Queda precoce de estrogênio pode comprometer não apenas a fertilidade, mas também a saúde óssea, cardiovascular e cognitiva, elevando o risco de doenças associadas
Para uma parcela
significativa da população feminina, a menopausa pode chegar muito antes do
esperado. A chamada menopausa precoce, que ocorre antes dos 40 anos de idade,
ainda é pouco conhecida e seus sinais tendem a passar despercebidos. O
diagnóstico costuma ser tardio e afetar saúde, rotina e planos de vida de
mulheres em idade reprodutiva, inclusive o desejo de ser mãe.
Essa é a principal
diferença entre a menopausa precoce e a que se dá na faixa etária típica (a
partir dos 50 anos): o impacto sobre a qualidade de vida. Isso porque quando a
perda de estrogênio é antecipada, ela pode intensificar sintomas, como ondas de
calor, secura vaginal, alterações de humor, além de riscos de longo prazo, como
osteoporose e problemas cardíacos - infartos e AVCs.
“Quanto à
fertilidade, essa condição precoce indica que a reserva ovariana está extremamente
baixa. As estimativas mostram que entre 5% e 10% das mulheres diagnosticadas
ainda conseguem engravidar espontaneamente”, explica a ginecologista e cirurgiã
minimamente invasiva do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dra. Débora
Maranhão.
“Esse é um ponto
sensível e de um impacto relevante, especialmente para quem tem desejo
reprodutivo e, sem aviso prévio, se vê em uma situação desfavorável à
realização desse sonho. É preciso avaliar e tratar com empatia. Cada caso é um
caso, e não uma sentença. Por isso, informação e acompanhamento médico são
fundamentais”, ressalta a especialista.
Sinais a
serem investigados
Mulheres com menos
de 40 anos que apresentam irregularidades no ciclo menstrual ou passam três ou
mais meses sem menstruar devem investigar a possibilidade de insuficiência
ovariana. “Esses sinais, somados a sintomas como secura vaginal, perda de
libido e alterações de humor, são indicativos importantes para o diagnóstico”,
reforça a ginecologista. Veja quando desconfiar:
- Irregularidade
menstrual;
- Secura
ou atrofia vaginal;
- Ondas
de calor;
- Perda
da libido;
- Alterações
de humor;
- Dificuldades
cognitivas;
- Insônia
e irritabilidade;
- Incontinência
e infecção urinária.
A condição pode
causar ainda atrofia vaginal, incontinência e infecções urinárias recorrentes.
Outra evidência comum são os famosos fogachos ou ondas de calor, que em geral
afetam a qualidade do sono, causam mais irritabilidade e reduzem a qualidade de
vida da mulher como um todo. Para prevenir essas e outras complicações, tratar
o quanto antes faz a diferença.
Tratamento
individualizado
A reposição
hormonal é o tratamento de primeira linha para aliviar os sintomas e prevenir
intercorrências, explica a Dra. Débora: “Temos resultados positivos entre as
mulheres que repõem de maneira adequada e com acompanhamento médico. É
fundamental que cada caso seja avaliado individualmente, de forma criteriosa,
antes da indicação terapêutica”.
Se de um lado o
uso de medicação requer um olhar clínico mais apurado, de outro, ações
complementares simples podem ajudar a amenizar o quadro. Prática de atividade
física, dieta balanceada e anti-inflamatória, e uso de suplementos naturais,
como maca peruana e isoflavonas, podem ter papel coadjuvante, mas significativo
no manejo da condição.
Origem e
fatores associados
Cerca de 90% dos
casos de menopausa precoce não têm uma causa clara e são classificados como
idiopáticos, ou seja, permanecem com origem indefinida mesmo após investigação.
Os 10% restantes têm origem genética ou estão associados a doenças autoimunes,
tratamentos médicos agressivos, como quimioterapia e radioterapia, ou ainda à
retirada cirúrgica dos ovários.
“A maior parte das
mulheres afetadas não apresenta predisposição genética, mas o histórico
familiar pode ser considerado um fator de risco. Então, caso a mãe tenha tido
menopausa precoce, as chances de a filha ter é um pouco maior, mas isso não é
determinante. O mais importante é estar sempre atenta e buscar ajuda médica o
quanto antes”, destaca a ginecologista do Hospital Santa Catarina - Paulista.
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