Acometendo
10% da população brasileira, doença renal crônica não causa dor ou sintomas
específicos nas fases iniciais, agravando casos se não há acompanhamento
periódico
No dia 12 de março é celebrado o Dia
Mundial do Rim, campanha global que tem como proposta ampliar a
conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce da doença renal
crônica e, ao mesmo tempo, reforçar a necessidade de práticas sustentáveis na
saúde.
A doença renal crônica é considerada silenciosa
e atinge milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, cerca de 10%
da população tem o diagnóstico da doença, segundo o Ministério da
Saúde. De acordo com o nefrologista do Grupo São Lucas Ribeirão Preto, Dr.
Filipe Miranda Bernardes (CRM 202097 | RQE 112141), a maioria dos casos
não apresenta sintomas iniciais, fazendo com que muitos
pacientes descubram o problema apenas em estágios avançados, quando já há perda
significativa da função dos rins.
“A doença renal crônica não costuma
causar dor ou sinais específicos no começo. O rim vai perdendo função
lentamente e o organismo compensa por muito tempo. Quando surgem sintomas como
inchaço, anemia ou pressão descontrolada, muitas vezes a função já está
bastante comprometida”, explica o especialista.
O diagnóstico tardio pode resultar em
complicações cardiovasculares e, em muitos casos, na necessidade de diálise ou
transplante renal. Por isso, exames simples e acessíveis fazem toda a diferença.
A dosagem de creatinina no sangue,
acompanhada da estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG), além da
pesquisa de albumina na urina, são ferramentas fundamentais para identificar
precocemente alterações na função renal. Os exames estão
disponíveis nas redes públicas e privadas.
“Quando identificamos a doença nas
fases iniciais, conseguimos controlar melhor fatores como pressão alta e
diabetes, ajustar medicações e introduzir tratamentos modernos que reduzem a
progressão da doença. Diagnóstico precoce significa mais tempo com os rins
funcionando e mais qualidade de vida”, destaca.
Sustentabilidade também
entra em pauta
Com a temática “Cuidar de pessoas e
proteger o planeta”, a campanha em 2026 chama atenção para a relação entre
saúde renal e meio ambiente. Situações como calor extremo, desidratação frequente
e poluição estão associadas ao aumento do risco de lesões renais.
Além disso, o tratamento de hemodiálise
demanda grande volume de água tratada, cerca de 120 a 200 litros por
sessão. Considerando que muitos pacientes realizam três sessões por semana, o
impacto ambiental é significativo.
“Nosso país ainda enfrenta
desigualdades no acesso aos exames simples de detecção e diagnóstico, bem
como barreiras que impedem que recebam o tratamento que precisam. Por
isso, sustentabilidade na saúde também precisa entrar na pauta da nefrologia,
com tecnologias mais eficientes, reaproveitamento responsável e consciência
ambiental”, enfatiza o médico.
Avanços da ciência trazem
novas perspectivas
A evolução da medicina é constante e
abre novos caminhos na área da nefrologia. Pesquisas internacionais
investigam o desenvolvimento de rins artificiais portáteis e dispositivos
implantáveis. Recentemente, um xenotransplante experimental, que caracteriza o
transplante de órgãos ou tecidos de uma espécie para outra, principalmente de
porcos para humanos, foi realizado no Massachusetts General Hospital, nos
Estados Unidos, marcando um passo relevante nas pesquisas sobre transplantes
com órgãos de origem animal.
Na prática clínica, novos medicamentos
têm demonstrado eficácia na redução da progressão da doença renal crônica e do
risco cardiovascular, ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes,
especialmente aqueles com diabetes.
A principal orientação é de
que pessoas com fatores de risco precisam investigar regularmente a saúde
dos rins. Entre os principais grupos de atenção, para além dos
diabéticos, estão pacientes com hipertensão,
obesidade e histórico familiar de doença renal, além de quem já
apresentou alterações em exames ou possui apenas um rim.
“A doença renal não dói, mas progride.
Quanto mais cedo identificarmos, maior a chance de controlar. Cuidar dos rins é
cuidar do coração, do cérebro e da qualidade de vida. Prevenção e diagnóstico
precoce salvam rins e salvam vidas”, conclui.
Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)
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