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terça-feira, 24 de junho de 2025

Cozinha consciente: 5 práticas sustentáveis que todo restaurante pode adotar

Rede de franquias pratica pequenas mudanças na rotina que geram impacto ambiental positivo e reduzem custos na operação


Em junho é celebrado o Dia Mundial da Gastronomia Sustentável, instituído pela Organização das Nações Unidas para destacar a importância de práticas alimentares responsáveis que promovam o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar. Débora Alberti, sócia da Itália no Box, compartilha cinco estratégias eficazes que restaurantes podem adotar para minimizar desperdícios e otimizar recursos, alinhando-se às expectativas de consumidores cada vez mais conscientes.


  1. Priorize ingredientes locais e sazonais

"Utilizar ingredientes frescos de produtores locais e respeitar a sazonalidade dos alimentos não só valoriza a economia regional, mas também reduz a pegada de carbono associada ao transporte de mercadorias", afirma Débora. Além disso, ingredientes sazonais garantem pratos mais saborosos e nutritivos.


  1. Adote embalagens ecológicas

Débora destaca a importância de substituir embalagens plásticas por alternativas biodegradáveis ou recicláveis: "Optar por materiais sustentáveis demonstra compromisso com o meio ambiente e atende à crescente demanda dos clientes por práticas ecológicas."


  1. Implemente a gestão eficiente de resíduos

"Separar corretamente resíduos orgânicos e recicláveis é fundamental", ressalta Débora. "Práticas como compostagem de restos alimentares e reciclagem de materiais como PET, latas e vidro ajudam a diminuir a quantidade de lixo enviado para aterros sanitários."


  1. Realize o descarte adequado de óleo de cozinha

Débora alerta para os riscos ambientais do descarte inadequado de óleo: "O óleo de cozinha usado deve ser coletado e destinado corretamente para evitar a contaminação do solo e da água. Parcerias com empresas especializadas garantem que o óleo seja reciclado de forma responsável."


  1. Ofereça treinamento em sustentabilidade para a equipe

"Capacitar os funcionários sobre práticas sustentáveis assegura a implementação eficaz das medidas adotadas", enfatiza a empresária. "No Itália no Box, acreditamos que a sustentabilidade é um compromisso contínuo. Ao fornecer treinamento adequado aos nossos franqueados, garantimos que práticas ecológicas sejam incorporadas em todas as operações, desde a seleção de ingredientes até o descarte de resíduos."

Ao implementar essas práticas, restaurantes não apenas contribuem para a preservação ambiental, mas também atendem à crescente demanda por opções gastronômicas responsáveis e conscientes. A sustentabilidade na cozinha é um caminho sem volta, e os estabelecimentos que adotam essas medidas posicionam-se na vanguarda dessa transformação.

 

Como transformar uma atividade empresarial em notícia

 

A resposta a essa questão passa por uma discussão sobre o Futuro da Assessoria de Imprensa que passa por uma necessidade premente de reinvenção e estratégia, já que o assessor de imprensa está na linha de frente dessa transformação de uma atividade empresarial em comunicação. É ele quem precisa traduzir as complexidades dessas práticas para a imprensa e o público. A capacidade de comunicar com autenticidade e consistência o compromisso da organização com a sustentabilidade e a responsabilidade social será um pilar fundamental da reputação futura. 

Como jornalista com décadas de formação e atuação fui testemunha ocular e agente de uma grande evolução, ou melhor, de uma grande revolução na comunicação. Viemos do telex à IA em uma velocidade inacreditável e difícil de ser acompanhada. E se há uma área que se reinventou profundamente, essa é a da assessoria de imprensa. Longe de ser um mero "correio de releases", o assessor de hoje — e, principalmente, do futuro — é um estrategista, um guardião da reputação e, arrisco dizer, um jornalista, na acepção exata do termo, dentro da organização. 

A prática do release como elemento central do trabalho de assessoria ou o velho modelo de "empurrar" comunicados para as redações está, felizmente, obsoleto. A atenção dos jornalistas hoje, mais do que em qualquer época, é um artigo de luxo, e o tempo, um recurso escasso e difícil de ser disputado. Ninguém mais tem paciência para releases abrangentes e sem informação efetiva. O que deve ser valorizado, e o que o mercado exige hoje, é relevância, conteúdo bem apurado e, acima de tudo, um bom relacionamento que atribui credibilidade à informação que está sendo compartilhada. 

Hoje não tenho dúvida da mudança do papel do assessor, que se constitui mais um curador de informações do que um criador de conteúdo sem foco no mercado de jornalismo, e no que cada um espera e precisa receber para as suas respectivas editorias. Ele não espera a pauta cair no colo; ele busca a informação e constrói a pauta adequada para o jornalista do outro lado, na redação, identificando ângulos noticiosos dentro da própria organização e, mais importante, sabendo como "empacotar" essa informação para diferentes editorias e plataformas. O assessor precisa ser um jornalista em tempo integral dentro da empresa, com a missão de traduzir a complexidade corporativa em narrativas acessíveis e interessantes para cada veículo que pretende alcançar. 

O valor irredutível do assessor nesses novos tempos reside no entendimento preciso sobre o seu cliente para criar textos interessantes a partir da já mencionada curadoria estratégica, com a construção de relacionamentos genuínos com jornalistas e influenciadores, com fluxos de trabalho adequados, liberando tempo para o que realmente importa: o pensamento estratégico e a conexão humana, sem esquecer, evidentemente, a questão ética, sem a qual nenhuma atividade nessa área consegue persistir e obter sucesso, especialmente quando se verifica a diminuição dos espaços na mídia tradicional, combinada com uma busca incessante por credibilidade. 

A ética agregada ao conteúdo da marca não é uma tendência passageira, mas sim uma estratégia central especialmente para garantir que o conteúdo, produzido por uma empresa, mantenha a credibilidade e não seja percebido apenas como publicidade disfarçada. Nesse sentido, o assessor de imprensa tem um papel crucial na manutenção da transparência e da autenticidade. Ele será, cada vez mais, o editor-chefe de blogs corporativos, canais de vídeo e podcasts da marca, assegurando que o "jornalismo de qualidade", mesmo com um viés, seja produzido. 

