A Roche Farma Brasil recebeu parecer favorável da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a aprovação da extensão de bula de ocrelizumabe para o tratamento de pacientes pediátricos com idade igual ou superior a 12 anos com peso igual ou superior a 40kg, com esclerose múltipla recorrente-remitente (EMRR)¹.
A decisão amplia
as opções terapêuticas para essa população no Brasil, permitindo a intervenção
precoce em uma condição neurológica crônica e potencialmente incapacitante. Com
esta aprovação, ocrelizumabe passa a ser a primeira terapia de
alta-eficácia2,-5, com mecanismo de ação anti-cd20, aprovada para esta faixa
etária.
A aprovação
regulatória foi baseada em dados de estudos clínicos, incluindo o ensaio global
de Fase III OPERETTA II 6, que avaliou a eficácia e a segurança do medicamento
na população pediátrica. No cenário internacional, a Food and Drug
Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, aprovou a
indicação de ocrelizumabe para pacientes pediátricos em maio de 2026, com base
em dados que demonstraram redução significativa na taxa anualizada de surtos e
no controle de lesões cerebrais ativas detectadas por ressonância magnética7,8.
"A aprovação
da Anvisa representa um marco fundamental para os pacientes jovens e suas
famílias. Diagnosticar e tratar a esclerose múltipla logo no início da
adolescência nos dá a oportunidade preciosa de mudar o curso da doença. Ao
controlarmos a atividade inflamatória de forma precoce com uma terapia de alta
eficácia, conseguimos minimizar os danos ao sistema nervoso e preservar a
qualidade de vida desse paciente a longo prazo", afirma Michelle Fabiani,
Diretora Médica da Roche Farma Brasil.
O que é uma terapia
anti-CD20 e como ela funciona?
Na esclerose
múltipla, um grupo específico de células de defesa — as células B — falha e
passa a atacar erroneamente a bainha de mielina, a capa protetora dos
neurônios. O anti-CD20 pertence à uma classe de medicamentos biológicos (um
anticorpo monoclonal), projetado para atingir especificamente as células B, do
sistema imunológico 9-12.
O ocrelizumabe
atua ligando-se diretamente a proteína chamada CD20, presente na superfície
dessas células, removendo-as temporariamente da corrente sanguínea. O grande
diferencial dessa terapia é a sua precisão: ela combate a inflamação que causa
a esclerose múltipla, mas preserva as células-tronco e as células de memória do
sistema imune. Isso permite que o corpo continue protegido e combatendo outras
infecções normalmente 13.
“O reconhecimento
da indicação pediátrica do ocrelizumabe é uma notícia muito positiva para
neurologistas, pacientes e familiares. Contar com uma terapia de alta eficácia
a partir dos 12 anos de idade permite um tratamento mais precoce e direcionado
da EM, com potencial para melhorar o prognóstico em longo prazo” afirma Caio
Disserol, Neurologista e Neuroimunologista pelo Hospital de Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP.
Sobre
a esclerose múltipla
A esclerose
múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune do sistema nervoso
central, na qual o sistema imunológico ataca a mielina que reveste e protege as
fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do
corpo. Na forma remitente-recorrente, a doença é caracterizada por episódios de
novos sintomas neurológicos ou agravamento dos já existentes (surtos), seguidos
por períodos de recuperação parcial ou completa. A Esclerose Múltipla de Início
Pediátrico (POMS) é uma condição rara e grave, definida pelo início dos
sintomas antes dos 18 anos. É representada por uma baixa prevalência, entre
3-5% de todos os casos de esclerose múltipla e a maioria dos diagnósticos
ocorrem na adolescência, fase crítica do desenvolvimento neurológico e social
14. No Brasil, segundo publicações regionalizadas, existe uma variação da
incidência de 2 a 10% dos pacientes com EM.15
O diagnóstico e o
tratamento precoces em adolescentes são fundamentais para ajudar a conter a
atividade inflamatória e retardar o acúmulo de incapacidade ao longo do tempo.
