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sábado, 3 de janeiro de 2026

Como reconhecer um infarto que não dói

 Mulheres, idosos e pessoas com comorbidades estão entre os mais afetados por quadros assintomáticos; enjoo, sudorese e mal-estar podem indicar risco iminente, alerta cardiologista

 

Reconhecer os sinais silenciosos ou incomuns de um infarto pode ser decisivo para salvar vidas. A cardiologista Tati Guerra, professora do curso de Medicina do Centro Universitário UniBH explica que o chamado “infarto silencioso” é aquele no qual o paciente não apresenta a dor intensa no peito irradiando para o braço ou mandíbula, que é o padrão mais comum. “Às vezes, surge apenas um desconforto leve, uma falta de ar ou um enjoo, e por isso ele não procura atendimento, o que faz o infarto passar despercebido”, destaca. 

Ainda segundo a especialista, outros sintomas aparentemente banais podem, na verdade, indicar um risco iminente. “Sudorese repentina, dor na boca do estômago ou um mal-estar difuso podem ser manifestações de um infarto. Muitas vezes são leves e atribuídos a cansaço, ansiedade ou má digestão, e acabam ignorados”, explica Tati Guerra. 

Grupos específicos têm maior probabilidade de apresentar quadros silenciosos ou atípicos: mulheres, idosos, pessoas com doença renal crônica e pacientes que já passaram por cirurgias cardíacas ou angioplastias. “Nesses casos, qualquer sintoma fora do habitual deve servir de alerta. Mesmo um desconforto mínimo precisa ser investigado”, reforça. 

Diferentemente do que muitos acreditam, o infarto não costuma enviar sinais dias ou semanas antes. “O infarto é um evento agudo. Ele acontece de forma súbita, com dor intensa ou de maneira silenciosa, mas não dá pistas premonitórias longas. O que existe é a necessidade de atenção constante aos fatores de risco”, esclarece a cardiologista. 

Entre esses fatores estão: hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e histórico familiar. Pessoas acima de 40 anos devem fazer avaliações anuais. 

Guerra destaca que além dos check-ups tradicionais, alguns exames ajudam a mapear a saúde do coração. “O perfil lipídico, a glicose, a avaliação da pressão arterial e o rastreio de fatores como obesidade e doenças renais são essenciais. Também avaliamos a presença de placas de gordura em artérias, como carótidas e aorta”, detalha. 

Um exame cada vez mais utilizado em casos selecionados, segundo a docente do UniBH, é o score de cálcio coronariano. “Ele não é indicado para todos, mas é muito útil quando temos dúvida sobre o risco cardiovascular do paciente. Quanto maior o cálcio nas artérias coronárias, maior o risco, e mais agressivo deve ser o controle dos fatores de risco”, acrescenta.

 

Quando procurar ajuda imediatamente?

Tati Guerra afirma eu mesmo na ausência de dor no peito, sinais como desconforto no tórax, braços, mandíbula ou boca do estômago; mal-estar súbito; náuseas e vômitos intensos sem causa aparente; sudorese profusa; e sensação de desmaio ou perda de força devem motivar busca imediata por atendimento. 

A especialista pontua ainda que muitos infartos silenciosos só são descobertos depois, em exames de imagem. “A sequela mais comum é a cicatriz no coração. Ela aparece no eletrocardiograma, no ecocardiograma ou em outros exames que mostram uma área que não se movimenta adequadamente por falta de irrigação”, diz.

Por fim, quando o assunto é prevenção, a recomendação da cardiologista é clara: foco no estilo de vida e na rotina de cuidados. “Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, evitar fumar, manejo do estresse e exames periódicos são as estratégias mais eficientes para prevenir o infarto, silencioso ou não”, conclui. 


Doenças que mais matam  

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no país: são 400 mil óbitos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). 

A cada 90 segundos, um brasileiro morre por complicações no coração, totalizando 46 mortes por hora. A boa notícia é que 80% desses casos são evitáveis com prevenção e diagnóstico precoce.


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