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terça-feira, 19 de maio de 2026

O mercado descobriu que diploma envelhece e executivos agora estudam como quem atualiza softwar

Empresas aceleram investimentos em educação contínua enquanto profissionais correm para evitar obsolescência de carreira


O diploma universitário perdeu o status de garantia de relevância profissional. Em um mercado moldado por inteligência artificial, transformação digital e mudanças aceleradas nas relações de trabalho, executivos passaram a enxergar aprendizado contínuo não mais como diferencial competitivo, mas como mecanismo de sobrevivência corporativa. O cenário ajuda a explicar o crescimento global de conceitos como lifelong learning e learning by doing. Segundo o World Economic Forum, quase metade das habilidades exigidas no mercado de trabalho deve mudar até 2027. Ao mesmo tempo, dados do LinkedIn mostram aumento consistente nas buscas por termos ligados a “upskilling” e “reskilling”. 

Para o fundador da Laiob, André Fauri, o mercado entrou em uma era em que conhecimento envelhece na mesma velocidade que a tecnologia. “A lógica atual é muito parecida com a atualização de software. O profissional que para de aprender por muito tempo começa a perder capacidade competitiva rapidamente.”

Na visão dele, isso ajuda a explicar por que programas executivos curtos e imersivos vêm crescendo em relevância no mundo corporativo. “O executivo moderno não quer apenas teoria. Ele busca ferramentas práticas para resolver problemas reais, liderar mudanças e interpretar cenários complexos.” 

A mudança também alterou a forma como as empresas enxergam capacitação. Antes concentrada em treinamentos pontuais, a educação executiva passou a ocupar espaço estratégico dentro das organizações, principalmente em setores pressionados por inovação constante. 

“Existe uma compreensão muito maior de que desenvolvimento profissional impacta diretamente retenção, produtividade e capacidade de inovação. Empresas que criam cultura de aprendizado contínuo tendem a formar lideranças mais adaptáveis e menos resistentes à mudança”, afirma Luisa Vilela, CEO da Laiob. 

A CEO acredita que o modelo tradicional de ensino corporativo começou a mostrar sinais claros de desgaste após a pandemia. “O mercado percebeu que conhecimento excessivamente teórico gera baixo engajamento. O profissional quer aprender algo e aplicar imediatamente.” 

Assim, metodologias baseadas em “learning by doing” ganharam força justamente por aproximarem o aprendizado e a prática. “Quando o executivo participa de experiências imersivas, debates internacionais e resolução prática de problemas, a retenção do conteúdo é muito maior. O aprendizado deixa de ser abstrato.”

Luisa compara a educação executiva atual à preparação de atletas de alta performance. “Nenhum atleta treina apenas uma vez na carreira e acha que estará pronto para sempre. Com executivos acontece exatamente o mesmo. O mercado exige atualização contínua porque o ambiente competitivo muda o tempo todo.” 

A executiva também vê uma transformação geracional em andamento. Segundo ela, profissionais mais jovens passaram a valorizar ambientes que incentivem o desenvolvimento constante. “As novas gerações enxergam o aprendizado como parte da experiência profissional. Não é mais algo separado da carreira. O principal risco agora não é falta de informação, mas excesso de acomodação. Nunca foi tão fácil acessar conhecimento. O desafio real passou a ser transformar aprendizado em capacidade prática de adaptação, liderança e crescimento”, conclui.



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