Gestantes que passaram por ondas de calor podem apresentar problemas de saúde mental, hipertensão e eclâmpsia
Um estudo do Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada
à Primeira Infância (CPAPI), coordenado pelo professor Naercio Menezes Filho,
alerta que o aumento das ondas de calor já afeta diretamente o desenvolvimento de
bebês e crianças desde a gestação no Brasil. Hoje, cerca de 60% dos municípios
enfrentam esse fenômeno — frente a 20% nos anos 1980 — e seus efeitos incluem
maior incidência de hipertensão, diabetes e eclâmpsia em gestantes.
Apresentada durante o 11º Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, realizado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), a pesquisa também destaca que cerca de 40% das mães já receberam diagnóstico de algum problema de saúde mental. Esse quadro pode ser agravado pelo calor extremo, com aumento de estresse e ansiedade.
Além disso, a exposição às altas temperaturas durante a gestação afeta o bebê ainda no útero. Isso reduz, em média, 30 gramas do peso ao nascer por dia de onda de calor e eleva os riscos de prematuridade, malformações e menor perímetro cefálico.
Os efeitos seguem após o nascimento. O estudo mostra que cerca de 27%
das crianças do estudo apresentam risco de atraso no desenvolvimento, com
sinais como irritabilidade e dificuldade de adaptação, que podem afetar a
aprendizagem ao longo da vida. Aquelas que passaram por ondas de calor durante
a gestação tendem a ter mais problemas de irritabilidade e dificuldades com
rotinas.
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