Durante a campanha Dezembro Laranja, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) apresenta informações baseadas em evidências sobre o uso da radioterapia nos cânceres de pele, especialmente nos tipos não melanoma, como o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. O tratamento pode ser indicado quando a cirurgia não é possível, quando as lesões ocupam grandes áreas ou estão localizadas em regiões de difícil abordagem cirúrgica, bem como em situações em que a preservação funcional e o resultado estético são prioritários. A iniciativa contribui para combater mitos, orientar pacientes e qualificar decisões terapêuticas informadas
Conhecida como Dezembro Laranja, esta campanha anual de conscientização
alerta para os fatores de risco do câncer de pele, o tipo mais comum na
população brasileira. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer
(INCA), devem ser registrados cerca de 220 mil novos casos de câncer de pele
não melanoma no país, número que corresponde a aproximadamente 30% de todos os
cânceres diagnosticados. Já o melanoma, menos frequente e mais agressivo, deve
somar 8.980 novos casos, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste, que
concentram cerca de 70% dos registros.
O impacto para o sistema de saúde é significativo e
tende a crescer. Dados da base Cancer Tomorrow, da Agência Internacional para
Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS), apontam que as
mortes anuais por melanoma no Brasil devem passar de aproximadamente 2,2 mil em
2022 para cerca de 4 mil em 2040, um aumento de mais de 80%. A projeção reforça
a importância do diagnóstico precoce e da ampliação do acesso a tratamentos
eficazes.
O radio-oncologista Wilson de Almeida,
presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), destaca que as
chances de cura do câncer de pele são elevadas, especialmente quando o
diagnóstico é feito nos estágios iniciais. Segundo ele, a radioterapia ocupa
papel consolidado no cuidado desses pacientes. “O papel da radioterapia é
fundamental no tratamento dos cânceres de pele não melanoma, podendo ser
utilizada de forma isolada ou em associação à cirurgia. No caso do melanoma, a
radioterapia pode ser indicada para pacientes que não são candidatos à cirurgia
ou para aumentar o controle local após o procedimento. Quando há doença em
outros órgãos além do sítio inicial, a irradiação também pode contribuir para o
controle local ou para o alívio de sintomas. Em situações selecionadas, a
radioterapia apresenta resultados comparáveis aos da cirurgia, com taxas de
controle superiores a 90% em cinco anos”, afirma Almeida.
Além do uso com intenção curativa, a radioterapia
também pode ser indicada como tratamento adjuvante ou complementar após a
cirurgia. Essa estratégia é adotada para reduzir o risco de recidiva em
situações específicas, como quando as margens cirúrgicas estão comprometidas ou
muito próximas ou na presença de fatores prognósticos desfavoráveis. Há também
cenários em que o tratamento é utilizado quando a doença se dissemina para
linfonodos ou para outros órgãos, como os pulmões, contribuindo tanto para o
controle da doença quanto para a redução de sintomas.
Antes de iniciar a radioterapia, o paciente passa
por uma etapa detalhada de planejamento. Esse processo é essencial para definir
a dose de radiação adequada e identificar com precisão a área que deve ser
tratada. Para isso, são utilizados exames de imagem e técnicas avançadas que
permitem direcionar a radiação ao tumor, poupando ao máximo os tecidos
saudáveis ao redor. Esse cuidado é decisivo para aumentar a eficácia do
tratamento e reduzir efeitos colaterais.
A prevenção do câncer de pele passa,
principalmente, pela proteção solar. Evitar a exposição excessiva ao sol entre
10h e 16h, utilizar protetor solar diariamente, usar roupas e chapéus adequados
e realizar consultas regulares com dermatologistas são medidas fundamentais. A
vigilância contínua permite identificar alterações precoces da pele,
favorecendo diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais eficazes.
Diante das dúvidas frequentes da população, a
Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) elucida alguns dos principais mitos
e verdades relacionados ao uso da radioterapia no câncer de pele.
