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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Virada do trimestre: é hora de retomar o planejamento para a casa própria

Com as contas de Natal, material escolar, IPVA e IPTU para trás, chegou a hora de retomar os planos. Mas quatro em cada dez candidatos ao financiamento imobiliário ainda tropeçam na desorganização financeira, aponta o Creci-Regional Campinas

 

Os três primeiros meses do ano costumam ser uma maratona de despesas: contas com presentes de Natal parcelados, listas de material escolar e as inevitáveis faturas do IPVA e do IPTU. Para muitas famílias, só agora o orçamento começa a respirar. E é exatamente nesse momento que os especialistas recomendam retomar um projeto que, para quase metade dos brasileiros, ainda está na lista de desejos: a compra do imóvel próprio.

O alerta vem acompanhado de um dado que chama a atenção: de acordo com o Creci-Regional Campinas, 40% dos interessados em fechar um negócio imobiliário esbarram em entraves criados pela própria desorganização financeira. Atrasos no pagamento de contas e uso excessivo do cartão de crédito estão entre os principais obstáculos.

O cenário para quem quer dar esse passo em 2026 é favorável. O último levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) registrou crescimento de 10,6% nos lançamentos de unidades residenciais e alta de 5,4% no volume de vendas em 2025, frente ao ano anterior. A pesquisa também revelou que 50% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses, sendo que 48% apontam o apartamento próprio o mais desejado.

Ao longo de 2025, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, das quais 426.260 foram comercializadas. O programa Minha Casa Minha Vida consolidou-se como principal motor do setor, respondendo por 52% dos lançamentos e 49% das vendas no último trimestre. No ano, o MCMV registrou 224.842 unidades lançadas, alta de 13,5% em relação a 2024, e avanço de 15,9% nas vendas, que totalizaram 196.876 unidades.

E o programa acaba de ganhar fôlego adicional. Na última semana de março, o Conselho Curador do FGTS aprovou a ampliação dos limites de renda e dos tetos de financiamento em todas as faixas do MCMV.

A mudança mais expressiva está na Faixa 4, voltada à classe média: o teto de renda sobe de R$ 12 mil para R$ 13 mil mensais e o valor máximo do imóvel financiado passa de R$ 500 mil para R$ 600 mil. Na Faixa 3, o limite de renda vai de R$ 8.600 para R$ 9.600 e o teto do imóvel sobe de R$ 350 mil para R$ 400 mil. As faixas 1 e 2 também tiveram seus limites de renda reajustados. As novas regras ainda vão ser pulicadas no Diário Oficial da União.

Com esse desempenho e as mudanças recém-aprovadas, o mercado projeta uma performance ainda mais promissora para 2026. O entusiasmo dos números, porém, não apaga um gargalo recorrente: a dificuldade de parte dos compradores em chegar ao financiamento com o histórico financeiro em ordem.

“Mesmo com condições para adquirir uma casa ou um apartamento, quatro em cada dez candidatos não conseguem ir adiante e aprovar um financiamento”, observa José Carlos Sioto, delegado do Creci-Regional Campinas.

Guilherme Bonini, Co-CEO da Longitude Incorporadora, enumera os fatores mais frequentes por trás desse cenário: renda declarada incompatível com os ganhos reais, movimentação financeira sem comprovação de origem, atrasos no pagamento de contas básicas, dívidas registradas no SPC/Serasa e uso excessivo do limite do cartão de crédito ou do cheque especial.

“Em muitos casos, o problema para a compra de um imóvel não é a renda do candidato”, afirma Bonini. “Grau de endividamento, prestações muito altas para honrar mensalmente, com comprometimento do salário, são alguns fatores levados em conta na aprovação de um financiamento.”

Foi observando essa realidade de perto que a Longitude desenvolveu uma abordagem que vai além da facilitação da entrada: a incorporadora passou a acompanhar o cliente também no planejamento financeiro, orientando-o desde a decisão de compra até a consolidação do financiamento.

Nos últimos dois meses, a empresa promoveu feirões de limpeza de nome e subsidiou até R$ 1.000 das dívidas de clientes com restrições de crédito de até R$ 3.000, ajudando a regularizar a situação e retomar o caminho para o financiamento. “Não basta tornar a entrada acessível. É preciso ajudar o cliente a se organizar para que ele consiga, de fato, conquistar o imóvel próprio. Esse é um diferencial que a Longitude construiu ao longo dos seus 14 anos de mercado”, diz Bonini.

O executivo recomenda que o consumidor comece criando um fluxo de caixa familiar, listando todas as despesas fixas e avaliando qual parcela mensal seria compatível com a renda. Quem carrega dívidas deve priorizar um plano de quitação, de forma a elevar o score de crédito antes de solicitar o financiamento.

A organização financeira, ressalta Bonini, não termina na assinatura do contrato. “A partir da assinatura com a incorporadora, a quitação do imóvel passa a ser um compromisso de muitos anos, que vai exigir da família a manutenção de um orçamento saudável, com controle rigoroso de gastos. Tudo isso para que o imóvel próprio não se torne um sonho irrealizável”, conclui.


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