Cardiologista Dr. Fernando Scolari, do HC e do
Hospital Moinhos de Vento (RS), comenta riscos e recomendações para atletas e
praticantes de pedestrianismo
A
morte recente do corredor amador José da Silva Nogueira Neto, 48 anos, durante
a Meia Maratona de João Pessoa (PB), cuja necropsia confirmou Cardiomiopatia
Hipertrófica (CMH) e infartos prévios, reacendeu o debate sobre uma das doenças
cardíacas mais silenciosas e potencialmente fatais entre jovens adultos e
atletas.
O
acontecido se soma a outros recentes, como o falecimento de João Gabriel
Hofstatter De Lamare, 20 anos, que sofreu parada cardíaca durante uma prova em
Porto Alegre, episódio que motivou iniciativas de conscientização e a criação
da ONG Corre com o Coração. Situações como essas, junto a casos históricos de
grande repercussão no esporte, como o de Serginho (São Caetano, 2004),
continuam evidenciando a urgência do diagnóstico precoce.
Uma doença silenciosa que pode evoluir para morte súbita
A
cardiomiopatia hipertrófica é caracterizada pelo espessamento anormal do
músculo cardíaco, que pode dificultar a circulação sanguínea e gerar arritmias
potencialmente fatais, mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis1.
“A
CMH pode não apresentar sintomas e, por isso, muitos pacientes só descobrem a
condição após um evento grave. Atletas e praticantes de corrida, especialmente
os que participam de provas de longa distância, precisam entender que boa forma
física não substitui avaliação cardiológica,” explica o Dr. Fernando Scolari,
cardiologista do Hospital das Clínicas (HC) e do Hospital Moinhos de Vento, em
Porto Alegre.
Popularização das corridas aumenta a urgência de prevenção
Com
a crescente adesão às corridas de rua no Brasil, especialistas recomendam maior
rigor em protocolos de saúde, tanto por parte dos atletas quanto das
organizações esportivas.
Segundo
o Dr. Scolari, o risco é amplificado quando provas envolvem calor excessivo,
hidratação inadequada ou esforço além da capacidade individual.
“O
ideal é que todo atleta amador realize, pelo menos uma vez ao ano, um
eletrocardiograma e um ecocardiograma. São exames simples, acessíveis e capazes
de identificar alterações compatíveis com CMH e outras cardiopatias,” afirma.
Sinais de alerta e exames recomendados
Embora
a CMH possa ser assintomática, o cardiologista destaca sinais que devem motivar
avaliação imediata, como desmaios ou quase-desmaios durante prática esportiva,
dor torácica ao esforço, palpitações persistentes e histórico familiar de morte
súbita.
“Não é alarmismo, é orientação baseada em evidências. Identificar a CMH precocemente salva vidas. E quando diagnosticamos, conseguimos orientar o paciente com segurança sobre limites de treino, necessidade de medicação ou até procedimentos preventivos,” reforça o especialista.
Bristol Myers Squibb (BMS)
Referências científicas:
1 - Ardisson, G. M. C.; Ribeiro de Souza, T. — Cardiomiopatia Hipertrófica: uma revisão de literatura. REASE – Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 9, 2025. DOI: 10.51891/rease.v10i9.15756.
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