O público hoje está pulverizado. Não se trata mais apenas da TV, rádio e jornal e revistas. Redes sociais, microinfluenciadores, podcasts e comunidades online fragmentaram a atenção. O assessor não pode mais se restringir aos jornalistas tradicionais; ele precisa se conectar e engajar com um universo muito mais amplo, tornando o futuro da assessoria de imprensa altamente desafiador e, ao mesmo tempo, empolgante. Nossos tempos exigem adaptabilidade, visão estratégica e, sobretudo, um profundo entendimento da notícia e do comportamento humano. Para o profissional que abraça essa reinvenção, o horizonte é vasto e cheio de oportunidades para construir valor e reputação em um mundo cada vez mais conectado e exigente.  

 


Vera Lucia Rodrigues - jornalista profissional e mestre em comunicação social pela Universidade de São Paulo, e pertence ao universo 70+. É diretora da Vervi Assessoria de Comunicação, empresa que há 43 anos atua na área de comunicação corporativa. veralucia@grupovervi.com.br


Por que a gestão em nuvem é essencial para empresas na era digital?

Velocidade, estratégia e precisão. Esses três elementos vêm ganhando força à medida que vemos o avanço da transformação digital nas organizações. Diante do atual cenário que exige a rápida adaptação dos negócios, estabelecer uma gestão em nuvem se tornou mais do que um diferencial, uma necessidade.

Não, a computação em nuvem não é uma tecnologia nova, entretanto, há muito tempo pode ser considerada a espinha dorsal das infraestruturas modernas existentes atualmente. E, como não considerar utilizar um recurso que traz benefícios como escalabilidade e flexibilidade, redução de custos operacionais, acesso remoto e mobilidade, tomada de decisões baseadas em dados e, principalmente, segurança da informação?

Todos esses ganhos são o que o tornam tão atraente. Não à toa, segundo um levantamento feito pela Mordor Intelligence, o mercado de serviços de infraestrutura em nuvem deverá atingir, até 2029, US$ 106,78 bilhões. Além disso, de acordo com dados do Synergy Research Group, o Brasil está no top 5 do mundo com o maior crescimento de consumo de computação em nuvem.

Vale destacar que, nos últimos anos, a gestão em nuvem também vem ganhando destaque devido a sua possibilidade de operar em três modelos que, embora se assemelhem, trazem diferenças. A versão pública conta com serviços compartilhados em ambientes de terceiros, e é uma opção mais econômica e escalável, ideal para empresas com foco em agilidade. Já a privada trata-se de uma infraestrutura voltada ao controle e personalização, no qual o ambiente é feito de personalizada.

Por fim, a híbrida combina as duas abordagens, possibilitando o equilíbrio entre custo, performance e segurança. Todavia, definir qual é o modelo ideal para a empresa depende exclusivamente de uma análise rigorosa dos processos, a fim de identificar qual o momento atual vivido pela organização para guiar a escolha. E, justamente nessa etapa é que pode se localizar um importante desafio a ser superado pelas companhias: a cultura organizacional.

Isso é, de nada adianta o desejo de estabelecer uma gestão em nuvem, sem que o time esteja alinhado em prol do mesmo propósito. Até porque, é a falta de direcionamento, resistência à mudança, falta de integração dos processos e capacitação interna que, muitas das vezes, traz a equivocada sensação de que a ferramenta não está atendendo, quando, na verdade, o time não está sabendo utilizá-la de forma correta e estratégica.

Deste modo, mais do que simplesmente ensinar a “apertar um botão”, a gestão em nuvem traz à tona importantes elementos que precisam ser estruturados internamente. Afinal, a tecnologia não se trata apena de uma ferramenta, mas um novo modo de pensar, operar e crescer.

Certamente, virar essa chave é um obstáculo, principalmente, em empresas que têm a mentalidade de “sempre foi assim”. Quanto a isso, contar com especialistas é uma importante estratégia, considerando que saberão direcionar desde a escolha de sistemas de gestão que possuem integração com o ambiente em cloud, até a definição de qual o modelo ideal para a empresa.

Levando em conta o avanço da transformação digital, é primordial que as empresas invistam no uso da nuvem, visto que é um importante auxiliador que irá permitir o direcionamento da equipe em ações estratégicas, enquanto todos os dados, informações e registros estão sendo protegidos por um ambiente seguro e de fácil acesso.

As organizações que entenderem o potencial desse recurso e aplicarem, desde hoje, sem dúvidas, estarão à frente no mercado de amanhã, bem-posicionadas e preparadas para o que há de vir. Até porque, para a tecnologia, o céu não é o limite, e as nuvens permitem chegar ao infinito.

 


Felipe Almeida - diretor comercial da ABC71.

Sobre a ABC71


Qualidade de vida em alta: como as empresas estão virando o jogo no engajamento de clientes e funcionários


Nos últimos tempos, a conversa sobre wellbeing — a combinação de estar bem física, mental e emocionalmente — virou prioridade em todo lugar, tanto na vida pessoal quanto no trabalho. Mas, quando olhamos para as estratégias de fidelização das empresas, o bem-estar não é só uma modinha para cuidar dos funcionários e clientes. É uma tremenda ferramenta para as empresas criarem diferenciais em relação a concorrentes, além de um ambiente acolhedor, com mais produtividade, menos turnover e perda de clientes.

Agora, você pode estar se perguntando: qual a diferença entre wellbeing e wellness? Os dois termos podem ser traduzidos como "qualidade de vida" e "bem-estar", e muita gente usa como se fossem a mesma coisa. Só que wellbeing (qualidade de vida) é mais amplo, englobando tudo na vida de uma pessoa: físico, mental, emocional, social e até financeiro e ambiental. Já o wellness está mais focado no bem-estar físico e em manter um estilo de vida saudável.

