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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Artroplastia: solução eficaz e segura para artrose de joelho

Procedimento evoluiu significativamente nas últimas décadas, com técnicas menos invasivas, próteses mais duráveis e recuperação mais rápida

 

A artrose de joelho é uma das condições ortopédicas mais prevalentes no Brasil e no mundo. Estima-se que mais de 10 milhões de brasileiros convivam com algum grau da doença, que se manifesta pela degeneração progressiva da cartilagem articular, causando dor, inchaço, rigidez e perda de mobilidade. Com o envelhecimento acelerado da população - o IBGE projeta mais de 58 milhões de pessoas com 60 anos ou mais até 2043 - a tendência é que esse número cresça de forma significativa nas próximas décadas. 

Apesar de ser uma condição altamente prevalente, muitos pacientes postergam o diagnóstico e o tratamento por desconhecimento ou por receio do procedimento cirúrgico. O resultado, na maioria dos casos, é a piora progressiva dos sintomas e a perda de autonomia e qualidade de vida. 

Segundo o cirurgião ortopédico Dr. Fábio Elói, o joelho é a articulação que mais sofre com o desgaste ao longo da vida, especialmente em pessoas com sobrepeso, histórico familiar de artrose ou que praticaram atividades físicas de alto impacto por muitos anos. 

"O joelho é uma articulação que carrega o peso do corpo a cada passo e isso acelera o desgaste da cartilagem com o tempo. Quando o paciente chega com dor constante, dificuldade para subir e descer escadas e limitação para caminhar distâncias curtas, é um sinal de que a articulação já está bastante comprometida e precisa de atenção especializada."

 

Por que o joelho chega ao limite? 

A artrose de joelho raramente tem uma causa única. Na maioria dos casos, é o resultado de uma combinação de fatores que se acumulam ao longo dos anos: 

•Envelhecimento natural: com o passar dos anos, a cartilagem perde sua capacidade de se regenerar, tornando-se mais fina e susceptível ao desgaste.

•Sobrepeso e obesidade: o excesso de peso aumenta significativamente a sobrecarga sobre a articulação. Estudos indicam que cada quilo a mais equivale a quatro quilos de pressão extra sobre o joelho.

•Histórico de lesões: traumas anteriores, como rupturas do ligamento cruzado anterior ou do menisco, aumentam o risco de desenvolvimento de artrose precoce.

•Genética: a predisposição familiar é um fator relevante. Filhos de pais com artrose têm maior probabilidade de desenvolver a condição.

•Atividades de alto impacto: profissões ou esportes que exigem movimentos repetitivos de agachamento, impacto e torção podem acelerar o desgaste articular.

•Deformidades: o joelho varo (pernas em "O") e o joelho valgo (pernas em "X") sobrecarregam partes específicas da articulação, contribuindo para o desgaste assimétrico da cartilagem.

 

Quando buscar um especialista? 

A artrose de joelho evolui de forma gradual e os sintomas tendem a se intensificar com o tempo. Entre os principais sinais de alerta, estão: 

•Dor persistente no joelho, especialmente ao subir e descer escadas ou após longos períodos em pé.

•Rigidez matinal, com sensação de que o joelho "não aquece" nos primeiros minutos do dia.

•Inchaço recorrente na articulação, mesmo sem trauma aparente.

•Sensação de estalos ou rangidos ao movimentar o joelho.

•Deformidade progressiva, com alteração no alinhamento das pernas.

•Dificuldade para realizar atividades simples, como caminhar em terrenos irregulares, agachar ou entrar e sair do carro. 

O Dr. Fábio ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para ampliar as opções de tratamento. 

"Quando o paciente chega no início do processo degenerativo, ainda é possível tratar de forma conservadora, com fisioterapia, medicação e mudanças no estilo de vida. O problema é que a maioria das pessoas espera demais. Quando a dor já interfere no sono e nas atividades básicas, a cirurgia costuma ser o único caminho."

 

Quando a cirurgia é indicada 

A artroplastia total de joelho, popularmente conhecida como "prótese de joelho”, é indicada quando os tratamentos conservadores não são mais suficientes para controlar a dor e a perda funcional. Na cirurgia, as superfícies articulares desgastadas do fêmur, da tíbia e, em alguns casos, da patela, são removidas e substituídas por componentes protéticos de metal e polietileno de alta performance. 

