Nem toda dor de cabeça é normal: quando a cefaleia pode indicar algo grave como aneurisma, AVC, meningite e outras doenças neurológicas
Dor
de cabeça é um dos sintomas mais comuns da população e, na maioria das vezes,
está relacionada a fatores como estresse, noites mal dormidas, tensão muscular,
desidratação ou enxaqueca. Mas nem toda cefaleia deve ser considerada “normal”.
Em alguns casos, ela pode ser um sinal de doenças neurológicas graves e
potencialmente fatais.
No
dia 19 de maio, data marcada pelo Dia Nacional de Combate à Cefaleia, o
neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, Fernando Gomes
chama atenção para os chamados “sinais de alerta” que indicam necessidade de
avaliação médica urgente.
“A
dor de cabeça é um sintoma extremamente frequente, mas existem características
que merecem atenção imediata. O cérebro costuma dar sinais quando algo mais
sério está acontecendo”, explica o médico.
Quando a dor de cabeça é perigosa
Segundo
o especialista, um dos principais sinais de perigo é quando a dor surge de
forma súbita e muito intensa, especialmente descrita pelo paciente como “a pior
dor de cabeça da vida”.
“Uma
cefaleia explosiva, que aparece repentinamente e atinge intensidade máxima em
poucos segundos ou minutos, pode indicar rompimento de aneurisma cerebral e
hemorragia. Isso é uma emergência médica”, alerta Dr. Fernando Gomes.
O
aneurisma cerebral acontece quando há uma dilatação anormal em um vaso
sanguíneo do cérebro. Quando ocorre ruptura, o sangramento pode provocar
sequelas neurológicas graves e até morte.
Outro
ponto de atenção é a dor de cabeça acompanhada de sintomas neurológicos, como
perda de força, alteração na fala, confusão mental, dormência, dificuldade para
enxergar ou perda de equilíbrio.
“Nesses
casos, precisamos pensar na possibilidade de AVC. Muitas pessoas associam o AVC
apenas à perda de movimento, mas algumas alterações neurológicas podem começar
com dor de cabeça”, afirma.
Além
disso, dores progressivas e persistentes, principalmente quando passam a
acordar o paciente durante a madrugada ou pioram ao longo das semanas, também
merecem investigação.
“Tumores
cerebrais podem provocar aumento progressivo da pressão intracraniana. A dor
costuma mudar de padrão, ficar mais frequente e muitas vezes vem acompanhada de
náusea, alterações cognitivas ou visuais”, afirma.
Automedicação para dor de cabeça
O
médico reforça que outro erro comum é a automedicação frequente. Segundo ele, o
uso excessivo de analgésicos pode mascarar doenças importantes e até gerar um
quadro conhecido como cefaleia rebote.
“Muitas
pessoas entram em um ciclo perigoso: sentem dor, tomam remédio, a dor melhora
momentaneamente e depois retorna ainda mais forte. Isso dificulta o diagnóstico
correto”, alerta.
Sinais de alerta para a dor de cabeça que necessita de atendimento
médico:
- dor súbita e extremamente intensa;
- dor associada a febre;
- alteração neurológica;
- desmaios;
- convulsões;
- vômitos persistentes;
- rigidez na nuca;
- dor após trauma na cabeça;
- cefaleia que piora progressivamente;
- dor que acorda durante a madrugada.
Apesar disso, o médico tranquiliza que a maioria das cefaleias não está ligada a doenças graves. Ainda assim, ele destaca que mudanças no padrão da dor nunca devem ser ignoradas. “O mais importante é observar o comportamento da dor de cabeça. O cérebro fala através dos sintomas. Quando a dor muda de intensidade, frequência ou vem acompanhada de sinais neurológicos, é fundamental investigar”, finaliza Dr. Fernando Gomes.
Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 15 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena a Unidade de Hidrodinâmica Cerebral relacionada ao diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças como Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) e Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII ou pseudotumor cerebral) no Hospital das Clínicas.
drfernandoneuro
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