacientes ao longo do tempo. Segundo o Dr. Vanderson, a neurologia moderna abandonou a antiga estratégia de “esperar para ver” e passou a atuar de forma preventiva. “O diagnóstico precoce seguido da introdução imediata de terapias modificadoras da doença é o principal fator associado à preservação da funcionalidade e da autonomia do paciente a longo prazo”, afirma.

 

6 curiosidades sobre a esclerose múltipla que talvez você não conheça

  1. A esclerose múltipla não afeta apenas os movimentos: além das dificuldades motoras, a doença também pode causar fadiga intensa, alterações cognitivas, problemas de memória, dor crônica e mudanças emocionais.
  2. Mulheres são mais afetadas: atualmente, a proporção estimada é de cerca de três mulheres diagnosticadas para cada homem com esclerose múltipla.
  3. A localização geográfica influencia: a doença é mais frequente em regiões mais distantes da linha do Equador, especialmente em países do hemisfério norte.
  4. A EM é mais comum em pessoas caucasianas: estudos mostram maior prevalência da doença entre pessoas brancas.
  5. O vírus da “doença do beijo” pode estar relacionado: pesquisas recentes apontam que o vírus Epstein-Barr (EBV), causador da mononucleose infecciosa, pode funcionar como um gatilho imunológico para o desenvolvimento da doença em pessoas geneticamente predispostas.
  6. Pacientes podem ter vida ativa: com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento multidisciplinar, muitas pessoas com esclerose múltipla conseguem trabalhar, estudar, manter rotina ativa e preservar a qualidade de vida.


Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br


29 de maio - Dia Mundial da Saúde Digestiva: 5 hábitos simples que ajudam a cuidar do intestino no dia a dia

 

O Dia Mundial da Saúde Digestiva, celebrado em 29 de maio, chama atenção para um tema que impacta diretamente a qualidade de vida de milhões de pessoas: a saúde intestinal. Segundo dados da Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO), cerca de um terço da população relata algum tipo de desconforto gastrointestinal— e, ainda assim, aproximadamente 90% dessas pessoas ignoram os sintomas. 

Além de participar da digestão dos alimentos, o intestino desempenha funções importantes relacionadas à imunidade, absorção de nutrientes, produção de hormônios e neurotransmissores que influenciam o funcionamento de todo o corpo, assim como a saúde mental. Inclusive, dentre os neurotransmissores que são produzidos no intestino está a serotonina, que está relacionada com a sensação de bem-estar. 

Nesse contexto, especialistas reforçam a importância de hábitos simples e consistentes, como alimentação equilibrada, ingestão de fibras e consumo regular de probióticos. Produtos como Activia, que contém um mix exclusivo de fibras e probióticos e pode ser incorporado facilmente à rotina alimentar, aparecem como aliados práticos para quem busca mais equilíbrio digestivo no dia a dia. 

Confira cinco hábitos que podem contribuir para a saúde digestiva:

 

1. Inclua fibras diariamente na alimentação

As fibras têm papel fundamental no funcionamento intestinal e ajudam a alimentar as bactérias benéficas da microbiota, mais conhecida como flora intestinal. Frutas, verduras, legumes, sementes, aveia e cereais integrais estão entre as principais fontes.

Pequenas escolhas ao longo do dia já ajudam: adicionar frutas ao café da manhã, apostar em lanches integrais ou combinar leites fermentados ou iogurtes com cereais ricos em fibras são alternativas simples. Activia Triplo Zero pode complementar esses momentos de forma prática e saborosa, pois sua fórmula é fonte de fibras, além de ter 0 adição de açúcares*, 0 gordura e 0 lactose.

 

2. Hidrate-se adequadamente

A água é essencial para diversas funções do organismo — inclusive para o trânsito intestinal. Uma boa hidratação potencializa a ação das fibras e ajuda o intestino a funcionar de maneira mais regular.

