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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

66% dos brasileiros já tiveram a saúde mental afetada pelo estresse do trabalho, revela pesquisa da Vittude

Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude.
 Crédito da imagem Trintadezessete
 
Produzido em parceria com Opinion Box, estudo mostra que a satisfação com a promoção do tema pelas organizações permanece negativo (-19) 



De acordo com a nova edição do estudo "Saúde Mental em Foco: Desafios e Perspectivas dos Trabalhadores Brasileiros", 66,1% das pessoas já tiveram a saúde mental afetada pelo estresse no trabalho. O levantamento foi realizado pela Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas, em parceria com a Opinion Box, referência em soluções de pesquisa de mercado no Brasil. Além disso, o conteúdo também analisou o Net Promoter Score (NPS), que mede a satisfação das pessoas em relação a uma empresa, e à promoção da saúde mental, e o resultado é preocupante: -19. 

“O fato de que dois em cada três brasileiros já tiveram a saúde mental afetada pelo estresse do trabalho mostra o tamanho da urgência do tema. Por trás desse número estão histórias de esgotamento, adoecimento e perda de qualidade de vida. As empresas precisam compreender que o trabalho é um fator determinante de saúde, tanto para o bem quanto para o mal, e que a saúde mental deve deixar de ser um diferencial para se tornar parte estrutural da gestão de pessoas, especialmente com a chegada da atualização da NR-1”, afirma Tatiana Pimenta, CEO e cofundadora da Vittude. 

Apesar disso, a autopercepção geral de saúde mental é majoritariamente positiva: 38% deram nota 4 e 28,8% nota máxima em uma escala de 1 a 5. Ainda assim, 7,2% se encontram em níveis críticos, revelando uma parcela vulnerável e silenciosa que merece atenção. O levantamento ouviu 2 mil pessoas com mais de 16 anos, abrangendo homens e mulheres de todas as regiões do Brasil. 

“Nosso objetivo com o estudo é oferecer um retrato real da saúde mental no país. Ao acompanhar essa jornada ano a ano, conseguimos mostrar que, embora o tema tenha ganhado espaço na cultura das empresas e na sociedade, ainda há uma lacuna importante entre o discurso e a prática”, complementa a CEO. 

A pesquisa também mostra que quase metade dos brasileiros acredita que todos deveriam fazer terapia, mas apenas 26,8% estão em acompanhamento. Entre os que não fazem, os principais motivos são: não ver necessidade no momento (48%), custo (34,5%) e falta de tempo (18%). Entre quem busca acompanhamento, 28% utilizam plano de saúde, 7,5% recebem custeio integral da empresa, e a maioria arca com os custos do próprio bolso. 19,2% gastam entre R$100 e R$200 por mês, 14,7% entre R$301 e R$500, e 11,0% entre R$201 e R$300. 

 

Organizações ainda não acompanham o avanço da pauta 

Na dimensão corporativa, o Net Promoter Score (NPS) das empresas em relação à promoção da saúde mental permanece negativo (-19), repetindo o patamar do ano anterior. Entre os respondentes, 46,3% são detratores, ou seja, não recomendariam suas organizações como promotoras de saúde mental, enquanto 27,6% são promotores.

Além disso, 32,1% afirmam que suas empresas não adotam nenhuma prática voltada ao tema. Entre as iniciativas existentes, destacam-se políticas contra discriminação e assédio (26,5%), palestras e webinares (22,8%), terapia via plano de saúde (19,7%) e comitês de bem-estar (19,4%). 

Em relação ao impacto dos diferentes modelos de trabalho na saúde mental, o cenário ainda é majoritariamente presencial (74%), mas a preferência é pelo híbrido flexível, apontado por 48,1% como o formato mais favorável. Nesse modelo, 63,3% dos trabalhadores concentram-se nas notas mais altas de bem-estar (4 e 5). Já o regime remoto integral apresenta 11,4% de participantes em níveis críticos, sugerindo que flexibilidade e isolamento podem coexistir no mesmo ambiente. 

O estudo ainda mostra que 78,2% dos brasileiros preferem trabalhar em empresas com programas de saúde mental, e 92,4% acreditam que o tema deve ser levado mais a sério. Para Tatiana, esses números evidenciam uma mudança de mentalidade: “Cuidar da saúde mental é cuidar da performance e da sustentabilidade do negócio. Organizações que adotam programas estruturados, com diagnóstico amplo, mapeamento de riscos psicossociais, plano de ação, metas e capacitação de lideranças, conseguem reduzir significativamente os índices de adoecimento, afastamento e turnover. É investimento em reputação, retenção e propósito, não despesa”. 

Sobre a amostra: Pesquisa online realizada pela Vittude e Opinion Box, com 2 mil pessoas com mais de 16 anos, abrangendo homens e mulheres de todas as regiões do Brasil. O NPS corporativo foi calculado a partir de 782 respostas válidas. Estudo está disponível gratuitamente em formato de e-book pelo link: Link


No Dia Internacional da Onça-pintada, Vetnil® destaca o trabalho do Instituto Nex na conservação dos felinos

Divulgação 
Vetnil

Organização sem fins lucrativos é referência nacional em resgate, reabilitação, pesquisa científica e educação ambiental voltadas à preservação da maior espécie de felinos da América
 

 

Comemorado em 29 de novembro passado, o Dia Internacional da Onça-pintada chamou atenção para a importância desse felino icônico para a biodiversidade brasileira e para as ameaças que colocam sua sobrevivência em risco. Símbolo da força da nossa fauna e peça-chave para o equilíbrio dos ecossistemas, a onça-pintada enfrenta desafios como desmatamentos, queimadas, perda de habitat e conflitos com atividades humanas.

Aproveitando a relevância dessa data, a Vetnil®, empresa brasileira do setor veterinário e parceira de quem cuida, destaca o trabalho do Instituto Nex – No Extinction, organização sem fins lucrativos, que há mais de 25 anos atua na conservação de felinos silvestres ameaçados de extinção. Considerado o primeiro criadouro conservacionista do Brasil especializado em onças e outros felinos, o Nex une pesquisa científica, reabilitação animal, acolhimento responsável e educação ambiental em um modelo de atuação reconhecido nacionalmente.