14
Referências:
1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA). Resolução-RE nº 2.831, de 16 de julho de 2026. Defere petições
relacionadas à Gerência-Geral de Produtos Biológicos, Radiofármacos, Sangue,
Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas. Diário
Oficial da União: Seção 1, Brasília, DF, n. 134, p. 92, 20 jul.
2026.
2. Benallegue N, et al. Effectiveness of
Disease-Modifying Therapies in Pediatric-Onset Multiple Sclerosis. JAMA Neurol.
2024;81(3):273–82.
3. He A, et al.
Timing of high-efficacy therapy for multiple sclerosis: a retrospective
observational cohort study. The Lancet Neurology. 2020 Apr;19(4):307–16.
4. Freeman L,
Longbrake EE, Coyle PK, Hendin B, Vollmer T. High-Efficacy Therapies for Treatment-Naive
Individuals with Relapsing–Remitting Multiple Sclerosis. CNS Drugs. 2022 Nov 9;
5. Panahi P, et al.
Pediatric Multiple Sclerosis: A Systematic Exploration of Effectiveness in
Current and Emerging Therapeutics. Pediatric Neurology. 2025 Apr 16 [cited 2026
July 20];168:23–59
6. Banwell B, et
al. Efficacy and Safety of Ocrelizumab Compared With Fingolimod in Paediatric
Relapsing-Remitting MS: Results of the Phase III OPERETTA 2 Study Presented at
ECTRIMS 2025 Congress of the European Committee for Treatment and Research in
Multiple Sclerosis (ECTRIMS); 24-26 September; Barcelona, Spain
7. ESTADOS UNIDOS.
Food and Drug Administration (FDA). OCREVUS (ocrelizumabbe): prescribing
information. Silver Spring: FDA, 2026. Disponível em:
https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/76053s038lbl.pdf. Acesso em: julho de 2026.
8. GENENTECH. FDA
approves Ocrevus for relapsing-remitting multiple sclerosis in pediatric
patients 10 years of age and older. South San Francisco: Genentech, 8 maio
2026. . Disponível em: https://www.gene.com/media/statements/ps_050826. Acesso em julho de 2026
9. Kappos L, et al.
Ocrelizumab in relapsing-remitting multiple sclerosis: a phase 2, randomised,
placebo-controlled, multicentre trial. The Lancet. 2011 Nov 19 [cited 2026 July
20];378(9805):1779–87.
10. Klein
C, et al. Epitope interactions of monoclonal antibodies targeting CD20 and
their relationship to functional properties. mAbs. 2013 Jan 1 [cited 2026 July
20];5(1):22–33.
11. Martin
F, Chan AC. B CELL IMMUNOBIOLOGY IN DISEASE: Evolving Concepts from the Clinic.
Annual Review of Immunology. 2006 Apr 1;24(1):467–96.
12. DiLillo DJ, et
al. Maintenance of Long-Lived Plasma Cells and Serological Memory Despite
Mature and Memory B Cell Depletion during CD20 Immunotherapy in Mice. The
Journal of Immunology. 2007 Dec 20;180(1):361–71.
13. Disponível
em:
https://dialogoroche.com.br/content/dam/roche-dialogo/dialogo-brazil-assets/downloadable-assets/produtos/bulas/ocrevus/Ocrevus_Bula_do_Paciente.pdf. Acesso em: 20 jul. 2026.
14. Chitnis T. et
al. Consensus statement: evaluation of new and existing therapeutics for
pediatric multiple sclerosis. Multiple sclerosis (Houndmills, Basingstoke,
England) [Internet]. 2012 Jan [cited 2026 July 20];18(1):116–27.
15. Cerqueira Pinto SC.
et al. Pediatric Multiple Sclerosis in Rio de Janeiro: Secondary Progression
and Disability. Pediatric Neurology. 2019 May;94:48–54.

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