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terça-feira, 21 de julho de 2026

"Pescoço tecnológico" pode acelerar problemas na coluna

Magnific
Aumento da incidência de doenças musculoesqueléticas nas próximas gerações é um dos possíveis resultados do uso excessivo de dispositivos, alerta especialista 


A cena é cada vez mais comum: crianças, adolescentes e adultos passam horas com a cabeça inclinada para olhar a tela do celular. O hábito, aparentemente inofensivo, já desperta preocupação entre profissionais da saúde por seus efeitos na postura e na estrutura corporal. Com o aumento do tempo de exposição aos dispositivos móveis, especialistas alertam que as próximas gerações podem conviver mais cedo com dores crônicas, alterações na coluna e limitações funcionais. 

O uso prolongado do celular favorece uma posição conhecida como "pescoço de texto" (ou pescoço tecnológico), caracterizada pela inclinação constante da cabeça para frente. Embora pareça um movimento simples, essa postura aumenta significativamente a carga sobre a coluna cervical. Quando a cabeça permanece projetada por longos períodos, músculos, tendões e ligamentos trabalham além do necessário para sustentar seu peso, podendo acarretar o surgimento de dores e modificações posturais. 

Segundo Carlos Eduardo Soares, coordenador do curso de Fisioterapia da Ages, integrante da Ânima Educação, o maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do país, a repetição desse comportamento ao longo dos anos pode desencadear uma série de consequências, como retificação da coluna cervical, aumento da cifose torácica, dores nos ombros, tensão muscular, cefaleias, redução da mobilidade e até compressão de nervos. Além disso, o sedentarismo associado ao uso intenso de telas contribui para o enfraquecimento da musculatura responsável pela estabilização da coluna. 

"O corpo humano foi projetado para o movimento, e não para permanecer horas seguidas na mesma posição. O uso excessivo do celular modifica nossos padrões posturais e, quando isso acontece diariamente durante anos, o organismo começa a desenvolver adaptações que nem sempre são saudáveis. O resultado pode ser uma população mais jovem convivendo com problemas que antes eram observados principalmente em adultos e idosos", explica Soares.
 

Principais impactos

A preocupação é ainda maior quando a prática começa na infância. Nesta fase, ossos, músculos e articulações estão em desenvolvimento, tornando o organismo mais suscetível às influências do ambiente. Embora o uso do celular, por si só, não "deforme" a estrutura corporal de forma permanente na maioria dos casos, ele pode gerar padrões posturais inadequados que, se mantidos por muitos anos sem correção, aumentam o risco de alterações musculoesqueléticas e dores persistentes na vida adulta. 

Outro aspecto observado é a diminuição da capacidade funcional. Permanecer muito tempo olhando para baixo reduz a mobilidade da região cervical e torácica, compromete a flexibilidade, altera o equilíbrio muscular e pode até interferir na respiração, já que a postura encurvada dificulta a expansão completa da caixa torácica. 

Para a médica reumatologista Jussimar Almeida, docente do curso de Medicina da Ages, o desafio para as próximas gerações será equilibrar o uso inevitável da tecnologia com hábitos que preservem a saúde. “A tendência é que crianças e adolescentes passem cada vez mais tempo conectados, seja para estudar, trabalhar ou se relacionar. Sem medidas preventivas, o aumento da expectativa de vida pode vir acompanhado de mais anos convivendo com dores, limitações físicas e necessidade de tratamentos de reabilitação”, esclarece. 

A boa notícia é que pequenas mudanças de comportamento podem fazer grande diferença. “Ajustar a altura da tela para a linha dos olhos, realizar pausas a cada 30 ou 40 minutos, praticar atividade física regularmente, fortalecer a musculatura das costas e do abdômen, além de alternar posições durante o uso dos dispositivos, ajudam a reduzir a sobrecarga sobre a coluna”, pondera a especialista.
 

Como será o corpo humano no futuro?

Embora frequentemente circulem nas redes sociais imagens de supostos "humanos do futuro" com pescoços curvados, mãos em formato de garra ou crânios modificados pelo uso intenso da tecnologia, essas representações são especulativas e não possuem comprovação científica. O consenso entre pesquisadores é que o corpo humano não está evoluindo biologicamente em resposta ao uso de celulares, mas pode sofrer adaptações funcionais e comportamentais decorrentes dos hábitos adotados ao longo da vida. 

“Na prática, isso significa que as próximas gerações podem apresentar, desde cedo, maior incidência de dores cervicais, encurtamentos musculares, redução da mobilidade, perda de força e condicionamento físico, além de alterações posturais relacionadas ao tempo excessivo em frente às telas. Essas mudanças não são hereditárias, mas refletem a forma como o organismo responde a estímulos repetitivos e ao sedentarismo”, conclui Jussimar Almeida.

 

Ages
www.ages.edu.br
Ânima Educação


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