Reconhecer
os sinais silenciosos ou incomuns de um infarto pode ser decisivo para salvar
vidas. A cardiologista Tati Guerra, professora do curso de Medicina do Centro
Universitário UniBH explica que o chamado “infarto silencioso” é aquele no qual
o paciente não apresenta a dor intensa no peito irradiando para o braço ou
mandíbula, que é o padrão mais comum. “Às vezes, surge apenas um desconforto
leve, uma falta de ar ou um enjoo, e por isso ele não procura atendimento, o
que faz o infarto passar despercebido”, destaca.
Ainda
segundo a especialista, outros sintomas aparentemente banais podem, na verdade,
indicar um risco iminente. “Sudorese repentina, dor na boca do estômago ou um
mal-estar difuso podem ser manifestações de um infarto. Muitas vezes são leves
e atribuídos a cansaço, ansiedade ou má digestão, e acabam ignorados”, explica
Tati Guerra.
Grupos
específicos têm maior probabilidade de apresentar quadros silenciosos ou
atípicos: mulheres, idosos, pessoas com doença renal crônica e pacientes que já
passaram por cirurgias cardíacas ou angioplastias. “Nesses casos, qualquer
sintoma fora do habitual deve servir de alerta. Mesmo um desconforto mínimo
precisa ser investigado”, reforça.
Diferentemente
do que muitos acreditam, o infarto não costuma enviar sinais dias ou semanas
antes. “O infarto é um evento agudo. Ele acontece de forma súbita, com dor
intensa ou de maneira silenciosa, mas não dá pistas premonitórias longas. O que
existe é a necessidade de atenção constante aos fatores de risco”, esclarece a
cardiologista.
Entre
esses fatores estão: hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo,
sedentarismo, obesidade e histórico familiar. Pessoas acima de 40 anos devem
fazer avaliações anuais.
Guerra
destaca que além dos check-ups tradicionais, alguns exames ajudam a mapear a
saúde do coração. “O perfil lipídico, a glicose, a avaliação da pressão
arterial e o rastreio de fatores como obesidade e doenças renais são essenciais.
Também avaliamos a presença de placas de gordura em artérias, como carótidas e
aorta”, detalha.
Um
exame cada vez mais utilizado em casos selecionados, segundo a docente do
UniBH, é o score de cálcio coronariano. “Ele não é indicado para todos, mas é
muito útil quando temos dúvida sobre o risco cardiovascular do paciente. Quanto
maior o cálcio nas artérias coronárias, maior o risco, e mais agressivo deve
ser o controle dos fatores de risco”, acrescenta.
Quando procurar ajuda imediatamente?
Tati
Guerra afirma eu mesmo na ausência de dor no peito, sinais como desconforto no
tórax, braços, mandíbula ou boca do estômago; mal-estar súbito; náuseas e
vômitos intensos sem causa aparente; sudorese profusa; e sensação de desmaio ou
perda de força devem motivar busca imediata por atendimento.
A especialista pontua ainda que muitos infartos silenciosos só são descobertos depois, em exames de imagem. “A sequela mais comum é a cicatriz no coração. Ela aparece no eletrocardiograma, no ecocardiograma ou em outros exames que mostram uma área que não se movimenta adequadamente por falta de irrigação”, diz.
Por fim, quando o assunto é prevenção, a recomendação da cardiologista é clara: foco no estilo de vida e na rotina de cuidados. “Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, evitar fumar, manejo do estresse e exames periódicos são as estratégias mais eficientes para prevenir o infarto, silencioso ou não”, conclui.
Doenças que mais matam
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no país: são 400 mil óbitos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
A cada 90 segundos, um brasileiro morre por complicações no coração, totalizando 46 mortes por hora. A boa notícia é que 80% desses casos são evitáveis com prevenção e diagnóstico precoce.
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