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sábado, 3 de janeiro de 2026

Mortes recentes em corridas reforçam alerta para cardiomiopatia hipertrófica: especialista destaca necessidade de exames preventivos e diagnóstico precoce

  

Cardiologista Dr. Fernando Scolari, do HC e do Hospital Moinhos de Vento (RS), comenta riscos e recomendações para atletas e praticantes de pedestrianismo 
 

A morte recente do corredor amador José da Silva Nogueira Neto, 48 anos, durante a Meia Maratona de João Pessoa (PB), cuja necropsia confirmou Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH) e infartos prévios, reacendeu o debate sobre uma das doenças cardíacas mais silenciosas e potencialmente fatais entre jovens adultos e atletas. 

O acontecido se soma a outros recentes, como o falecimento de João Gabriel Hofstatter De Lamare, 20 anos, que sofreu parada cardíaca durante uma prova em Porto Alegre, episódio que motivou iniciativas de conscientização e a criação da ONG Corre com o Coração. Situações como essas, junto a casos históricos de grande repercussão no esporte, como o de Serginho (São Caetano, 2004), continuam evidenciando a urgência do diagnóstico precoce.
 

Uma doença silenciosa que pode evoluir para morte súbita 

A cardiomiopatia hipertrófica é caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, que pode dificultar a circulação sanguínea e gerar arritmias potencialmente fatais, mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis1. 

“A CMH pode não apresentar sintomas e, por isso, muitos pacientes só descobrem a condição após um evento grave. Atletas e praticantes de corrida, especialmente os que participam de provas de longa distância, precisam entender que boa forma física não substitui avaliação cardiológica,” explica o Dr. Fernando Scolari, cardiologista do Hospital das Clínicas (HC) e do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
 

Popularização das corridas aumenta a urgência de prevenção 

Com a crescente adesão às corridas de rua no Brasil, especialistas recomendam maior rigor em protocolos de saúde, tanto por parte dos atletas quanto das organizações esportivas. 

Segundo o Dr. Scolari, o risco é amplificado quando provas envolvem calor excessivo, hidratação inadequada ou esforço além da capacidade individual. 

“O ideal é que todo atleta amador realize, pelo menos uma vez ao ano, um eletrocardiograma e um ecocardiograma. São exames simples, acessíveis e capazes de identificar alterações compatíveis com CMH e outras cardiopatias,” afirma.
 

Sinais de alerta e exames recomendados 

Embora a CMH possa ser assintomática, o cardiologista destaca sinais que devem motivar avaliação imediata, como desmaios ou quase-desmaios durante prática esportiva, dor torácica ao esforço, palpitações persistentes e histórico familiar de morte súbita. 

“Não é alarmismo, é orientação baseada em evidências. Identificar a CMH precocemente salva vidas. E quando diagnosticamos, conseguimos orientar o paciente com segurança sobre limites de treino, necessidade de medicação ou até procedimentos preventivos,” reforça o especialista. 

 

Bristol Myers Squibb (BMS)


Referências científicas:
1 - Ardisson, G. M. C.; Ribeiro de Souza, T. — Cardiomiopatia Hipertrófica: uma revisão de literatura. REASE – Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 9, 2025. DOI: 10.51891/rease.v10i9.15756.


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