No Mês das Mães, especialista da Oncoclínicas destaca como o diagnóstico de câncer transforma a rotina e exige suporte ativo dentro e fora de casa
O diagnóstico de uma doença como o câncer não afeta apenas o paciente, mas altera todo o ecossistema familiar. Para a mulher, historicamente colocada como a cuidadora da família, passar a ocupar o lugar de quem precisa de cuidados exige uma reestruturação profunda da dinâmica doméstica e emocional. No Mês das Mães, a Oncoclínicas chama atenção para os efeitos dessa mudança na rotina, nas relações e na forma como o cuidado precisa ser compartilhado.
É justamente a partir dessa reorganização que a rede de apoio ganha protagonismo no processo de cuidado. "Muitas vezes, a maior barreira é a autocobrança. A mulher sente que está falhando ao não conseguir cuidar de todos como antes. Mas este é o momento de entender que receber ajuda é um ato de força e coragem", explica a Dra. Cecília Emerick, médica paliativista da Oncoclínicas.
Para auxiliar as famílias nesta jornada, a especialista
elenca cinco caminhos essenciais para uma rede de apoio eficaz:
1. Ajude na reestruturação da rotina da paciente
O tratamento exige adequar vida familiar e profissional com uma rotina intensa de consultas e exames. "A rotina precisa ser readaptada. A mulher precisará conciliar a vida familiar e profissional com o suporte nutricional e atividades físicas, o que exige muita ajuda externa para que ela não se sobrecarregue", afirma a médica.
2.
Reconheça e acolha a mudança de papéis na família
Quando a mãe passa do lugar de quem
cuida para o de quem precisa de cuidado, toda a dinâmica familiar é impactada.
Essa inversão pode gerar insegurança e exige adaptação emocional de todos. “É
uma mudança importante, que precisa ser compreendida e acolhida coletivamente”,
pontua a especialista.
3.
Ofereça escuta ativa
O apoio emocional passa, sobretudo,
pela capacidade de ouvir. Medos relacionados à dor, ao sofrimento e à
possibilidade de morte fazem parte da experiência do paciente e precisam ser
acolhidos. “Evitar frases automáticas e permitir que a paciente expresse suas
angústias faz toda a diferença. O acolhimento real vem da escuta”, explica a
Dra. Cecília.
4.
Participe ativamente da rotina com apoio prático
A rede de apoio precisa ir além do
acolhimento emocional e se traduzir em ações concretas. Apoiar em tarefas do
dia a dia, como deslocamentos, organização da casa e cuidados com os filhos,
reduz a sobrecarga da paciente. “Sozinho ninguém dá conta. É fundamental ter
uma rede que funcione de forma prática”, reforça.
5.
Incentive o cuidado integral e a gentileza consigo mesma
O tratamento oncológico não se limita ao combate da doença. O cuidado deve incluir o manejo dos sintomas físicos, emocionais e sociais desde o diagnóstico, com apoio de equipes multiprofissionais, incluindo a medicina paliativa. "A mensagem principal que deixo para essas pacientes é seja gentil com você mesma. As mães precisam entender que esse é o momento em que elas precisam ser cuidadas e que para cuidar de alguém, é necessário se cuidar primeiramente", finaliza a médica.
Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com
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