Para Daniela Gianni, coordenadora de projetos e atividades do Instituto Nex, o impacto da instituição transcende os muros da fazenda onde está instalada. “A onça-pintada é uma espécie-chave para a saúde dos ecossistemas. Por ocupar o topo da cadeia alimentar, ela regula populações, mantém o equilíbrio natural e contribui para a diversidade de outros animais e plantas. Quando uma onça desaparece, toda a floresta sente. Proteger a onça é proteger rios, matas, espécies e o futuro das próximas gerações”, explica.

Fundado em Corumbá de Goiás (GO), o Instituto já acolheu mais de 80 felinos silvestres, desenvolveu protocolos pioneiros utilizados por outros centros e órgãos ambientais, e registra conquistas históricas: seis onças-pintadas reintroduzidas com sucesso na natureza e a primeira onça-pintada nascida em cativeiro e liberada para vida livre no Brasil.

Os riscos à espécie, porém, são constantes e crescentes. “Todos os anos, recebemos animais vítimas de queimadas, atropelamentos, maus-tratos ou da perda de habitat. Muitos não podem retornar à natureza e encontram aqui um lar definitivo, onde recebem cuidados especializados e qualidade de vida. Outros passam por reabilitação e são monitorados após a soltura. Para nós, cada indivíduo importa, são vidas salvas e florestas protegidas”, completa Daniela.

Além dos cuidados diretos com os animais, o Nex também desempenha um papel fundamental em educação ambiental, aproximando crianças, jovens e adultos da realidade da conservação. A instituição promove atividades educativas, visitas monitoradas e programas que incentivam a coexistência harmoniosa entre humanos e fauna silvestre. O trabalho também gera impacto social, com a geração de empregos na comunidade local, priorizando mulheres chefes de família.

Para a Vetnil®, parceira do Instituto Nex, apoiar o trabalho desenvolvido pela iniciativa é um meio de reforçar seu compromisso com iniciativas que promovam o bem-estar dos animais e a conservação dos ecossistemas dos quais eles fazem parte.

“A parceria com o Instituto Nex representa a oportunidade de contribuir com uma causa que deixa um legado real para a biodiversidade brasileira. A atuação do projeto mostra como ciência, dedicação e responsabilidade podem transformar realidades e proteger espécies fundamentais para o equilíbrio dos nossos ecossistemas. Ver de perto esse impacto real, reafirma valores que são essenciais para nossa companhia”, afirma Michelle Bertolini do Couto, gerente de marketing pet e institucional Vetnil®.

O Instituto NEX depende de doações, parcerias e recursos próprios para manter suas ações e ampliar o atendimento aos felinos resgatados. É possível contribuir por meio de doações financeiras, apadrinhamento simbólico, voluntariado ou por meio de apoio direto às necessidades do centro de conservação. Mais informações estão disponíveis no site da instituição: www.nex.org.br .

https://vetnil.com.br/noticia/dia-internacional-da-onca-pintada-vetnil-r-destaca-o-trabalho-do-instituto-nex

 

Vetnil®
https://vetnil.com.br/sobre

 

Prefeitura de São Paulo promove exposição “Rabiscos da Inclusão” em celebração ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

Mostra acontece a partir desta quarta-feira (03), no Centro Cultural São Paulo, em parceria com o jornalista e chargista Renato Peters 
 

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED), em parceria com o jornalista e chargista Renato Peters, abre no dia 3 de dezembro, data em que é celebrado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, a exposição “Rabiscos da Inclusão”, no Foyer do Centro Cultural São Paulo (CCSP). A abertura será às 11h desta quarta-feira, e a mostra poderá ser visitada até o dia 9 de dezembro. 

Rabiscos da Inclusão reúne 25 desenhos em estilo cartum, produzidos ao longo de anos por Renato Peters, que retratam, com sensibilidade, humor e crítica social, o cotidiano das pessoas com deficiência. As obras convidam o público a refletir sobre acessibilidade, cidadania e a construção de uma sociedade inclusiva, abordando desde situações do dia a dia até sonhos, emoções e experiências. 

A exposição com audiodescrição, em que cada obra terá um QR Code que direcionará para a narração de seus elementos visuais, garantindo a experiência plena para pessoas com deficiência visual e cegas. 

A abertura da mostra celebra o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, data dedicada à conscientização sobre a responsabilidade coletiva de ampliar oportunidades e assegurar que todas as pessoas possam exercer plenamente seus direitos, sua autonomia e sua participação na vida social, com acolhimento, respeito e valorização da diversidade.
 

Renato Peters 

Jornalista e chargista, iniciou sua carreira no rádio em sua cidade natal e, desde 2002, atua como repórter esportivo na TV Globo, onde se especializou em coberturas paralímpicas. Ao longo de sua trajetória, acompanhou três edições dos Jogos Paralímpicos, dois Parapan-Americanos e diversos Campeonatos Mundiais de Atletismo e Natação Paralímpica. 

Desde 2021, apresenta o quadro “Entendeu ou Quer que Desenhe?” no telejornal Hora 1, no qual utiliza charges para comentar, de maneira leve e bem-humorada, notícias esportivas e fatos do cotidiano do Brasil e do mundo.
 

Serviço

Exposição “Rabiscos da Inclusão” 
Período: de 3 a 9 de dezembro
Local: Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, nº 1000 – Liberdade
Entrada: gratuita
Contato: Isabella Oliveira, 2197106-1994 | 113913-4064

 

Ação de prevenção a ISTs acontece na Estação Guaianases da CPTM nesta terça-feira (2)

Campanha tem o objetivo de promover a intensificação da testagem e prevenção do HIV 

 

Nesta terça-feira (2), a Estação Guaianases da CPTM recebe ação de saúde em parceria entre a CPTM e a Secretaria de Saúde da cidade de São Paulo, por meio do CTA IST/AIDS Guaianases. A atividade foi desenvolvida para promover a intensificação da testagem e prevenção do HIV. 

