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segunda-feira, 9 de março de 2026

Empreendedorismo feminino: celebrar avanços e enfrentar desafios

“Mais mulheres empreendendo significa mais diversidade de ideias, maior resiliência econômica e mais dinamismo para as economias locais”


O Dia Internacional da Mulher é um momento de reflexão sobre conquistas, mas também de olhar atento para os desafios que ainda persistem. No universo do empreendedorismo, as mulheres brasileiras têm demonstrado força, criatividade e capacidade de transformação, impulsionando negócios, gerando renda e contribuindo de forma decisiva para a economia do país.

Hoje, mais de 10 milhões de mulheres estão à frente de negócios no Brasil. Esse recorde expressa tanto a resiliência quanto a iniciativa feminina diante de um mercado em constante transformação.

Apesar desse aumento em participação, o cenário revela fragilidades estruturais que podem limitar a sustentabilidade e o crescimento desses empreendimentos. Em termos de representatividade, as mulheres correspondem a cerca de 34% dos empreendedores, sinalizando progresso, mas também evidenciando que ainda existem barreiras relevantes para a plena igualdade de gênero na economia.

Um dos maiores desafios que nossas empreendedoras enfrentam é o acesso ao crédito. Estudos apontam que apenas uma parcela reduzida dos recursos destinados a pequenos negócios, cerca de 25%, chega às mulheres, enquanto muitas linhas de financiamento beneficiam majoritariamente os empreendimentos masculinos. Essa diferença significa menos capital para investimentos, estoque e profissionalização das empresas lideradas por mulheres.

Outro obstáculo são as taxas de juros mais altas cobradas das empreendedoras. Pesquisas indicam que empresárias, especialmente as microempreendedoras, chegam a pagar taxas médias efetivas superiores às dos homens, reduzindo ainda mais a viabilidade financeira de expansão dos seus negócios. Essa diferença agrava desigualdades já existentes e aumenta o risco de endividamento e fechamento prematuro.

Também é preciso considerar a realidade da jornada feminina. Muitas mulheres acumulam uma dupla ou tripla jornada que envolve administrar o negócio, cuidar da casa e também da família. Essa sobrecarga limita o tempo dedicado à gestão estratégica, à capacitação, ao networking e à busca por novos mercados. Estudos apontam altos índices de sobrecarga entre empreendedoras, com impactos diretos na produtividade, na capacidade de inovação e no crescimento dos negócios.

As desigualdades raciais também atravessam esse ecossistema. Negócios de propriedade de mulheres negras tendem a ser menores, com menor formalização e menor renda média, o que evidencia a necessidade de políticas específicas de inclusão e fomento capazes de reduzir essa assimetria territorial e racial.

Para os próximos anos, é fundamental consolidar os ganhos de participação feminina e reduzir as vulnerabilidades que limitam a qualidade desse avanço.

Fortalecer o empreendedorismo feminino exige ampliar o acesso das mulheres ao crédito em condições mais justas e compatíveis com a realidade das micro e pequenas empresárias. Isso passa pela criação e expansão de instrumentos financeiros com juros mais acessíveis, garantias adequadas e programas específicos voltados às mulheres empreendedoras, especialmente às microempreendedoras individuais e às mulheres negras, que ainda enfrentam barreiras adicionais para acessar capital e investir no crescimento de seus negócios.

Outro eixo essencial é a ampliação de programas de capacitação, consultorias e redes de mentoria que apoiem o desenvolvimento empresarial feminino. A digitalização desses serviços e a oferta em formatos mais flexíveis tornam essas iniciativas mais acessíveis a mulheres que conciliam múltiplas responsabilidades e que, muitas vezes, têm menos tempo disponível para investir em qualificação e planejamento estratégico.

Também é fundamental ampliar a participação de empresas lideradas por mulheres nas cadeias produtivas e nas compras públicas. Políticas de incentivo e mecanismos que estimulem governos e grandes empresas a contratar mais produtos e serviços de empreendedoras contribuem para gerar escala, estabilidade e novas oportunidades de crescimento para esses negócios, fortalecendo um ecossistema mais inclusivo e dinâmico para a economia brasileira.

O Brasil vive um momento promissor para o protagonismo feminino no empreendedorismo. Mais mulheres empreendendo significa mais diversidade de ideias, maior resiliência econômica e mais dinamismo para as economias locais.

Neste Dia Internacional da Mulher, celebrar esse avanço é essencial. Mas é igualmente necessário reconhecer que o fortalecimento do empreendedorismo feminino depende de ações estruturais capazes de garantir igualdade de oportunidades. Transformar presença em protagonismo econômico é um passo fundamental para o desenvolvimento sustentável do país.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**



Ana Claudia Badra Cotait - Presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) Nacional da CACB e dos CMECs da ACSP e da Facesp

https://dcomercio.com.br/publicacao/s/empreendedorismo-feminino-celebrar-avancos-e-enfrentar-desafios



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