
Uso de ‘chupeta antiestresse’
por adultos causa problemas à saúde bucal
Pixabay
Profissionais
de saúde alertam para os riscos e indicam estratégias para eliminar o hábito
Após a onda dos
bebês reborn, uma nova moda que começou na China e se espalhou nas
redes sociais chama a atenção em todo mundo. O uso da chupeta ‘antiestresse’
por adultos está provocando discussões entre especialistas da área da saúde,
pois além do aspecto comportamental, a tendência de adultos usarem um acessório
atribuído às crianças também levanta questões relacionadas à saúde bucal.
“Essa atitude pode
ocasionar alterações na mordida, no alinhamento e o desgaste irregular dos
dentes em virtude da pressão constante. Também pode haver traumas periodontais,
retrações gengivais que levam à exposição da raiz, gerando sensibilidade,
mobilidade nos dentes e retração do osso”, explica a coordenadora do curso de
Odontologia do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR) e mestre em Endodontia,
Thamara Maluf.
O uso frequente da
chupeta por adultos ainda pode afetar a articulação temporomandibular - que
liga a mandíbula ao crânio e permite os movimentos da boca – causar alterações
na musculatura orofacial e zumbidos. As consequências podem ser dor, estalos,
dificuldade para abrir ou fechar a boca e problemas relacionados à mastigação e
à fala.
Risco de
infecções e outros males
Além de comprometer a dentição, o uso frequente do acessório infantil pode trazer outras ameaças à saúde. “Esse pequeno objeto pode aumentar a chance de infecções orais e respiratórias”, ressalta Thamara.
Os impactos
psicológicos também não estão descartados. A especialista salienta que o uso da
chupeta por adultos pode criar dependência comportamental como mecanismo de
enfrentamento do estresse, o que dificulta a busca por estratégias mais
saudáveis.
Reversão
dos danos
Uma vez constatados, os problemas de saúde bucal provocados pela ‘chupeta antiestresse’ podem receber diferentes tratamentos, a depender da gravidade.
“Pequenas
alterações na mordida podem se corrigir naturalmente, após a interrupção do
hábito. Por outro lado, casos mais severos podem exigir tratamento ortodôntico,
fisioterapia orofacial ou acompanhamento com especialista em disfunções
temporomandibulares. Já as lesões musculares ou articulares precisam de
acompanhamento odontológico especializado para controle da dor e reabilitação”,
orienta a coordenadora do curso de Odontologia do Centro Universitário
Integrado.
Dicas
para abolir o hábito
Para quem deseja
eliminar esse hábito - que traz mais prejuízos à saúde do que os supostos
benefícios ‘antiestresse’ mencionados nas redes sociais, sem nenhuma
comprovação científica - Thamara Maluf repassa algumas dicas.
· Técnicas de
relaxamento: Pratique a respiração, meditação, atividade
física ou alongamento. Isso ajuda o corpo e a mente a gerir as respostas ao
estresse;
· Substitutos
menos prejudiciais: Faça exercícios com bolinhas
antiestresse ou a mastigação de gomas sem açúcar;
· Acompanhamento: Para
casos em que o hábito esteja associado à ansiedade ou a compulsões, busque a
ajuda de um psicólogo ou de outros profissionais de saúde;
· Orientação
odontológica: Fale com um dentista para avaliar se já
existem danos à saúde bucal, para receber apoio e prevenir casos mais graves.
Centro
Universitário Integrado
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