A recomendação diária pode variar conforme idade, clima e rotina, mas manter o hábito de consumir água ao longo do dia faz diferença para a saúde digestiva.

 

3. Respeite os horários das refeições

Longos períodos em jejum e refeições feitas às pressas podem impactar negativamente o sistema digestivo. Manter uma rotina alimentar equilibrada ajuda o organismo a funcionar de forma mais eficiente.

Pequenos lanches entre as refeições principais, como frutas, oleaginosas ou um potinho de Activia, podem ajudar a manter maior regularidade alimentar mesmo em dias corridos.

 

4. Consuma probióticos regularmente

Os probióticos são micro-organismos vivos que auxiliam no equilíbrio da flora intestinal. Eles podem contribuir para o conforto digestivo e para um bom funcionamento do intestino. Eles podem ser encontrados em alguns alimentos como vegetais fermentados em conserva, missô e iogurtes funcionais, como Activia - conhecido por sua cepa exclusiva de probióticos BIFIDOBACTERIUM ANIMALIS LACTIS CNCM I-24941, que auxilia no equilíbrio da microbiota e na redução de desconfortos intestinais.

 

5. Cuide do sono e do estresse

A conexão entre intestino e cérebro já é amplamente discutida pela ciência. Estresse, ansiedade e noites mal dormidos podem influenciar diretamente no surgimento de desconfortos digestivos como estufamento, desconforto abdominal e alterações intestinais.

Por isso, hábitos como atividade física regular, pausas de descanso e momentos de autocuidado na rotina fazem parte de uma rotina de saúde digestiva mais equilibrada.

Com o avanço das pesquisas sobre microbiota intestinal e bem-estar, o Dia Mundial da Saúde Digestiva surge como um convite para olhar o intestino de forma mais integral. E, muitas vezes, mudanças simples — como incluir fibras, probióticos e mais equilíbrio na rotina — podem fazer grande diferença na saúde ao longo do tempo e podem ajudar no bem-estar geral do corpo.





Referências: Link

¹Activia contém o probiótico 𝘽𝙄𝙁𝙄𝘿𝙊𝘽𝘼𝘾𝙏𝙀𝙍𝙄𝙐𝙈 𝘼𝙉𝙄𝙈𝘼𝙇𝙄𝙎 𝙇𝘼𝘾𝙏𝙄𝙎 𝘾𝙉𝘾𝙈 𝙄-𝟮𝟰𝟵𝟰, que ajuda a reduzir a frequência de desconforto intestinal (desconforto abdominal, inchaço, flatulência, ruídos intestinais).
Benefício comprovado na porção de 200g, numa quantidade mínima de 8,9x10⁹ UFC.
ALGUNS PRODUTOS PODEM CONTER GLÚTEN. CONSULTE O RÓTULO ANTES DE CONSUMIR.
*Contém açúcares próprios dos ingredientes.



Activia
www.activiadanone.com.br
activiabrasil.


Uso precoce da terapia com Células CAR-T é cada vez mais frequente no tratamento do câncer

Tratamento é utilizado em larga escala em câncer de sangue,
 como leucemia e mieloma múltiplo
Medida visa aumentar as chances de remissão da doença, explica o hematologista Renato de Castro, da Oncologia D’Or.

 

Na Medicina, protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas definem a ordem que os tratamentos são administrados no paciente. Eles são conhecidos por linhas de tratamento, que começam com as terapias mais eficazes. Havendo necessidade, os médicos prescrevem as demais opções, de acordo com a sequência pré-estabelecida. Quando surgiu, há quase dez anos, a terapia com Células CAR-T era indicada como quinta linha de tratamento. Hoje, é usada cada vez mais cedo. “Quanto mais precoce a indicação, maiores são as chances de remissão da doença”, afirma o hematologista Renato de Castro, da Oncologia D’Or. 