Mesmo que ainda não seja tão falado assim, o wellbeing é uma tendência global que está dando o que falar. Existe uma correlação direta entre sentir-se bem fisicamente e mentalmente, e também financeiramente. Todo mundo está mais consciente e se exercitando mais, comendo melhor, se informando e cuidando mais da saúde mental. Por exemplo, a última pesquisa do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostra que 54% dos 34,8 milhões de brasileiros das capitais praticam atividade física regularmente. Outros dados do Relatório Covitel, pesquisa sobre hábitos de saúde dos brasileiros, mostram que a vida noturna começa a mudar na geração Z (nascidos de 95 a 2010) e a parcela de jovens de 18 a 24 anos que bebem álcool três ou mais vezes por semana caiu 11% para 8,1% da pré pandemia para cá.

Os clubes de corrida estão super em alta e são ótimos para fazer novas amizades e até para namorar. E todo mundo já sabe que boas relações sociais também ajudam na saúde física e mental.

Dentro das empresas, o RH pode oferecer vários benefícios, como seguro de vida, apoio psicológico e incentivo para fazer atividade física. No fim do dia, isso cria um ciclo positivo que melhora o clima, qualidade de vida e produtividade do pessoal.

Quando a empresa leva o wellbeing para o relacionamento com os clientes, há inúmeras vantagens, como impactos comprovados nas taxas de recomendação (NPS – o Net Promoter Score) e menos cancelamentos do produto ou serviço principal. Mas também há desafios importantes, como coletar dados dos usuários para personalizar a experiência e mantê-los motivados. 

A tecnologia e o alinhamento da liderança são aliados fundamentais dessa cultura do engajamento e integrando a qualidade de vida de forma estratégica, as empresas podem criar uma comunidade leal que se sente apoiada nas suas jornadas pessoais e profissionais. 

A tecnologia focada no bem-estar está cada vez mais importante nas nossas vidas. Um estudo da Conexa com RHs de 767 empresas mostrou que a saúde mental dos brasileiros no trabalho não está em boa forma. De cerca de 1600 pessoas que responderam, 87% disseram que houve afastamento por doenças mentais de colaboradores em geral.

Personalizar a experiência nas diferentes frentes, permite que a marca se conecte de maneira mais profunda com os clientes. Entendendo as necessidades individuais e adaptando serviços, as empresas conseguem construir relações mais fortes e duradouras e o resultado econômico e direto.

Hoje, o mercado é avaliado em mais de US$5 trilhões e a tendência é crescer com mais acesso à informação e tecnologia para medir e melhorar o bem-estar. Depois da pandemia, o sentimento de autocuidado ficou ainda mais forte. Treinos como pilates e práticas regulares de massagens e meditações estão ganhando prioridade. 

Procurar se sentir bem é cada vez mais essencial no mundo de hoje. Wellbeing e Wellness trabalham juntos nesse processo de transformação e desenvolvimento de temas de prevenção, saúde e bem-estar, melhorando a vida, tanto para pessoas físicas, como jurídicas.

 


Aura Rebelo - CEO da Fully Ecosystem, plataforma de bem-estar que oferece soluções integradas de saúde física, mental e financeira.


Brasileiros se preparam para as férias de julho com aumento nas buscas por viagens, mostra Booking.com

Plataforma revela os destinos nacionais e internacionais mais buscados para o mês de julho por viajantes do Brasil 

 

Julho é tradicionalmente um dos meses mais movimentados para o turismo. No Brasil, por conta das férias escolares e da temporada de inverno, também existe um grande movimento no setor. Com isso em mente, a Booking.com, empresa de reserva de hotéis, aluguel de temporada, voos e outros serviços de turismo, produziu um levantamento* que revela os destinos mais buscados por viajantes brasileiros para o período. Os dados apontam volume de buscas de acomodações, não indicando necessariamente reservas efetivadas.

Entre os destinos nacionais mais buscados por brasileiros na plataforma durante o mês de julho é perceptível que as pessoas apresentam preferências plurais. Há uma mistura de destinos serranos e com clima mais ameno e cidades litorâneas, que, mesmo no inverno, são procuradas graças ao clima mais quente e opções de lazer ao ar livre.

Os cinco destinos nacionais mais buscados por brasileiros para julho são:

  1. São Paulo, São Paulo
  2. Gramado, Rio Grande do Sul
  3. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
  4. Campos do Jordão, São Paulo
  5. Fortaleza, Ceará

Todos os destinos listados registraram aumento de buscas com relação ao mesmo período do ano passado. Gramado (SP) contou com um crescimento de 65% nas buscas, sendo o destaque do levantamento. São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram 24% de aumento, enquanto Campos do Jordão e Fortaleza registraram 12% e 6% respectivamente.

A tendência é a mesma quando são consultadas as preferencias das famílias brasileiras: as localidades favoritas são Gramado (RS), com aumento de 89% nas buscas em comparação com o mesmo período do ano passado, seguido por Porto de Galinhas (PE), com aumento de 47%, Campos do Jordão (SP), com 15%, Caldas Novas (GO), que se manteve estável, e São Paulo (SP), com 32%.


Destinos internacionais

O levantamento também explorou as preferências de brasileiros por destinos internacionais. A lista é liderada por cidades na América Latina, com Santiago, no Chile, na liderança, seguido por Bariloche, na Argentina. No entanto, destinos europeus também aparecem na lista, indicando o interesse por viagens de longa distância durante o recesso escolar. No que diz respeito ao aumento de buscas em relação ao ano anterior, os destaques são Paris, com 58%, e Lisboa com 33%.

Os cinco destinos internacionais mais buscados por viajantes brasileiros para julho são:

  1. Santiago, Chile
  2. San Carlos de Bariloche, Argentina
  3. Paris, França
  4. Orlando, EUA
  5. Lisboa, Portugal

As famílias brasileiras, no entanto, preferem destinos mais próximos, com somente uma cidade europeia aparecendo no levantamento. As localidades favoritas são Santiago (Chile), seguido por San Carlos de Bariloche (Argentina), Orlando (EUA), Paris (França), que teve um aumento de 106% nas buscas em comparação com o período anterior, e Buenos Aires (Argentina).