Das 10h às 15h, os técnicos estarão disponíveis para realizar testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C, distribuir autotestes de HIV, preservativos internos e externos, gel lubrificante e encaminhamento para profilaxia pré e pós-exposição (PEP/PrEP), para pessoas elegíveis. 

O objetivo da ação é oferecer diagnóstico precoce para quem não tem conhecimento de seu status sorológico, além de prevenir a infecção. 

 

Serviço

Testagem de ISTs
Local: Estação Guaianases (Linha 11-Coral)
Data: Terça-feira (02/12)
Horário: das 10h às 15h


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Dezembro Vermelho reforça alerta para o avanço das ISTs e o impacto do estigma do HIV no Brasil



Dados recentes do UNAIDS mostram aumento de notificações e revelam que a discriminação ainda afasta pessoas do diagnóstico e do tratamento.

 

O Dezembro Vermelho marca um mês inteiro dedicado à conscientização e prevenção do HIV/Aids e de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Em meio ao avanço desses agravos e à persistência do estigma contra pessoas vivendo com HIV, o Brasil enfrenta um cenário que exige atenção urgente em saúde pública, informação de qualidade e respeito.

 

O Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV 2025, publicado pelo UNAIDS, indica que 52,9% das pessoas que vivem com HIV já sofreram algum tipo de discriminação e 38,8% foram alvo de comentários ou boatos. Esse preconceito afasta muitos indivíduos dos serviços de testagem, diagnóstico e tratamento, dificultando o controle da transmissão. Ao mesmo tempo, dados preliminares do Sinan registram 23.055 casos de sífilis adquirida e 4.743 novos diagnósticos de HIV/Aids no último ano, evidenciando a urgência de ações de mobilização.

 

Para o psicólogo da Afya Montes Claros, Dr. Carlos André Moreira, o maior sofrimento muitas vezes não é causado pelo vírus em si, mas pelo preconceito histórico que o acompanha. “O estigma afeta profundamente a saúde mental, reforça exclusão, culpa e medo do julgamento. Isso torna o enfrentamento da condição muito mais difícil do que seria se fosse tratada como qualquer outra doença crônica”.

 

Dr Carlos André destaca que, apesar dos avanços no tratamento, o diagnóstico ainda desperta medo e vergonha, especialmente entre jovens. “Mesmo sem representar mais uma sentença de morte, o HIV ainda reativa julgamentos morais. Comentários e atitudes cotidianas reforçam estigmas e agravam o sofrimento psíquico, criando barreiras ao acolhimento”, esclarece o psicólogo da Afya Montes Claros.

 

Prevenção, riscos e atenção à sífilis no Brasil 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1 milhão de ISTs curáveis sejam adquiridas diariamente no mundo. Além dos sintomas físicos, essas infecções podem causar infertilidade, complicações gestacionais e aumentar o risco de transmissão do HIV.

 

Segundo o médico infectologista da Afya Itajubá, Dr. Bruno Michel e Silva, a prevenção deve ser combinada e adaptada a cada realidade. “Vacinas contra HPV e hepatites B e C, uso regular de preservativos, testagem periódica e estratégias como PEP e PrEP são pilares fundamentais para reduzir a transmissão”.

 

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, observa-se um agravamento do quadro mundial da doença. Em 2022, o total de casos aumentou em mais de 1 milhão, alcançando aproximadamente 8 milhões de ocorrências no planeta. A Região das Américas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apresenta a maior taxa de incidência, reunindo cerca de 3,37 milhões de novas infecções registradas.

 

“O crescimento expressivo entre gestantes é especialmente preocupante devido ao risco de transmissão vertical, ou seja, da mãe para o bebê, o que pode causar consequências graves à saúde da criança. Por isso, a identificação precoce da infecção durante o acompanhamento pré-natal é fundamental para a prevenção da sífilis congênita e para a proteção da saúde materno-infantil”, conclui o infectologista da Afya Itajubá.

 

Afya
www.afya.com.br e ir.afya.com.br
 

Criança cansada e sem apetite? Pode ser sinal de infecção intestinal

Especialista alerta que sintomas discretos, como abatimento e recusa alimentar, podem indicar gastroenterites parasitárias ou bacterianas, e nem sempre vêm acompanhados de dor intensa

 

Crianças costumam ter oscilações naturais no apetite e no nível de energia, mas quando o cansaço é persistente, acompanhado de falta de interesse por comida ou irritabilidade sem motivo aparente, os pais devem acender um alerta. Esses sinais, frequentemente atribuídos ao “calor”, ao “cansaço da escola” ou a “fases”, podem indicar uma infecção intestinal, especialmente quando não há febre alta ou dor abdominal intensa.

Segundo o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, infecções gastrointestinais em crianças podem se manifestar de forma atípica. “Diferente dos adultos, as crianças nem sempre conseguem expressar onde dói ou o que estão sentindo. Muitas vezes, o primeiro sinal é justamente a queda de energia, a perda de apetite e o desinteresse pelas atividades diárias. Esses sintomas podem indicar um quadro de infecção por vírus, bactérias ou parasitas”, explica.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as infecções intestinais estão entre as causas mais comuns de adoecimento infantil no mundo. Estima-se que crianças menores de cinco anos representem mais de 40% dos casos globais de gastroenterite, e que a maioria das infecções ocorre por contaminação alimentar ou água não tratada. No Brasil, estudos indicam que quadros como giardíase e amebíase são especialmente prevalentes em crianças em idade escolar, justamente pela maior exposição em ambientes coletivos.

Essas infecções podem provocar sintomas discretos, como distensão abdominal leve, episódios esporádicos de diarreia, fezes pastosas, náuseas, além do famoso “mau humor matinal”. Para o Dr. Carlos, o grande problema é que quadros leves podem se arrastar por semanas quando não tratados adequadamente. “A criança fica prostrada, come pouco, perde peso e tem dificuldade de se concentrar na escola. Isso impacta diretamente o desenvolvimento e a disposição”, destaca.

