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terça-feira, 21 de julho de 2026

Entre um jogo e outro, quanto tempo o joelho realmente precisa para se recuperar?

Especialista alerta que dor não é o único indicador de recuperação e voltar ao esporte antes da hora pode aumentar o risco de novas lesões
 

A dor diminuiu, o inchaço desapareceu e a vontade de voltar para a quadra ou para o campo fala mais alto. Para muita gente, esses sinais são suficientes para retomar a prática esportiva. Mas a recuperação do joelho nem sempre acompanha a melhora dos sintomas. Segundo especialistas, interromper o período de recuperação antes do tempo pode favorecer novas lesões e comprometer a saúde da articulação a longo prazo. 

A preocupação ganha relevância diante do crescimento da prática esportiva no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que cerca de 60 milhões de brasileiros praticam algum esporte ou atividade física regularmente, sendo caminhada, futebol, musculação, corrida e ciclismo as modalidades mais frequentes. Ao mesmo tempo, lesões no joelho continuam entre as principais causas de afastamento temporário das atividades físicas. 

"O joelho precisa de tempo para que músculos, ligamentos, cartilagem e outras estruturas recuperem sua capacidade de suportar carga. Muitas vezes o paciente deixa de sentir dor, mas o tecido ainda está em processo de cicatrização. Antecipar o retorno aumenta significativamente o risco de uma nova lesão", explica o ortopedista e cirurgião do joelho Dr. Ari Zekcer. 

Segundo o especialista, o tempo de recuperação varia conforme o tipo e a gravidade da lesão. Um trauma leve pode exigir apenas alguns dias de repouso e reabilitação. Já entorses ligamentares, lesões meniscais ou procedimentos cirúrgicos podem demandar semanas ou até meses antes da liberação para o retorno ao esporte. 

Mais importante do que cumprir um prazo fixo é avaliar critérios objetivos de recuperação. "O retorno não deve acontecer porque o calendário exige ou porque o campeonato voltou. Ele deve ocorrer quando o joelho recupera força, estabilidade, mobilidade e controle muscular suficientes para suportar novamente os movimentos do esporte praticado", afirma o especialista. 

Um dos erros mais comuns, segundo o médico, é utilizar apenas a ausência de dor como parâmetro. Dor é apenas um dos indicadores. Persistência de inchaço, sensação de instabilidade, perda de força, dificuldade para mudar rapidamente de direção ou insegurança durante movimentos de giro são sinais de que o joelho ainda pode não estar preparado. 

A literatura científica reforça esse cuidado. Estudos mostram que atletas que retornam ao esporte antes de recuperar adequadamente força muscular e função do joelho apresentam maior risco de sofrer uma nova ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), especialmente nos primeiros dois anos após a lesão. Revisões publicadas no British Journal of Sports Medicine indicam que critérios funcionais de retorno são mais importantes do que simplesmente respeitar um tempo mínimo de recuperação. 

"O objetivo não é apenas voltar a jogar, mas continuar jogando sem novas lesões. Uma recuperação bem conduzida reduz o risco de recidivas, preserva a articulação e pode fazer diferença na qualidade de vida muitos anos depois", conclui o especialista.
 

Prof. Dr. Ari Zekcer - referência nacional em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva, com 35 anos de experiência no tratamento de lesões ortopédicas, especialmente relacionadas à prática esportiva. É um dos pioneiros no país em transplante de menisco, cultura de condrócitos e uso de células-tronco para lesões da cartilagem, além de transplantes osteocondrais com enxertos de doação. Também atua na formação de especialistas, recebendo médicos para estágios em cirurgia do joelho. Possui especializações pela UNIFESP em Ortopedia e Traumatologia, Medicina Esportiva e Cirurgia do Joelho, formação em artroscopia nos Estados Unidos, MBA em Gestão em Saúde, pós-graduação e doutorado pela Santa Casa de São Paulo. Integra as principais sociedades científicas da área no Brasil e no exterior e é membro do grupo de especialistas em joelho do Hospital Israelita Albert Einstein.

 


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