Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica chama
atenção para os impactos do uso dos dispositivos eletrônicos na saúde dos mais
jovens
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o consumo do vape entre estudantes de 13 anos a 17 anos praticamente dobrou nos últimos cinco anos. Para se ter ideia, em 2024, 29,6% dos adolescentes afirmaram já ter experimentado o cigarro eletrônico, contra 16,8% em 2019. Além disso, 26,3% disseram ter usado o dispositivo nos 30 dias anteriores à pesquisa, que abrange mais de 12,3 milhões de alunos nessa faixa-etária, matriculados em escolas públicas e particulares.
O
levantamento mostra também que o uso é maior entre as meninas (31,7%) do que
entre os meninos (27,4%). Já o consumo do cigarro tradicional entre os
adolescentes caiu de 6,8% em 2019 para 5,6% em 2024, indicando que o vape está
se transformando na principal porta de entrada para a dependência em nicotina
entre os jovens.
Fator de preocupação
Estudos indicam que um único vape descartável pode conter carga equivalente de 20 a 120 cigarros tradicionais, dependendo do modelo e da concentração utilizada, e essa grande quantidade de nicotina favorece o desenvolvimento rápido da dependência, especialmente entre adolescentes, além de aumentar o risco de danos pulmonares graves.
Para a Dra. Mariana Bohns Michalowski, oncologista pediátrica e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), o avanço dos cigarros eletrônicos entre a população infanto-juvenil exige atenção urgente de famílias, escolas e autoridades de saúde. “O vape é vendido como algo moderno e menos prejudicial, o que não é verdade. Trata-se de um produto que causa dependência, afeta o desenvolvimento cerebral e pode trazer consequências respiratórias e cardiovasculares importantes para crianças e adolescentes”, afirma.
Ela explica que o contato precoce com a nicotina pode aumentar o risco de outras dependências ao longo da vida e comprometer hábitos saudáveis na adolescência. “Os jovens são mais suscetíveis à influência social e à publicidade indireta nas redes sociais. Por isso, precisamos ampliar o diálogo sobre prevenção, conscientização e fiscalização da venda ilegal desses cigarros.”
Segundo
o Ministério da Saúde, a iniciação ao tabagismo no Brasil ocorre, em média, aos
16 anos. No entanto, o avanço do vape está antecipando esse contato com a
nicotina e ampliando o número de jovens dependentes. “É preciso reforçar as campanhas
educativas voltadas a esse público, além do fortalecimento de políticas
públicas de prevenção ao tabagismo, especialmente entre crianças e
adolescentes”, atesta a presidente da SOBOPE.
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