Especialista alerta que redução da ingestão de água
durante o inverno pode aumentar risco de cáries, mau hálito e desconfortos
orais
Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, é comum que muitas pessoas diminuam a ingestão de água sem perceber. Associado ao clima mais seco e frio, esse comportamento pode favorecer a xerostomia — popularmente conhecida como sensação de boca seca — e aumentar o risco de problemas bucais.
A saliva desempenha funções fundamentais para a saúde oral. Além de auxiliar na digestão, ela atua na lubrificação da mucosa, protege os dentes contra cáries, ajuda no controle bacteriano e contribui para o equilíbrio do pH da boca. Quando há redução do fluxo salivar, o organismo fica mais vulnerável a desconfortos e alterações bucais.
Entre os principais sinais da xerostomia estão sensação constante de boca seca, dificuldade para mastigar ou engolir, ardência ou sensação de língua áspera, fissuras nos lábios, alteração do paladar, mau hálito e aumento da sensibilidade e das cáries dentárias.
Segundo o prof. dr. Dênis Santos, coordenador do curso de graduação em Odontologia e dos cursos de pós-graduação em Ortodontia, Ortopedia Facial, Implantodontia e Harmonização Orofacial da Universidade Cruzeiro do Sul, o problema tende a se intensificar durante o inverno devido à menor hidratação corporal e às mudanças ambientais típicas da estação.
“Durante o inverno, as pessoas costumam sentir menos sede e, consequentemente, reduzem a ingestão de água. Somado ao clima mais seco, aos ambientes fechados e ao uso frequente de aquecedores e aparelhos de ar-condicionado, isso favorece a redução do fluxo salivar e aumenta a sensação de boca seca”, explica.
O especialista destaca que alguns grupos merecem atenção especial, principalmente idosos — que naturalmente podem apresentar diminuição da produção de saliva —, pacientes que utilizam medicamentos contínuos, como antidepressivos, anti-hipertensivos e antialérgicos, além de pessoas com respiração bucal ou doenças sistêmicas, como diabetes.
Entre os cuidados preventivos, Dênis Santos recomenda manter ingestão adequada de água mesmo sem sensação de sede, evitar excesso de café, álcool e cigarro, estimular a salivação com chicletes sem açúcar quando indicado por profissional, utilizar hidratantes labiais, manter boa higiene bucal e realizar acompanhamento odontológico periódico.
“A saliva exerce um papel essencial na proteção da saúde bucal. Quando há diminuição desse fluxo, aumentam os riscos de cáries, mau hálito, irritações e outros desconfortos. Pequenos hábitos diários fazem diferença importante na prevenção dessas alterações durante o inverno”, reforça o especialista.
O professor alerta
ainda que, em casos persistentes, é fundamental buscar avaliação odontológica,
já que a xerostomia pode impactar significativamente a qualidade de vida e
favorecer alterações bucais e sistêmicas.
Universidade Cruzeiro do Sul
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