As Células CAR-T são uma terapia celular criada para tratar alguns tipos de câncer. Hoje são largamente usadas no tratamento de cânceres hematológicos, como leucemia linfoblástica aguda de células B, mieloma múltiplo e linfomas não Hodgkin (difuso de grandes células B e folicular). Em geral, não são indicadas como tratamento de primeira linha, e sim para pacientes que tiveram recaída da doença (recidiva) ou não responderam a outras terapias (refratários).

Essa abordagem personalizada1 envolve a modificação genética dos linfócitos T do paciente, que recebem receptores para reconhecer e eliminar as células cancerígenas. Esses linfócitos são glóbulos brancos, que defendem o corpo contra vírus, bactérias e tumores. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou três medicamentos desenvolvidos com essa tecnologia: ciltacabtegene autoleucel, axicabtagene ciloleucel e tisagenlecleucel.


Avanços terapêuticos

Os bons resultados obtidos em estudos clínicos contribuíram para antecipar as indicações. Em 2022, a agência regulatória norte-americana FDA (Food and Drug Administration) aprovou a terapia com Células CAR-T para tratar mieloma múltiplo em adultos que tiveram recidiva ou eram refratários a quatro ou mais linhas de terapia2. Em 2024, o estudo CARTITUDE-4 mostrou que as Células CAR-T reduziram em 59% o risco de progressão da doença ou morte em relação ao tratamento padrão, levando a FDA a antecipar seu uso para primeira ou segunda linha3

“Para pacientes com linfoma não Hodgkin, podemos usar as Células CAR-T, na falha da primeira linha de tratamento, que é a imunoquimioterapia”, observa Renato de Castro. A terapia celular é indicada como segunda linha para pacientes com leucemia, cuja doença não foi controlada a ponto de viabilizar um transplante de medula óssea. “Pode ser a terceira linha de tratamento, em casos de recaída após o transplante”, complementa o médico.
 

Boas perspectivas

Como essa terapia celular é recente, ainda não existem estudos que documentem a cura. Na Oncologia, a doença só é considerada curada quando não há evidência do seu retorno por um período de cinco a dez anos após o tratamento. 

Mas os estudos existentes apontam dados promissores. Por cinco anos, os pesquisadores do estudo JULIET4 acompanharam 115 pacientes com linfoma de grandes células B recidivado ou refratário medicados com as Células CAR-T. Dos participantes, 61% tiveram sobrevida livre de recaída nesse período. 

Mais de 30% dos 97 pacientes com mieloma múltiplo que participaram do estudo CARTITUDE-15 permaneceram vivos e livres da progressão da doença por cinco anos ou mais depois de uma infusão das células CAR-T.

Células coletadas do paciente passam por uma manipulação
 genética para ser capaz de identificar e destruir os tecidos cancerígenos

Após 38,8 meses de acompanhamento, 79 pacientes pediátricos e jovens com leucemia linfoblástica aguda de células B recidivada ou refratária, integrantes do estudo ELIANA6, apresentaram taxa global de remissão de 82% com o tratamento à base de terapia celular.

 

Como funciona

Se possuir as características para receber as Células CAR-T, o paciente é encaminhado para uma equipe, que avalia seu estado de saúde geral. A terapia pode ser administrada até mesmo em pessoas com mais de 70 anos, desde que não apresentem comorbidades graves — como insuficiência renal crônica com necessidade de hemodiálise, insuficiência cardíaca ou cirrose hepática. 

Para o procedimento, as células do paciente são coletadas no Brasil e remetidas para um laboratório no Exterior, onde passarão por um processo de manipulação genética para adquirir a capacidade de identificar e destruir as células tumorais. Em até 45 dias, elas retornam ao Brasil e são reinfundidas no paciente. 

Os efeitos benéficos iniciais surgem de forma gradativa após um mês da reinfusão. Nesse período, os exames ainda apontam a presença da doença de base. “As respostas muito significativas e, às vezes, completas surgem depois do terceiro mês”, conclui Renato de Castro.
 