A automedicação, segundo o especialista, é um risco importante. Antidiarreicos, chás caseiros, analgésicos e até antibióticos usados sem prescrição podem mascarar sintomas e piorar a infecção. “Cada tipo de infecção, viral, bacteriana ou parasitária, requer uma abordagem específica. Só o profissional de saúde, por meio da avaliação clínica e, quando necessário, de exames laboratoriais, pode indicar o tratamento correto”, reforça o Dr. Carlos.

Para prevenir quadros de infecção intestinal em crianças, o médico recomenda atenção redobrada com a higiene dos alimentos, hidratação constante e cuidados no ambiente escolar. “Lavar bem as mãos antes das refeições, higienizar frutas e verduras, beber água filtrada e orientar a criança a não compartilhar talheres ou garrafinhas são medidas simples que reduzem significativamente o risco de contaminação”, afirma.

O Dr. Carlos destaca ainda que sinais como irritabilidade, sono excessivo, falta de apetite, dores de barriga recorrentes ou alteração no padrão das fezes merecem avaliação médica. “Nem toda infecção intestinal chega com sintomas intensos. Muitas começam com pequenos sinais que os pais só percebem porque conhecem bem o comportamento da criança”, complementa.

Quando o diagnóstico é feito no início, o tratamento costuma ser rápido, eficaz e evita complicações como desidratação e perda de nutrientes importantes. “O mais importante é não normalizar sintomas persistentes. O corpo sempre avisa quando algo não vai bem, e, no caso das crianças, os sinais costumam estar no comportamento”, finaliza.

 

Carnot® Laboratórios

 

Mitos e verdades sobre o uso da radioterapia nos cânceres de pele

Durante a campanha Dezembro Laranja, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) apresenta informações baseadas em evidências sobre o uso da radioterapia nos cânceres de pele, especialmente nos tipos não melanoma, como o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. O tratamento pode ser indicado quando a cirurgia não é possível, quando as lesões ocupam grandes áreas ou estão localizadas em regiões de difícil abordagem cirúrgica, bem como em situações em que a preservação funcional e o resultado estético são prioritários. A iniciativa contribui para combater mitos, orientar pacientes e qualificar decisões terapêuticas informadas

Conhecida como Dezembro Laranja, esta campanha anual de conscientização alerta para os fatores de risco do câncer de pele, o tipo mais comum na população brasileira. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), devem ser registrados cerca de 220 mil novos casos de câncer de pele não melanoma no país, número que corresponde a aproximadamente 30% de todos os cânceres diagnosticados. Já o melanoma, menos frequente e mais agressivo, deve somar 8.980 novos casos, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste, que concentram cerca de 70% dos registros.

O impacto para o sistema de saúde é significativo e tende a crescer. Dados da base Cancer Tomorrow, da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS), apontam que as mortes anuais por melanoma no Brasil devem passar de aproximadamente 2,2 mil em 2022 para cerca de 4 mil em 2040, um aumento de mais de 80%. A projeção reforça a importância do diagnóstico precoce e da ampliação do acesso a tratamentos eficazes.

O radio-oncologista Wilson de Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), destaca que as chances de cura do câncer de pele são elevadas, especialmente quando o diagnóstico é feito nos estágios iniciais. Segundo ele, a radioterapia ocupa papel consolidado no cuidado desses pacientes. “O papel da radioterapia é fundamental no tratamento dos cânceres de pele não melanoma, podendo ser utilizada de forma isolada ou em associação à cirurgia. No caso do melanoma, a radioterapia pode ser indicada para pacientes que não são candidatos à cirurgia ou para aumentar o controle local após o procedimento. Quando há doença em outros órgãos além do sítio inicial, a irradiação também pode contribuir para o controle local ou para o alívio de sintomas. Em situações selecionadas, a radioterapia apresenta resultados comparáveis aos da cirurgia, com taxas de controle superiores a 90% em cinco anos”, afirma Almeida.

Além do uso com intenção curativa, a radioterapia também pode ser indicada como tratamento adjuvante ou complementar após a cirurgia. Essa estratégia é adotada para reduzir o risco de recidiva em situações específicas, como quando as margens cirúrgicas estão comprometidas ou muito próximas ou na presença de fatores prognósticos desfavoráveis. Há também cenários em que o tratamento é utilizado quando a doença se dissemina para linfonodos ou para outros órgãos, como os pulmões, contribuindo tanto para o controle da doença quanto para a redução de sintomas.

Antes de iniciar a radioterapia, o paciente passa por uma etapa detalhada de planejamento. Esse processo é essencial para definir a dose de radiação adequada e identificar com precisão a área que deve ser tratada. Para isso, são utilizados exames de imagem e técnicas avançadas que permitem direcionar a radiação ao tumor, poupando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor. Esse cuidado é decisivo para aumentar a eficácia do tratamento e reduzir efeitos colaterais.

A prevenção do câncer de pele passa, principalmente, pela proteção solar. Evitar a exposição excessiva ao sol entre 10h e 16h, utilizar protetor solar diariamente, usar roupas e chapéus adequados e realizar consultas regulares com dermatologistas são medidas fundamentais. A vigilância contínua permite identificar alterações precoces da pele, favorecendo diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais eficazes.

Diante das dúvidas frequentes da população, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) elucida alguns dos principais mitos e verdades relacionados ao uso da radioterapia no câncer de pele.


A radioterapia pode “queimar” a pele.

Mito. O tratamento utiliza radiações ionizantes, como raios X, que são um tipo de energia direcionada para destruir as células tumorais. Um dos possíveis efeitos colaterais é uma reação cutânea localizada, que pode se manifestar como vermelhidão ou irritação leve, semelhante a uma queimadura solar suave. A intensidade depende da dose administrada, do tipo de pele e da área tratada. Técnicas modernas e planejamento cuidadoso ajudam a minimizar esses efeitos.


A radioterapia deixa o paciente radioativo após o tratamento.

Mito. Em qualquer modalidade de radioterapia, seja ela externa ou com feixe de elétrons, a radiação cessa imediatamente ao término da sessão. O paciente não retém radioatividade e pode manter convívio normal com outras pessoas, incluindo crianças e gestantes. Na maioria dos casos de câncer de pele o tratamento é ambulatorial, permitindo que o paciente retorne para casa e siga sua rotina.


