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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Biópsia transperineal revela câncer de próstata em 24

Nova técnica permite coleta em 24 horas, reduz riscos e melhora o diagnóstico do câncer de próstata 

 

Um estudo conduzido este ano pela Comissão de Câncer de Próstata da revista científica Lancet, uma das publicações de maior fator de impacto no mundo, previu uma duplicação global de casos para 2,9 milhões e um aumento de 85% nas mortes para quase 700.000 até 2040 de câncer de próstata. A avaliação costuma iniciar-se pelo Antígeno Prostático Específico (PSA) e pelo exame de toque retal, podendo avançar para a ressonância magnética da próstata quando há suspeitas. Se qualquer desses exames apresenta alterações, a biópsia se torna etapa fundamental para confirmar o diagnóstico.

Durante décadas, o método mais utilizado foi a biópsia transretal, realizada através do reto. Embora amplamente conhecida, essa técnica está associada a desconfortos, risco mais elevado de infecção e dificuldade de acesso a áreas mais profundas da próstata. Em contraste, a biópsia transperineal, feita pela pele do períneo, representa uma evolução importante: é mais segura, precisa, confortável e permite melhor amostragem — especialmente em regiões onde o câncer pode ser facilmente perdido na técnica antiga.

A cada ano, mais de 72 mil brasileiros recebem o diagnóstico de câncer de próstata, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar dos avanços no rastreamento, muitos tumores ainda são identificados tardiamente — e, não raro, após biópsias anteriores com resultado negativo, mesmo em pacientes que já apresentavam exames de imagem altamente suspeitos.

A biópsia transperineal da próstata é um novo método de diagnóstico com resultado urgente em até 24h úteis. Esse procedimento já é uma realidade no Brasil — permitindo um resultado muito mais ágil em comparação às médias nacionais, já que, na maior parte dos serviços, o resultado da biópsia costuma levar de dez a 30 dias para ser liberado. O médico Dr. Bruno Farnese, cirurgião e ultrassonografista, utiliza essa técnica desde 2022. A combinação entre a alta precisão da tecnologia, a experiência da equipe e a agilidade na entrega do resultado, tem levado pacientes de todo o Brasil a buscar atendimento em Minas Gerais.


Mais conforto e segurança: sem perfurar o reto e sem risco elevado de infecções

Diferente da técnica tradicional transretal, a biópsia transperineal é realizada pela pele, através do períneo, eliminando a necessidade de atravessar o reto com a agulha. Segundo o especialista, essa mudança traz benefícios significativos: reduz drasticamente o risco de infecções graves, evita sangramento retal por vários dias, oferece maior conforto durante a recuperação e diminui a chance de complicações que, em raros casos, exigiam cirurgia.

Além disso, o procedimento é feito em regime de hospital-dia. “O paciente chega pela manhã, é submetido à sedação, dorme durante toda a biópsia e recebe alta após algumas horas. Geralmente o paciente vai para casa no horário do almoço, sem dor e sem desconfortos significativos”, explica o Dr. Bruno.


Vantagens adicionais que melhoram conforto e segurança

A biópsia transperineal também oferece duas vantagens importantes em relação à técnica antiga transretal: não exige clister retal, preparo intestinal, frequentemente recomendado antes da biópsia transretal. De acordo com o médico, isso torna a experiência mais confortável e simplifica a logística do exame. “Dispensa o uso de antibióticos de largo espectro, tanto antes quanto depois do procedimento — alto padrão na técnica antiga. Isso aumenta a segurança, evita efeitos colaterais e reduz o risco de resistência bacteriana aos antibióticos, um problema crescente no Brasil e no mundo”, salienta.


Muito mais precisão e quase o dobro de material coletado

Esse tipo de biópsia, com fusão de imagens — que une ultrassom de alta precisão e ressonância magnética — permite obter quase o dobro de amostras em relação à técnica convencional, alcançando regiões antes difíceis de serem avaliadas. O ganho de eficácia é especialmente expressivo em áreas como: região anterior da próstata e ápice da próstata. “Nessas regiões, alguns estudos mostram detecção de apenas 25% pela biópsia transretal com fusão de imagens. Com a transperineal, atingimos cerca de 93% de detecção. Essa precisão reduz significativamente os falsos negativos, problema que frequentemente atrasa o diagnóstico e pode levar a piora clínica”, afirma o médico.


Quando a transperineal encontra o tumor que as outras não encontram

“Já recebi paciente com uma lesão altamente suspeita na ressonância. Ele fez duas biópsias transretais, ambas negativas, enquanto o PSA seguia subindo. Quando procurou nosso serviço, fizemos a biópsia transperineal e encontramos um câncer na região anterior — uma área muito difícil de acessar pela técnica convencional. Com a transperineal, talvez tivéssemos feito o diagnóstico já na primeira investigação”, relata o Dr. Bruno Farnese.


Especialmente indicada para quem já teve biópsia negativa

A biópsia transperineal é altamente recomendada para homens que já fizeram biópsia transretal negativa, mantêm PSA elevado ou em ascensão, apresentam lesões suspeitas em exames de imagem, têm próstata volumosa e não possuem reto (após cirurgia por câncer de intestino). Com técnicas adaptadas, é possível realizar a biópsia mesmo na ausência do reto — algo impossível pela via transretal.

O médico conta que esse tipo de biópsia é segura mesmo em pacientes anticoagulados. “Pouquíssimos serviços no país realizam a biópsia transperineal sem a suspensão desses medicamentos. Para pacientes cardíacos, vasculares ou em risco de trombose, isso faz toda a diferença”, destaca o Dr. Bruno.

Com o resultado em até 24 horas úteis permite agilizar a indicação de cirurgia robótica, liberar cirurgias em pacientes que estão usando sonda urinária, iniciar rapidamente o tratamento oncológico e reduzir a ansiedade quando o resultado é benigno. “Quando é câncer, o tempo faz diferença. E quando não é, o alívio é imediato. Esse retorno rápido muda totalmente a experiência do paciente”, diz o especialista.

Para finalizar, o médico conta que usa equipamentos de ultrassonografia preparados para biópsia transperineal com fusão de imagens. “O objetivo é simples: oferecer segurança, conforto, precisão e resultado rápido. No momento em que a suspeita de câncer aparece, cada detalhe importa”, salienta.

 

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