As doenças

São considerados cânceres hematológicos os que atingem a medula óssea, o sistema linfático e as células sanguíneas. Esses tumores inviabilizam a produção de sangue saudável. Os principais tipos são leucemias, linfomas e mielomas múltiplos. 

A leucemia acomete as células brancas do sangue, que passam a se proliferar de maneira desordenada na medula óssea. Assim, substituem as células sanguíneas saudáveis, levando à anemia, neutropenia e plaquetopenia. Essas células também migram para a corrente sanguínea, podendo causar leucocitose e infiltração de órgãos, como o fígado e o baço. 

A leucemia linfoblástica aguda de células B7 se desenvolve de maneira acelerada no sangue e na medula óssea. É mais comum em crianças e adultos de até 25 anos. Causa fadiga, infecções, sangramentos e inchaço nos gânglios. 

O linfoma não Hodgkin7 se desenvolve quando as células B ou T se multiplicam de forma descontrolada, tornando-se malignas. O linfoma difuso de grandes células B é a forma mais comum deste tipo de célula e apresenta um desenvolvimento agressivo. Em contraste, o linfoma folicular de células B é indolente. Ambos afetam a faixa etária acima dos 60 anos. 

O mieloma múltiplo8 é o segundo tumor hematológico mais prevalente no Brasil. Trata-se de uma neoplasia maligna que tem origem nos plasmócitos, células de defesa do organismo. Mais frequente em idosos, provoca lesões ósseas, insuficiência renal, hipercalcemia e anemia. 

 

Oncologia D'Or 

 

Referências

  1. Mahesh Kumar Posa et al. CAR T- cell therapy: A promising novel approach for treatment of cancer. Cancer Treatment and Research Communications. Volume 47, 2026.
  2. US Food and Drug Administration. FDA approves ciltacabtagene autoleucel for relapsed or refractory multiple myeloma. Disponível em Link 
  3. Onclive. Kriti Rosa. FDA Approves Cilta-Cel for R/R Multiple Myeloma After at Least One Prior Line of Therapy. Disponível em https://www.onclive.com/view/fda-approves-cilta-cel-for-r-r-multiple-myeloma-who-have-received-at-least-one-prior-line-of-therapy
  4. Richard T. Maziarz et al . Five-Year Analysis of the JULIET Trial of Tisagenlecleucel in Patients With Relapsed/Refractory Large B-Cell Lymphoma. J Clin Oncol 44, 86-91(2026).
  5. Sundar Jagannath et al. Long-Term (≥5-Year) Remission and Survival After Treatment With Ciltacabtagene Autoleucel in CARTITUDE-1 Patients With Relapsed/Refractory Multiple Myeloma. J Clin Oncol 43, 2766-2771(2025).
  6. Theodore W. Laetsch et al. Three-Year Update of Tisagenlecleucel in Pediatric and Young Adult Patients With Relapsed/Refractory Acute Lymphoblastic Leukemia in the ELIANA Trial. J Clin Oncol 41, 1664-1669(2023).
  7. Olivia L. Lanier et al. Immunotherapy approaches for hematological cancers. iScience, Volume 25, Issue 11105326, 2022.
  8. LAV Oliveira. Análise epidemiológica dos diagnósticos de mieloma múltiplo no Brasil no período 2013-2022. Hematology, Transfusion and Cell Therapy. Volume 45, Supplement 4, 2023, Page S426

Cigarro aumenta risco de câncer urológico, doença renal e impotência, alerta especialista

No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, médico Luís César Zaccaro chama atenção para os impactos do fumo na saúde urológica e alerta para o avanço do uso entre jovens

 

Os danos provocados pelo cigarro já são amplamente conhecidos e incluem doenças cardiovasculares, respiratórias e mais de 15 tipos de câncer. Mas o que muita gente ainda desconhece é o impacto direto do tabagismo sobre a saúde urológica, especialmente masculina. No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, fica o alerta para os riscos do cigarro relacionados ao câncer de bexiga, câncer de rim, disfunção erétil e doença renal crônica.

