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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Negligência com a saúde bucal pode causar problemas em todo o corpo

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Aftas repetitivas e sangramentos podem ser indício de falta de vitaminas, sensibilidades alimentares, distúrbios imunológicos e até doenças autoimunes, alerta especialista 

 

A crença de que uma boa saúde bucal se resume a dentes brancos e a um sorriso alinhado ainda está impregnada no senso comum. Ledo engano: a negligência nos cuidados com essa região, porta de entrada dos sistemas digestivo e respiratório, pode interferir no funcionamento do corpo com um todo. 

Para André Naufel, cirurgião-dentista e coordenador do curso de Odontologia do Centro Universitário UniBH, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, a integração entre boca e organismo é tão profunda que já não faz sentido tratá-los separadamente. “Entendemos que a boca está ligada a todas as funções do corpo. Ela participa da mastigação, da fala, da respiração e reflete como está nossa saúde geral. É impossível separar a saúde bucal da saúde global”, afirma. 

Apesar da relevância, a população ainda não trata o tema com a importância necessária. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em colaboração com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 55% dos brasileiros não realizam consultas odontológicas anuais, como recomendado. Isso ocorre mesmo com o país ocupando o posto de maior concentração de dentistas no mundo (mais de 390 mil profissionais em atividade e 71.292 clínicas especializadas). 

A região bucal merece atenção, principalmente, porque, segundo André, alguns sinais podem ser os primeiros indícios de problemas maiores. “Feridas que não cicatrizam, sangramentos frequentes, alterações na língua, ressecamento extremo e mau hálito persistente, podem indicar doenças metabólicas ou nutricionais”, destaca.

O especialista acrescenta que aftas repetitivas e machucados constantes também podem sinalizar falta de vitaminas, sensibilidades alimentares, distúrbios imunológicos e até doenças autoimunes. 

O docente do UniBH explica ainda que condições como gengivite e periodontite aumentam o risco cardiovascular por manterem um estado de inflamação crônica que interfere no equilíbrio do organismo e facilita processos prejudiciais ao coração e à circulação. Já o estresse emocional pode agravar o bruxismo. “O estresse aumenta o chamado “apertamento” dos dentes, prejudicando o sono e a oclusão do paciente no médio e longo prazo.”

 

Pilares da prevenção em saúde bucal  

O cirurgião-dentista reforça que a higiene adequada, com escovação após as refeições e uso diário do fio dental, somados à alimentação equilibrada, boa hidratação e consultas regulares ao dentista são hábitos essenciais para a manutenção da saúde bucal. “Esses cuidados reduzem inflamações e melhoram a saúde como um todo, contribuindo para um organismo mais equilibrado”. 

Por fim, ele alerta ainda para sinais que devem levar o paciente a buscar atendimento imediato: dor intensa, sangramento persistente, febre associada a problemas na boca, dificuldade para abrir a boca, inchaço acentuado e lesões que não desaparecem após 15 dias. “Cuidar da boca é cuidar da saúde inteira. Não é só estética, é bem-estar, prevenção e qualidade de vida. Saúde bucal é, sobretudo, vida saudável”, conclui.

 

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