A doença de Parkinson, segundo dados publicados em
2025 na revista científica The Lancet, atinge mais de 500 mil brasileiros e
cerca de 10 milhões de pessoas no mundo. O cenário reforça a necessidade de
aprofundar as pesquisas sobre a enfermidade, com foco em avanços que tornem o
tratamento mais eficaz e ampliem a qualidade de vida dos pacientes.
Com nomes famosos sendo acometidos pela doença, como o ator Michael J. Fox, do filme De Volta para o Futuro, e Morten Harket, vocalista da banda pop dos anos 80 A-ha, o Parkinson tem motivado cada vez mais pesquisas para investigar um mal que, entre os principais sintomas, causa tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular e alterações de equilíbrio e postura. Ainda sem uma cura, a doença pode ser tratada pelo controle dos sintomas e da progressão do quadro clínico do paciente.
Nos últimos anos, alguns estudos tem apresentado
boas perspectivas. No ano passado, por exemplo, um estudo da revista Nature
reforçou o potencial de terapias com células-tronco que, mesmo de forma
experimental, trouxe resultados expressivos no controle da doença.
Andressa Dias, médica e professora de pós-graduação
em Geriatria da Afya Educação Médica Curitiba, ressalta que, após o
diagnóstico, a vida do paciente sofre uma transformação e a perspectiva passa a
ser de um convívio com a doença de Parkinson, visando o controle dos seus
principais sintomas.
Como
se inicia o tratamento contra a doença de Parkinson?
"Primeiro, é importante que o paciente passe
por uma avaliação detalhada para compreender o impacto dos sintomas na
qualidade de vida. Caso as manifestações sejam leves e não interfiram nas
atividades do dia a dia, podemos atrasar o início da medicação para uma fase
mais avançada da doença. Contudo, na prática clínica, a maioria dos pacientes
busca auxílio quando os sintomas já são significativos. Por ser uma patologia
neurodegenerativa e progressiva, o controle eficaz geralmente exige uma
combinação terapêutica personalizada."
Quais
as estratégias mais eficazes para o manejo da doença?
"O suporte ideal demanda uma atuação
interdisciplinar, entre o neurologista especialista em distúrbios de movimento
e o geriatra, além das especialidades que vão atuar em terapias dirigidas de
acordo com cada caso, como fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia,
educadores físicos. Uma estratégia para o manejo das medicações é uso de
tratamento específico para oo sintomas motores do Parkinson associado a
intervenções voltadas a sintomas paralelos, como distúrbios do sono, dor,
depressão."
Quais
sintomas mais impactam a vida do paciente?
"Embora o tremor seja o sintoma mais
difundido, ele não é obrigatório; há variantes da doença que não o apresentam.
Quando presente, o tremor parkinsoniano possui características específicas: é
predominantemente de repouso e inicia-se de forma unilateral. Entretanto, a
complexidade da doença reside na combinação de outros fatores, como a
bradicinesia (lentidão de movimentos), rigidez muscular, disfunções
gastrointestinais e distúrbios do sono. A combinação dos sintomas, sua
intensidade e característica progressiva é o que mais impacta na qualidade de
vida dos pacientes", explica a geriatra da Afya Curitiba.
Existe
cura para a doença de Parkinson?
"Atualmente, ainda não dispomos de uma cura
definitiva, mas o avanço científico nas últimas décadas trouxe diversos
tratamentos que ajudam muito na qualidade de vida dos pacientes. É
importante pontuar que cada paciente reage de uma forma diferente à doença.
Algumas pessoas são diagnosticadas muito jovens e com sintomas agressivos,
enquanto outras manifestam uma forma mais lenta e branda."
Quais
são os principais fatores de risco para o surgimento da doença?
"A genética - ter parentes de primeiro grau
diagnosticados, especialmente em idade jovem - é um dos fatores mais
relevantes, dobrando o risco de desenvolver Parkinson. Outros fatores de risco
são exposição a pesticidas e traumatismo craniano. As pessoas em risco de
desenvolver a doença devem estar atentos aos sinais prodrômicos (antecessores).
Anos antes das manifestações motoras clássicas — como tremor e rigidez —,
sintomas como a perda do olfato (anosmia) e alterações específicas do sono
podem ser indicadores precoces da doença."
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