Buscas por voos

O levantamento também considerou o comportamento de busca por passagens aéreas na Booking.com no mesmo período, revelando um crescimento expressivo ano a ano. No cenário nacional, os destinos mais buscados por viajantes brasileiros para as férias de julho são:

  1. Recife, Pernambuco (+170% de aumento nas buscas de voos em relação ao mesmo período do ano passado)
  2. Porto Alegre, Rio Grande do Sul (+259%)
  3. Fortaleza, Ceará (+86%)
  4. São Paulo, São Paulo (+100%)
  5. Salvador, Bahia (+103%)

Entre os destinos internacionais, destacam-se Santiago (Chile) com aumento de 23% nas buscas de passagens aéreas em comparação ao mesmo período do ano passado, Lisboa (Portugal) com alta de 40%, Bariloche (Argentina) com 15%, Madri (Espanha) com crescimento expressivo de 198%, e Buenos Aires (Argentina) com 9% de aumento.

 


*Os dados referem-se a buscas realizadas na Booking.com por viajantes brasileiros entre 1º de abril e 10 de junho de 2025, para viagens entre 1 e 31 de julho de 2025. O levantamento considera volume de buscas por acomodações e não necessariamente reservas efetivadas. Para o recorte de voos, consideraram-se buscas realizadas entre 1º de abril e 1º de junho de 2025, para viagens entre 1 e 31 de julho de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024.



Booking.com
@bookingcom


O papel da primeira-dama e a violação aos princípios constitucionais

Na legislação brasileira, não há uma só determinação de que o cônjuge do(a) presidente deva exercer qualquer função inerente ao mandato. No entanto, a partir de um costume - que também é utilizado como fonte do Direito Pátrio -, em 1915, foi instituído no Brasil o papel da primeira-dama. Durante evento beneficente, Maria Pereira Gomes, esposa do então presidente da República Venceslau Brás (PRM - Partido Republicano Mineiro), foi a primeira do País a debutar no posto. 

Por não existir previsão legal, não há salário, nem estrutura pública destinada a esse papel. A primeira-dama não é considerada, afinal, agente político nem público. No entanto, o ordenamento jurídico brasileiro classifica como agente público qualquer pessoa que exerça expediente público, ainda que sem remuneração e de forma transitória. Assim, sob uma interpretação literal, a primeira-dama, em tese, pode ser considerada agente público, estando, assim, sujeita aos princípios e aos regramentos que regem a Administração Pública: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade, Eficiência, e Supremacia do Interesse Público. 

O Princípio da Legalidade prevê que, as pessoas que operam no poder público devam seguir estritamente o que determina a lei. Embora não haja legislação específica que balize a atuação do primeiro-damismo no Brasil, conforme o que o costume estabeleceu, o posto é puramente social. Assim, Rosângela Lula, a Janja, está, não de hoje, violando a lei, uma vez que a primeira-dama não pode substituir o presidente da República em atos, agendas e missões oficiais, nem representar o País em outras nações. 

Já a Impessoalidade exige atuação desprovida de interesses partidários ou pessoais. Ao questionar o presidente da China sobre o algoritmo do TikTok estar privilegiando conteúdos de Direita, Janja concedeu luz a um interesse privado e com ressonância à determinada ala partidária e que lhe é afim (a Esquerda), utilizando para tal sua função de primeira-dama. Ou seja, está errado! 

A Moralidade impõe ética e probidade. Janja já acompanhou o presidente do Brasil - por um acaso, seu marido - em mais de 25 viagens internacionais, totalizando mais de cem dias fora do País — número expressivo, considerando dois anos e meio de mandato. E, por óbvio, os percursos foram custeados com dinheiro público, proveniente do recolhimento de impostos do contribuinte brasileiro. Nesta esteira de análise, vale compartilhar que, os gastos de todo o governo Lula com incursões oficiais dentro e fora do Brasil somaram mais de R$ 4,58 bilhões, segundo dados da Controladoria Geral da União (CGU). O valor é maior que os R$ 4,15 bilhões em despesas desta natureza em todo o mandato de Jair Bolsonaro (PL). 

Outro princípio e regramento da Administração Pública, a Publicidade exige transparência. Contudo, diversas despesas de Janja estão sob sigilo, sem justificativa plausível, o que viola diretamente a lei vigente. 

Por fim, os Princípios da Eficiência e da Supremacia do Interesse Público determinam o uso racional e eficaz dos recursos públicos. Participações de Janja em eventos como o ballet Bolshoi, desfiles em Paris e espetáculos culturais, tudo custeado com recursos públicos, vão totalmente contra o que prevê a legislação. 

O que vemos é uma esposa de presidente que tem a função de primeira-dama a cumprir, mas que não sabe ao certo o seu papel. Ignora, também, ao que parece, o que demanda a legalidade e, principalmente, viola, sem cerimônias, o bom senso que se espera ter um agente público de um País que precisa cortar gastos e agir com estratégia, responsabilidade e discrição. 

Com a palavra, o Parlamento, o Congresso Nacional, que não só pode, como deve questionar e fiscalizar Janja em seu expediente oneroso e confuso, que mistura primeiro-damismo com certidão de casamento e uma espécie de Ministério imaginário, criado para lhe enaltecer além dos limites do caráter social e institucional com o qual deveria, unicamente, se ocupar.

 

Dra. Ísis Sangy - advogada; especialista em Direito Público, e em Direito Eleitoral; é professora de Direito Eleitoral em cursos de pós-graduações e de extensão

 

5 obstáculos enfrentados por pequenos empreendedores

Especialista dá dicas para que empresários superem as dificuldades do mercado


Você tem ou já pensou em ter um empreendimento próprio? De acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Datafolha, 59% dos brasileiros afirmaram trabalhar ou sonhar em trabalhar por conta própria. Mas você sabia que a maioria esmagadora das empesas brasileiras não sobrevivem aos cinco primeiros anos? Em meio a tantas atividades, planilhas, planejamentos e negociações, falta tempo para pensar em melhorias ou investimentos e sobram medos e incertezas. 