A radioterapia para câncer de pele pode causar um resultado estético ruim.

Mito. Quando bem indicada, planejada e realizada com técnicas modernas, a radioterapia oferece excelente controle do tumor com bom resultado estético. Podem ocorrer alterações como clareamento da pele, endurecimento discreto ou aparecimento de pequenos vasos, mas, em geral, o aspecto final é considerado satisfatório e é preferível à progressão descontrolada da doença.


A radioterapia é eficaz para o câncer de pele não melanoma.

Verdade. A radioterapia é uma opção altamente eficaz para pacientes com carcinoma basocelular e do carcinoma espinocelular. Pode ser utilizada com intenção curativa quando a cirurgia não é viável, quando a lesão ocupa grandes áreas ou está em regiões de difícil abordagem cirúrgica como pálpebras, nariz ou orelhas. É também indicada quando o resultado estético da cirurgia pode ser desfavorável ou quando o paciente não deseja ou não pode ser submetido a anestesia geral.


O uso da radioterapia é diferente no melanoma.

Verdade. O papel da radioterapia está bem estabelecido para os cânceres de pele não melanoma, enquanto no melanoma seu uso é mais restrito. Em geral, não é a primeira opção terapêutica, sendo reservada para situações específicas. Cada caso deve ser avaliado de forma individualizada pela equipe multiprofissional, considerando estadiamento, localização e condição clínica do paciente.

Em casos de metástases cerebrais, pode ser utilizada uma técnica de alta precisão chamada radiocirurgia, que consiste na aplicação concentrada de radiação diretamente sobre a metástase, com o objetivo de controlar o tumor preservando o tecido cerebral saudável. 


A radioterapia não causa queda de cabelo generalizada nem queda importante da imunidade.

Verdade. A queda de cabelo ocorre apenas se o couro cabeludo estiver dentro da área tratada. Quando a radioterapia é direcionada para pequenas áreas, como lesões de pele, não costuma provocar imunossupressão significativa. Existem diferentes modalidades de radioterapia que podem ser utilizadas em pacientes com câncer de pele, escolhidas de acordo com o tipo do tumor, profundidade da lesão, localização e características do paciente. Entre elas estão a radioterapia de feixe externo, a radioterapia com elétrons (amplamente utilizada para lesões superficiais) e, em alguns casos, a braquiterapia, que posiciona a fonte de radiação próxima ou dentro do tumor. “A escolha da técnica é sempre personalizada. Avaliamos a profundidade, a extensão e a localização da lesão para definir o método que trará o melhor controle tumoral com o menor impacto possível na pele saudável. Hoje, contamos com tecnologias que permitem tratar com alta precisão, oferecendo segurança, eficácia e excelente preservação estética”, explica Almeida. 



Sociedade Brasileira de Radioterapia - SBRT
https://sbradioterapia.com.br/


Raios solares podem causar câncer?

Com a chegada do Dezembro Laranja, especialista esclarece mitos acerca do câncer de pele

 

O calor do verão brasileiro se aproxima, e com ele, o convite à praia, à piscina e ao sol torna-se quase uma tradição. Em meio a este cenário, o Dezembro Laranja surge como um chamado à reflexão. Mais que uma campanha, é um alerta, já que o câncer de pele é um dos tipos mais frequentes no Brasil e no mundo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 185 mil novos casos são diagnosticados no país anualmente.

Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de pele se manifesta em dois grandes grupos: melanoma e não melanoma. O primeiro representa uma pequena parcela (cerca de 4%), mas é o mais agressivo e com maior potencial de metástase. Já o câncer de pele não melanoma, responsável por 30% de todas as neoplasias malignas registradas, apresenta alto índice de cura, desde que identificado precocemente. E essa é a chave: diagnóstico precoce. "A pele é o nosso escudo de vida e, ainda assim, tratamos sua proteção como se fosse opcional. A exposição ao sol não é inofensiva. Ela deixa marcas, mesmo quando não percebemos", explica Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop, rede especializada no desenvolvimento de produtos hipoalergênicos.

Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que o sol de todos os dias e não apenas aquele queimado da praia, também contribui para o dano cumulativo na pele. O câncer de pele avança quando as células alteradas pelo sol começam a se reproduzir descontroladamente. A negligência à proteção adequada, associada à desinformação, é a maior inimiga da prevenção. “Ainda existe quem diga ‘não preciso de protetor, tenho pele morena’. A melanina protege, sim, mas não imuniza. Nenhum tipo de pele está a salvo dos efeitos nocivos da radiação UV”, destaca Julinha.

 

Mitos sobre o diagnóstico

Um dos mitos mais resistentes é acreditar que o câncer de pele só aparece em pessoas que abusam do sol. Essa crença ignora o fator cumulativo da radiação, em que pequenas exposições ao longo da vida (caminhando até o ponto de ônibus, dirigindo com o braço para fora da janela) constituem uma carga significativa. “O sol do cotidiano também queima, mesmo sem vermelhidão aparente. O dano está lá, em silêncio”, afirma Lazaretti, reforçando que a radiação UVA penetra profundamente na pele e está diretamente associada à formação de tumores.

Outro engano comum é achar que lugares cobertos estão livres de riscos. Os raios UVA atravessam nuvens, vidros e roupas finas, exigindo medidas preventivas contínuas. Ainda há quem acredite que lesões só são preocupantes se doem ou sangram, quando, na verdade, mudanças de cor, forma e textura são sinais de alerta igualmente importantes. A automonitorização e o diagnóstico clínico são aliados essenciais na detecção precoce.

Embora o diagnóstico de câncer de pele possa causar apreensão, há boas razões para manter a esperança. Com a detecção precoce, as chances de sucesso do tratamento são elevadas, muitas vezes superiores a 90%, conforme atesta o Ministério da Saúde. A abordagem terapêutica depende do tipo de tumor e do estágio em que ele se encontra. Lesões superficiais podem ser tratadas com procedimentos como curetagem, crioterapia ou laser — métodos rápidos e, em muitos casos, minimamente invasivos. Já tumores mais agressivos ou avançados podem exigir cirurgia mais extensa, com reconstrução da pele, ou ainda tratamentos complementares como radioterapia, imunoterapia ou quimioterapia.