Segundo o urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico Luís César Zaccaro, o cigarro é hoje o maior vilão da saúde urológica, superando fatores como álcool, sedentarismo e má alimentação. “As substâncias tóxicas inaladas são filtradas pelos rins e eliminadas na urina. Esse contato constante agride o revestimento da bexiga e aumenta muito o risco de câncer”, explica.

Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apontam que o cigarro é o principal fator de risco para o câncer de bexiga, um dos tumores urológicos mais associados ao tabagismo. Fumantes têm risco até quatro vezes maior de desenvolver a doença em comparação com não fumantes. Estima-se que cerca de metade dos casos em homens estejam ligados diretamente ao cigarro.

Além da bexiga, o cigarro também está associado ao câncer de rim. De acordo com a SBU, entre 20% e 30% dos casos da doença têm relação direta com o histórico de tabagismo. Já no câncer de próstata, embora o cigarro não seja considerado causa direta do tumor, pacientes fumantes apresentam formas mais agressivas da doença e risco de mortalidade até 61% maior.


Riscos para a saúde sexual

O especialista destaca que os efeitos do cigarro também atingem diretamente a saúde sexual masculina. “O tabagismo favorece o entupimento dos vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo necessário para a ereção. Fumantes têm risco significativamente maior de desenvolver disfunção erétil, principalmente após os 40 anos”, afirma Zaccaro.

O alerta ganha ainda mais relevância diante do crescimento do uso de nicotina entre jovens. O último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado em setembro de 2025, mostrou que 15,5% da população brasileira utiliza algum produto com nicotina. Entre adolescentes fumantes, mais de um terço começou antes dos 14 anos.

“Não existe um consumo considerado seguro do cigarro. O ideal é buscar ajuda especializada para abandonar completamente o tabaco”, orienta o médico.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar, incluindo acompanhamento médico, adesivos de nicotina, gomas, pastilhas e medicamentos específicos.

“Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade. Quanto mais cedo essa decisão acontece, maiores são as chances de evitar doenças graves e recuperar qualidade de vida”, conclui o médico Luís César Zaccaro. 

 

Dr. Luís César Zaccaro - urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico. Mestre em Oncologia pelo Hospital de Amor de Barretos, é chefe do Ambulatório de Uro-oncologia da Santa Casa de Ribeirão Preto, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo, diretor do GEURP – Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeirão Preto e referência nacional em cirurgia robótica, atuando também como proctor e palestrante em congressos no Brasil e no exterior.


Vapes: a geração que deveria fumar menos agora inala um novo risco para o câncer

 

Magnific

Dispositivos eletrônicos avançam entre adolescentes, reacendem alerta sobre dependência e preocupam especialistas diante do impacto potencial na incidência de tumores nas próximas décadas



Era para o tabagismo estar em declínio contínuo entre os mais jovens. Depois de décadas de campanhas antitabaco, restrições à publicidade e aumento da conscientização sobre os danos do cigarro, especialistas acreditavam que a geração Z seria a primeira a crescer distante da nicotina. Mas a popularização dos cigarros eletrônicos mudou essa trajetória e trouxe um novo desafio para a saúde pública. 

Com aparência tecnológica, aromas adocicados e forte presença nas redes sociais, os vapes conquistaram adolescentes e jovens adultos em ritmo acelerado, mesmo sendo proibidos no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O avanço do consumo já preocupa especialistas em oncologia, pneumologia e saúde pública, especialmente às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, que acontece em 31 de maio. 

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, mostram que o percentual de estudantes entre 13 e 17 anos que já experimentaram cigarro eletrônico saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Quando analisado o consumo recente,nos 30 dias anteriores à pesquisa, o crescimento foi ainda mais expressivo: passou de 8,6% para 26,3%. 

