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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

CORRERIA DE FIM DE ANO AUMENTA FRAUDES EM HOSPEDAGENS; PERITO EXPLICA COMO EVITAR PREJUÍZOS

Perito em crimes digitais alerta que até viajantes experientes podem ser enganados, veja dicas.


Com o calendário já em dezembro e a correria das viagens de fim de ano começando, o cenário para golpes fica ainda mais perigoso. Só no primeiro semestre deste ano, segundo a Febraban, foram registradas 174 mil ocorrências de fraudes online, muitas delas envolvendo páginas falsas que imitam e-commerces e promoções inexistentes enviadas por e-mail, SMS e WhatsApp.Na pressa de garantir uma hospedagem “boa e barata”, muitos viajantes acabam clicando nesses links e caindo em armadilhas cada vez mais sofisticadas, especialmente agora, quando a demanda sobe e a atenção diminui.

Os golpes vão desde anúncios falsos de casas e apartamentos de temporada até fraudes elaboradas que envolvem reservas inexistentes, links maliciosos e interceptação de dados em redes públicas de Wi-Fi. Wanderson Castilho, perito internacional em crimes digitais e CEO da Enetsec, explica que o final do ano é praticamente um prato cheio para os golpistas: “Em dezembro, as pessoas têm pressa e estão emocionalmente envolvidas com a ideia de viajar. Os criminosos sabem disso e investem tempo, tecnologia e estratégias mais elaboradas para fazer tudo parecer legítimo, de sites a documentos perfeitos”, afirma.

Ele lembra que até viajantes experientes podem ser enganados. “Hoje, 85% das compras são feitas online. Quanto mais dependemos da internet, mais fácil fica para o golpista criar uma narrativa convincente. Por isso é tão importante redobrar a atenção”, reforça

Para ajudar quem vai viajar, principalmente quem deixou tudo para a última hora, Wanderson Castilho lista as principais atitudes que podem impedir que um golpe transforme as férias em dor de cabeça.

Verifique se o site é verdadeiro: Antes de fazer qualquer reserva, o viajante precisa olhar além do cadeado e do “https”. Criminosos têm criado páginas falsas praticamente idênticas às originais, com o mesmo layout, cores e até falsos selos de segurança. Para evitar cair nesse tipo de armadilha, Castilho orienta que o usuário pesquise o nome da hospedagem no Google Maps e confirme se o endereço realmente existe, compare fotos para ver se não são imagens de bancos gratuitos e leia avaliações recentes, comentários repetidos, muito genéricos ou publicados todos no mesmo dia costumam indicar fraude. Outra regra essencial é nunca clicar em links enviados por mensagem ou redes sociais. “Quanto mais o site parece perfeito, mais atento você deve estar. Os golpistas são especialistas em copiar detalhes que passam despercebidos”, alerta o perito.

Fuja de ofertas boas demais: Ofertas irresistíveis são o anzol número um dos golpistas. Castilho explica que, no final do ano, os criminosos exploram justamente a ansiedade do viajante que deixou tudo para a última hora. Hospedagens luxuosas por valores muito abaixo do mercado, “última vaga disponível” ou contagens regressivas falsas são estratégias comuns para criar urgência e fazer a vítima agir por impulso. O recomendável é comparar o preço em diferentes plataformas e checar se a diferença entre os valores não é exagerada. Valores muito fora da realidade, principalmente em semanas de alta temporada, quase sempre indicam golpe. “Se a oferta parece uma oportunidade única, respire. Na maioria das vezes, é só um golpe muito bem montado”, afirma.

Use métodos de pagamento seguros: Outra orientação fundamental é optar por pagamentos que ofereçam possibilidade de contestação, como cartão de crédito ou plataformas reconhecidas. Golpistas raramente aceitam esse tipo de método; em vez disso, pedem PIX imediato, depósito bancário ou transferência para supostos “gerentes de reserva”. Quando isso acontece, é quase certo que se trata de fraude. Castilho reforça, ainda, que o consumidor nunca deve enviar fotos de documentos, dados de cartão de crédito ou informações pessoais por WhatsApp, e-mail ou mensagens diretas, já que esses canais são facilmente interceptados ou manipulados. “Golpe muito comum hoje é o falso atendimento do hotel pedindo confirmação via PIX. Parece profissional, mas é fraude”, explica.

Evite Wi-Fi público ao concluir reservas: A pressa e a conveniência fazem muitos viajantes realizarem reservas ou pagamentos usando Wi-Fi de aeroportos, shoppings ou cafés, mas essa prática pode abrir as portas para criminosos. Hackers conseguem criar redes falsas com nomes parecidos com os oficiais como “Hotel_FreeWiFi” ou “Aeroporto_WiFi” e, ao se conectar nelas, o usuário acaba entregando logins, senhas e até números de cartão. O ideal é usar a rede móvel do celular ou uma VPN confiável. Caso a conexão pública seja inevitável, nunca finalize compras, nem coloque informações pessoais.

Crie senhas fortes e ative dupla autenticação: Com o aumento das compras online, sobretudo em dezembro, senhas fracas se tornam um caminho rápido para prejuízos. Para o perito, é essencial usar combinações fortes, longas e diferentes para cada plataforma, além de ativar a verificação em duas etapas sempre que possível. Isso impede que o criminoso acesse suas contas mesmo que consiga sua senha por meio de vazamentos ou golpes de phishing. Outra recomendação é evitar salvar senhas automaticamente em computadores públicos ou no notebook do trabalho. “Uma única senha vazada pode abrir o caminho para golpes em cadeia”, ressalta

Por fim, priorize reservas em plataformas oficiais: Mesmo com tantas opções, reservar diretamente em plataformas grandes ou no site oficial do hotel ainda é a forma mais segura de viajar. Além de maior credibilidade, esses canais oferecem política de cancelamento clara, suporte eficiente e histórico de avaliações reais. Caso o viajante decida tratar diretamente com o proprietário, é fundamental pedir vídeos do imóvel feitos na hora, perguntar detalhes específicos sobre o local e verificar se o mesmo anúncio aparece em outras plataformas, muitas fraudes usam fotos roubadas de sites estrangeiros. Quando o anunciante insiste para finalizar a negociação “por fora” para “economizar taxas”, o alerta precisa ficar ainda maior. Esse é um dos modelos de golpe mais comuns hoje.

“A tecnologia evolui, mas os golpes também. O viajante precisa entender que a responsabilidade pela segurança digital não é apenas das plataformas. Parte dela está no comportamento: checar, confirmar e não agir no impulso”, finaliza o perito. 

 

Wanderson Castilho - Com mais de 5 mil casos resolvidos, o perito cibernético e físico, utiliza estratégias de detecção de mentiras e raciocínio lógico para interpretar os algoritmos dos crimes digitais. Autor de quatro livros importantes no segmento e há 30 anos no mercado, Wanderson Castilho refaz os passos dos criminosos virtuais para desvendar a metodologia empregada no crime digital. Certificado pelo Instituto de Treinamento de Análise de Comportamento (BATI) da Califórnia, responsável por treinar mais de 30 mil agentes policiais, entre eles profissionais do FBI, CIA e NSA. Também possui certificados em Certified Computing Professional – CCP – Mastery, Expert in Digital Forensics, é membro da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners). E sua recente certificação como Especialista em investigação de criptomoedas pelo Blockchain Intelligence Group, ferramenta usada pelo FBI, o coloca hoje em um patamar de um dos maiores profissionais em crimes digitais do mundo sendo um dos especialistas mais cotados para resolver crimes cibernéticos.


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