O mercado brasileiro vive um momento de expansão na
agenda de dados. Empresas de diferentes setores ampliaram investimentos em
plataformas analíticas, modernização de ERP, inteligência artificial e
arquitetura em nuvem. No entanto, apesar da aceleração tecnológica, a
maturidade ainda não acompanha o investimento.
Embora o Brasil lidere a maturidade digital entre
os países da América Latina, globalmente, nosso país ocupa a 42ª posição,
figurando atrás de nações emergentes como Tailândia e Cazaquistão, conforme
dados apontados pelo Instituto Brasileiro de Soberania Digital.
Na última década, a transformação digital foi
focada na implantação de sistemas. Agora, o desafio é estrutural: transformar
dados em ativos estratégicos confiáveis, governados e conectados ao negócio. E
é justamente nesse ponto que reside o gargalo; afinal, investir não é o mesmo
que amadurecer.
Grande parte das organizações brasileiras já possui
ferramentas de Business Intelligence (BI) consolidadas,
data warehouses estruturados e dashboards sofisticados. No entanto, a
maturidade de dados não se mede pela quantidade de relatórios, mas sim pela
consistência, padronização e capacidade de tomada de decisão baseada em dados
confiáveis.
Na prática, o mercado brasileiro ainda se concentra
majoritariamente entre dois estágios: BI estruturado, porém dependente de TI; e
governança em construção, mas sem um modelo organizacional claro. Ou seja,
poucas empresas operam, de fato, como organizações data-driven, assim como
poucas possuem uma arquitetura preparada para escalar a inteligência artificial
com segurança e confiabilidade.
O Brasil possui características que tornam o avanço
ainda mais complexo: ausência de "dono do dado", não deixando clara a
responsabilidade por qualidade e padronização; indicadores divergentes entre as
áreas — financeiro, comercial e operações trabalham com números diferentes;
excesso de planilhas paralelas, com soluções locais que substituem a governança
corporativa; arquitetura fragmentada, tendo múltiplas bases e integrações sem
visão unificada; e tecnologia sem uma estratégia de dados definida, em que
ferramentas avançadas operam sem um modelo organizacional estruturado.
Diante desse cenário, o que vemos são muitas
empresas adquirindo tecnologia antes de consolidar a estratégia de dados. O
resultado é um ambiente com múltiplas soluções, mas sem integração plena e governança
consistente. Neste contexto, ofertas como, por exemplo, o SAP BDC, surge como
resposta à necessidade de conectar o transacional, o analítico e o planejamento
em uma arquitetura unificada, reduzindo redundâncias e aumentando a
confiabilidade dos indicadores estratégicos.
Entretanto, a tecnologia por si só não resolve a
maturidade. Sem definições claras de quem é o dono do dado, um modelo de
governança ativo e alinhamento organizacional, mesmo as plataformas mais
modernas operam abaixo do seu potencial.
O avanço da IA Generativa aumentou a pressão sobre
a agenda de dados. Muitas empresas iniciaram pilotos de inteligência
artificial, mas poucas possuem uma base estruturada para escalar essas
iniciativas. A realidade é simples: sem qualidade, padronização e uma
arquitetura consistente, a IA se torna apenas um experimento isolado, e não uma
alavanca estratégica.
O mercado brasileiro já demonstrou capacidade de investimento. O próximo avanço, porém, precisa ser menos tecnológico e mais organizacional. As empresas que estruturarem dados como produto, com governança ativa, arquitetura consistente e integração entre execução e planejamento, estarão mais preparadas para competir em um ambiente orientado por inteligência. O Brasil acelerou investimentos. Agora, é preciso acelerar a maturidade.
Andrey Menegassi - especialista em arquitetura de dados no ecossistema SAP e diretor da Solveplan.
SolvePlan
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