Especialistas
explicam sobre o sistema de prioridade criado pela FIFA para quem já tem
ingresso e alertam: "FIFA Pass não garante o visto"
Com a abertura da Copa do Mundo 2026 a pouco menos
de 30 dias de distância, o governo dos EUA liberou o sistema FIFA Pass em
abril deste ano, para agilizar as entrevistas de visto no Brasil. No entanto, o
que deveria ser um alívio tem gerado confusão e riscos de negativas em massa
entre torcedores brasileiros. Especialistas em imigração alertam que o sistema
funciona como um "fura-fila" logístico, mas não flexibiliza o rigor
das análises consulares.
Para orientar os brasileiros que já possuem
ingressos, mas ainda aguardam o carimbo no passaporte, especialistas das áreas
de imigração e tributação internacional explicam o funcionamento do benefício e
os erros fatais que podem impedir a entrada nos EUA, México e Canadá.
O mito do ingresso como
garantia
Muitos torcedores acreditam que o alto investimento
em ingressos significa a aprovação do visto. A especialista em imigração da SLS
Legal Nathalia Guedes desmistifica essa ideia. "Comprar
ingressos para a Copa não aumenta as chances de aprovação. O consulado não
considera o valor gasto como fator decisivo. O que pesa é o perfil do viajante,
vínculos sólidos com o Brasil e condições financeiras compatíveis são o que
realmente garantem a entrada", explica.
Nathalia alerta que o FIFA Pass
pode acelerar a data da entrevista, mas também acelera a negativa se o processo
estiver incompleto. "Um agendamento mais rápido não representa uma
aprovação mais fácil. Se o formulário DS-160 tiver inconsistências, a negativa
também virá rapidamente. A pressa é o maior risco", pontua.
Cronômetro ligado: O prazo
para a estreia
Com o Brasil estreando em 13 de junho, o tempo é o
maior inimigo. Bruno Lossio, especialista em
mobilidade internacional, afirma que ainda é possível viajar, mas a margem de
segurança é mínima. "Após a entrevista aprovada, o passaporte costuma ser
devolvido em poucos dias, mas processos que entram em análise administrativa
adicional não têm prazo fixo. O ideal é ter pelo menos algumas semanas entre a
entrevista e o embarque para evitar imprevistos", recomenda Lossio.
Como a Copa será sediada em três países, o
especialista reforça que a logística tripla (EUA, México e Canadá) deve ser
explicada com clareza. "O roteiro é plausível, mas o torcedor deve
demonstrar que o orçamento é compatível com esse deslocamento complexo para não
parecer suspeito na entrevista", completa.
Negócios na bagagem
Para muitos empresários, a Copa é também uma
oportunidade de networking. Henrique Scliar, especialista em
planejamento imigratório, esclarece que o visto de turista (B1/B2) permite prospecção
de negócios e visitas a imóveis, desde que não haja trabalho remunerado nos
EUA. "O risco surge quando o consulado entende que a pessoa pretende atuar
de forma incompatível com o visto. A transparência sobre atividades comerciais
pontuais é essencial", afirma Scliar.
Sobre a comprovação financeira para aquela que
promete ser a Copa mais cara da história, Henrique alerta contra
"maquiagens" de última hora nas contas bancárias. "Depósitos
altos feitos pouco antes da entrevista geram questionamentos. O oficial quer
ver estabilidade financeira e renda recorrente, provando que o torcedor não
está 'queimando' todas as economias na viagem, o que poderia indicar uma
intenção oculta de ficar no país para repor o dinheiro", menciona.
Checklist de Emergência para o
Torcedor:
- Revisão do DS-160: Não tente
"melhorar" seu perfil; o consulado valoriza a consistência acima
da aparência financeira.
- Vínculos: Leve provas de trabalho,
empresa ativa, patrimônio e laços familiares no Brasil.
- Logística Tripla: Tenha em mãos o roteiro de
jogos entre EUA, México e Canadá para justificar os deslocamentos.
- Cuidado Financeiro: Evite movimentações
atípicas e altas em contas bancárias nos dias que antecedem a entrevista.
Nathalia Feitosa Guedes - advogada licenciada nos Estados Unidos (Texas) e partner da SLS Legal, com atuação direta em processos de imigração baseada em trabalho, família e casos específicos como o Military Parole in Place. Com experiência prática no sistema migratório americano desde 2018, iniciou sua trajetória atuando na linha operacional dos processos, como legal assistant e paralegal, o que lhe garantiu uma visão completa, desde a preparação até a aprovação dos casos. É mestre em Direito (LL.M.) pela Texas A&M School of Law, membro ativa da Texas Bar e também inscrita na OAB de Santa Catarina, o que permite uma leitura comparativa entre os sistemas jurídico brasileiro e americano. Além da atuação jurídica, integra a reserva da Marinha dos Estados Unidos desde 2022 como Logistics Specialist, trazendo um diferencial raro na análise de casos migratórios envolvendo militares e suas famílias, além de uma compreensão prática das exigências e critérios aplicados pelo governo americano.
Henrique Scliar -especialista em Mobilidade Global, Direito Internacional, Tributação e Expatriação Corporativa, CEO da SLS Legal e da Premium Global Mobility, empresas referências em imigração, mobilidade global e planejamento patrimonial e sucessório. Atua na estruturação de projetos migratórios e empresariais para os Estados Unidos, unindo estratégia jurídica, planejamento tributário e conformidade migratória. É LL.M. em Direito Imigratório pela University of Southern California (USC) e especialista em Direito Tributário.
Bruno Lossio - advogado especializado em Direito Internacional e Imigratório e CEO da SLS Legal Advisory CEO da Premium Global Mobility Partner, empresas referências em imigração, mobilidade global e planejamento patrimonial e sucessório, com sede em Washington, D.C. É também sócio do LSF Advogados Associados, no Brasil, além de coordenar o Centro de Estudos e Atualizações em Direito Internacional do Instituto Nêmesis. Sua trajetória e visão estão registradas no livro “Incendiários- Os Códigos das Mentes Imparáveis”, em que mostra que, com estratégia, coragem e propósito, é possível transformar o conhecimento jurídico em liberdade geográfica e realização pessoal.
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