Nutricionista da Faculdade Santa Marcelina
orienta como evitar o reganho de peso, após a suspensão do tratamento
Com
a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, cresce também uma dúvida
frequente entre os pacientes: por que é tão comum recuperar peso após
interromper o uso desses medicamentos? Segundo Irani Souza, nutricionista
e coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Santa Marcelina, o reganho de
peso está diretamente ligado ao funcionamento
dessas medicações e, associado à ausência de mudanças
estruturais no estilo de vida durante o tratamento.
“A
maioria desses medicamentos é composta por agonistas de GLP-1 e GIP, hormônios
que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo. Eles aumentam a
sensação de plenitude após as refeições, retardam o esvaziamento gástrico e
melhoram o controle da glicemia. Com isso, o paciente sente menos fome e reduz
naturalmente a ingestão calórica”, explica a profissional.
De
acordo com Irani Souza, o problema surge quando o medicamento é suspenso sem
que hábitos consistentes tenham sido consolidados. “Ao interromper o uso, o
organismo volta gradualmente ao padrão anterior. A fome aumenta, o esvaziamento
gástrico retorna ao ritmo habitual e a saciedade demora mais para aparecer. Sem
reeducação alimentar e rotina de atividade física, o reganho de peso se torna
muito provável”, afirma.
Estudos
revisados de ensaios clínicos e uma ampla revisão publicada no The
British Medical Journal, mostram
que muitos pacientes recuperam parte significativa, ou até a maior
parte, do peso perdido após a suspensão de medicamentos como semaglutida e
tirzepatida. Em análises que envolveram mais de 9.300 adultos, o retorno ao
peso pré-tratamento foi observado, em média, entre 1,5 e 2 anos após a
interrupção, especialmente quando não há acompanhamento
multiprofissional.
A
nutricionista também chama atenção para erros alimentares comuns durante o uso
das medicações. “Algumas pessoas acreditam que, como estão com menos fome,
devem comer o mínimo possível para acelerar o emagrecimento. Isso compromete a
ingestão de nutrientes essenciais e pode levar à perda de massa muscular”,
alerta. “Quando o medicamento é retirado, o paciente não desenvolveu autonomia
alimentar nem estrutura metabólica adequada, o que facilita o ganho de
peso.”
Apesar
disso, a especialista destaca que é possível manter os resultados sem o uso
contínuo da medicação. “O tratamento medicamentoso não é a cura da obesidade,
mas uma ferramenta de controle. Para que o peso se mantenha estável, é
fundamental preservar a massa magra, garantir ingestão adequada de
proteínas, organizar horários de refeições e contar com acompanhamento
nutricional”, orienta.
Para
evitar o chamado “efeito rebote”, Irani defende um plano alimentar
individualizado e sustentável. “O melhor plano é aquele que promove consciência
alimentar, sem culpa ou radicalismos. O objetivo não é controlar a comida de
forma rígida, mas desenvolver autonomia e aprender a se autorregular diante das
escolhas alimentares”, conclui.
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