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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Inteligência Artificial, agentes autônomos e novos modelos de negócios transformam assistência à saúde e pesquisa científica no Brasil, diz Deloitte

 

  • Inteligência artificial e agentes autônomos têm impulsionado operações, ao mesmo tempo em que demandam modelos bem definidos de responsabilidade, governança e validação científica;
  • Parcerias formam novos modelos de negócios que podem contribuir para reduzir a volatilidade orçamentária, diminuir a judicialização e aumentar a previsibilidade financeira;
  • Inovação e pesquisa trazem novas abordagens para condições clínicas, como a obesidade, cujo tratamento farmacológico avança em detrimento da cirurgia bariátrica. 

 

O uso da inteligência Artificial (IA), a integração de agentes autônomos de IA e a configuração de novos modelos colaborativos de negócios, formados pela parceria entre os diversos atores de saúde, despontam como os principais vetores de transformação para o setor de saúde brasileiro, conforme análise feita nos estudos globais Life Sciences Outlook 2026 e Global Health Care Outlook 2026, da Deloitte. Essas tendências se destacam em um contexto de forte pressão sobre as margens do setor ao mesmo tempo em que há crescimento das demandas da população. 

O aumento dos custos assistenciais, o envelhecimento populacional e a maior necessidade por terapias avançadas comprimem a rentabilidade. “Operadoras, hospitais, clínicas e o mercado de distribuição de medicamentos deverão continuar enfrentando desafios e precisarão investir em eficiência operacional e digitalização para manter competitividade. Parcerias estratégicas, integração de dados, telemedicina e soluções baseadas em valor devem ganhar força como resposta à pressão por sustentabilidade financeira e qualidade assistencial”, explica Luis Fernando Joaquim, sócio-líder para a indústria de Life Sciences & Health Care da Deloitte.

Na busca por mais eficiência do sistema de saúde, a agenda da interoperabilidade se torna um elemento estruturante fundamental para permitir que informações clínicas, administrativas e assistenciais circulem de forma segura e padronizada entre diferentes plataformas e instituições. A conexão de informações clínicas, assistenciais e administrativas reduz redundâncias, auxilia a tomada de decisão pelos profissionais, melhora a coordenação do cuidado e sustenta modelos mais preventivos, consolidando a informação como base operacional para um sistema mais coordenado e centrado no paciente. Ao mesmo tempo, a interoperabilidade impõe desafios de padronização, qualidade dos registros e governança da informação.

A digitalização crescente também amplia a exposição a riscos cibernéticos. Em um setor que lida com dados altamente sensíveis e operações críticas, cibersegurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) integram a agenda de risco corporativo, demandando envolvimento direto da alta liderança e investimentos estruturais.

A pesquisa científica na área de saúde passa por um ciclo de aceleração decorrente do uso da Inteligência Artificial e de agentes autônomos que ampliam a capacidade analítica e a velocidade de geração de evidências em pesquisa clínica, farmacovigilância e análise de dados reais. “À medida que essas tecnologias avançam para funções decisórias, a governança torna-se condição central para sua adoção em escala, exigindo estruturas claras de responsabilidade, validação científica, explicabilidade e mensuração de valor”, afirma Fatima Pinho, sócia de Life Sciences & Health Care da Deloitte.

As parcerias entre operadoras, hospitais e indústrias farmacêuticas estão se tornando um eixo estruturante e reorganizando o sistema de saúde privado. Novos modelos de relações evoluem para acordos baseados em performance clínica, corresponsabilização por desfechos e sustentabilidade financeira, especialmente em relação a condições crônicas complexas e terapias avançadas. “Essa convergência entre interesses clínicos e econômicos pode contribuir para reduzir a volatilidade orçamentária, diminuir a judicialização e aumentar a previsibilidade financeira do sistema”, analisa Luis Fernando Joaquim.

A queda de patentes e a entrada de genéricos e biossimilares ampliam o acesso da população a tratamentos e, ao mesmo tempo, reduzem preços e receitas, exigindo ajustes nos modelos de negócio. O estudo Relatório do setor de distribuição de medicamentos no mercado institucional brasileiro, desenvolvido pela Deloitte para a Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares (Abradimex), evidencia que o setor de distribuição enfrenta aumento de custos operacionais, redução de margem líquida e desequilíbrios entre prazos de pagamento e recebimento.

A queda de patentes tem estimulado novos arranjos econômicos e assistenciais. Além de viabilizar medicamentos no mínimo 35% mais baratos, também impulsiona novas negociações contratuais, como acordos de compartilhamento de risco para terapias de alto custo. O fortalecimento da indústria nacional também se destaca, com o Brasil ocupando posição de relevância no mercado global de biossimilares, reforçando a importância estratégica do país nesse segmento.

“O setor de distribuição de medicamentos tem capilaridade de atendimento e mantém papel relevante na geração de empregos. As empresas enfrentam ocorrências de roubos, o que tem demandado investimento em segurança, e dificuldade de rastreamento de produtos. Além disso, a Reforma Tributária demanda dos distribuidores ajustes financeiros e operacionais para reduzir riscos e maximizar a rentabilidade”, ressalta Fatima Pinho.

Com impactos estruturais que vão além da simplificação do sistema de impostos e um período de transição que vai até 2033, a reforma tributária já traz efeitos concretos em 2026, especialmente para prestadores de serviços como hospitais, clínicas e laboratórios, que passam a ter a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários sobre insumos e serviços. Esse avanço exige uma reestruturação dos processos internos nas áreas financeira, de compras, contabilidade e tecnologia da informação, com atenção especial aos impactos no fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, a reforma tende a funcionar como catalisador para investimentos em automação, integração de sistemas e maior eficiência operacional em toda a cadeia da saúde.


Outras tendências que impactam o setor

No campo social e ambiental, a COP30 marcou um ponto de inflexão ao inserir, pela primeira vez, a saúde como pilar central das discussões climáticas globais. O Plano de Ação em Saúde de Belém reconhece que a crise climática é também uma crise de saúde e destaca frentes como vigilância integrada, políticas baseadas em evidências e inovação em saúde digital, abrindo oportunidades para soluções tecnológicas, telemedicina e parcerias público-privadas orientadas à justiça social.

A ampliação da informação e da conscientização sobre o burnout, classificado como doença ocupacional, tem evoluído. Esse quadro clínico tornou-se um ponto de alerta para as empresas, que passaram a compreendê-lo como risco a ser mitigado. Esse cenário tem impulsionado a adoção de medidas de gestão, prevenção e cuidado com o colaborador, reposicionando a saúde mental como tema estratégico nas organizações e no debate corporativo.

Outra transformação relevante é a reconfiguração do manejo da obesidade, com o uso crescente de medicamentos especializados e redução no número de cirurgias bariátricas. Muitos serviços já registraram diminuição de receita em decorrência dessa migração do tratamento para abordagens farmacológicas e de acompanhamento longitudinal.

Ao mesmo tempo, a expansão para mercados adjacentes, como saúde pet e planos odontológicos, surge como vetor de crescimento e diversificação de receitas, com modelos mais previsíveis e menor pressão sobre margens. “Em conjunto, essas tendências revelam um setor em rápida transformação, no qual eficiência, colaboração, governança e inovação serão determinantes para a sustentabilidade da assistência à saúde e pesquisa científica no Brasil”, conclui Luis Fernando Joaquim.


Deloitte
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