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quinta-feira, 9 de abril de 2026

28 de abril: Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho — marco histórico: saúde mental entra na NR-1 e passa a ser obrigatória nas empresas

 Psiquiatra alerta para os sinais precoces do burnout no trabalho 

 

O Brasil registrou, em 2025, um recorde histórico de afastamentos por saúde mental, com mais de 546 mil casos. Entre 2021 e 2024, os afastamentos especificamente por burnout — já reconhecido como fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde — cresceram 493%, segundo dados do INSS e do Ministério da Previdência Social (jan/2026). 

Neste ano, a data de 28 de abril ganha um peso ainda maior: pela primeira vez na história do país, a atualização da NR-1 passa a incluir oficialmente os fatores psicossociais no ambiente de trabalho — tornando a saúde mental uma responsabilidade formal das empresas. 

O impacto da negligência nessa área já é mensurável: estima-se uma perda anual de R$ 282 bilhões no Brasil, equivalente a 2,8% do PIB potencial, além da redução de 801 mil postos de trabalho e uma média de 51 dias de vida saudável perdidos por trabalhador ao ano, segundo levantamento da FIEMG (2026). 

Esse cenário se reflete em custos diretos para as empresas — como absenteísmo, presenteísmo, alta rotatividade e aumento da judicialização — e evidencia que a saúde mental deixou de ser apenas uma questão individual para se tornar um problema estratégico e econômico. 

O Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho (28 de abril) acende, portanto, um alerta ainda mais urgente para o aumento. 

De acordo com o médico psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e com formação executiva pelo INSPER e FGV, com mais de 20 anos de experiência clínica, os casos de burnout, ansiedade e esgotamento emocional, muitas vezes são silenciosos e negligenciados no dia a dia. O problema não começa de forma abrupta — ele se instala aos poucos, mascarado por uma rotina que valoriza produtividade constante e alta performance.

“Hoje vemos pessoas funcionando no limite por longos períodos, sem perceber que já estão em sofrimento psíquico. O corpo e a mente dão sinais, mas eles são frequentemente ignorados ou normalizados”, explica. 

 

Os sinais do burnout no trabalho 

O esgotamento mental raramente aparece de uma vez. Antes do colapso, existem sinais importantes que indicam que algo não vai bem:

  • Cansaço constante, mesmo após descanso
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória
  • Irritabilidade e impaciência frequente
  • Sensação de sobrecarga emocional
  • Insônia ou sono não reparador
  • Queda de produtividade
  • Falta de motivação para tarefas simples

“Esses sintomas são frequentemente confundidos com ‘fase difícil’ ou ‘pressão do trabalho’, mas quando se tornam persistentes, já indicam um processo de adoecimento”, alerta o psiquiatra. 

 

O maior risco hoje não é quem adoeceu e parou — é quem ainda está funcionando 

Um dos fenômenos mais preocupantes no ambiente corporativo atual é o do profissional que segue operando e entregando, mesmo já em sofrimento psíquico. À primeira vista, é alguém produtivo; na prática, é um quadro de adoecimento silencioso. “Hoje, um dos maiores riscos não é quem já se afastou — é quem continua funcionando no limite.” Segundo o especialista, “o profissional exausto passa a decidir pior, reagir mais e escutar menos — e isso impacta diretamente a qualidade da liderança e das relações no trabalho.” Esse padrão mascara o problema e amplia seus efeitos dentro das empresas.

 

O custo invisível do trabalho: a carga emocional que não aparece nas metas 

Mais do que o volume de tarefas, o que tem levado ao adoecimento é a carga emocional constante envolvida no trabalho — pressão, conflitos, decisões difíceis e a necessidade de manter controle o tempo todo. Esse tipo de desgaste raramente aparece nos indicadores formais, mas tem impacto direto na saúde mental. “O que mais adoece hoje não é o excesso de trabalho — é o excesso de tensão emocional que ninguém mede.” Para o psiquiatra, “há um tipo de esforço que não entra na meta, não aparece no currículo — mas cobra um preço alto na saúde mental de quem sustenta isso todos os dias.”

 

Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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