Para ajudar os “empreendedores de primeira viagem”, o especialista em empreendedorismo Ricardo Pydd, professor da startup Kultivi (www.kultivi.com.br), plataforma online de ensino gratuito, preparou uma lista com cinco dificuldades bem comuns encontradas pelos brasileiros na hora de planejar e desenvolver um negócio.

 

Gestão de pessoas: É inevitável que à medida em que a empresa cresce, o problema com a gestão de funcionários também cresça. É preciso ter um bom time, com grandes habilidades, para alcançar bons resultados. Além, claro, de ajustar remuneração, benefícios e incentivos. “Em empresas maiores, também é importante pensar no desenvolvimento de lideranças, capacitação de equipes, retenção de funcionários e a motivação dos colaboradores”, comenta o especialista.

 

Gestão financeira: Esse problema provavelmente é o mais óbvio e recorrente de todos, principalmente quando se trata de microempreendedores, ou novatos no ramo, que não tem muito conhecimento sobre os processos. Assuntos como capital de giro, fluxo de caixa, e planejamento orçamentário fazem parte do dia a dia de um empreendedor. “Todo empreendedor terá que lidar com o financeiro, tributos e impostos. Então, além de ser fundamental ter conhecimento de como isso funciona, é necessário buscar ajuda de um profissional ou empresa capacitada”, explica Ricardo Pydd.

 

Burocracia: Assim como a gestão financeira, é impossível fugir de processos burocráticos, seja ao abrir uma empresa, contratar funcionários, negociar com fornecedores, entre outras atividades. “Regulamentações trabalhistas, tributos, processos e contratos são frequentemente alterados por conta de alterações na legislação, e o empresário pode não conseguir acompanhar. Portanto, é interessante aprender ou contratar alguém de confiança para fazer o trabalho”, comenta.

 

Inovação: Para acompanhar os hábitos de consumo dos clientes, é importante atualizar e aprimorar a comunicação propostas por ferramentas que surgem com grande frequência no mercado. “É importante estar atento às novidades, desde que adequadas para o seu público e modelo de negócio”, destaca Pydd.

 

Obtenção de Crédito: “O crescimento de uma empresa depende de investimentos de recursos externos, e muitas vezes é difícil, principalmente, para o microempreendedor, conseguir crédito em instituições bancárias”, afirma Ricardo Pydd. “Faltam opções específicas para essa modalidade, além da burocracia e linhas de crédito com taxas e prazos que sobrecarregam o capital da empresa”, completa o especialista.

 

Inflação da energia elétrica cresce 3,62% em maio, puxada por bandeira vermelha; Abrasel defende discussão do retorno do horário de verã

Foto: Midjourney

Medida é apontada pela Associação como estratégica para aliviar custos e estimular a economia

 

Os dados do IPCA de maio apontaram que a energia elétrica residencial cresceu 3,62% em relação a abril, ficando acima do índice geral (que teve variação de 0,26%), e da alimentação fora do domicílio (com alta de 0,58%). Os números indicam uma pressão sobre os custos de bares e restaurantes (embora a tarifa residencial seja diferente da comercial, o IPCA é uma boa referência para a variação da energia de baixa tensão usada pelos estabelecimentos do setor). A conjuntura reforça, segundo a Abrasel, a necessidade de já iniciar as discussões em torno da volta do horário de verão. 

A alta na energia elétrica é reflexo da adoção da bandeira vermelha anunciada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que deixa a tarifa R$ 4,463 mais cara a cada 100 kWh consumidos. A decisão foi tomada em razão da queda no volume de chuvas e da consequente redução na capacidade dos reservatórios das hidrelétricas. 

Extinto desde 2019, um dos principais objetivos do horário de verão é contribuir para a redução do consumo de energia elétrica. Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, o atual cenário já é motivo suficiente para o governo começar a discutir uma eventual retomada, considerando que os reservatórios já estão desabastecidos – fato que é evidenciado pelo aumento da conta de luz por causa da bandeira vermelha.  

“O aumento na conta de energia, provocado pela adoção da bandeira vermelha, é um sinal de que o momento para iniciar os debates e estudos para avaliar a volta do horário de verão precisam começar agora. Esse cenário exige medidas emergenciais e estratégicas. A medida pode ajudar a aliviar a pressão sobre o sistema elétrico e a reduzir custos, tanto para a população quanto para o nosso setor, que já vem enfrentando problemas em equilibrar a margem de lucro”. 

Ainda segundo Solmucci, o benefício, especialmente para bares e restaurantes, não está somente na economia de energia elétrica, mas em todo o estímulo à cadeia econômica que movimentará o setor com mais horas de claridade no fim do dia. 

"Além do impacto na conta de luz dos empreendedores e da população como um todo, a extensão da luz natural no fim do dia estimula a permanência das pessoas nas ruas e o consumo em estabelecimentos comerciais e de serviços. Nossa estimativa é de um incremento de 10% a 15% no faturamento mensal de bares e restaurantes, um auxílio vital para a recuperação e estabilidade do setor", finaliza.

 

Rede de alta velocidade financiada pela FAPESP transmitirá dados do observatório astronômico Vera Rubin

Observatório nos Andes chilenos, a 2.682 metros de altitude,
vai detectar mais de 20 bilhões de galáxias e 17 bilhões de estrelas
(
foto: divulgação)

Com seu telescópio de 8,4 metros, instalado no Chile, o equipamento vai fotografar um campo do céu a cada três ou quatro minutos. E a Rednesp transmitirá, em sete segundos, a informação coletada aos centros de processamento nos Estados Unidos. Primeiras imagens serão divulgadas hoje

 

Observatório Vera Rubin divulgará hoje (23/06) suas primeiras imagens. Instalado em Cerro Pachón, a 2.682 metros de altitude, nos Andes chilenos, sob o céu mais limpo que se pode observar a partir da Terra, o observatório será, nos próximos dez ou 15 anos, o principal recurso disponível para a investigação ampla e ultrarrápida do Universo na banda da luz visível.

