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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Pressão controlada ajuda a preservar a saúde e a independência da pessoa idosa

Diretriz brasileira atualiza metas e reforça prevenção de infarto, AVC e perda da função renal

 

Recentemente, a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, que agora trata a pressão “12 por 8” como um sinal de alerta, pegou muitas pessoas de surpresa, já que durante muitos anos ela foi considerada normal. 

De acordo com cardiologista, Dr. Roberto Dischinger Miranda, geriatra especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o novo documento passou a incorporar evidências científicas mais robustas relacionadas ao controle da pressão em pessoas com mais de 60 anos. Ele explica que uma das principais novidades é a uniformização das metas de controle da pressão arterial. “Pela primeira vez, adultos e pessoas idosas passam a ter o mesmo objetivo, que é manter a pressão abaixo de 13 por 8, tanto na aferição em consultórios quanto nos exames complementares, como monitorização ambulatorial (MAPA) e residencial (MRPA).” 

No entanto, há exceções. Dr. Miranda revela que para pacientes muito idosos (acima de 80 a 85 anos) ou portadores de síndrome da fragilidade (diminuição global das reservas orgânicas), apesar da meta ser a mesma, deve-se ter um cuidado maior com o início e progressão do tratamento. Alguns destes indivíduos podem não tolerar a meta de 13 por 8, daí devemos chegar o mais próximo possível destes valores, desde que bem tolerados. 

“Outra mudança relevante é em relação ao conceito de pré-hipertensão, que foi ampliado. Embora não represente diagnóstico imediato de doença, essa categoria tem função estratégica, que é alertar as pessoas com maior risco de progressão para hipertensão, exigindo maior atenção ao monitoramento regular da pressão e medidas rigorosas de prevenção”, relata, ao comentar que pesquisas mostram que pessoas com valores entre 120 e 129 mmHg já apresentam risco cardiovascular superior as com níveis mais baixos, fato que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo.

 

Riscos e medidas preventivas

O processo de envelhecimento também influencia esses resultados. Estudos também mostram que o endurecimento natural dos vasos sanguíneos, associado a fatores como diabetes, colesterol elevado, sedentarismo e tabagismo, faz com que a pressão arterial suba com a idade, principalmente a pressão sistólica. “Não por acaso, quase dois terços da população 60+ é hipertensa e mesmo as pessoas que chegam nessa faixa-etária sem o diagnóstico, têm risco elevado de desenvolver essa condição ao longo das duas décadas seguintes.” 

Segundo o cardiologista e geriatra, além dos riscos de infarto do miocárdio, AVC e a perda progressiva da função renal, a hipertensão provoca alterações silenciosas nas estruturas dos vasos e no músculo cardíaco, podendo provocar arritmias, insuficiência cardíaca e doenças vasculares periféricas. 

“O tratamento não medicamentoso continua sendo um pilar essencial da Diretriz, com impacto comprovado na redução da pressão arterial”, aponta, ao citar o controle do peso, a alimentação com menor teor de sódio, a prática de atividades físicas, o controle do estresse, a diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas e o abandono do cigarro como medidas preventivas e cuidados com a saúde para a população no geral. “No caso das pessoas idosas, a orientação precisa ser individualizada. Por exemplo, um paciente com dor articular importante, pode necessitar de adaptação do exercício físico. Já as com perda de apetite podem sofrer consequências ao reduzirem o sal de maneira exagerada. O fato é que o planejamento precisa ser realizado por equipe multiprofissional, incluindo enfermeira, nutricionista, fisioterapeuta, educador físico, médico.” 

Para o Dr. Miranda, ao uniformizar metas, reforçar o olhar para a prevenção precoce e orientar condutas baseadas em evidências, a nova diretriz reforça o papel do diagnóstico preciso e do acompanhamento a longo prazo. “Mais que tratar a hipertensão, o objetivo é frear seu impacto cumulativo sobre o cérebro, o coração e os rins, protegendo a saúde a saúde da população idosa brasileira”, atesta.

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG



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