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| O pós-parto imediato é um dos períodos de maior transformação n o corpo da mulher, e não apenas do ponto de vista emocional Canva |
O pós-parto imediato é um dos períodos de maior
transformação no corpo da mulher, e não apenas do ponto de vista emocional.
Flacidez, sensação de fraqueza e a preocupação com a diástase (separação dos
músculos abdominais) estão entre as principais queixas das mulheres logo após o
nascimento do bebê. Mas especialistas alertam que as mudanças vão além da
estética: envolvem uma reorganização profunda de todo o corpo, especialmente da
dinâmica entre abdômen e pelve.
Dor, inchaço, sensação de peso, escapes urinários e insegurança corporal podem
surgir nas primeiras semanas e fazem parte desse processo de adaptação. Ainda
assim, esses sinais não devem ser ignorados. Estudos indicam que cerca de 50%
das mulheres apresentam algum tipo de disfunção no pós-parto, incluindo
alterações no assoalho pélvico, no abdômen e na função muscular global.
Segundo a fisioterapeuta e doutora em Ginecologia e Obstetrícia Daniella
Leiros, da Clínica Videlis, em Ribeirão Preto (SP), é comum que a atenção
inicial fique concentrada apenas no abdômen, mas neste momento o corpo precisa
ser compreendido de forma integrada. “No pós-parto, a mulher olha primeiro para
seu abdômen, mas o que está acontecendo é uma reorganização do corpo todo.
Abdômen e pelve funcionam em conjunto, e quando essa integração não é bem
acompanhada, podem surgir dores, disfunções e insegurança corporal”, explica.
Alterações começam na gestação e seguem após o parto
As mudanças no corpo feminino começam ainda durante a gravidez. O crescimento
do útero, as alterações hormonais e as adaptações posturais impactam
diretamente a musculatura abdominal e pélvica, modificando a forma como essas
estruturas funcionam em conjunto.
“A gestação já promove estiramento, perda de força e alteração de coordenação
muscular. Isso afeta tanto o abdômen quanto a pelve, interferindo na
sustentação dos órgãos, no controle das continências e na estabilidade do
corpo”, afirma Daniella.
A diástase abdominal, por exemplo, é uma das queixas mais frequentes nesse
período e está diretamente relacionada à dinâmica pélvica. Quando não
acompanhada, pode contribuir para dor lombar, sensação de fraqueza, alterações
posturais e sobrecarga da pelve.
Comum não é sinônimo de normal
Embora sintomas como desconforto, dor leve ou escapes urinários possam aparecer
no início do pós-parto, a persistência desses sinais merece atenção. “Alguns
sintomas podem surgir nas primeiras semanas, mas é importante lembrar que comum
não é normal. Se há dor, perda urinária, sensação de peso ou limitação na
rotina, o corpo está pedindo cuidado”, destaca a especialista.
Entre os principais sinais de alerta estão: perda urinária frequente, dor ao se
movimentar ou durante a relação sexual, sensação de peso na pelve, dificuldade
para retomar atividades físicas e insegurança com o próprio corpo.
Recuperar vai além de fortalecer
Daniella ressalta que a recuperação no pós-parto não se resume a fortalecer
músculos isoladamente, mas a restabelecer a comunicação entre diferentes partes
do corpo. “A gente olha para o todo: abdômen, respiração, postura, movimento.
Quando essa integração acontece, a mulher recupera não só a função, mas também
a confiança no próprio corpo”, explica.
No longo prazo, esse acompanhamento contribui para a retomada segura das
atividades, melhora da relação corporal e prevenção de disfunções como
incontinência urinária, dor pélvica e desconfortos persistentes.
“No fundo, não é só sobre recuperar o corpo. É sobre devolver autonomia,
segurança e bem-estar para essa mulher que acabou de renascer junto com o
bebê”, conclui Daniella Leiros.

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