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sexta-feira, 9 de março de 2018

Pesquisa revela que 62% dos adolescentes e jovens consomem álcool; a chance de se tornarem dependentes é de 100% diz especialista



Dados são da rede de escolas de informática Microcamp a partir de estudo com 2788 alunos


Pesquisa realizada pela rede de escolas de informática Microcamp reforça o que estudam mundiais estão apontando: adolescentes e jovens estão consumindo bebida alcoólica cada vez mais cedo. Uma das consequências é que eles têm 100% de chance de desenvolver uma relação de dependência com a droga, conforme o professor e sociólogo Roberto Geraldo da Silva, fundador e presidente da Comunidade Terapêutica Esperança e Vida, para dependentes químicos em Campinas.

A partir do resultado da pesquisa, a Microcamp consultou o especialista para fazer uma palestra sobre o tema para os alunos da Microcamp. "A consequência do consumo de álcool por menores é uma tragédia, porque o córtex cerebral de uma criança e adolescente não está formado. Isso só acontece aos 21 anos, por isso muitos países proíbem o consumo de bebida alcoólica antes dessa idade", avalia Robertinho, como é mais conhecido.


A Microcamp entrevistou 2.788 de seus alunos, em todo o Brasil, com idade entre 11 e 24 anos, com formação escolar de diversos níveis, sendo a maioria (61,7%) do ensino fundamental II, de ambos os sexos, com maior participação do público masculino (53,9%).

A pesquisa foi realizada no período de 15 a 21 de fevereiro e apontou que 62,3% dos entrevistados já fizeram uso de bebida alcoólica. Isso, apesar da maioria dos pesquisados (71,3%) considerar o álcool uma droga perigosa, causar prejuízo à saúde (70,2%), e boa parte (30,3% sim e 40,7% talvez) acreditar também ser uma porta de entrada para as demais drogas. 

As estatísticas são estarrecedoras, segundo Robertinho: "São 3.300 milhões de mortes por ano no mundo decorrentes do consumo de bebida alcoólica. Só no Brasil são 250 mil vítimas por ano. E o álcool é terceira maior causa de morte; só perde para a doenças cardiovasculares e o câncer".



A idade de experimentação e de início do uso do álcool, de acordo com a pesquisa, ocorre predominantemente entre 11 e 15 anos (37,3%), seguido por jovens entre 15 e 18 anos (23,2%); e 30.8% já tiveram algum episódio de embriaguez. Os jovens destacam como principais motivadores a curiosidade (43,7%), vontade de descontrair (9,8%) e influência de amigos (5,6%).

Para o especialista, a maior influência para o consumo de álcool vem da família. "É o pai, principalmente, quem leva essa droga para dentro de casa. As festas familiares, normalmente são regadas a álcool, as pessoas bebem, ficam alegres e a criança observa tudo e quer experimentar essa sensação de felicidade. Mas não mostram as consequências, muito delas irreparáveis, do consumo do álcool. Todo alcoolista depois dos 50 anos vira diabético", exemplifica.

Entre as bebidas mais consumidas pelos pesquisados aparecem os destilados (vodca, rum, tequila etc), apontado por 33,3%, e na sequência vem a cerveja (13,6%) e vinho (11,3%). A frequência com que bebem varia muito, mas a maioria (36,9%) diz consumir álcool quando sai com os amigos. Embora minoria (12%) há também os que admitem já ter consumido bebida alcoólica na escola. 



Chama a atenção também o índice de jovens que disseram ter alguém na família com problema de álcool (52,7%), o que causa preocupação em 42% dos entrevistados. Ainda sobre o comportamento da família, 42,9% dos jovens disseram que seus pais sabem que eles consomem álcool, mesmo assim 33,6% afirmam que apesar de não gostarem, eles não proíbem.
Isso acontece, segundo Robertinho, porque há no Brasil uma cultura alcoolista. "É preciso criar uma geração longe da bebida alcóolica", diz ele e aponta algumas ações necessárias para minimizar o problema: campanhas de prevenção; controle na produção, venda e consumo da droga; e proibição de propaganda de bebida. "É uma luta contra a corrente”.