Mas, conforme explica Julinha, o melhor tratamento ainda é a prevenção. “Tratar o câncer de pele é possível, mas prevenir é incomparavelmente mais simples e menos doloroso. Ninguém deve depender da sorte quando o cuidado está ao alcance das mãos”, alerta.

A prevenção do câncer de pele não se limita ao uso de protetor solar — envolve um conjunto de práticas cotidianas que precisam ser adotadas de forma contínua e integrada. A proteção começa com a escolha de filtros solares adequados, de preferência com FPS superior a 30, ampla cobertura UVA e UVB, e reaplicação regular, especialmente após exposição intensa ou contato com água. Produtos enriquecidos com antioxidantes como Vitamina E são aliados importantes, pois atuam combatendo os radicais livres que danificam as células da pele.

Entretanto, o protetor solar deve ser visto como parte de um sistema de defesa. Roupas com proteção UV, chapéus de aba larga e óculos com filtros especiais ajudam a preservar áreas sensíveis como rosto, pescoço, orelhas e olhos. O uso de acessórios como sombrinhas e tendas em praias e parques também corrobora com a criação de barreiras físicas contra os raios solares, que são especialmente perigosos entre 10h e 16h.

Julinha reforça que a prevenção não é apenas uma questão estética ou de vaidade, mas de saúde pública. “A pele tem memória. Não é exagero dizer que cada dia de cuidado é uma vida saudável sendo construída para o futuro.” A especialista também chama atenção para o autoconhecimento da pele, que inclui observar alterações em pintas, manchas e lesões, e procurar avaliação dermatológica regularmente.

Vale ressaltar que a educação sobre o tema deve ser incentivada desde cedo. Ensinar crianças e adolescentes sobre a importância da proteção solar e do respeito aos horários de maior incidência de radiação é uma forma de prevenir não apenas o câncer, mas um ciclo de enfermidades associadas ao envelhecimento precoce e aos danos cutâneos cumulativos.

 


Alergoshop
https://alergoshop.com.br/


Alterações no olfato podem ser sinal precoce de Alzheimer, aponta novo estudo

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Pesquisa internacional revela que mudanças na percepção de cheiros podem anteceder alterações de memória; durante a pandemia o sintoma ganhou notoriedade, mas tem múltiplas origens e merece investigação


Você já teve, ou conhece alguém que tenha passado por perda de olfato? Muita gente associa esse sintoma à Covid-19, mas a dificuldade de sentir cheiros pode surgir por diversos motivos — e, em alguns casos, exige atenção especial. Uma nova pesquisa publicada na Nature Communications reforça esse alerta ao mostrar que alterações no olfato podem ser um dos primeiros sinais da doença de Alzheimer, aparecendo até antes de qualquer falha de memória. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Luís Maximiliano, em Munique, analisou modelos animais e tecidos cerebrais humanos e demonstrou que os circuitos responsáveis por interpretar cheiros sofrem mudanças muito precoces no processo neurodegenerativo. 

Para a Dra. Camila Marinho, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, essa descoberta reforça algo que a prática clínica já indicava: a perda de olfato vai muito além das causas respiratórias. “É verdade que a Covid-19 deixou esse sintoma famoso, mas muitas outras situações podem afetar nosso olfato”, afirma. Segundo ela, infecções comuns como gripes e resfriados, rinite mal controlada, sinusite crônica, pólipos nasais, traumas na cabeça, envelhecimento e até a exposição prolongada a químicos irritantes, como cloro e inseticidas, podem prejudicar a percepção dos cheiros. “Doenças neurológicas também entram nessa lista. Em alguns casos, a perda de olfato pode ser o primeiro sinal de condições como Alzheimer ou Parkinson”, reforça. 

Essa variedade de possibilidades torna essencial saber quando a perda olfativa merece atenção médica imediata. “Se o olfato desaparecer de repente, vier acompanhado de dor de cabeça forte, alteração da visão ou desequilíbrio, ou se houver histórico de trauma na cabeça, é fundamental procurar um otorrino o quanto antes”, orienta a especialista. Ela também destaca sinais adicionais: “A perda de olfato que não melhora após algumas semanas, ou que surge sem nariz entupido ou secreção, precisa ser investigada. E atenção especial para distorções do olfato, como sentir cheiros que não existem ou perceber odores comuns como queimado ou podre.” 

Quando a perda é progressiva e ocorre sem sintomas nasais, a suspeita de causa neurológica aumenta. A médica explica que isso acontece porque pode haver comprometimento dos nervos ou das áreas do cérebro responsáveis por interpretar os cheiros. “A preocupação cresce quando o paciente apresenta tremores, alterações de memória, dificuldade de raciocínio ou mudanças de comportamento. Esses sinais podem indicar que o problema não está no nariz, mas nas vias cerebrais do olfato.” 

Além de Alzheimer, outras condições podem se manifestar por meio da perda olfativa. “Na doença de Parkinson, muitas vezes o olfato diminui anos antes dos sintomas motores”, lembra a otorrino. Ela destaca ainda que quadros de depressão, esclerose múltipla e até tumores cerebrais podem afetar o sistema olfativo. “No caso da esclerose múltipla, por exemplo, o nariz pode estar completamente desobstruído, mas o cérebro não consegue processar bem os odores. A perda pode ser flutuante e piorar durante os surtos.” 

Para investigar o quadro, existem testes específicos que medem a capacidade de sentir e identificar cheiros. “O mais utilizado é o SmellTest, versão brasileira adaptada do teste de Connecticut”, explica. Ela também comenta as inovações recentes: “Uma novidade muito interessante é o Multiscent, um teste digital criado por pesquisadores brasileiros, que aplica estímulos olfativos por meio de um iPad e registra as respostas do paciente de forma interativa”. 

