Imunização, rastreamento e informação são pilares para frear uma doença que ainda afeta milhares de mulheres e segue como um dos maiores desafios da saúde feminina no país
O
câncer de colo do útero segue sendo uma das principais causas de morte por
câncer entre mulheres no mundo e o mais letal entre aquelas com menos de 36
anos no Brasil. A principal origem da doença é a infecção persistente pelo HPV,
vírus extremamente comum e, em grande parte dos casos, evitável com medidas
preventivas simples e eficazes.
De
acordo com o GLOBOCAN 2023, são registrados 662 mil novos diagnósticos anuais
de câncer de colo do útero no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer
(INCA) estimou no último ano mais de 17 mil novos casos. “Falar de prevenção feminina é falar de HPV. E não
podemos mais tratar esse assunto como tabu. É um problema social, econômico e
de saúde pública”, afirma Larissa Müller Gomes, oncologista da Oncoclínicas.
Além do impacto direto na saúde, a doença traz consequências
sociais devastadoras. Estima-se que cerca de 200 mil crianças tornem-se órfãs
de mãe todos os anos em decorrência do câncer de colo do útero. “Esses números
traduzem o quanto ainda estamos falhando no cuidado antecipado. O câncer de
colo do útero é, em grande parte, evitável. Vacinação, rastreamento e
informação são as três chaves que podem mudar completamente essa realidade”,
reforça a especialista.
Nesse contexto, Andreia Melo, líder da especialidade tumores ginecológicos
da Oncoclínicas, destaca que agir antes da doença surgir precisa ser
prioridade. “A prevenção é a melhor escolha”, enfatiza. “É fundamental que famílias e profissionais de
saúde unam esforços para proteger meninas e meninos de uma doença grave, mas
evitável. Com números alarmantes no Brasil, o exemplo positivo de países como
os EUA mostra que o caminho para a redução do câncer de colo de útero passa
pela vacina e pela educação em saúde”.
A
infecção mais comum entre adultos sexualmente ativos
O HPV
é tão frequente que oito em cada dez pessoas terão contato com o vírus ao longo
da vida. Embora, na maioria dos casos, o organismo consiga eliminá-lo
naturalmente, a persistência de tipos de alto risco — especialmente os subtipos
16 e 18 — pode levar ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e, em alguns
anos, evoluir para o câncer.
O
estudo POP-Brasil (2015–2017) apontou prevalências que ultrapassam 60% em
algumas capitais, como Salvador, Brasília e São Luís. “Mulheres adultas e
sexualmente ativas permanecem em risco de novas infecções durante toda a vida,
o que reforça a importância da vacinação e do rastreamento contínuo, mesmo após
a juventude”, explica Larissa.
Vacinação
e rastreamento: dupla que salva vidas
A
vacinação contra o HPV é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
como a principal estratégia global para eliminar o câncer de colo do útero como
problema de saúde pública até 2030. Países que atingiram altas coberturas
vacinais, como a Escócia, já observam a quase eliminação da doença entre
mulheres vacinadas.
No
Brasil, porém, a adesão ainda é baixa: entre 2014 e 2023, apenas 56,8% dos
meninos e 81,1% das meninas receberam a primeira dose da vacina. “A vacina é segura,
eficaz e amplamente estudada. Infelizmente, ainda há desinformação e medo,
muitas vezes alimentados por fake news. Precisamos quebrar esses mitos e levar
informação de qualidade, principalmente aos pais e responsáveis”, reforça
Larissa.
Além
da imunização, o rastreamento com teste de DNA-HPV, recentemente incorporado às
diretrizes do Ministério da Saúde, representa um grande avanço. Mais sensível e
custo-efetivo do que o tradicional Papanicolau, o método detecta a infecção
antes que ela evolua para o câncer. “Quando combinamos vacinação e rastreamento
organizado, conseguimos reduzir drasticamente a mortalidade. É um investimento
em futuro e em equidade”, completa Larissa.
“Quando
diagnosticado precocemente, o câncer de colo de
útero tem uma possibilidade de redução de até 90% na mortalidade. Por isso, a
conscientização e a prevenção são fundamentais neste Janeiro Verde”, reforça
Andreia.
“Prevenir o câncer de colo do útero é um compromisso coletivo. “O HPV ainda é responsável por milhares de mortes evitáveis todos os anos. Falar sobre ele é cuidar da vida das mulheres, das famílias e das próximas gerações”, conclui Larissa.
Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário