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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Leitura digital alcança 49% dos brasileiros com mais de 10 anos, aponta estudo inédito da Nielsen BookData

Pesquisa Leitores Digitais, realizada pela Nielsen BookData
e viabilizada pelo Skeelo.
  Divulgação, 2026.

Viabilizada pelo Skeelo, primeira edição da pesquisa mostra o protagonismo do celular no acesso aos livros digitais e estima que 18 milhões de brasileiros afirmam ter passado a ler muito mais após adotar e-books ou audiolivros

 

A leitura digital alcançou 49% da população brasileira com mais de 10 anos nos 12 meses anteriores ao levantamento. É o que mostra a primeira edição da pesquisa “Leitores Digitais”, realizada pela Nielsen BookData e viabilizada pelo Skeelo, um dos maiores ecossistemas de leitura digital da América Latina. O estudo ouviu 3 mil pessoas de todas as classes socioeconômicas, gêneros e regiões do país e mapeou o consumo de conteúdos digitais como e-books, audiolivros, fanfics, quadrinhos e mangás. 

O levantamento mostra ainda que o celular é o principal dispositivo de acesso a e-books e audiolivros, utilizado por 72% dos leitores desses formatos. A presença do aparelho ao longo da rotina amplia as ocasiões de leitura e escuta. Com base nas respostas e na estimativa populacional da pesquisa, cerca de 18 milhões de brasileiros afirmam que passaram a ler muito mais após adotar e-books ou audiolivros. Entre os leitores digitais consultados, 71% dizem que a leitura digital ajuda a ampliar o vocabulário e melhorar a escrita, enquanto 78% afirmam buscar esses conteúdos para adquirir conhecimento sobre novos temas e assuntos.

Para acessar a pesquisa completa, clique aqui.

 

Estudo nacional dedicado ao ecossistema da leitura digital 

Apresentado nesta semana, o levantamento foi desenhado para compreender especificamente o ecossistema da leitura digital no Brasil, incluindo perfil, hábitos e comportamento. Foram ouvidas 3 mil pessoas com 10 anos ou mais, de todas as classes socioeconômicas, gêneros e regiões do país. Para este estudo, considera-se leitor digital quem consumiu ao menos um dos conteúdos pesquisados — como e-books, audiolivros, fanfics, quadrinhos ou mangás —, nos 12 meses anteriores à entrevista. Por utilizar definição e período de referência próprios, o indicador não deve ser comparado diretamente a estudos que adotam outros conceitos de leitor. 

O objetivo da pesquisa é apoiar a tomada de decisão de agentes públicos e privados da cadeia produtiva do livro, contribuindo para o aprimoramento de estratégias de mercado e para o desenvolvimento de políticas públicas. Para Luiz Gaspar, diretor regional da Nielsen BookData, o estudo oferece um novo olhar sobre o mercado editorial brasileiro. 

“Pela primeira vez, conseguimos olhar com profundidade para o comportamento dos leitores digitais brasileiros. Com a pesquisa, descobrimos que o ecossistema de livros digitais no país é ainda mais pulsante e amplo do que imaginávamos. Dessa vez, também foram respondidas perguntas em áudio, o que nos permitiu uma aproximação maior da percepção dos entrevistados”, explica Luiz. 

Para o Skeelo, os resultados reforçam o compromisso da plataforma com a transformação digital e a inovação. “Sempre acreditamos no potencial inclusivo da tecnologia, mas os dados dessa primeira edição mostram como os livros digitais podem ampliar as oportunidades de leitura. Ver que cerca de 18 milhões de pessoas afirmam estar lendo muito mais graças à praticidade dos e-books e à conveniência dos audiolivros nos motiva a continuar facilitando o acesso aos livros em cada celular do país”, afirma Rodrigo Meinberg, CEO do Skeelo.

 

O celular como dispositivo de leitura e arena de disputa 

Os dados da pesquisa indicam que o smartphone é a principal ferramenta de acesso a e-books e audiolivros, à frente de e-readers, tablets e computadores. Para mais da metade dos leitores desses formatos, a portabilidade de ter o aparelho sempre à mão reduz a necessidade de um segundo dispositivo e transforma o celular em uma biblioteca acessível ao longo da rotina. 

