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terça-feira, 19 de maio de 2026

Sedentarismo e intestino preso: por que a falta de movimento deixa o intestino mais lento

Exercícios físicos intensificam o movimento natural do intestino, facilitando a evacuação 

 

Você sabia que o sedentarismo e a constipação estão relacionados? Dos diversos benefícios que a atividade física regular fornece, o bom funcionamento do sistema digestivo está entre eles. Um dos principais motivos para isso é que os exercícios intensificam o movimento natural do intestino, chamado de peristaltismo. Portanto, a falta de atividades físicas tende a causar o efeito reverso, dificultando a evacuação1. 

Estima-se que cerca de 30% dos adultos no Brasil e no mundo sofram com “prisão de ventre”. O sintoma é ainda mais comum entre mulheres e normalmente está relacionado à baixa ingestão de fibras e água e ao estresse emocional, além do sedentarismo2. 

O distúrbio é caracterizado pela presença de dois ou mais dos seguintes sintomas: esforço para evacuar e queixas de eliminação de fezes endurecidas, presença de fezes duras ou em grumos, sensação de evacuação incompleta ou de obstrução/bloqueio anorretal, necessidade de manobras manuais para facilitar evacuações em mais 25% das evacuações e menos de três evacuações por semana2. 

Independentemente de qualquer sintoma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos realizem entre 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada semanalmente ou 75 a 150 minutos de atividades de intensidade vigorosa. A instituição também recomenda a realização de atividade em prol do fortalecimento muscular3. 

Mas quais são os melhores exercícios para acabar com o intestino preso? De modo geral, qualquer atividade física pode trazer benefícios, mas as aeróbicas de intensidade moderada são as mais recomendadas para melhorar o fluxo digestivo4. Entre os exercícios mais recomendados estão caminhadas, ciclismo, natação, corrida, yoga, Tai Chi, além de atividades de fortalecimento do core, como pilates4. 

A prática regular de exercícios como esses reduz a inflamação sistêmica, melhora a motilidade intestinal (movimento do intestino) e ajuda a prevenir a constipação, o que reduz as chances de desenvolver também hemorroidas ou fissuras anais4. 

Em alguns casos, a rotina entre trabalho, estudos e vida social pode dificultar a prática de exercícios físicos, mas algumas mudanças simples já fazem a diferença. Quando o assunto são as atividades físicas, fazer algo, mesmo que pouco, é melhor do que nada, como por exemplo subir ou descer de escadas, caminhadas de 20 a 30 minutos, brincar com os filhos ou pedalar5.

 

Sinais de alerta sobre a constipação e quando buscar um médico 

A constipação é um sintoma, não uma doença específica. Ela pode indicar alguma manifestação de enfermidade que necessita de investigação e diagnóstico6. Pessoas que sofrem com constipação apresentam taxa de mortalidade superior, em todas as causas, à de pessoas que não enfrentam o problema. O grupo também apresenta maior incidência de problemas cardíacos, dos rins e até câncer intestinal7. 

Segundo o gastroenterologista Décio Chinzon, médico consultor da Libbs, os sintomas devem servir como um ponto de atenção. “A constipação ocasional é comum, mas alguns sinais não podem ser ignorados. Sangue nas fezes, dor abdominal persistente, perda de peso sem explicação ou mudanças recentes no funcionamento do intestino são alertas importantes. Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica para investigar a causa e iniciar o tratamento adequado”, explicou.

   

Referências 

1. Carneiro RCMS, Antunes MD, Abiko RH, Cambiriba AR, Santos NQ, Silva SD, et al. Constipação intestinal em idosos e sua associação com fatores físicos, nutricionais e cognitivos. Aletheia. 2018;51(1-2):96-111. 

2. Silva AO, Siqueira MS, Vieira LM. Constipação intestinal, estado nutricional e hábitos alimentares e de vida de mulheres adultas brasileiras. Brazilian Journal of Health Review. 2025;8(1):1-15. 

3. Organização Mundial da Saúde (OMS). Diretrizes da OMS para atividade física e comportamento sedentário [Internet]. [Acesso em 8 abr. 2026]. Disponível em: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/9e776de6-adc7-46c1-936f6dd2bb4f7373/content

 4. Al-Beltagi M, Saeed NK, Bediwy AS, El-Sawaf Y, Elbatarny A, Elbeltagi R. Exploring the gut-exercise link: A systematic review of gastrointestinal disorders in physical activity. World J Gastroenterol. 2025 Jun 14;31(22):106835. 

5. Ministério Público da União (MPU). Orientações nutricionais - Constipação [Internet]. [Acesso em 8 abr. 2026]. Disponível em: https://saude.mpu.mp.br/orientacoes/constipacao.pdf 

6. Sociedade Paranaense de Coloproctologia. Constipação [Internet]. 2022. [Acesso em 8 abr. 2026]. Disponível em: https://www.spcp.org.br/blog-spcp-geral/constipacao/5 

7. Cui J, Xie F, Yue H, Xie C, Ma J, Han H, Fang M, Yao F. Physical activity and constipation: A systematic review of cohort studies. J Glob Health. 2024 Nov 22;14:04197.

 

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado.



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