Na prática, especialistas observam uma troca de comportamento: menos adolescentes fumam cigarro convencional, mas cada vez mais aderem aos dispositivos eletrônicos. “O surgimento dessa alternativa ‘moderna’ colocou décadas de combate ao tabagismo em xeque. Ainda não sabemos completamente quais serão os efeitos de longo prazo dos cigarros eletrônicos, mas já existem indícios preocupantes de que eles podem ser tão ou mais nocivos que o cigarro convencional”, alerta o oncologista William Nassib William Jr., líder nacional da especialidade de tumores torácicos da Oncoclínicas. 

Segundo o especialista, há um receio crescente de que o aumento do consumo entre adolescentes resulte, nas próximas décadas, em uma nova onda de doenças pulmonares e cânceres relacionados ao tabagismo. “Assim como houve no passado uma geração que associava o cigarro a charme e status, hoje vemos jovens atraídos por dispositivos com design tecnológico, sabores variados e forte apelo comportamental”, afirma.
 

Nicotina em alta concentração e dependência precoce  

Um dos pontos que mais preocupam os especialistas é a capacidade viciante dos cigarros eletrônicos. Diferentemente do cigarro tradicional, muitos dispositivos utilizam sais de nicotina, uma formulação que facilita a absorção da substância pelo organismo e intensifica a dependência. 

Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), um único vape pode equivaler à quantidade de nicotina presente em até um maço de cigarros convencionais. Alguns modelos chegam a conter volumes ainda maiores. 

“A nicotina não é diretamente responsável pelo câncer, mas é ela que provoca dependência. E esses dispositivos conseguem entregar concentrações extremamente elevadas da substância, fazendo com que o vício se estabeleça rapidamente”, explica William William. 

O impacto não se limita à dependência química. Estudos apontam que a nicotina interfere em áreas cerebrais relacionadas à atenção, memória e aprendizado, além de aumentar o risco de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais. 

Esse padrão de consumo contínuo já tem sido observado na prática clínica. Especialistas relatam adolescentes utilizando vape repetidamente ao longo do dia, inclusive durante a madrugada, devido aos sintomas intensos de abstinência.
 

“Pulmão de pipoca” e lesões irreversíveis  

Embora frequentemente associados a uma alternativa “mais limpa” ao cigarro convencional, os vapes estão ligados a uma série de danos respiratórios importantes. Entre eles está a bronquiolite obliterante, conhecida popularmente como “pulmão de pipoca”, uma doença pulmonar rara e irreversível causada pela inflamação e fibrose dos bronquíolos, estruturas responsáveis pela passagem de ar nos pulmões. 

O nome da condição surgiu após casos registrados em trabalhadores expostos ao diacetil, substância usada para dar sabor amanteigado a pipocas de micro-ondas. O mesmo composto também é encontrado em líquidos aromatizados utilizados em cigarros eletrônicos. 

Os sintomas incluem tosse persistente, falta de ar progressiva, chiado no peito, cansaço excessivo e redução da capacidade respiratória. Em muitos casos, os danos pulmonares são permanentes. 

Além disso, médicos alertam para a EVALI, sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos, condição que ganhou notoriedade após centenas de casos graves registrados nos Estados Unidos nos últimos anos. 

“O grande problema é que muitos jovens acreditam que estão inalando apenas vapor de água, quando na verdade esses dispositivos liberam milhares de substâncias químicas potencialmente tóxicas”, destaca o oncologista. Entre elas estão metais pesados como níquel, chumbo e zinco, além de compostos potencialmente cancerígenos, como formaldeído e acroleína.
 

O risco de uma nova geração de fumantes  

Um dos argumentos mais usados pela indústria e por usuários de vape é a ideia de que os dispositivos ajudariam a abandonar o cigarro convencional. Mas as evidências científicas mais recentes apontam justamente para o movimento contrário entre adolescentes. 

Um estudo publicado na revista Tobacco Control, liderado pela Universidade de Michigan, mostrou que jovens usuários frequentes de cigarros eletrônicos têm risco até 30 vezes maior de começar a fumar cigarros convencionais em comparação àqueles que nunca usaram vape. 

