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Doença familiar: crianças cujos pais fizeram xixi na cama têm 77% de
chance de sofrer do mesmo transtorno
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Pais e corpo médico devem ficar atentos: por ser um transtorno
multifatorial, com componente comportamental e emocional, o sucesso do
tratamento deve envolver todos
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Atenção família: punir e praticar o bullying com a criança não ajuda e
ainda pode piorar sensivelmente a situação
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Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, 15% das crianças com mais de
5 anos de idade e 5% com 10 anos ainda fazem xixi na cama
“Por ser uma fase de desenvolvimento infantil, acordar molhado
até os 5 anos pode ser considerado normal. Mas, após esta idade, é importante
que a possibilidade de Enurese Noturna seja considerava pelos pais e pelo
pediatra”, diz Atila Rondon, Urologista, com atuação em Urologia Pediátrica,
professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ e Coordenador do
Departamento de Urologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Urologia.
Com muita frequência,
os distúrbios miccionais não são valorizados nas consultas de rotina, por isso,
observar a criança e estar atento aos sinais é fundamental para o diagnóstico.
Sabe-se que há grande influência genética, ou seja, se o pai ou a mãe fizeram
xixi na cama na infância, o filho tem 44% de chances de também apresentar a
enurese. Se os dois sofreram com o transtorno, este índice sobe para 77%.
Além da genética,
outros fatores podem predispor a Enurese Noturna, como a deficiência de
secreção de vasopressina noturna (substância que diminui a produção de urina
durante a noite), bexiga pequena para a idade ou hiperativa (diminuindo a
capacidade do órgão de reter a urina), problemas estruturais no trato urinário
e dificuldade de acordar a noite, em resposta à bexiga cheia.
Diagnóstico
Além de considerar os antecedentes
pessoais e familiares, o diagnóstico pode ser feito com observação do
desenvolvimento psicomotor, com informações sobre o treinamento e controle
esfincterianos e os sintomas de distúrbios relacionados ao enchimento e
esvaziamento da bexiga. Adicionalmente, pode ser necessário submeter a criança
a um exame genital, neurológico, de urina e de sangue.
Com a ajuda do médico, a criança detectada com
Enurese Noturna deve começar o tratamento o mais rápido possível. Isso
permitirá à criança e à família melhor qualidade de vida, evitando implicações
negativas com baixa autoestima e transtornos psicossociais como ansiedade e
comportamento antissocial.
Tratamento
O apoio da família é fundamental para o sucesso no
tratamento. “Punir a criança, praticar o bullying expondo o problema do
pequeno aos amigos ou familiares não resolve o problema e, pior, atrapalha
ainda mais o processo de cura”, ressalta o especialista.
Algumas das causas da enurese são excesso de produção
de urina, menor capacidade vesical ou dificuldade de acordar. Nestes casos, o
especialista pode indicar medicações ou dispositivos médicos. Inserir pequenas
mudanças na rotina, como evitar que a criança ingira líquidos 2 horas antes de
dormir e incentivar o xixi antes de deitar e logo ao acordar, também são
recomendados e podem trazer bons resultados. Cada noite seca precisa ser
encarada como uma vitória, valorizada com elogios e muito carinho.
O acompanhamento psicológico é importante, tanto para
a criança, quanto para a família. “O problema leva os pequenos a se sentirem
envergonhados e há impactos negativos em sua vida social como, por exemplo,
evitar convites para dormir na casa de amigos. Sem contar a influência que a
doença tem sobre a qualidade do sono, que piora, e pode prejudicar o rendimento
escolar”, acrescenta. O psicólogo se torna um importante aliado, já que além de
recuperar a autoestima das crianças, também pode orientar os pais sobre como
lidar com o transtorno.
Xixi na Cama
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