A escolha do
método contraceptivo mais adequado vai muito além da simples prevenção da
gravidez. Histórico de saúde, idade, estilo de vida e necessidades individuais
da paciente são determinantes para definir qual opção é mais segura e eficaz.
Nesse processo, a orientação médica é fundamental para avaliar riscos, benefícios
e possíveis efeitos colaterais de cada método.
Entre os métodos
mais utilizados estão os contraceptivos hormonais orais, que podem ser
divididos em duas categorias principais: os combinados, que contêm estrogênio e
progesterona, e aqueles que contêm apenas progesterona. Embora ambos sejam
eficazes na prevenção da gravidez, existem diferenças importantes que devem ser
consideradas na prescrição.
De acordo com a Dra. Ilza
Maria Urbano Monteiro, ginecologista presidente da Comissão Nacional
Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia
e Obstetrícia (FEBRASGO), o principal
critério para orientar essa escolha é a segurança da paciente. “Essa dúvida é
relativamente frequente. O principal critério a se considerar é a segurança.
Algumas pessoas não podem utilizar contraceptivos hormonais combinados, pois
apresentam risco para seu uso”, explica a médica.
Segundo a
especialista, fazem parte desse grupo mulheres com enxaqueca com aura,
histórico de eventos tromboembólicos, tabagistas, hipertensão arterial severa,
diabetes mellitus descompensado e antecedente de tumores benignos hepáticos,
além de outras comorbidades que podem contraindicar o uso de estrogênio.
Quando
os contraceptivos sem estrogênio são mais indicados
O primeiro
contraceptivo hormonal oral era composto apenas por um progestágeno,
entretanto, muitas usuárias apresentavam sangramento irregular, o que causou
descontentamento e descontinuidade no uso do método. A associação de um
componente estrogênico trouxe melhora no padrão de sangramento menstrual,
tornando-o previsível, o que aumentou a satisfação. Por essa razão, até mais
recentemente a grande maioria das usuárias de pílulas usavam contraceptivos
hormonais combinados. O uso de contraceptivos hormonais contendo apenas
progestágenos tem sido mais bem aceito com o desenvolvimento de novos produtos,
com melhor controle do sangramento uterino. Esses contraceptivos costumam ser
indicados, principalmente, quando existe contraindicação ao estrogênio ou
quando a paciente prefere evitar esse hormônio. “Os contraceptivos hormonais
sem estrogênio podem ser indicados para qualquer pessoa, mas têm sido mais
frequentemente utilizados por mulheres que desejam não apresentar ciclos
menstruais ou que precisam ou desejam evitar o estrogênio”, afirma a
especialista.
Além disso, esses
métodos também podem trazer benefícios em situações clínicas específicas. “Eles
são frequentemente utilizados em pessoas com sangramento uterino aumentado,
dismenorreia importante, endometriose ou síndrome pré-menstrual”, acrescenta.
Em relação à
eficácia, não há diferenças relevantes entre os contraceptivos hormonais com ou
sem estrogênio. O fator mais importante para garantir a proteção contra a
gravidez é o uso correto do medicamento.
Segundo a
ginecologista, nos contraceptivos sem estrogênio é mais comum ocorrer
sangramento irregular nos primeiros meses de uso. “O sangramento irregular,
tipo spotting (manchas), é mais frequente nos três primeiros
meses de uso dos contraceptivos hormonais sem estrogênio. Isso pode gerar
descontentamento inicial, mas uma orientação adequada ajuda a paciente a
atravessar essa fase”, explica.
Já alguns efeitos
colaterais, como náuseas, desconforto gástrico e epigastralgia costumam ocorrer
com maior frequência nos contraceptivos que contêm estrogênio. Por outro lado,
esses métodos também podem apresentar benefícios adicionais. “O controle de acne
e hirsutismo, moderados ou graves, pode ser obtido com mais rapidez e
efetividade com o uso de contraceptivos hormonais com estrogênio, especialmente
aqueles que contêm etinilestradiol”, afirma.
Fase
da vida da mulher
Outro aspecto
importante na escolha do método contraceptivo é a fase da vida da mulher.
Embora a idade isoladamente não é uma restrição para uso de qualquer
contraceptivo, existe uma tendência de indicar métodos sem estrogênio para
mulheres acima dos 40 anos.
Por outro lado, mulheres que estão no climatério podem se beneficiar de contraceptivos hormonais combinados, principalmente quando apresentam sintomas típicos dessa fase. “Mulheres no climatério podem ter melhora de sintomas como fogachos e alterações do sono com o uso de contraceptivos hormonais com estrogênio. Nesses casos, as formulações com estrogênio natural podem ser uma opção mais adequada”, explica a médica.
Diante da variedade de métodos disponíveis, especialistas reforçam que não existe um contraceptivo ideal para todas as mulheres. A escolha deve sempre ser individualizada, considerando as condições clínicas, as preferências da paciente e seus planos reprodutivos.
“Como orientar na
escolha do contraceptivo hormonal com ou sem estrogênios?” é tema da grade
científica do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que
acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Fonte:Federação Brasileira das Associações de Ginecologia
e Obstetrícia -FEBRASGO
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