No Brasil, um levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA) também identificou que o cigarro eletrônico aumenta mais de três vezes o risco de experimentação do cigarro tradicional e mais de quatro vezes o risco de uso regular. 

Para William William, isso representa uma ameaça concreta aos avanços conquistados nas últimas décadas no combate ao tabagismo. “Os cigarros eletrônicos reintroduzem o comportamento de fumar em uma geração que vinha se afastando do cigarro convencional. Isso tem um potencial enorme de impacto em saúde pública”, afirma. 

Especialistas apontam ainda que o sucesso dos vapes entre adolescentes não ocorre por acaso. Sabores frutados, embalagens coloridas, design semelhante a gadgets tecnológicos e divulgação intensa em redes sociais tornam os dispositivos especialmente atraentes para o público jovem. 

O terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), da Unifesp, revelou que 86,3% dos adolescentes consideram fácil ou muito fácil conseguir cigarros eletrônicos, apesar da proibição da venda no país. 

O estudo também aponta que sabores e publicidade digital estão entre os principais fatores associados à experimentação precoce. Pesquisas internacionais reforçam ainda o peso da influência social. Um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, mostrou que adolescentes têm 15 vezes mais chance de usar vape quando amigos próximos utilizam os dispositivos. 

“Há uma construção cultural em torno desses produtos que dialoga diretamente com o universo adolescente. O vape é apresentado como moderno, inofensivo e até sofisticado. Essa percepção é extremamente perigosa”, alerta o oncologista da Oncoclínicas. 

Embora os efeitos de longo prazo dos cigarros eletrônicos ainda estejam sendo estudados, especialistas destacam que os danos potenciais vão muito além do câncer de pulmão. O tabagismo já é reconhecido como fator de risco para ao menos 12 tipos de câncer, incluindo tumores de boca, laringe, esôfago, bexiga, fígado, pâncreas, rim e colorretal. 

O alerta ganha novo peso diante da expansão dos cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens, justamente em um momento em que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, segundo estimativas do INCA. 

“Não sabemos ainda até que ponto os cigarros eletrônicos irão reproduzir ou até superar os danos do cigarro convencional. Mas a ideia de que existe uma ‘fumaça limpa’ é falsa. O que vemos hoje é uma geração sendo exposta precocemente à nicotina e a substâncias tóxicas sem conhecer plenamente as consequências”, conclui William William.
  

Oncoclínicas&Co


Terapia tripla para AVC recorrente: estudo do Hospital Moinhos de Vento revela que tratamento reduz o risco de novo sangramento cerebral em 60%

 

Ensaio clínico Trident, com mais de 1,6 mil pacientes, realizado no Brasil através do Proadi-SUS, foi publicado na New England Journal of Medicine

 

São muitos os estudos para desvendar os mistérios e as complexidades do corpo humano. Um deles é sobre a pílula “três em um”, que pode reduzir drasticamente o risco de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) recorrentes. O estudo internacional TRIDENT, liderado no Brasil pelo Hospital Moinhos de Vento no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), teve seus resultados publicados no New England Journal of Medicine, com destaque internacional. 

O projeto Trident, abreviação em inglês para Triple Therapy Prevention of Recurrent Intracerebral Disease Events Trial, foca na prevenção de novos AVCs em pacientes que já tiveram um AVC hemorrágico. Para a realização do ensaio clínico, mais de 1,6 mil pacientes com histórico da doença foram acompanhados em uma média de 2,5 anos. Do total, 833 assistidos receberam o comprimido triplo – com telmisartana, anlodipino e indapamida – e 837 receberam placebo. A idade média dos pacientes era de 58 anos. Durante o estudo, 38 pessoas tiveram AVC no grupo do comprimido triplo, enquanto 72 tiveram a intercorrência no grupo placebo. 