O comportamento dos leitores de e-books e audiolivros é marcado por forte integração à rotina digital. Plataformas de informação e redes sociais também funcionam como canais de recomendação. Entre leitores de e-books e ouvintes de audiolivros, respectivamente, criadores de conteúdo no Instagram são citados por 27% de ambos os grupos; canais no YouTube, por 27% e 33%; e perfis literários no TikTok, por 23% e 25%, como formas de buscar informações sobre novas leituras. 

Ao mesmo tempo, a tela reúne diferentes formas de entretenimento. Entre os leitores digitais que não consomem e-books ou audiolivros, 27,4% dizem preferir redes sociais e conversas curtas, 26,1% priorizam vídeos na internet e 23,9% optam por serviços de streaming. Esses resultados aparecem entre as principais barreiras comportamentais ao consumo dos dois formatos.

 

Os leitores digitais de e-book e audiolivro 

A leitura aparece na 8ª posição entre os hobbies preferidos dos leitores digitais pesquisados, à frente de atividades como jogos e videogames, ida a bares e restaurantes, podcasts e rádio. Entre os leitores de e-books, 24% acessam o formato todos os dias e 26% o fazem de quatro a seis vezes por semana. Entre os ouvintes de audiolivros, 22% escutam diariamente e 24%, de quatro a seis vezes por semana. 

No recorte demográfico dos leitores de e-books e audiolivros, as mulheres representam 58% do público e 47% são adultos entre 25 e 44 anos. Quanto aos gêneros mais consumidos, a ficção lidera em e-books (57,1%) e audiolivros (44,5%). Na sequência aparecem não ficção (38,8% e 34,6%), livros científicos, técnicos e profissionais (34,9% e 38,5%), Bíblia digital (34% e 36%) e autoajuda (27,1% e 35,9%), respectivamente. 

De acordo com o estudo, a leitura digital não substitui necessariamente a impressa, mas amplia momentos e oportunidades de consumo, especialmente pela conveniência, praticidade e adaptação a diferentes contextos do dia a dia. O e-book é escolhido principalmente pela facilidade de acesso, portabilidade e possibilidade de carregar vários títulos em um único dispositivo. Já o audiolivro se destaca pela compatibilidade com multitarefas, sendo consumido durante os deslocamentos, tarefas domésticas e outras atividades. 

Os dados também indicam que as principais barreiras à leitura digital são comportamentais, mais associadas à preferência por vídeos e redes sociais do que a preço ou falta de acesso. Entre os não leitores consultados, a maioria afirma que aceitaria experimentar formatos digitais caso o acesso fosse gratuito e facilitado.

 

Acesso por canais informais e desconhecimento sobre a origem dos arquivos 

Outro achado relevante está relacionado à distribuição dos livros no ambiente digital. Nos 12 meses anteriores à pesquisa, 48,8% dos leitores de e-books e audiolivros afirmaram ter baixado ou acessado conteúdos gratuitamente em sites, aplicativos ou links que não eram lojas ou bibliotecas oficiais; 41,5% relataram ter recebido arquivos compartilhados por amigos ou familiares. As respostas, isoladamente, não permitem concluir se cada conteúdo era autorizado, gratuito por opção do titular dos direitos ou disponibilizado de forma irregular. 

Entre os leitores que utilizaram esses canais, 41% dizem que conseguem acessar o livro com mais facilidade dessa forma e 36% afirmam que o conteúdo chegou espontaneamente, por link ou compartilhamento. Além disso, 68% presumem que os livros recebidos sejam permitidos e 67% dizem que nem sempre sabem identificar se um livro digital gratuito é legal ou autorizado. 

Entre os sites ou aplicativos citados para acessar livros digitais estão Google (55%) — resultado que pode refletir também o uso do buscador —, Amazon (37%) e Skeelo (23%). MEC Livros (22%), Kindle Unlimited (22%) e Minha Biblioteca (21%) também aparecem entre os serviços mencionados. As plataformas possuem modelos distintos, que incluem acesso público, assinatura e bibliotecas digitais. 


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