Ministério da
Saúde atende à reivindicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e
atualiza tabela para realização do procedimento que é um direito garantido por
lei às mulheres que se submetem à mastectomia
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Parte do investimento de R$ 2,2 bilhões anunciado
na última semana pelo governo federal para tratamentos de câncer no Sistema
Único de Saúde (SUS) será destinada à reconstrução mamária de mulheres que se
submetem à mastectomia. Segundo levantamento recente, somente 20,5% das
pacientes atendidas na rede pública passam pela cirurgia reconstrutiva com
implante de prótese. Etapa fundamental não apenas como procedimento estético,
mas também no tratamento integral do câncer de mama, a reconstrução mamária
pautou de forma prioritária as reivindicações da Sociedade Brasileira de
Mastologia (SBM) ao Ministério da Saúde. “A ampliação de recursos, que buscamos
há muito tempo como entidade médica e merece ser celebrada neste momento, vai
aumentar o acesso a uma cirurgia no SUS que impacta profundamente a vida das
mulheres do ponto de vista sexual, emocional e feminino”, afirma Guilherme
Novita, presidente da SBM.
A estimativa de investimento para reconstrução
mamária na rede pública de saúde passa a R$ 27,4 milhões por ano, um aumento de
aproximadamente 13% em comparação a 2025. “Juntamente com outras sociedades
médicas brasileiras, tivemos a oportunidade de expor em várias reuniões
realizadas no Ministério da Saúde a importância da cirurgia reconstrutiva com
implante de prótese”, ressalta Novita. “Embora ainda não seja o ideal,
considerando o grande número de pacientes que necessita do tratamento do câncer
de mama no SUS, o aporte já representa um grande avanço.”
O acesso ao procedimento é garantido pela Lei nº
15.171/2025, que ampliou o direito das mulheres de recorrerem ao SUS para a
realização da cirurgia de reconstrução em casos oncológicos e também em
situações de malformações, mamas tuberosas, grandes assimetrias, gigantismo,
entre outras ocorrências. A legislação também ganhou importância por permitir a
simetrização da mama contralateral.
Para a Sociedade Brasileira de Mastologia, os
recursos destinados a partir de agora à reconstrução mamária na rede pública de
saúde também contribuem para diminuir desigualdades no acesso à cirurgia no
País. Levantamento dos últimos anos revela que a região Norte, com 5,13%, é a
que menos realiza cirurgias reconstrutivas pelo SUS. Em seguida vêm as regiões
Sul (15,12%), Sudeste (16,17%), Centro-Oeste (17,17%) e Nordeste (17,73%).
De acordo com o mastologista Guilherme Novita, uma
questão importante para o baixo índice de cirurgias de reconstrução mamária no
País é a remuneração oferecida pelo Sistema Único de Saúde. “Isso inviabiliza o
procedimento em hospitais que dependem somente do SUS”, pontua.
Com a portaria que entra em vigor no próximo mês, o
governo federal prevê com o aporte de R$ 27,4 milhões a realização de mais
16.716 procedimentos por ano. No programa Agora Tem Especialistas, iniciativa
federal voltada à diminuição das filas no SUS por consultas, exames e cirurgias
especializadas, a nova tabela reajustada em até 850% atualiza o valor da
plástica mamária reconstrutiva de R$ 315,92 para R$ 3.000; do expansor mamário
tecidual de R$ 612 para R$ 2.000; da prótese mamária de silicone de R$ 744 para
R$ 1.500.
“Com nossas reivindicações atendidas junto ao Ministério
da Saúde, temos a certeza de que cumprimos o papel de entidade que representa
as pacientes com câncer de mama no Brasil, especialmente as que dependem da
rede pública de saúde para o tratamento”, afirma o presidente da SBM Guilherme
Novita. “Os recursos que vêm para ampliar o acesso à reconstrução mamária no
SUS são muito bem-vindos e fortalecem a nossa luta para curar não só o câncer,
mas a pessoa que passa pela doença.”
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