Especialistas alertam que o entusiasmo típico do início do ano e das férias pode virar risco quando a prática de exercícios físicos começa sem avaliação médica. Check-up cardiológico, atenção à idade e constância são apontados como os primeiros passos para uma mudança segura de hábitos
O início de um novo ano costuma vir acompanhado de
resoluções ambiciosas: emagrecer, correr na praia, iniciar a academia ou
finalmente adotar uma rotina de exercícios. O cenário se repete a cada verão,
impulsionado pelo clima, pelo tempo livre das férias e pela sensação de
recomeço. No entanto, junto com a empolgação, surge um ponto de atenção
fundamental: como está a saúde do coração antes dessa virada de chave?
Segundo Dr.
Gustavo dos Reis Marques, cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini,
a decisão de se exercitar é, por si só, extremamente positiva. “Quando alguém
decide mudar hábitos e incluir a atividade física na rotina, isso já demonstra
cuidado consigo mesmo, e esse é um excelente sinal. Mas a preocupação com a
saúde precisa vir antes do primeiro treino”, destaca.
De acordo com o especialista, iniciar exercícios sem um
check-up pode ser arriscado, especialmente após períodos de excessos
alimentares, consumo maior de álcool e sedentarismo, comuns nas festas de fim
de ano. “O coração sente essas mudanças. Muitas pessoas passam meses, às vezes
anos, sem praticar atividade física e, de repente, querem correr quilômetros ou
fazer treinos intensos. Esse salto pode sobrecarregar o sistema
cardiovascular”, alerta o cardiologista.
A idade é outro fator que não pode ser ignorado. Dr.
Gustavo explica que, a partir dos 35 ou 40 anos, ou antes, em casos de
histórico familiar de doenças cardíacas, a avaliação médica se torna ainda mais
importante. “Exames simples, como eletrocardiograma, teste ergométrico e exames
laboratoriais, ajudam a entender como o coração responde ao esforço. Em alguns
casos, exames de imagem também são indicados. Não é excesso de zelo, é
prevenção”, reforça.
Para ele, o início de uma atividade física deve caminhar
junto com o acompanhamento regular da saúde. “O ideal é que as pessoas
incorporem o check-up à rotina, com avaliações semestrais ou anuais, dependendo
da idade e do histórico clínico. Isso vale tanto para quem está começando
quanto para quem já pratica esportes”, afirma.
Entre os exames considerados essenciais estão hemograma
completo, avaliação de colesterol e glicemia, exames de função renal e
hepática, além do acompanhamento da pressão arterial. “E não dá para abrir mão
da consulta com o cardiologista. Em muitos casos, o clínico geral, o
endocrinologista e até um ortopedista também fazem parte desse cuidado
integrado, principalmente para quem busca emagrecimento ou atividades de
impacto”, orienta o especialista.
A recomendação dos especialistas é clara: começar devagar
e com constância. Caminhadas leves, treinos progressivos e respeito aos limites
do corpo fazem toda a diferença. “O maior erro é achar que resultado rápido vem
com intensidade exagerada. O coração precisa de adaptação, assim como músculos
e articulações”, explica Dr. Gustavo. “Exercício é um investimento de longo
prazo. Não é sobre fazer muito em pouco tempo, mas sobre fazer sempre.”
Mais do que um alerta, a mensagem é um convite à
reflexão. Antes de calçar o tênis e sair para a tradicional corrida na beira da
praia ou no parque, vale a pergunta: estou fazendo do jeito certo? “A atividade
física salva vidas, melhora a qualidade de vida e reduz o risco de inúmeras
doenças. Mas ela precisa começar com informação, orientação médica e
responsabilidade”, conclui o cardiologista.
Em um período marcado por promessas e recomeços, o consenso entre os especialistas é que cuidar da saúde do coração não atrasa planos, ao contrário, garante que eles possam ser vividos com mais segurança, disposição e fôlego ao longo de todo o ano.
Hospital Cardiológico Costantini
https://hospitalcostantini.com.br/

Nenhum comentário:
Postar um comentário