Empresas aceleram investimentos em educação contínua enquanto profissionais correm para evitar obsolescência de carreira
O diploma universitário perdeu o status de garantia de
relevância profissional. Em um mercado moldado por inteligência artificial,
transformação digital e mudanças aceleradas nas relações de trabalho,
executivos passaram a enxergar aprendizado contínuo não mais como diferencial
competitivo, mas como mecanismo de sobrevivência corporativa. O cenário ajuda a
explicar o crescimento global de conceitos como lifelong learning e learning by
doing. Segundo o World Economic Forum, quase metade das habilidades exigidas no
mercado de trabalho deve mudar até 2027. Ao mesmo tempo, dados do LinkedIn
mostram aumento consistente nas buscas por termos ligados a “upskilling” e
“reskilling”.
Para o fundador da Laiob, André Fauri, o mercado entrou em uma era
em que conhecimento envelhece na mesma velocidade que a tecnologia. “A lógica
atual é muito parecida com a atualização de software. O profissional que para
de aprender por muito tempo começa a perder capacidade competitiva
rapidamente.”
Na visão dele, isso ajuda a explicar por que programas executivos
curtos e imersivos vêm crescendo em relevância no mundo corporativo. “O
executivo moderno não quer apenas teoria. Ele busca ferramentas práticas para
resolver problemas reais, liderar mudanças e interpretar cenários complexos.”
A mudança também alterou a forma como as empresas enxergam
capacitação. Antes concentrada em treinamentos pontuais, a educação executiva
passou a ocupar espaço estratégico dentro das organizações, principalmente em
setores pressionados por inovação constante.
“Existe uma compreensão muito maior de que desenvolvimento
profissional impacta diretamente retenção, produtividade e capacidade de
inovação. Empresas que criam cultura de aprendizado contínuo tendem a formar
lideranças mais adaptáveis e menos resistentes à mudança”, afirma Luisa Vilela,
CEO da Laiob.
A CEO acredita que o modelo tradicional de ensino corporativo
começou a mostrar sinais claros de desgaste após a pandemia. “O mercado
percebeu que conhecimento excessivamente teórico gera baixo engajamento. O
profissional quer aprender algo e aplicar imediatamente.”
Assim, metodologias baseadas em “learning by doing” ganharam força
justamente por aproximarem o aprendizado e a prática. “Quando o executivo
participa de experiências imersivas, debates internacionais e resolução prática
de problemas, a retenção do conteúdo é muito maior. O aprendizado deixa de ser
abstrato.”
Luisa compara a educação executiva atual à preparação de atletas
de alta performance. “Nenhum atleta treina apenas uma vez na carreira e acha
que estará pronto para sempre. Com executivos acontece exatamente o mesmo. O
mercado exige atualização contínua porque o ambiente competitivo muda o tempo
todo.”
A executiva também vê uma transformação geracional em andamento.
Segundo ela, profissionais mais jovens passaram a valorizar ambientes que
incentivem o desenvolvimento constante. “As novas gerações enxergam o
aprendizado como parte da experiência profissional. Não é mais algo separado da
carreira. O principal risco agora não é falta de informação, mas excesso de
acomodação. Nunca foi tão fácil acessar conhecimento. O desafio real passou a
ser transformar aprendizado em capacidade prática de adaptação, liderança e
crescimento”, conclui.

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