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Em 8 de abril, data de conscientização sobre a doença, oftalmologista destaca importância do diagnóstico em fases iniciais
O dia 8 de abril chama atenção para um tema que
muitas vezes passa despercebido, mas pode mudar vidas silenciosamente. Criado
pela Organização Mundial da Saúde, o Dia Mundial de Luta contra o câncer
mobiliza instituições em todo o mundo e convida a população a olhar com mais
cuidado para sinais que nem sempre parecem graves. Entre eles, alterações na
visão podem esconder algo além do que se imagina.
Na prática clínica, existem tipos específicos que merecem atenção.
“Os tumores mais comuns malignos no adulto são do segmento anterior, como o
carcinoma espinocelular da conjuntiva, e do segmento posterior, como o melanoma
de coroide. Em crianças, o câncer ocular mais comum é o retinoblastoma”, explica
a Dra. Lídia Guedes, oftalmologista especialista em oncologia ocular do
Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE). Em termos simples, isso significa que
algumas lesões aparecem na parte externa do olho, enquanto outras surgem em
regiões mais profundas, muitas vezes sem serem percebidas facilmente.
Apesar de assustar, nem toda alteração é sinônimo de algo grave.
“Os principais citados são malignos, que são mais raros, mas há muitos tumores
benignos como granuloma, nevos de conjuntiva e coroide, hemangiomas”, destaca a
médica. Ou seja, existem casos sem risco elevado, porém a avaliação
especializada é indispensável para diferenciar cada situação.
Um dos maiores desafios está justamente na identificação. “Os
tumores oculares podem não gerar sintomas em suas fases iniciais, mas sinais
como flash, moscas volantes, embaçamento visual ou manchas brancas e escuras na
superfície ocular não podem ser ignorados”, discorre. Além disso, pontos
flutuantes, luzes repentinas ou mudanças na aparência dos olhos devem servir
como alerta para procurar atendimento.
A radiação ultravioleta também entra nessa equação. “A exposição solar aumenta o risco de tumores malignos da superfície ocular, especialmente o carcinoma de conjuntiva”, afirma a especialista. Medidas simples fazem diferença, como o uso de óculos com proteção adequada e acessórios que diminuam o impacto direto da radiação.
Quando há suspeita, a investigação precisa ser criteriosa. O
diagnóstico costuma envolver exame clínico detalhado e, em alguns casos,
recursos de imagem que ajudam a visualizar estruturas internas. Esse processo
permite entender o tipo de lesão, localização e extensão, fatores decisivos
para a condução adequada.
Existe tratamento e, em muitos cenários, há possibilidade de
controle completo. “Muitos tumores oculares têm potencial de cura,
especialmente quando diagnosticados em fases iniciais. O tratamento depende do
tipo de tumor, da sua localização e extensão”, explica. As abordagens podem
incluir cirurgia, uso de medicamentos diretamente no olho, congelamento da
lesão, radioterapia e terapias mais modernas. Cada conduta é definida de forma
personalizada.
O tempo faz toda a diferença nesse contexto. “O diagnóstico
precoce é fundamental e impacta diretamente o prognóstico do paciente. Quando
identificados precocemente, os tumores oculares apresentam maiores taxas de
cura e permitem tratamentos menos agressivos”, ressalta. Já a demora pode
exigir intervenções mais complexas e aumentar o risco de complicações.
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas atitudes
ajudam a reduzir riscos. “A principal medida é a proteção contra a radiação
ultravioleta, além de evitar exposição solar excessiva. Também é importante não
negligenciar alterações oculares e manter acompanhamento regular”, orienta.
Cuidar da saúde dos olhos vai além de enxergar bem, envolve atenção contínua.
Por fim, a rotina de consultas é uma aliada importante. “De forma
geral, recomenda-se que adultos realizem avaliação oftalmológica pelo menos uma
vez ao ano, mesmo na ausência de sintomas. Para pacientes com fatores de risco,
a frequência deve ser individualizada”, conclui a Dra. Lídia Guedes. A mensagem
é clara: observar, prevenir e agir cedo pode preservar não apenas a visão, mas
também a qualidade de vida.

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