Com um espelho coletor primário de 8,4 metros de diâmetro, dotado de uma configuração inovadora que possibilita um campo de visão equivalente a cerca de 45 luas cheias, acoplado à maior câmera digital já construída para a astronomia, o Vera Rubin vai fotografar, a cada três ou quatro minutos, um novo campo de visão, e observar, a cada noite de operação, mais de 800 campos distintos, produzindo diariamente 20 terabytes de dados e gerando até 10 milhões de alertas sobre mudanças no céu noturno, que informarão às redes de telescópios parceiras a ocorrência de eventos como explosões de supernovas e outros.

O céu inteiro visível no hemisfério Sul será revisitado a cada três ou quatro noites. E, ao final de uma década de operação, o observatório terá produzido 60 petabytes de dados de imagens brutas. Estima-se que serão detectados mais de 20 bilhões de galáxias e 17 bilhões de estrelas, compondo o maior e mais dinâmico catálogo astronômico já produzido.

Os dados coletados no Chile serão transmitidos por uma rede de fibra óptica de alta velocidade para centros de processamento nos Estados Unidos. E o sistema de alertas será capaz de notificar variações no céu em menos de 60 segundos. É nessa grande velocidade e precisão na transmissão dos dados que entra a Rednesp (Research and Education Network at São Paulo), implantada e mantida pela FAPESP, e responsável pela conexão por fibra óptica de dezenas de instituições de ensino e pesquisa do Estado de São Paulo.

“Para que esse objetivo possa ser cumprido, as imagens pesadas obtidas no Chile precisam chegar aos Estados Unidos em sete segundos. Isso exige uma infraestrutura de rede de altíssima velocidade e baixa latência. Um atraso de 0,2 segundo no trajeto ou uma perda de pacotes de 0,001% podem comprometer significativamente a operação. A Rednesp, sucessora da antiga Rede ANSP, possui a capacidade de transmitir até 400 gigabits por segundo [Gbps]”, informa Ney Lemke, atual coordenador da Rednesp.

Para efeito de comparação, as melhores redes disponíveis para internet residencial dificilmente ultrapassam uma velocidade de transmissão de 1 Gbps. E mesmo a internet empresarial premium, utilizada por grandes corporações, não vai além de 10 Gbps. A Rednesp pode ser até 40 vezes mais rápida. Em conexão com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) no Brasil e com redes internacionais nas duas pontas do processo, a Rednesp é responsável por recolher os dados no Chile e entregar nos Estados Unidos.

“Isso requer uma rede extremamente confiável, com alta resiliência, capaz de resistir a perturbações tectônicas ou climáticas, e transmitir uma grande quantidade de dados, a cada três a quatro minutos, todas as noites, durante dez anos. E a transmissão tem de ser extremamente segura. Por isso, os dados são criptografados duas vezes, primeiro por hardware e depois por software, na saída, e descriptografados duas vezes, primeiro por software e depois por hardware, na chegada”, sublinha Lemke.

Desde o início de sua implantação, ainda com o nome de Rede ANSP, em 1988, até 2020, a Rednesp recebeu um aporte da ordem de US$ 125 milhões da FAPESP. E continua recebendo em torno de US$ 4 milhões por ano. “Mas é importante esclarecer que todo esse investimento não se destina exclusivamente à transmissão dos dados do Observatório Vera Rubin. A Rednesp possui várias redundâncias e, por isso, muitas utilizações possíveis. O Vera Rubin não é o único usuário. Toda a comunidade acadêmica do Estado de São Paulo se beneficia dessa conexão. São 36 instituições de ensino e pesquisa. Inclusive os pesquisadores de instituições paulistas que atuam no LHC, o grande colisor de hádrons do Cern [Organização Europeia para a Investigação Nuclear], e que também dependem da transmissão de grandes quantidades de dados, são atendidos pela Rednesp”, diz Luiz Vitor de Souza Filho, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e coordenador geral de Programas Estratégicos e Infraestrutura da FAPESP.

Souza Filho conta que, devido à contribuição superlativa constituída pela Rednesp, a FAPESP ganhou o direito de indicar cinco pesquisadores principais, cada qual com quatro pesquisadores associados (pós-doutores, doutorandos etc.), para compor a equipe de cientistas do Vera Rubin. “São, portanto, no total, 25 pesquisadores, que ingressaram no Vera Rubin por meio de chamada de propostas lançada pela FAPESP”, afirma.

Os cinco pesquisadores principais são Luis Raul Weber AbramoRiccardo SturaniClaudia Lucia Mendes de OliveiraEduardo Serra Cypriano e Alex Cavaliére Carsiofi.

Abramo foi um dos organizadores da primeira conferência realizada no país para discutir e planejar a adesão da comunidade científica brasileira ao LSST (Large Synoptic Survey Telescope), que era, na época, o nome do Observatório Vera Rubin. Ele compara aqui o telescópio Simonyi, do Vera Rubin, com outros telescópios ópticos atualmente em operação ou em construção: “Nos últimos dez ou 15 anos, houve um avanço significativo na construção de instrumentos capazes de mapear grandes áreas do céu. No entanto, até agora, não existia um telescópio que fizesse esse mapeamento em tempo real – obtendo imagens em intervalos regulares e curtos para que pudéssemos acompanhar as mudanças no céu conforme elas ocorrem. O Vera Rubin introduz justamente essa nova dimensão: além de observar ampla e profundamente o espaço, alcançando volumes enormes do Universo, ele incorpora o tempo como variável. É como se produzisse um filme do céu em vez de uma simples fotografia”.

O pesquisador conta que o Vera Rubin, com seu telescópio Simonyi e sua câmera digital LSSTCam, será capaz de observar supernovas no exato momento em que começam a explodir – algo crucial para obter dados de qualidade e para medir grandezas como as distâncias cósmicas e a taxa de expansão do Universo, inclusive a aceleração provocada pela energia escura. Poderá também detectar e monitorar estrelas variáveis, que são fundamentais tanto para a astrofísica quanto para a cosmologia. Além disso, em distâncias astronomicamente próximas, terá capacidade para localizar e acompanhar asteroides, cometas e outros corpos do Sistema Solar, inclusive objetos transnetunianos, mapeando a estrutura e dinâmica de nosso sistema planetário como nunca antes.

