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terça-feira, 19 de maio de 2026

Até 80% das mães atípicas assumem sozinhas os cuidados dos filhos

Muitos Somos Raros chama atenção para a sobrecarga enfrentada por mães de crianças com deficiência, doenças raras e condições neurodivergentes

 

A maternidade atípica no Brasil ainda carrega uma realidade pouco discutida fora das redes de apoio: o abandono paterno. Estima-se que cerca de 78%1 das mães atípicas sejam mães solo, enfrentando sozinhas os desafios emocionais, financeiros e estruturais relacionados ao cuidado contínuo de filhos com deficiência, doenças raras ou condições neurodivergentes. 

O cenário se soma a outro dado alarmante: mais de 5,5 milhões de brasileiros não possuem o nome do pai na certidão de nascimento, de acordo com o levantamento da USP2. Em 2020, mais de 80 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe no Brasil3, evidenciando um contexto de abandono paterno que impacta diretamente milhares de famílias brasileiras. Para mães atípicas, a situação costuma ser ainda mais complexa. Além da responsabilidade integral pelos cuidados dos filhos, muitas deixam o mercado de trabalho, enfrentam dificuldades financeiras e convivem com a ausência de rede de apoio e acolhimento social. 

O tema ganha ainda mais relevância no contexto do Mês das Mães, data que frequentemente reforça imagens romantizadas da maternidade, mas pouco se fala sobre os desafios enfrentados por mulheres que sustentam sozinhas rotinas intensas de terapias, consultas médicas, acompanhamento escolar e cuidados permanentes.

Para o Muitos Somos Raros, maior plataforma brasileira independente dedicada às doenças raras e à comunidade de pacientes, ampliar o debate sobre maternidade atípica também significa discutir políticas públicas, saúde mental, acolhimento familiar e suporte social. 

“Existe uma sobrecarga histórica que ainda recai majoritariamente sobre as mães, especialmente quando falamos de deficiência, doenças raras e neurodivergências. Precisamos olhar para essas mulheres para além da ideia romantizada de força. Elas precisam de suporte, rede de apoio e acolhimento contínuo”, afirma Regiane Monteiro, diretora do Muitos Somos Raros. O abandono paterno não produz apenas impactos emocionais. A ausência de suporte familiar pode comprometer o acesso ao tratamento, dificultar a continuidade terapêutica e ampliar o adoecimento físico e mental das cuidadoras.

“Muitas mães atípicas acabam vivendo um isolamento muito profundo. Aos poucos, elas deixam de sair, de se cuidar, perdem vínculos sociais e passam a viver exclusivamente em função da rotina de cuidados dos filhos. Existe muito amor, claro, mas também existe medo, culpa, exaustão e uma sensação constante de invisibilidade. Ainda falta compreensão da sociedade sobre o que essas mulheres enfrentam diariamente”, afirma Natália Lopes Rodrigues, do Voz das Mães e parceira do Muitos Somos Raros.


Sobre o Muitos Somos Raros 

Desenvolvido pela Tino Comunicação, o Muitos Somos Raros é a maior plataforma brasileira independente dedicada às doenças raras e reúne uma das maiores comunidades de pacientes e familiares do País. O projeto produz conteúdos informativos e de serviço, como notícias, cobertura de eventos, novidades em tratamentos e atualizações sobre incorporações no SUS, via Ministério da Saúde, e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), por meio dos planos de saúde. A iniciativa tem foco no suporte à comunidade rara e na geração de informações de utilidade pública que também alcançam médicos, profissionais de saúde, cuidadores, associações de pacientes e a sociedade em geral.

Mais informações: Link @muitossomosraros

Site da campanha: www.muitossomosraros.com.br


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