O procedimento tem como objetivo eliminar a dor, restaurar o alinhamento da articulação e devolver ao paciente a mobilidade e a qualidade de vida que a doença comprometeu. De acordo com o Dr. Fábio, a cirurgia é uma das mais realizadas no mundo e apresenta altos índices de satisfação. 

"A artroplastia de joelho é um dos procedimentos com maior evidência científica em ortopedia. Mais de 90% dos pacientes relatam alívio significativo da dor e melhora funcional. Quando bem indicada e bem executada, é uma cirurgia que transforma a vida do paciente."

 

Técnicas cirúrgicas 

Nos últimos anos, os avanços nas técnicas cirúrgicas transformaram a artroplastia de joelho em um procedimento mais preciso, seguro e com menor impacto sobre os tecidos ao redor. Entre as principais evoluções estão: 

•Cirurgia minimamente invasiva: incisões menores resultam em menor trauma muscular, menos sangramento e recuperação mais rápida, sem comprometer a qualidade do implante.

•Artroplastia parcial: nos casos em que apenas um compartimento do joelho está afetado, é possível realizar uma prótese parcial, preservando os demais compartimentos saudáveis. A recuperação costuma ser mais rápida que na prótese total.

•Planejamento cirúrgico 3D: o uso de imagens tridimensionais a partir de tomografias permite que o cirurgião planeje o procedimento com precisão milimétrica antes mesmo de entrar na sala de cirurgia.

•Cirurgia assistida por robótica: sistemas robóticos auxiliam o cirurgião a posicionar os componentes protéticos com maior acurácia, reduzindo o risco de erros de alinhamento, uma das principais causas de falha das próteses.

•Anestesia e analgesia multimodal: protocolos modernos combinam diferentes técnicas anestésicas e analgésicas para minimizar a dor no pós-operatório e permitir a mobilização precoce do paciente. 

"A tecnologia mudou completamente a forma como realizamos a artroplastia de joelho. O planejamento tridimensional e os sistemas de navegação nos permitem uma precisão que antes não era possível. Isso se traduz em maior durabilidade do implante e melhores resultados para o paciente."

 

Pós-operatório: o que esperar após a cirurgia? 

O pós-operatório da artroplastia de joelho é uma etapa fundamental para o sucesso do procedimento. Com os protocolos modernos de reabilitação, a mobilização é iniciada de forma precoce, muitas vezes no mesmo dia ou no dia seguinte à cirurgia. 

Em geral, o processo de recuperação inicia ainda no hospital, com as primeiras sessões de fisioterapia, para exercícios de movimentação do joelho e deambulação assistida. Após a alta hospitalar, o paciente terá orientações para continuar a fisioterapia e provavelmente andará com o auxílio de andador ou muleta. 

Ainda no primeiro mês, a maioria dos pacientes já consegue realizar atividades leves do cotidiano, como caminhar em terrenos planos e subir escadas com apoio. O período de consolidação da reabilitação leva entre três e seis meses, com melhora progressiva da amplitude de movimento do joelho e retomada de atividades mais exigentes. 

Após um ano, na maior parte dos casos, o paciente já apresenta o resultado funcional completo da cirurgia, com dor controlada e mobilidade restaurada. 

"A cirurgia é o começo, não o fim, e a reabilitação é parte fundamental do processo. Quando o paciente se engaja na fisioterapia e segue as orientações, os resultados são muito superiores. Vemos pessoas que, meses após a cirurgia, voltam a caminhar, praticar atividades físicas leves e retomar uma vida plena."

 

Não espere a dor se tornar insuportável 

Especialistas recomendam que adultos acima dos 50 anos, ou mais jovens com fatores de risco, fiquem atentos a qualquer dor persistente no joelho que interfira nas atividades do dia a dia. O diagnóstico precoce abre um leque maior de opções terapêuticas e evita que a condição evolua para um estágio no qual apenas a cirurgia pode oferecer alívio. 

A artrose de joelho não tem cura, mas tem tratamento. Com os avanços da medicina ortopédica, nunca houve tantas opções eficazes para devolver mobilidade, autonomia e qualidade de vida aos pacientes, aponta Dr. Fábio. 

"Qualidade de vida não é luxo, é direito. Ninguém precisa conviver com dor no joelho achando que é algo inevitável do envelhecimento. Com o diagnóstico correto e o tratamento adequado, é possível voltar a viver sem dor." 

 

Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO).

 

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