“Outro grande destaque do Vera Rubin será a detecção de milhões de quasares, objetos extremamente brilhantes, mas difíceis de distinguir das estrelas por sua raridade. Os quasares têm uma variabilidade característica, e o Vera Rubin será capaz de identificá-los por meio dessa flutuação de brilho. Esses objetos são núcleos ativos de galáxias, observados sob certos ângulos, e desempenham um papel central em minha pesquisa. Trabalho com cosmologia usando quasares como traçadores das grandes estruturas do Universo”, relata Abramo.

Segundo o pesquisador, uma possibilidade muito promissora será a combinação entre dados do Vera Rubin com dados de observatórios de ondas gravitacionais. “Com essa nova geração de detectores, seremos capazes de observar dezenas de milhares – talvez milhões – de eventos de fusões de buracos negros e estrelas de nêutrons. O Vera Rubin será essencial para localizar contrapartidas ópticas desses eventos. Como as ondas gravitacionais não sofrem interferência da matéria no caminho, elas são detectadas igualmente em todo o céu. Assim, quanto maior a área mapeada com qualidade, maior será a eficácia dessa sinergia”, explica.

É interessante comparar aqui as possibilidades do telescópio Simonyi, do Vera Rubin, com as do James Webb Space Telescope (JWST), o telescópio espacial desenvolvido em conjunto pela Nasa, a ESA e a CSA (respectivamente, as agências espaciais norte-americana, europeia e canadense). “O JWST tem a vantagem de estar fora da atmosfera, podendo observar continuamente no infravermelho, faixa essencial para detectar galáxias muito distantes, cujas luzes foram fortemente deslocadas para o vermelho devido à expansão do Universo. Já o Simonyi observará principalmente no óptico, a faixa visível do espectro. Embora isso limite a detecção de galáxias muito distantes, o Simonyi terá um campo de visão enorme, cobrindo grandes áreas do céu de forma repetida – algo que o James Webb, com seu campo de visão reduzido, não é capaz de fazer. Os dois telescópios são complementares: o Simonyi pode identificar objetos interessantes, que depois serão estudados com mais profundidade pelo JWST”, pontua Abramo.

A lógica da complementaridade vale também na comparação com o Giant Magellan Telescope (GMT), em plena construção no Cerro Las Campanas, no Chile, e previsto para entrar em operação entre o final da década de 2020 e o início da década de 2030. Fruto de uma grande colaboração internacional, também com forte aporte da FAPESP, o GMT terá um espelho coletor gigantesco, composto por sete segmentos de 8,4 metros de diâmetro cada, dispostos em forma de flor, com um no centro e seis ao redor. A configuração, dotada de um sofisticado sistema de óptica adaptativa, resulta em um diâmetro físico total de aproximadamente 25,4 metros e uma área de coleta de 368 metros quadrados.

“O GMT poderá alcançar profundidades e resoluções muito maiores do que as do Vera Rubin e do James Webb. No entanto, seu campo de visão será intermediário entre o campo de um e o do outro. É um dispositivo ideal para analisar detalhes finos de objetos previamente descobertos, como galáxias muito distantes e quasares de variabilidade incomum. Devo acrescentar que, além da astronomia óptica e infravermelha, temos observações em rádio, raio X, raios gama, micro-ondas e ultravioleta – cada uma com técnicas e instrumentos próprios. A ciência do Universo se constrói combinando todas essas janelas de observação”, enfatiza Abramo.

Para maiores informações sobre o Observatório Vera Rubin visite o site https://rubinobservatory.org/. Sobre a Rednesp, consulte: https://rednesp.br/.

 

José Tadeu Arantes
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/rede-de-alta-velocidade-financiada-pela-fapesp-transmitira-dados-do-observatorio-astronomico-vera-rubin/55122



Glossário do empreendedor: o que é Tenant Mix

IMAGEM: Leonardo Rodrigues/DC
Termo designa a atividade de organizar e distribuir lojas dentro de um shopping center. Entre as tendências do setor, estão empreendimentos que abrigam clínicas médicas 


Você já teve a sensação de entrar num shopping em busca de uma loja específica e achar que está dentro de um labirinto de vitrines? Muita gente, sim. E, entre um corredor e outro, o consumidor se depara com uma loja desconhecida e acaba fazendo uma comprinha de última hora.

Acontece que a disposição dos estabelecimentos é meticulosamente pensada pelas empresas que administram e comercializam lojas em shoppings – e tudo tem início antes mesmo do empreendimento sair do papel.

É o conceito de Tenant Mix (mix de locatários, em tradução livre), que se refere à atividade de analisar, organizar e distribuir comércios dentro do shopping. A ideia é que haja dentro do shopping marcas distintas, complementares e harmônicas para que o empreendimento seja atraente, competitivo e rentável.

Não há uma regra específica para desenvolver um projeto de Tenant Mix. Tudo depende do público-alvo, localidade e pontos de paridade e diferenciação do shopping.

Por exemplo, caso esteja numa região com muitas empresas ao redor, é recomendado que o shopping ofereça grande gama de alimentação e serviços para os profissionais que circulam nas redondezas. É o caso do Shopping Light, no centro velho da capital paulista.

Outra característica é a organização por porte de loja. A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) divulga o Plano de Mix, publicação que fornece sugestão de classificação dos diversos ramos de varejo.

As lojas âncoras são aquelas com mais de mil metros quadrados, de marcas muito conhecidas e que atraem grande fluxo de pessoas. Costumam ser de departamentos, vestuário, hipermercados, construção e decoração, entre outros. As semi-âncoras são similares, mas de porte menor, entre 500 e 999 m².

As megalojas são aquelas entre 250 e 499 m², especializadas em determinada linha de produtos, com ampla variedade, como a Fast Shop. Há também as lojas satélites, espaços inferiores a 250 m², destinados ao comércio em geral.

Geralmente, marcas que têm o poder de atrair muitos consumidores são alocadas nas extremidades do empreendimento, distantes umas das outras. Isso faz com que o fluxo de clientes seja distribuído e força a clientela a conhecer lojas menores.