Xixi na cama, um transtorno negligenciado e que afeta até 15% das crianças com mais de 5 anos de idade, deve ser tratado



·         Doença familiar: crianças cujos pais fizeram xixi na cama têm 77% de chance de sofrer do mesmo transtorno

·         Pais e corpo médico devem ficar atentos: por ser um transtorno multifatorial, com componente comportamental e emocional, o sucesso do tratamento deve envolver todos

·         Atenção família: punir e praticar o bullying com a criança não ajuda e ainda pode piorar sensivelmente a situação

·         Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, 15% das crianças com mais de 5 anos de idade e 5% com 10 anos ainda fazem xixi na cama


Fazer xixi na cama após os 5 anos de idade é um sinal de Enurese Noturna, um transtorno que causa a perda involuntária e intermitente da urina durante o sono. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), persistindo os sinais da doença após essa idade crianças e adolescentes podem sofrer graves consequências psicológicas e sociais. Trata-se de uma condição bastante frequente, com estimativas de que 15% das crianças com mais de 5 anos de idade e 5% das crianças com 10 anos ainda fazem xixi na cama.

“Por ser uma fase de desenvolvimento infantil, acordar molhado até os 5 anos pode ser considerado normal. Mas, após esta idade, é importante que a possibilidade de Enurese Noturna seja considerava pelos pais e pelo pediatra”, diz Atila Rondon, Urologista, com atuação em Urologia Pediátrica, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ e Coordenador do Departamento de Urologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Urologia.

Com muita frequência, os distúrbios miccionais não são valorizados nas consultas de rotina, por isso, observar a criança e estar atento aos sinais é fundamental para o diagnóstico. Sabe-se que há grande influência genética, ou seja, se o pai ou a mãe fizeram xixi na cama na infância, o filho tem 44% de chances de também apresentar a enurese. Se os dois sofreram com o transtorno, este índice sobe para 77%.

Além da genética, outros fatores podem predispor a Enurese Noturna, como a deficiência de secreção de vasopressina noturna (substância que diminui a produção de urina durante a noite), bexiga pequena para a idade ou hiperativa (diminuindo a capacidade do órgão de reter a urina), problemas estruturais no trato urinário e dificuldade de acordar a noite, em resposta à bexiga cheia.

Diagnóstico

Além de considerar os antecedentes pessoais e familiares, o diagnóstico pode ser feito com observação do desenvolvimento psicomotor, com informações sobre o treinamento e controle esfincterianos e os sintomas de distúrbios relacionados ao enchimento e esvaziamento da bexiga. Adicionalmente, pode ser necessário submeter a criança a um exame genital, neurológico, de urina e de sangue.
Com a ajuda do médico, a criança detectada com Enurese Noturna deve começar o tratamento o mais rápido possível. Isso permitirá à criança e à família melhor qualidade de vida, evitando implicações negativas com baixa autoestima e transtornos psicossociais como ansiedade e comportamento antissocial.

Tratamento

O apoio da família é fundamental para o sucesso no tratamento. “Punir a criança, praticar o bullying expondo o problema do pequeno aos amigos ou familiares não resolve o problema e, pior, atrapalha ainda mais o processo de cura”, ressalta o especialista.

Algumas das causas da enurese são excesso de produção de urina, menor capacidade vesical ou dificuldade de acordar. Nestes casos, o especialista pode indicar medicações ou dispositivos médicos. Inserir pequenas mudanças na rotina, como evitar que a criança ingira líquidos 2 horas antes de dormir e incentivar o xixi antes de deitar e logo ao acordar, também são recomendados e podem trazer bons resultados. Cada noite seca precisa ser encarada como uma vitória, valorizada com elogios e muito carinho.

O acompanhamento psicológico é importante, tanto para a criança, quanto para a família. “O problema leva os pequenos a se sentirem envergonhados e há impactos negativos em sua vida social como, por exemplo, evitar convites para dormir na casa de amigos. Sem contar a influência que a doença tem sobre a qualidade do sono, que piora, e pode prejudicar o rendimento escolar”, acrescenta. O psicólogo se torna um importante aliado, já que além de recuperar a autoestima das crianças, também pode orientar os pais sobre como lidar com o transtorno.





Xixi na Cama

 

Repetição de palavras e frases pode indicar alteração no desenvolvimento?



