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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Terceira rinoplastia: por que algumas pessoas precisam operar o nariz mais de uma vez?

Casos de rinoplastia revisional, como os que repercutem entre celebridades, levantam debate sobre expectativas estéticas, função respiratória e complexidade das cirurgias secundárias 

 

A rinoplastia voltou a ganhar destaque nas redes sociais após a cantora Pabllo Vittar compartilhar o resultado de sua terceira cirurgia no nariz. A repercussão do caso reacendeu uma dúvida comum entre pacientes: por que algumas pessoas precisam passar por uma segunda ou até terceira rinoplastia? Segundo veículos de imprensa, a artista já havia realizado procedimentos anteriores no nariz, incluindo correção de desvio de septo e nova rinoplastia em anos passados. 

A chamada rinoplastia revisional é o procedimento indicado para corrigir questões estéticas, funcionais ou ambas após uma cirurgia nasal anterior. Em alguns casos, o paciente busca ajustes no formato do nariz, como assimetrias, irregularidades, queda da ponta nasal ou insatisfação com o resultado. Em outros, a necessidade está ligada à respiração, como obstrução nasal, alterações estruturais ou piora funcional após o primeiro procedimento. A rinoplastia pode tanto melhorar a aparência e a proporção do nariz quanto corrigir dificuldade respiratória causada por alterações estruturais. 

Para o otorrinolaringologista Dr. Eduardo Landini Lutaif Dolci, sócio da Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial, professor instrutor da Santa Casa de São Paulo e membro titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, a principal mensagem é que uma nova rinoplastia não deve ser tratada como um procedimento simples ou meramente estético. “A rinoplastia revisional costuma ser mais delicada do que a primeira cirurgia porque o nariz já passou por alterações anatômicas e por um processo de cicatrização. O cirurgião precisa avaliar a estrutura que restou, a qualidade da pele, a presença de fibroses, a respiração do paciente e o que é realmente possível corrigir com segurança”, explica Dolci. 

Segundo o especialista, nem toda insatisfação após uma rinoplastia indica necessidade de nova cirurgia. O resultado final pode levar meses para se estabilizar, especialmente por causa do inchaço e da cicatrização. Por isso, a decisão por uma revisão deve ser tomada com cautela, após acompanhamento médico e avaliação individualizada.“Muitas vezes, o paciente olha o nariz ainda em fase de recuperação e acredita que o resultado definitivo já apareceu. É preciso respeitar o tempo de cicatrização. A revisão só deve ser considerada quando há uma indicação clara, seja por questão funcional, seja por uma alteração estética persistente e tecnicamente corrigível”, afirma. 

Entre os motivos que podem levar à rinoplastia revisional estão assimetrias, irregularidades no dorso nasal, alterações na ponta, cicatrização desfavorável, trauma após a cirurgia, dificuldade para respirar, retirada excessiva de estruturas ou necessidade de reconstrução com enxertos. Em cirurgias secundárias ou terciárias, pode ser necessário utilizar cartilagem de outras áreas do corpo, como septo, orelha ou costela, dependendo do caso. 

“O nariz não pode ser pensado apenas como uma estrutura estética. Ele tem função respiratória. Um resultado visualmente bonito, mas que compromete a passagem de ar, não é um bom resultado. Por isso, a avaliação deve considerar sempre a harmonia facial e a função nasal”, reforça o especialista. 

Dolci alerta, ainda, para o impacto das redes sociais na busca por cirurgias faciais. Fotos de celebridades, filtros e comparações de “antes e depois” podem estimular expectativas pouco realistas. Para o especialista, referências visuais podem ajudar na conversa com o médico, mas não devem ser usadas como promessa de resultado. 

“Cada nariz tem uma anatomia própria e cada rosto tem proporções diferentes. Copiar o nariz de outra pessoa pode gerar frustração. O objetivo da rinoplastia deve ser buscar equilíbrio, naturalidade e melhora funcional quando necessário, sempre dentro dos limites técnicos e anatômicos de cada paciente”, diz. 

A pauta também abre espaço para discutir a importância da escolha de profissionais qualificados, do planejamento cirúrgico cuidadoso e da avaliação otorrinolaringológica quando há queixas respiratórias associadas. Em casos revisionais, a experiência da equipe é ainda mais relevante, já que o procedimento exige análise detalhada de estruturas previamente modificadas.

 

Fonte:
Dr. Eduardo Landini Lutaif Dolci é sócio da Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial (rinoplastia), em São Paulo; Professor Instrutor de Ensino do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo; Membro titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial; Membro eleito da Comissão de Residência e Treinamento da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial; Membro titular da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face.


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