No Shopping Tatuapé, centro comercial bastante popular da zona leste, uma unidade da Lojas Americanas ocupa o canto direito. Na outra ponta, há uma Renner. Nos fundos, na parte central, uma C&A.


TENDÊNCIAS

De acordo com a Abrasce, hoje as tendências nos shoppings são gastronomia, entretenimento e serviços médicos. As compras perderam a relevância.

Nos últimos anos, também proliferou o número de parques de trampolim e piscinas de bolinhas gigantes itinerantes em shoppings.

 


Italo Rufino
https://diariodocomercio.news/publicacao/s/glossario-do-empreendedor-o-que-e-tenant-mix


Equidade é inovação: por que a Engenharia precisa de mais mulheres


A equidade de gênero na Engenharia ainda é um desafio, mas o cenário está em transformação. O Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, celebrado em 23 de junho, reforça a importância dessa agenda e nos lembra da coragem, da resiliência e do protagonismo que nos movem rumo a um futuro mais inclusivo e igualitário. Criada em 2014 pela Women’s Engineering Society (WES), do Reino Unido, a data tornou-se um marco global de visibilidade e reconhecimento às nossas trajetórias. 

É também uma oportunidade de reafirmarmos conquistas, ampliarmos vozes e inspirarmos novas gerações a trilharem os caminhos da área tecnológica. Trata-se de um esforço coletivo, baseado em ações afirmativas e políticas concretas. Os avanços já são perceptíveis em números cada vez mais promissores. Atualmente, nós, mulheres, representamos 20% dos profissionais registrados no Sistema Confea/Crea. Pode parecer pouco, mas há sinais claros de evolução: segundo o minicenso do Confea, divulgado em maio deste ano, 36% dessas profissionais ingressaram no Sistema nos últimos cinco anos. O relatório indica que somos cerca de 236 mil mulheres registradas em todo o país para desempenhar as atividades de Engenharia, Agronomia e Geociências. 

Outro dado significativo do levantamento é a diferença de idade entre homens e mulheres na profissão. Enquanto a faixa etária média dos homens registrados é de 43 anos, a nossa é de 38. E, entre os profissionais com menos de 30 anos, já representamos um terço. Isso mostra que estamos ocupando cada vez mais espaço e que as próximas gerações serão, sem dúvida, mais diversas. 

A mudança revela algo sobre as motivações que nos levam a essa carreira. Cerca de 27% das mulheres entrevistadas apontaram o bom desempenho escolar como fator determinante na escolha da Engenharia. Isso mostra que nossa presença está ancorada no mérito e na aptidão técnica. Por isso, defendo com convicção que é fundamental valorizar essas habilidades desde cedo — com ambientes educacionais que incentivem meninas a se interessarem por ciências exatas e tecnologia. 

Nós também nos destacamos por sermos mais receptivas à inovação. Segundo o mesmo estudo, 75% dos profissionais enxergam a tecnologia como uma aliada, e essa percepção é ainda mais forte entre as mulheres. O que indica nossa disposição natural para liderar, propor soluções criativas e gerar impacto positivo na sociedade. 

Mas os ganhos de participarmos mais das profissões não se limitam ao setor, pois a diversidade resulta em desenvolvimento. Um estudo da consultoria McKinsey & Company mostra que empresas com maior equilíbrio de gênero em cargos de liderança têm 21% mais chances de apresentar desempenho financeiro acima da média. 

Vemos os frutos desse progresso todos os dias, quando ficamos à frente de projetos de infraestrutura urbana, energias renováveis, mobilidade e segurança, ou em obras públicas, fiscalização ambiental e no planejamento de cidades mais resilientes. No meio acadêmico, ampliamos nossa presença em pesquisas de ponta. Um exemplo notável, que nos orgulha, é a engenheira agrônoma Mariangela Hungria da Cunha, pesquisadora da Embrapa Soja, que se tornou a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial de Alimentação 2025, o Nobel da Agricultura. Suas pesquisas com fertilizantes biológicos resultaram em uma economia anual de US$ 25 bilhões e evitaram a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO. 

Os avanços na promoção da diversidade e da inclusão no Sistema têm ganhado força, impulsionados por políticas públicas e institucionais que criamos. É nesse contexto que o Programa Mulher foi idealizado, e desde então temos buscado fortalecer essa pauta com ações efetivas e de longo alcance. 

Aqui no Crea-SP, somos signatários da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), fazendo da equidade de gênero um compromisso concreto. Só em 2024, impactamos mais de 11 mil profissionais por iniciativas como a trilha de formação de lideranças femininas, disponibilizada via Crea-SP Capacita, nossa plataforma de capacitação, além da nossa presença ativa em universidades, eventos e encontros regionais. 

Esse trabalho sério e contínuo nos levou à conquista do selo bronze de Certificação em Boas Práticas no Combate à Violência Contra as Mulheres – Prática Recomendada (PR) 1019 –, concedido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em parceria com o Instituto Nós Por Elas. Um reconhecimento que nos tornou o primeiro conselho profissional do país a receber essa certificação. 

Ser a primeira mulher eleita para presidir o Crea-SP em 91 anos de história também mostra o quanto avançamos. Quando entrei na Engenharia, em 1988, éramos pouquíssimas mulheres nas salas de aula. Essa conquista é de todas nós que persistimos, lutamos e acreditamos que era possível transformar o ambiente tecnológico em um espaço mais justo e inclusivo. 

Temos a convicção de que ampliar a presença feminina em espaços de decisão não é apenas representatividade: é uma necessidade. É com diversidade que construiremos soluções mais eficazes, cidades mais inteligentes e um Brasil mais justo para todos. Trabalhamos para valorizar o protagonismo técnico feminino, combater desigualdades e criar condições para que todas as pessoas — independentemente de gênero — possam crescer e contribuir. 

Convidamos a todos os profissionais e lideranças, que compartilham desse compromisso, a seguir conosco nessa jornada. Ainda estamos no começo de um novo capítulo — mais justo, mais plural e, sem dúvida, mais promissor.

 


Lígia Mackey - engenheira civil e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP)


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