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terça-feira, 19 de maio de 2026

19 de maio dia da cefaleia, neuro alerta quando a dor pode ser grave

Nem toda dor de cabeça é normal: quando a cefaleia pode indicar algo grave como aneurisma, AVC, meningite e outras doenças neurológicas

 

Dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns da população e, na maioria das vezes, está relacionada a fatores como estresse, noites mal dormidas, tensão muscular, desidratação ou enxaqueca. Mas nem toda cefaleia deve ser considerada “normal”. Em alguns casos, ela pode ser um sinal de doenças neurológicas graves e potencialmente fatais.

No dia 19 de maio, data marcada pelo Dia Nacional de Combate à Cefaleia, o neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, Fernando Gomes chama atenção para os chamados “sinais de alerta” que indicam necessidade de avaliação médica urgente.

“A dor de cabeça é um sintoma extremamente frequente, mas existem características que merecem atenção imediata. O cérebro costuma dar sinais quando algo mais sério está acontecendo”, explica o médico.
 

Quando a dor de cabeça é perigosa

Segundo o especialista, um dos principais sinais de perigo é quando a dor surge de forma súbita e muito intensa, especialmente descrita pelo paciente como “a pior dor de cabeça da vida”.

“Uma cefaleia explosiva, que aparece repentinamente e atinge intensidade máxima em poucos segundos ou minutos, pode indicar rompimento de aneurisma cerebral e hemorragia. Isso é uma emergência médica”, alerta Dr. Fernando Gomes.

O aneurisma cerebral acontece quando há uma dilatação anormal em um vaso sanguíneo do cérebro. Quando ocorre ruptura, o sangramento pode provocar sequelas neurológicas graves e até morte.

Outro ponto de atenção é a dor de cabeça acompanhada de sintomas neurológicos, como perda de força, alteração na fala, confusão mental, dormência, dificuldade para enxergar ou perda de equilíbrio.

“Nesses casos, precisamos pensar na possibilidade de AVC. Muitas pessoas associam o AVC apenas à perda de movimento, mas algumas alterações neurológicas podem começar com dor de cabeça”, afirma.

Além disso, dores progressivas e persistentes, principalmente quando passam a acordar o paciente durante a madrugada ou pioram ao longo das semanas, também merecem investigação.

“Tumores cerebrais podem provocar aumento progressivo da pressão intracraniana. A dor costuma mudar de padrão, ficar mais frequente e muitas vezes vem acompanhada de náusea, alterações cognitivas ou visuais”, afirma.
 

Automedicação para dor de cabeça

O médico reforça que outro erro comum é a automedicação frequente. Segundo ele, o uso excessivo de analgésicos pode mascarar doenças importantes e até gerar um quadro conhecido como cefaleia rebote.

“Muitas pessoas entram em um ciclo perigoso: sentem dor, tomam remédio, a dor melhora momentaneamente e depois retorna ainda mais forte. Isso dificulta o diagnóstico correto”, alerta.
 

Sinais de alerta para a dor de cabeça que necessita de atendimento médico:

  • dor súbita e extremamente intensa;
  • dor associada a febre;
  • alteração neurológica;
  • desmaios;
  • convulsões;
  • vômitos persistentes;
  • rigidez na nuca;
  • dor após trauma na cabeça;
  • cefaleia que piora progressivamente;
  • dor que acorda durante a madrugada.

Apesar disso, o médico tranquiliza que a maioria das cefaleias não está ligada a doenças graves. Ainda assim, ele destaca que mudanças no padrão da dor nunca devem ser ignoradas. “O mais importante é observar o comportamento da dor de cabeça. O cérebro fala através dos sintomas. Quando a dor muda de intensidade, frequência ou vem acompanhada de sinais neurológicos, é fundamental investigar”, finaliza Dr. Fernando Gomes. 



Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 15 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena a Unidade de Hidrodinâmica Cerebral relacionada ao diagnóstico, tratamento e pesquisa de doenças como Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) e Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII ou pseudotumor cerebral) no Hospital das Clínicas.
drfernandoneuro


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