Em relação ao tratamento, a abordagem depende diretamente da causa. Inflamações, alergias, sinusite e rinite geralmente têm boa resposta quando o processo inflamatório é controlado. Obstruções físicas, como pólipos e desvios importantes de septo, podem exigir cirurgia. Lesões nos nervos após Covid-19 ou traumas também têm potencial de melhora, embora mais lenta. “O treinamento olfativo funciona como uma ‘fisioterapia para o nariz’. É cientificamente comprovado e pode ajudar muito, principalmente após gripes, sinusites ou Covid. Mas é um processo que exige paciência, porque a melhora pode levar de três a seis meses”, explica. O método consiste em inspirar fragrâncias específicas duas vezes ao dia, com foco e concentração. 

A reversão da perda de olfato é possível em muitos casos, mas depende de fatores como idade, tempo de evolução do quadro e causa do problema. “Danos mais severos aos nervos, como os provocados por traumatismos cranianos graves ou doenças neurológicas degenerativas, podem levar a perdas permanentes”, diz a médica. 

Para a população, a mensagem da otorrino é clara: não normalizar o sintoma. “O olfato é muito mais do que sentir o cheiro de um perfume ou de uma comida gostosa. Ele nos protege — avisa sobre gás, fumaça, alimento estragado — e está ligado às nossas memórias e ao prazer de comer”, destaca. “Se você notar que seu olfato diminuiu, desapareceu ou está distorcido, procure um otorrinolaringologista. Investigar a causa é o primeiro passo para encontrar o tratamento certo e recuperar sua qualidade de vida”, finaliza a Dra. Camila Marinho, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.


Dia Mundial de Luta contra a AIDS: Medicina da USP aponta avanços em prevenção e adesão ao tratamento

Análises indicam crescimento de novos casos em metade dos municípios do país, aumento da infecção entre jovens e necessidade urgente de ampliar o acesso à PrEP


Em 2025, o Brasil completa 40 anos da resposta nacional ao HIV, iniciada pelo Ministério da Saúde em 1985. Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) destacam que esse período marca conquistas fundamentais, como o controle da transmissão sanguínea e da transmissão vertical (da mãe para o bebê), assim, como o acesso universal ao tratamento por antirretroviral, que aumentou qualidade de vida das pessoas infectadas e reduziu a mortalidade por aids, resultados diretos das políticas públicas e da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Esse marco histórico também lança luz sobre desafios que persistem. O principal deles é eliminar a transmissão sexual do HIV e a morte por aids até 2030, meta estabelecida pelas Nações Unidas e assumida pelo Brasil. Segundo especialistas da FMUSP, o país avança de forma desigual e precisa acelerar políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento para alcançar esses objetivos.
 

80% DOS MUNICÍPIOS TÊM EPIDEMIA ESTABILIZADA OU EM CRESCIMENTO

Estudo conduzido pela FMUSP em 2024 mostra que quase 80% dos municípios brasileiros apresentam tendência de estabilidade ou crescimento de novos casos de HIV e correm o risco de não atingir as metas. Com isso, o Brasil ainda está distante de atingir o patamar de eliminação - definido como a redução de 90% dos casos em comparação a 2010. 

A pesquisa revela uma forte desigualdade regional: municípios do Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm probabilidades que variam entre 4,9 e 9,6 vezes a mais de registrar municípios com aumento da infecção do que aqueles da região Sul. O país vive, portanto, uma divisão entre áreas que podem alcançar a eliminação e regiões onde a epidemia permanecerá ainda mais intensa.
 

CRESCIMENTO ENTRE JOVENS ACENDE ALERTA

Apesar da queda observada nas décadas anteriores, pesquisadores da FMUSP destacam que as infecções por HIV voltaram a crescer entre jovens. Esse aumento se associa a mudanças nas práticas sexuais e a novas formas de sociabilidade, em um contexto em que campanhas públicas ainda centradas na valorização do preservativo não têm sido suficientes para responder à complexidade atual da prevenção. 

“Entre adolescentes e jovens, as mensagens de prevenção muitas vezes não chegam de forma clara nem fazem sentido em seu cotidiano. O que chega até eles ainda está baseado em modelos antigos, centrados apenas no preservativo”, afirma a Profa. Dra. Marcia Couto, titular do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, que pesquisa dinâmicas sociais e desigualdades na epidemia.
 

PrEP É A ÚNICA ESTRATÉGIA CAPAZ DE REDUZIR SIGNIFICATIVAMENTE A INCIDÊNCIA

Após quatro décadas, o uso do preservativo segue relevante, mas não reduz a incidência, apenas desacelera o crescimento da epidemia. A única intervenção comprovadamente capaz de diminuir de forma expressiva os novos casos e que pode ser usada por pessoas não infectadas é a Profilaxia Pré-Exposição Sexual (PrEP). 

Atualmente, o SUS oferece a PrEP oral diária e sob demanda, indicada com base em comportamentos que aumentam o risco de infecção. Por exemplo, pessoas com parcerias casuais, sexo comercial sem uso de preservativo ou com parceiros vivendo com HIV podem fazer uso da estratégia. 

Apesar disso, embora a cobertura nacional da PrEP tenha aumentado, ela ainda é insuficiente para impactar a trajetória da epidemia. “A PrEP é o instrumento mais potente que temos hoje para interromper a transmissão sexual do HIV. Mas, para produzir impacto real, ela precisa chegar a muito mais gente. Não se trata apenas de disponibilizar o medicamento, é necessário facilitar o acesso, ampliar a oferta de serviços e reduzir as barreiras que afastam principalmente jovens e populações mais vulneráveis da prevenção”, afirma o Dr. Alexandre Grangeiro, pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP.
 

PrEP INJETÁVEL: INOVAÇÃO PROMISSORA ENFRENTA BARREIRAS DE CUSTO E APROVAÇÃO

Uma das alternativas mais promissoras é a PrEP injetável de longa duração, baseada nos medicamentos cabotegravir e lenacapavir, que podem oferecer proteção de dois a seis meses. Um protocolo para aplicar a versão bimestral no SUS está sendo estudada na FMUSP. 

