Com a chegada da Páscoa e o aumento da oferta de
chocolate, especialista explica como o período pode impactar no comportamento
alimentar infantil e intensificar recusas à mesa
Com a chegada da Páscoa, o consumo de chocolate dispara entre as crianças e,
junto com ele, surgem dúvidas comuns entre pais e cuidadores. Em um cenário em
que a seletividade alimentar infantil tem se tornado cada vez mais frequente, o
excesso de estímulos e a quebra de rotina típicos da data podem intensificar
dificuldades já existentes.
Dados
da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) indicam que entre 20% e 30% das
crianças apresentam algum grau de seletividade alimentar ao longo da infância.
Já estudos internacionais apontam que esse comportamento pode atingir até 50%
das crianças em determinadas fases do desenvolvimento, segundo revisões publicadas
no periódico Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition.
Caracterizada
pela recusa persistente de alimentos, repertório alimentar restrito e forte
preferência por texturas, cores ou sabores específicos, a seletividade
alimentar vai além de uma simples “fase” para muitas famílias e pode impactar a
relação da criança com a comida.
Durante
a Páscoa, esse cenário tende a se intensificar. “A criança seletiva costuma
buscar alimentos previsíveis e conhecidos. Em períodos como a Páscoa, com excesso
de estímulos visuais, maior oferta de doces e mudanças na rotina, é comum que
haja mais resistência alimentar e até aumento da rigidez na escolha dos
alimentos”, explica Renata Riciati Nutricionista materno-infantil, especialista
em seletividade alimentar e comportamento alimentar infantil.
Segundo
a especialista, o chocolate não precisa ser visto como um problema, desde que
seja inserido de forma equilibrada.
“O
chocolate não deve ser tratado como prêmio, nem como algo proibido. Quando ele
é colocado em extremos, pode gerar ainda mais interesse ou até conflitos. A
ideia é que ele faça parte da alimentação de forma natural, sem substituir
refeições e sem excesso”, orienta.
A
forma como os adultos conduzem esse momento faz toda a diferença no
comportamento alimentar da criança.
“Pressionar
a criança a comer determinados alimentos para ‘ganhar’ chocolate ou restringir
completamente o doce pode reforçar uma relação negativa com a comida. O ideal é
manter a rotina alimentar e permitir que a criança explore os alimentos sem
obrigação”, afirma Renata.
Entre
as estratégias que podem ajudar nesse período estão manter horários regulares
das refeições, oferecer pequenas quantidades de chocolate, evitar negociações
com comida e estimular o contato da criança com diferentes alimentos de forma
leve e sem pressão.
Outra
orientação importante é observar sinais de alerta.
“Quando
a seletividade é muito restrita, com recusa de grupos alimentares inteiros ou
impacto no crescimento e no convívio social, é importante buscar avaliação
profissional. Nem sempre é apenas uma fase”, alerta.
Para
a especialista, a Páscoa pode ser um momento positivo, desde que conduzido com
equilíbrio. “O foco não deve ser o excesso ou a restrição, mas sim a construção
de uma relação saudável com a comida. É possível viver a Páscoa de forma leve,
sem conflitos e respeitando o ritmo da criança”, finaliza.
Renata Riciati - nutricionista materno-infantil e especialista em saúde da família, com mais de 20 anos de experiência em comportamento alimentar infantil, seletividade alimentar e terapia nutricional para crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH. Formada pela Universidade Anhembi Morumbi, possui pós-graduação em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo e ampla atuação em consultório, escolas e projetos voltados à educação alimentar. Ao longo da carreira, acumulou experiências em instituições como o Instituto da Criança – HCFMUSP, GR Serviços de Alimentação e Prefeitura de São Paulo, além de comandar a RR Nutri, onde atende famílias, gestantes, bebês e crianças, oferecendo acompanhamento nutricional, consultoria escolar e consultoria corporativa. Renata também desenvolve projetos como o curso “Só Mais Uma Colherada”, criado em parceria com a jornalista Karina Godoy (TV Globo), e grupos online de orientação alimentar. Sua atuação se destaca pelo olhar integral, acolhedor e individualizado, com foco em transformar a relação das famílias com a comida, promovendo refeições mais leves, nutritivas e prazerosas.
Instagram: renatariciati_nutri
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