Especialista da FSG alerta para riscos
de depressão, demência e perda de autonomia entre idosos; famílias e sociedade
precisam se preparar para a era da quarta idade.
O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento
populacional, e um dos temas que mais preocupa especialistas é o impacto da
solidão na saúde dos idosos. Mais do que um fator emocional, o isolamento
social pode comprometer diretamente a saúde física, cognitiva e funcional dessa
população.
Segundo o médico geriatra Pedro Olsen, docente do curso de
Medicina da FSG - Centro Universitário da Serra Gaúcha, a falta de convívio
social está associada ao aumento do risco de depressão, demência e perda de
autonomia.
“O isolamento social em idosos é um importante fator de risco para
depressão e demência. Além disso, o paciente pode se colocar em situações de
risco ao não conseguir realizar adequadamente o autocuidado, como tomar
corretamente as medicações ou realizar atividades acima da sua capacidade física,
aumentando o risco de quedas, fraturas e traumatismos”, alerta o especialista.
Entre os principais sinais de que o isolamento está afetando a
saúde do idoso estão mudanças de comportamento, como evitar encontros sociais,
apatia, irritabilidade, alterações de peso e descuido com a higiene pessoal.
“Sinais clássicos incluem evitar eventos sociais, aumento da
apatia, irritabilidade, perda ou ganho de peso e diminuição do autocuidado e da
vaidade”, explica.
O papel da família e da sociedade - Para o especialista, o enfrentamento
desse cenário passa por uma atuação conjunta entre família, comunidade e poder
público.
“O ideal é que o idoso permaneça ativo e envolvido em atividades
familiares e sociais. A família tem papel fundamental ao estimular sua participação
em encontros e manter visitas regulares, também observando as condições do
ambiente em que ele vive.”
Além do cuidado familiar, Olsen destaca que a sociedade ainda
precisa avançar na adaptação dos espaços e na criação de políticas voltadas ao
envelhecimento saudável.
“Precisamos adaptar melhor os espaços físicos, com acessibilidade,
iluminação adequada e ambientes pensados para esse público, além de ampliar
iniciativas como grupos de convivência e universidades da terceira idade.”
Após os 80 anos, o cuidado precisa ser ainda mais
individualizado - Com
o avanço da chamada “quarta idade”, os desafios se intensificam. Segundo o
geriatra, após os 80 anos o acompanhamento médico deve ser mais frequente, mas
a idade, por si só, não define a condição de saúde do paciente.
“Mais importante do que a idade cronológica é a funcionalidade.
Aos 80 anos, podemos ter desde um maratonista até um paciente restrito ao
leito. A abordagem precisa ser totalmente individualizada.”
Autonomia e qualidade de vida - A manutenção da autonomia está
diretamente ligada à atividade física, à alimentação equilibrada e ao
acompanhamento regular de saúde.
“A preservação da massa muscular, do equilíbrio e da força é essencial para que o idoso consiga realizar suas atividades diárias com independência e segurança.”
Para Olsen, o Brasil ainda está atrasado na preparação para esse cenário. “A população ainda não está plenamente preparada para envelhecer com qualidade. A transição demográfica está acontecendo de forma acelerada, e precisamos correr contra o tempo com políticas públicas eficazes, orientação às famílias e busca ativa de idosos em situação de vulnerabilidade.”
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