A pesquisa tenta, além de combater a doença que mata uma pessoa a cada seis minutos no Brasil, segundo dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil, driblar um dos maiores problemas de saúde pública: a “baixa adesão aos tratamentos”, termo médico usado para o esquecimento de doses ou desistência de acompanhamento para questões como pressão alta. 

Entre os resultados, está a redução de 39% no risco de ter um novo AVC e a redução de 60% na chance de ter um novo sangramento cerebral. Além disso, quase metade dos pacientes que usaram a combinação atingiram a meta de pressão saudável rapidamente, algo que, no tratamento comum, pode levar meses para acontecer. 

“Esse é um impacto enorme. Poucos tratamentos na medicina alcançam algo semelhante. Por isso, temos muito orgulho desse resultado. Eu, em especial, por ter trazido e liderado o estudo no Brasil, ao lado de um grupo extraordinário de pesquisadores e com o apoio do Moinhos”, destaca a neurologista do Hospital, Sheila Martins. O The George Institute for Global Health - responsável global pelo estudo e pela polipílula - já iniciou os processos para submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), etapa fundamental para que o tratamento fique disponível à população brasileira. 

Confira o artigo no site da New England Journal of Medicine.


 

Projeto Trident

O estudo teve início em 2017 e é executado na Austrália, China, Inglaterra, Taiwan, Malásia, Singapura, Sri Lanka, Holanda, Suécia e Brasil. De acordo com a Dra. Ana Cláudia de Souza, neurologista vascular do Hospital Moinhos de Vento e líder médica do Projeto Trident no Brasil, 11 centros de saúde participaram do projeto no país, incluindo o Moinhos de Vento, mostrando o potencial da pesquisa brasileira, principalmente no tema de AVC. 

“O Trident teve essa singularidade porque ele é uma parceria não só público-privada, através do Proadi-SUS, mas uma parceria internacional, e a Dra. Sheila conseguiu trazer esse estudo para o Brasil. Então foi realmente uma experiência única. E, para a nossa surpresa, os resultados mostraram uma grande eficácia e segurança da pílula ‘três em um’”, celebra Ana Cláudia.


31/05 - Dia Mundial Sem Tabaco

 Cigarros eletrônicos podem agravar asma, rinite e DPOC, alerta ASBAI

 

No Dia Mundial Sem Tabaco, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) reforça que os riscos do tabagismo vão além dos cigarros convencionais. Os cigarros eletrônicos — frequentemente divulgados como opções menos nocivas — também oferecem perigos importantes, especialmente para pessoas com doenças respiratórias como asma, rinite e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 40 milhões de crianças e adolescentes, entre 13 e 15 anos de idade, usam algum tipo de tabaco. Dessas, 15 milhões já experimentaram cigarros eletrônicos ou algo semelhante. São 7 milhões de mortes a cada ano relacionadas ao consumo do tabaco.

 

“Não podemos permitir que nesse momento que há um declínio do tabagismo convencional pelo amplo esclarecimento dos seus malefícios, venha uma outra forma de consumo de tabaco que ameaça a vida da população particularmente começando pelos nossos jovens”, comenta o membro do Departamento Científico de asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dr. Álvaro Cruz.

 

Estudos mostram que os dispositivos eletrônicos contêm compostos químicos capazes de irritar e inflamar as vias aéreas, além de substâncias associadas ao câncer. Assim como os cigarros tradicionais, também podem causar dependência devido à presença de nicotina.

 

“O uso de cigarros eletrônicos pode piorar o controle da asma, levando a mais crises e hospitalizações. Os principais sintomas decorrem da inflamação dos brônquios, como falta de ar, chiado, tosse, cansaço e dor no peito”, afirma Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI.

 

Entre pessoas com rinite, tanto os cigarros convencionais quanto os eletrônicos podem intensificar sintomas como coceira nasal e ocular, espirros repetidos, coriza e obstrução nasal. Já pacientes com DPOC devem evitar completamente a exposição a esses produtos, que podem agravar o comprometimento pulmonar.



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