Dados são da rede de escolas
de informática Microcamp a partir de estudo com 2788 alunos
Pesquisa realizada
pela rede de escolas de informática Microcamp reforça o que estudam mundiais
estão apontando: adolescentes e jovens estão consumindo bebida alcoólica cada
vez mais cedo. Uma das consequências é que eles têm 100% de chance de
desenvolver uma relação de dependência com a droga, conforme o professor e
sociólogo Roberto Geraldo da Silva, fundador e presidente da Comunidade
Terapêutica Esperança e Vida, para dependentes químicos em Campinas.
A partir do
resultado da pesquisa, a Microcamp consultou o especialista para fazer uma
palestra sobre o tema para os alunos da Microcamp. "A consequência do
consumo de álcool por menores é uma tragédia, porque o córtex cerebral de uma
criança e adolescente não está formado. Isso só acontece aos 21 anos, por isso
muitos países proíbem o consumo de bebida alcoólica antes dessa idade",
avalia Robertinho, como é mais conhecido.
A Microcamp entrevistou 2.788
de seus alunos, em todo o Brasil, com idade entre 11 e 24 anos, com formação
escolar de diversos níveis, sendo a maioria (61,7%) do ensino fundamental II,
de ambos os sexos, com maior participação do público masculino (53,9%).
A pesquisa foi
realizada no período de 15 a 21 de fevereiro e apontou que 62,3% dos
entrevistados já fizeram uso de bebida alcoólica. Isso, apesar da maioria dos
pesquisados (71,3%) considerar o álcool uma droga perigosa, causar prejuízo à
saúde (70,2%), e boa parte (30,3% sim e 40,7% talvez) acreditar também ser uma
porta de entrada para as demais drogas.
As estatísticas
são estarrecedoras, segundo Robertinho: "São 3.300 milhões de mortes por
ano no mundo decorrentes do consumo de bebida alcoólica. Só no Brasil são 250
mil vítimas por ano. E o álcool é terceira maior causa de morte; só perde para
a doenças cardiovasculares e o câncer".
A idade de experimentação e de
início do uso do álcool, de acordo com a pesquisa, ocorre predominantemente
entre 11 e 15 anos (37,3%), seguido por jovens entre 15 e 18 anos (23,2%); e
30.8% já tiveram algum episódio de embriaguez. Os jovens destacam como
principais motivadores a curiosidade (43,7%), vontade de descontrair (9,8%) e
influência de amigos (5,6%).
Para o
especialista, a maior influência para o consumo de álcool vem da família.
"É o pai, principalmente, quem leva essa droga para dentro de casa. As
festas familiares, normalmente são regadas a álcool, as pessoas bebem, ficam
alegres e a criança observa tudo e quer experimentar essa sensação de
felicidade. Mas não mostram as consequências, muito delas irreparáveis, do
consumo do álcool. Todo alcoolista depois dos 50 anos vira diabético",
exemplifica.
Entre as bebidas
mais consumidas pelos pesquisados aparecem os destilados (vodca, rum, tequila
etc), apontado por 33,3%, e na sequência vem a cerveja (13,6%) e vinho (11,3%).
A frequência com que bebem varia muito, mas a maioria (36,9%) diz consumir
álcool quando sai com os amigos. Embora minoria (12%) há também os que admitem
já ter consumido bebida alcoólica na escola.
Chama a atenção também o índice
de jovens que disseram ter alguém na família com problema de álcool (52,7%), o
que causa preocupação em 42% dos entrevistados. Ainda sobre o comportamento da família,
42,9% dos jovens disseram que seus pais sabem que eles consomem álcool, mesmo
assim 33,6% afirmam que apesar de não gostarem, eles não proíbem.
Isso
acontece, segundo Robertinho, porque há no Brasil uma cultura alcoolista.
"É preciso criar uma geração longe da bebida alcóolica", diz ele e
aponta algumas ações necessárias para minimizar o problema: campanhas de
prevenção; controle na produção, venda e consumo da droga; e proibição de
propaganda de bebida. "É uma luta contra a corrente”.