Dois fatores, porém, impedem sua incorporação imediata no SUS: o preço elevado, devido a proteção patentária; e a ausência de aprovação pela Anvisa - cuja análise está em andamento; e as negociações de preço com o Ministério da Saúde, ainda sem definição. 

Ampliar o acesso às modalidades de longa duração é essencial para que o país alcance as metas de eliminação até 2030.
 

RISCO DE PERPETUAÇÃO DA EPIDEMIA

Caso políticas de prevenção, diagnóstico e cuidado não avancem, o país pode manter uma epidemia ainda mais intensa nos próximos anos, especialmente em regiões marcadas por desigualdades estruturais e menor acesso aos serviços de saúde. 

“Temos um país dividido: um Brasil que pode atingir as metas de eliminação e outro que continuará convivendo com o HIV de forma prolongada”, conclui a Profa. Dra. Marcia Couto.

  

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP


HIV/AIDS: especialista da FEBRASGO comenta avanços na prevenção e no tratamento

 1 de dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a Aids

#DezembroVermelho

 

O Brasil mantém atenção constante sobre os índices de infecção por HIV. A ginecologista Dra. Helaine Maria Besteti Pires Mayer Milanez, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), destaca progressos significativos nas últimas décadas, tanto na prevenção quanto na terapia antirretroviral. “Hoje, a prevenção primária deve ser baseada no uso consistente de métodos de barreira. Para pessoas com dificuldade de adesão a esses métodos ou com maior risco de exposição, contamos com a PrEP, que é a profilaxia pré-exposição realizada com o uso de antirretrovirais antes da exposição à relação sexual”, explica.

 

A especialista também enfatiza a evolução dos tratamentos. “A terapia antirretroviral se transformou profundamente. Os esquemas atuais, como tenofovir, lamivudina e dolutegravir, são eficazes, com baixa ocorrência de efeitos adversos e geralmente administrados em apenas dois comprimidos ao dia. Isso melhorou de forma extraordinária a qualidade e a expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV”, afirma a médica, que acompanha pacientes desde 1990.

 

O diagnóstico precoce e a introdução imediata da medicação são decisivos para impedir a progressão da doença e manter a saúde dos pacientes. “O HIV, quando tratado, torna-se uma condição crônica manejável. O tratamento reduziu drasticamente as complicações cardiovasculares, hepáticas e imunológicas, além de contribuir de forma importante para a queda da transmissão vertical”, reforça.

 

A Dra. Helaine destaca ainda a importância da informação, da testagem regular e da redução do estigma que ainda envolve as infecções sexualmente transmissíveis. “Enquanto a sífilis ainda apresenta desafios importantes e não registrou avanços significativos na redução da transmissão vertical, o cenário do HIV é bastante diferente. No caso do HIV, houve um progresso expressivo na prevenção da infecção em crianças, evitando que recém-nascidos desenvolvam a doença, condição que pode ser especialmente grave no período neonatal e pediátrico. Sem dúvida, o diagnóstico precoce associado ao início imediato do tratamento transformou radicalmente o curso da infecção pelo HIV, garantindo melhor qualidade de vida às pessoas que convivem com o vírus.”

 

Dezembro Laranja 2025 reforça a prevenção do câncer de pele: o tumor de maior incidência no Brasil

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A médica especializada em Dermatologia Flávia Villela, alerta para a importância da prevenção e diagnóstico precoce 

 

Com o aumento da exposição solar no Brasil, o câncer de pele permanece como o tipo de tumor mais frequente no país, representando cerca de 33% de todos os casos registrados. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são detectados aproximadamente 185 mil novos casos por ano. A médica especializada em Dermatologia Flávia Villela reforça que a prevenção deve fazer parte da rotina diária, especialmente diante do crescimento dos diagnósticos e da persistente falta de proteção adequada entre a população.

Para Dra. Flávia, ainda há grande subestimação dos riscos. “A exposição solar sem proteção adequada é a principal causa do câncer de pele. Embora muitas pessoas conheçam os perigos da radiação UV, muitas ainda não entendem que o uso do filtro solar precisa ser diário, independentemente do clima ou estação”, afirma.

Antes dos sinais de alerta, a médica lembra que cada pessoa possui um nível diferente de sensibilidade à radiação. Pessoas com pele mais clara devem redobrar os cuidados, pois possuem menor quantidade de melanina e, portanto, são mais vulneráveis aos efeitos nocivos do sol. Além disso, indivíduos com histórico familiar de câncer de pele têm risco aumentado e precisam manter acompanhamento dermatológico regular para garantir a detecção precoce de qualquer alteração.

A observação cuidadosa dos sinais cutâneos é determinante. “Lesões que sangram facilmente, manchas que mudam de cor ou textura e feridas que não cicatrizam são sinais que merecem atenção imediata”, reforça a médica, destacando que tanto o melanoma quanto o câncer de pele não mela

O câncer de pele permanece como o tipo de
 tumor mais frequente no país
 
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noma podem evoluir se não forem identificados rapidamente.

 

Cuidados essenciais para a pele 

O cuidado diário deve incluir o uso de filtro solar com FPS 50 ou superior, com reaplicação ao longo do dia para garantir proteção contínua. A hidratação da pele, especialmente após a exposição ao sol, também é fundamental para manter a barreira cutânea saudável. A médica especializada em Dermatologia, Flávia Villela, reforça ainda a importância da proteção física, como chapéus, óculos escuros, roupas com proteção UV e a preferência por locais sombreados sempre que possível.

A médica destaca também a necessidade de atenção às áreas frequentemente esquecidas, como orelhas, pescoço, dorso das mãos, lábios e couro cabeludo, que também sofrem danos pela radiação UV. Outro ponto importante é evitar longos períodos de exposição direta ao sol, especialmente nos horários de maior intensidade. Por fim, a médica lembra que consultas dermatológicas periódicas são essenciais para acompanhar pintas, manchas e qualquer alteração suspeita, garantindo diagnóstico precoce e maior segurança.


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