A radioterapia pode “queimar”
a pele.
Mito. O tratamento utiliza radiações ionizantes, como raios X, que são um
tipo de energia direcionada para destruir as células tumorais. Um dos possíveis
efeitos colaterais é uma reação cutânea localizada, que pode se manifestar como
vermelhidão ou irritação leve, semelhante a uma queimadura solar suave. A
intensidade depende da dose administrada, do tipo de pele e da área tratada.
Técnicas modernas e planejamento cuidadoso ajudam a minimizar esses efeitos.
A radioterapia deixa o
paciente radioativo após o tratamento.
Mito. Em qualquer modalidade de radioterapia, seja ela externa ou com feixe
de elétrons, a radiação cessa imediatamente ao término da sessão. O paciente
não retém radioatividade e pode manter convívio normal com outras pessoas,
incluindo crianças e gestantes. Na maioria dos casos de câncer de pele o
tratamento é ambulatorial, permitindo que o paciente retorne para casa e siga
sua rotina.
A radioterapia para câncer de
pele pode causar um resultado estético ruim.
Mito. Quando bem indicada, planejada e realizada com técnicas modernas, a
radioterapia oferece excelente controle do tumor com bom resultado estético.
Podem ocorrer alterações como clareamento da pele, endurecimento discreto ou
aparecimento de pequenos vasos, mas, em geral, o aspecto final é considerado
satisfatório e é preferível à progressão descontrolada da doença.
A radioterapia é eficaz para o
câncer de pele não melanoma.
Verdade. A radioterapia é uma opção altamente eficaz para pacientes com
carcinoma basocelular e do carcinoma espinocelular. Pode ser utilizada com
intenção curativa quando a cirurgia não é viável, quando a lesão ocupa grandes
áreas ou está em regiões de difícil abordagem cirúrgica como pálpebras, nariz
ou orelhas. É também indicada quando o resultado estético da cirurgia pode ser
desfavorável ou quando o paciente não deseja ou não pode ser submetido a
anestesia geral.
O uso da radioterapia é
diferente no melanoma.
Verdade. O papel da radioterapia está bem estabelecido para os cânceres de pele
não melanoma, enquanto no melanoma seu uso é mais restrito. Em geral, não é a
primeira opção terapêutica, sendo reservada para situações específicas. Cada
caso deve ser avaliado de forma individualizada pela equipe multiprofissional,
considerando estadiamento, localização e condição clínica do paciente.
Em casos de metástases cerebrais, pode ser
utilizada uma técnica de alta precisão chamada radiocirurgia,
que consiste na aplicação concentrada de radiação diretamente sobre a metástase,
com o objetivo de controlar o tumor preservando o tecido cerebral
saudável.
A radioterapia não causa queda
de cabelo generalizada nem queda importante da imunidade.
Verdade. A queda de cabelo ocorre apenas se o couro cabeludo estiver dentro da área tratada. Quando a radioterapia é direcionada para pequenas áreas, como lesões de pele, não costuma provocar imunossupressão significativa. Existem diferentes modalidades de radioterapia que podem ser utilizadas em pacientes com câncer de pele, escolhidas de acordo com o tipo do tumor, profundidade da lesão, localização e características do paciente. Entre elas estão a radioterapia de feixe externo, a radioterapia com elétrons (amplamente utilizada para lesões superficiais) e, em alguns casos, a braquiterapia, que posiciona a fonte de radiação próxima ou dentro do tumor. “A escolha da técnica é sempre personalizada. Avaliamos a profundidade, a extensão e a localização da lesão para definir o método que trará o melhor controle tumoral com o menor impacto possível na pele saudável. Hoje, contamos com tecnologias que permitem tratar com alta precisão, oferecendo segurança, eficácia e excelente preservação estética”, explica Almeida.
Sociedade Brasileira de Radioterapia - SBRT
https://sbradioterapia.com.br/

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