A aquisição da fala é um processo complexo, que passa por vários marcos dentro do desenvolvimento infantil. Um dos recursos que as crianças menores podem usar é a ecolalia, repetição em eco da fala do outro.

Por exemplo: se você perguntar para um bebê, que está começando a aprender a falar, se ele quer banana, é possível que ele responda repetindo banana ou parte da palavra, como “nana”. Com o passar do tempo, espera-se que este bebê aprenda a resposta sim, não, quero, etc.

Segundo a fonoaudióloga Vanessa Medina, algumas crianças apresentam a ecolalia e a utilizam como um dispositivo de comunicação, usando a repetição como confirmação do desejo, mecanismo de regulamento do comportamento ou como meio de falar quando ainda são incapazes de usar as palavras livremente.

“Entretanto, a ecolalia tardia é considerada um sinal precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A ecolalia patológica é contínua e persistente, enquanto que ecolalia normal tende a desaparecer com o desenvolvimento da linguagem”.

“Por volta dos dois anos de idade, a criança começa a usar formas mais complexas e espontâneas de comunicação, usando menos o recurso da repetição. Nesta fase, espera-se que a criança esteja usando suas próprias observações ou expressões para se comunicar. Até os três anos, portanto, a ecolalia deve ser mínima ou inexistente”, comenta Vanessa.


Quando a ecolalia pode indicar algum atraso no desenvolvimento?

A neuropediatra Dra. Karina Weinmann, cofundadora da NeuroKinder, reforça que embora faça parte do desenvolvimento da linguagem, a ecolalia também é um sintoma do Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Por isso, é importante que os pais entendam os marcos do desenvolvimento. Com isso, eles podem compreender melhor quando é preciso procurar um profissional para avaliar aquilo que foge do esperado para cada fase do desenvolvimento da criança”.

“Se aos três anos de idade, por exemplo, a criança só usa a ecolalia para se comunicar, é preciso fazer uma avaliação. Outro ponto importante é que não basta a ecolalia para o diagnóstico do autismo. Ela é apenas um dos sintomas e faz parte do quadro de outras patologias, que serão descartadas pelo médico”, explica Dra. Karina.


Ecolalia e TEA
 
A memorização e a repetição de frases ou de palavras são as formas que muitos autistas têm para se expressar. “Alguns podem usar como forma de autorregulação, ou seja, quando algo não está bem eles usam a ecolalia com um conforto ou para aliviar o estresse. Outros usam para relembrar um momento e, por fim, a ecolalia para algumas crianças é usada por ser o único recurso de comunicação que conhecem ou desenvolveram”, comenta Vanessa.

A fonoaudióloga explica que a ecolalia pode ser imediata ou tardia. “A imediata é aquela repetida no momento da escuta. Você diz para a criança lavar as mãos para comer, por exemplo. Em seguida ela vai repetir “lave as mãos para comer” ou parte da frase dita pela outra pessoa. A ecolalia tardia é aquela em que a criança memoriza uma frase ou discurso de um desenho animado ou de um filme, por exemplo, e a usa regularmente dentro da sua comunicação”. Vale lembrar que a ecolalia tardia é considerada um sinal precoce do autismo.


Um novo olhar sob a ecolalia
 
Nos últimos anos, os terapeutas desenvolveram um novo olhar sob a ecolalia. Segundo algumas linhas terapêuticas, a ecolalia deve ser vista com um recurso importante de comunicação e uma maneira de interação com a criança.

“Podemos dizer que a ecolalia é uma porta de entrada e que o fonoaudiólogo e os pais podem usá-la para ajudar a criança a desenvolver sua comunicação”, diz Vanessa.


Quem procurar?
 
A avaliação inicial é realizada pelo médico neuropediatra. Dependendo da sua hipótese diagnóstica, é solicitada uma avaliação do profissional terapeuta, que no caso da ecolalia, é feita por um fonoaudiólogo. Assim que o diagnóstico é fechado, é feito o planejamento terapêutico pela equipe interdisciplinar, como o médico, o fonoaudiólogo, o psicólogo, etc.  Lembrando que o papel do fonoaudiólogo é essencial para o aprimoramento da linguagem e para o desenvolvimento das habilidades de comunicação.  


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