Mesmo com a preferência pela segurança
da caderneta, mais mulheres começam a diversificar e buscar investimentos de
maior possibilidade de retorno
Embora o uso da caderneta de poupança ainda alcance 69% das
mulheres investidoras, o produto vem perdendo força: desde 2021, sua
participação caiu 14 pontos percentuais, de acordo com a 9ª edição do Raio X do
Investidor Brasileiro, realizado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos
Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha.
O movimento reflete o avanço gradual da diversificação e o crescente interesse
das brasileiras por outros tipos de ativos.
PRODUTOS FINANCEIROS ENTRE AS MULHERES INVESTIDORAS. (apenas para marcação - ATENÇÃO

Fonte: 9° edição do Raio X do Investidor Brasileiro
De acordo com o levantamento, 31% das mulheres
brasileiras são investidoras. Desse grupo, 16% investem em títulos privados
(crescimento de nove pontos percentuais nos últimos cinco anos) e 10% aplicam
em fundos de investimentos (quatro pontos percentuais a mais em relação a
2021). Moedas digitais (7%), ações (3%), títulos públicos via Tesouro Direto
(4%), previdência privada (5%) e moedas estrangeiras (3%) completam os
investimentos mais populares entre as mulheres.
Essa transição reflete o dilema entre a proteção e o ganho:
enquanto a poupança é valorizada pela simplicidade, liquidez imediata e
percepção de segurança, os títulos, ações e fundos ganham espaço por oferecerem
possibilidade de retornos superiores. Esse cenário divide as prioridades, de
acordo com o Raio X do Investidor: entre as investidoras, 31% veem o retorno financeiro
como a principal vantagem de aplicar o dinheiro, enquanto 27% priorizam a
segurança financeira
“O ‘medo de arriscar’ está sendo substituído aos poucos pela busca
consciente por proteção contra a inflação e pela percepção de que aceitar
pequenas oscilações pode ser benéfico a longo prazo”, afirma Marcelo Billi,
superintendente de Sustentabilidade, Inovação e
Educação da Anbima. “Esse movimento é impulsionado por diversos
fatores, como a redução dos tickets de entrada para grande parte das alternativas
de investimentos, a emergência de arquiteturas abertas de distribuição, a
crescente inclusão financeira promovida por instituições de pagamentos e bancos
digitais e a democratização das fontes de informação, com a atuação dos
influenciadores digitais" , completa.
Construção da reserva de emergência
Apesar desse avanço na diversificação, a formação do “colchão
financeiro” continua sendo o maior desafio estrutural. Hoje, 13% das mulheres
investidoras não têm qualquer reserva de emergência. Entre as principais
barreiras para essa segurança estão o custo de vida: 27% das entrevistadas que
investem afirmam que seus gastos superam a renda mensal e 47% vivem no “zero a
zero”, com despesas equivalentes aos ganhos.
MULHERES INVESTIDORAS CUJOS GASTOS SUPERAM, SÃO IGUAIS OU
MENORES À RENDA.
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| Fonte: 9° edição do Raio X do Investidor Brasileiro |
Esse desequilíbrio entre a renda e os gastos aparece como um dos principais entraves para que mais mulheres consigam investir e para que o setor cresça. O estudo revela baixa resiliência financeira entre as mulheres: somente 36% das investidoras possuem reserva para seis meses ou mais. Quando incluímos também na amostra as mulheres que não conseguem investir (ou seja, as investidoras e as que não investem), o cenário é mais crítico, com apenas 20% do contingente contando com reserva de emergência com mais de seis meses.
RESERVAS FINANCEIRAS DAS MULHERES INVESTIDORAS
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| Fonte: 9° edição do Raio X do Investidor Brasileiro |
Sobre o Raio X do Investidor Brasileiro
Em sua 9ª edição, o Raio X do Investidor Brasileiro é
o maior estudo sobre o comportamento financeiro do país. Retrata a população
com 16 anos ou mais, o que equivale a 168,1 milhões de pessoas economicamente
ativas (48% homens e 51% mulheres), com média de idade de 44 anos. O estudo
ouviu 5.832 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 4 e 21 de
novembro de 2025. A margem de erro é de um ponto percentual.
Anbima -
Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais


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