Aftas repetitivas e sangramentos podem ser indício
de falta de vitaminas, sensibilidades alimentares, distúrbios imunológicos e
até doenças autoimunes, alerta especialista Pexels.com
A
crença de que uma boa saúde bucal se resume a dentes brancos e a um sorriso
alinhado ainda está impregnada no senso comum. Ledo engano: a negligência nos
cuidados com essa região, porta de entrada dos sistemas digestivo e
respiratório, pode interferir no funcionamento do corpo com um todo.
Para
André Naufel, cirurgião-dentista e coordenador do curso de Odontologia do
Centro Universitário UniBH, integrante do maior e mais inovador ecossistema de
qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, a integração entre boca e organismo é
tão profunda que já não faz sentido tratá-los separadamente. “Entendemos que a
boca está ligada a todas as funções do corpo. Ela participa da mastigação, da
fala, da respiração e reflete como está nossa saúde geral. É impossível separar
a saúde bucal da saúde global”, afirma.
Apesar
da relevância, a população ainda não trata o tema com a importância necessária.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em colaboração com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 55% dos brasileiros
não realizam consultas odontológicas anuais, como recomendado. Isso ocorre
mesmo com o país ocupando o posto de maior concentração de dentistas no mundo (mais
de 390 mil profissionais em atividade e 71.292 clínicas especializadas).
A
região bucal merece atenção, principalmente, porque, segundo André, alguns
sinais podem ser os primeiros indícios de problemas maiores. “Feridas que não
cicatrizam, sangramentos frequentes, alterações na língua, ressecamento extremo
e mau hálito persistente, podem indicar doenças metabólicas ou nutricionais”,
destaca.
O
especialista acrescenta que aftas repetitivas e machucados constantes também
podem sinalizar falta de vitaminas, sensibilidades alimentares, distúrbios
imunológicos e até doenças autoimunes.
O
docente do UniBH explica ainda que condições como gengivite e periodontite
aumentam o risco cardiovascular por manterem um estado de inflamação crônica
que interfere no equilíbrio do organismo e facilita processos prejudiciais ao
coração e à circulação. Já o estresse emocional pode agravar o bruxismo. “O
estresse aumenta o chamado “apertamento” dos dentes, prejudicando o sono e a
oclusão do paciente no médio e longo prazo.”
Pilares da prevenção em saúde bucal
O
cirurgião-dentista reforça que a higiene adequada, com escovação após as
refeições e uso diário do fio dental, somados à alimentação equilibrada, boa
hidratação e consultas regulares ao dentista são hábitos essenciais para a
manutenção da saúde bucal. “Esses cuidados reduzem inflamações e melhoram a
saúde como um todo, contribuindo para um organismo mais equilibrado”.
Por
fim, ele alerta ainda para sinais que devem levar o paciente a buscar
atendimento imediato: dor intensa, sangramento persistente, febre associada a
problemas na boca, dificuldade para abrir a boca, inchaço acentuado e lesões
que não desaparecem após 15 dias. “Cuidar da boca é cuidar da saúde inteira.
Não é só estética, é bem-estar, prevenção e qualidade de vida. Saúde bucal é,
sobretudo, vida saudável”, conclui.
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